Heart Truths

1 Verdades do coração


Notas iniciais
Bem, essa é mais uma ideia louca que aparece repentinamente. RsrsEspero que gostem. Feliz Ano Novo!

Permita-se amar, abra as portas do seu coração. As pessoas costumavam dizer bastante isso a ela, e não posso negar, eu também. Mas Lucy sempre me perguntava quais seriam as consequências disso, se ela deixasse que as pessoas outra vez invadissem algo tão frágil que ela protegia com unhas e dentes depois que a mãe se foi.

Um tempo depois, porém, foi que ela me disse que isso não era possível, pois as portas de seu coração nunca foram fechadas, não havia uma trinca para que isso acontecesse. Não é possível mexer em algo que nem ao menos se deixa ser tocado. Acredito que o coração seja assim, ele dita as regras e segue o caminho que bem determinar, não importa o que as pessoas querem. Lucy me disse isso com convicção.

Ela o conhecera numa noite qualquer, o único diferencial daquelas que havíamos tendo era o frio colossal que vinha tomando conta da cidade. Costumávamos sempre ir à lanchonete a duas quadras de sua casa, faziam o melhor café de toda a Tóquio. Nunca se soube se havia algo mais nos ingredientes.

Ele era intrigante, possuía um olhar que nós não conseguíamos decifrar. Tinha aquela aparência robusta dos garotos mais velhos do colégio que já frequentavam a academia há um tempo.

Vi-me encantada no primeiro momento, mas meus sentimentos não importavam, nunca importaram. Lucy é quem merece todo o destaque nessa história. Eu estava sentada ao seu lado, de modo que não deixei escapar do meu alcance o olhar que ambos dirigiram um ao outro. Aquele foi o marco para o início do que gosto de chamar de uma verdadeira história de amor.

Eles voltaram a se encontrar na semana seguinte no mesmo local, eu já não estava com ela, mas isso não fez com que não soubesse de todos os detalhes. Naquela noite eles trocaram o número de telefone, e minutos mais tarde mensagens que posteriormente se transformaram em horas e horas falando ao celular.

Ambos alegavam que não passava de amizade, mas, por ser tão próxima de Lucy, sabia quais eram os seus sentimentos. Ela o amava, o problema estava em não ser correspondida. Bem, ao menos era o que dizia naquela época. Eu discordava, acho que eles nasceram para ficarem juntos, eram perfeitos, o complemento que faltava no coração de cada um. E mesmo quando pensava nisso, dizendo para mim mesma que nada interromperia aquele amor, uma dor fora do comum acometia-me toda vez que pensava nos dois juntos. Eu amava Natsu Dragneel, estava apaixonada pelo mesmo cara que Lucy.

Mas como disse anteriormente, o que senti nunca foi importante. O que eles sentiam brilhava mais.

Seria primoroso se continuasse assim, no entanto o destino começou a mexer as peças que faltavam no tabuleiro. Eles começaram a namorar, e o primeiro problema surgiu quando Lucy fora conhecer o seu futuro sogro. Era uma data especial o que faria daquela noite mais distinta ainda, no entanto, o que inicialmente era uma comemoração se tornou a maior humilhação que Lucy presenciou em sua vida.

Essas duas pessoas que a esse momento se amavam tanto quanto era humanamente possível, possuíam duas grandes diferenças que não importavam para eles, entretanto para a sociedade que os rodeava. E isso acabou interferindo de modo negativo no relacionamento deles.

O pai de Natsu, Sr. Igneel, era assim que ele se chamava, não aceitou o fato da namorada de seu único filho não ser de uma classe social semelhante a que tinham. Aquilo a despedaçou, eu estive com ela quando tentava recompor os cacos, e posso dizer que nunca a vi tão mal, foi a primeira vez que não soube o que fazer para ajudá-la. Não tinha como estender a mão se ela estava trabalhando em mim, colhendo meus próprios destroços. Nunca pensei que ver duas pessoas que amo tanto juntas pudesse doer tanto, mas, vê-las sofrendo doía ainda mais.

Esse problema separou-os inicialmente, no entanto, sempre soube que amor deles era maior que isto. E juntos, passaram pelo primeiro obstáculo dos muitos que vieram a seguir.

Deu-se entrada na faculdade, eles estudavam, trabalhavam arduamente e faziam planos para o futuro. Era bonito ver que algo tão forte ainda existisse naqueles dias de tanta obscuridade e desentendimento. Eu acompanhei passo a passo os seus progressos, a compra do lote, a construção da casa, cada móvel que compraram com tanto cuidado, cada detalhe da decoração que fizeram minimamente.

Mas Natsu e Lucy estavam longe de serem completamente felizes. Se o pai um dia foi um obstáculo agora ele se tornara uma gota numa tempestade. O problema estava em uma pessoa que aparecera do passado de Natsu. Parecia ser tudo cronometrado, pois ela surgira quando meus dois amigos não poderiam estar mais felizes.

Parece que com a sua vinda houve uma balançada no coração dele, nada que realmente merecesse muita atenção no momento. No entanto alguns anos mais tarde ela viera a se tornar o maior empecilho na felicidade daqueles dois.

Natsu e Lucy acabaram se casando depois dessa confusão. O amor deles estava mais resistente do que antes.

Quatro anos haviam se passado e eles estavam dizendo adeus à vida de universitários, não era como se eles estivessem tão tristes assim, Lucy não sentiria falta de ficar uma vez na semana toda uma noite acordada estudando a matéria. E com Natsu não era diferente. Ninguém poderia negar que eles lutavam como poucos aí fora faziam iguais.

Mas ao que devo realmente dar credibilidade foi a um incidente que matou a todos nós, não uma morte com uma luz no fim do túnel ou outra dimensão, foi algo que despedaçou uma parte de cada um dos que estavam ao seu lado. A nossa dor foi compartilhada e talvez isso tenha tornado tudo pior, quando se trata de algo solitário parece ser mais fácil de lidar, pois assim poderíamos ficar aliviados porque os únicos sofredores seríamos nós. Mas estamos falando de Natsu e Lucy, o mundo jamais seria o mesmo sem a presença deles.

Tudo começou na semana mais fria do ano, apenas esse fato já me assustava. Embora gostasse dos três cobertores que utilizava quando ia dormir aquele clima de inverno me trazia junto com ele o frio do vazio. Era algo que nem mesmo eu compreendia com exatidão, mas tudo poderia ser resumido a um mal estar que sentia nessa época do ano.

Em meados do mês de dezembro, sete anos haviam se passado desde que eles haviam se conhecido. E posso dizer, com toda convicção, que o que surgira entre eles duvidava que algum dia pudesse se acabar. Era forte demais, resistente, não havia nada que fosse forte o bastante para quebrar algo tão duradouro.

Aí estava o meu engano. Nunca pensei que algo tão simples como a fragilidade do ser humano fosse destruir aqueles dois.

Eles combinaram de se encontrar, os dois sozinhos em um restaurante que valia a pena levar a companheira. Erza, um amiga do casal, ficou de olhar a pequena Nana, como muitos gostavam de chamar. Era dócil e gentil, muito inteligente para o seu um ano e meio, ao mesmo tempo conseguia ser uma garotinha agitada que dava muito trabalho aos pais.

Fiquei por ajudar Lucy a se vestir, era como se houvéssemos voltado aos tempos do colegial. Ela estava nervosa como uma mocinha que estava para ter seu primeiro encontro. Ela queria surpreendê-lo. E com o que estávamos fazendo, se ainda existisse alguma dúvida com ele, elas estariam todas extintas. Natsu se apaixonaria outra vez pela sua mulher.

No entanto quando estávamos prestes a sair percebi que havia um pequeno recado pregado na tela da televisão. A letra era bela, e tinha a leve impressão de que a conhecia, só não consegui naquele momento me recordar de quando.

Senti culpa pelo resto da minha vida por isso.

“O amor é mesmo incondicional, vejam só, passaram-se anos desde que eles estiveram juntos, e novamente, muito tempo depois, ainda reside em ambos a chama desse sentimento.” — Era o que o bilhete dizia.

Não fazia muito sentindo, nenhuma de nós duas conseguimos compreender. Mas então, Lucy viu, sobre o controle do aparelho de DVD outro bilhete com a mesma letra.

“Rebente pipocas, busque um cobertor e sente-se para apreciar o espetáculo. O melhor filme de todos os tempos.”

Lucy ligou o aparelho e mudou o canal na televisão. Automaticamente o vídeo começou a rodar. Estava tudo escuro no começo, não permitindo que visualizássemos nada com exatidão. Mas então, com um efeito muito bem colocado, a luz surgia aos poucos permitindo que víssemos os dois protagonistas.

Uma era Lissana, a albina sorria para a câmera. E o outro, meus olhos se encheram de lágrimas juntamente com os de Lucy, era Natsu. Ele também sorriu para a câmera. Os dois estavam sobre uma cama com pouquíssimas vestes e o lençol que forrava o móvel estava completamente desajustado.

Tinha algo muito errado ali. Se nós duas tivéssemos prestado mais atenção quando vimos o vídeo teríamos percebido isso. Natsu não estava lúcido, pois quando voltei a rever o mesmo vídeo, alguns dias depois, ficou tão claro como água.

Lucy chamou um táxi, oito minutos depois, quando ele chegou, ela ia ao seu encontro.

Nosso amado rosado apareceu quando minha amiga abriu a porta e o tapa que ela lhe desferiu deixou seus cinco dedos da mão marcado em seu rosto.

— Eu não acredito que você foi capaz de fazer isto.

Ela entrou naquele táxi e eu não pude fazer outra coisa se não acompanhá-la. Pediu que o motorista nos levasse até o local mais longe de Tóquio que ele pudesse, e ele assim o fez. Observei pelo retrovisor que o carro preto de Natsu seguia-nos. O celular de Lucy começou a tocar logo em seguida.

Antes que ela me dissesse que não, eu o atendi. Coloquei-o em seu ouvido, mas ela quase o jogou pela janela. Acionei o viva-voz e deixei em minhas próprias mãos, talvez ainda tivesse chance para eles.

— Lucy eu posso explicar...

— Então você já esperava por isso não é mesmo? — Ela disse com a voz embargada. Eu que estava ao seu lado podia ver as lágrimas que desciam pelo seu rosto. — Eu pensei que aquele vídeo poderia ser uma montagem, mesmo que fosse impossível, ainda tinha esperanças.

— Então foi o vídeo que ela lhe mandou? — Ele estava desesperado, a voz dele falhava. Naquele momento ficou claro para mim que ele não tinha culpa, Natsu jamais trairia a confiança de Lucy. — Escute-me meu amor... Ela vem me ameaçando com esse vídeo há alguns meses. Lissana preparou uma emboscada para nós dois, ela quer que nós nos separemos. — Ele se calou por um momento, mas notando que Lucy não diria nada continuou: — Eu estava drogado quando isso aconteceu, mas posso jurar que nada ocorreu entre nós. Nem mesmo um beijo Lucy. Acredite em mim, eu te amo demais para querer qualquer outra mulher.

— Como posso ter certeza disso? — Ela disse esgotada.

— Preciso que acredite em mim. — Pudemos ouvir sua respiração pesada do outro lado da linha. — Lissana é mais perigosa do que aparenta ser, ela tem uma arma. Tem contato com gente da pesada. Eu te amo Lucy, você sempre será a única pra mim. — Natsu terminou.

O motorista ao ouvir as palavras do meu amigo, virou-se para nós.

— Escute moça eu não quero problemas para mim...

— Eu também te amo Natsu. Lissana nunca vai conseguir nos separar, nunc...

Foi quando senti o baque do meu corpo com o vidro. Quando olhei para Lucy ao meu lado as lágrimas afloraram. Ela estava ferida de uma maneira que meu coração já não tinha esperanças. Mas os problemas não acabaram por aí, se não bastasse o caminhão que havíamos peitado o carro de Natsu que estava atrás de nós, também peitou.

E foi nesse momento que tudo escureceu.

Acordei no hospital uma semana depois completamente enfaixada, eu havia quebrado as duas pernas e um braço. Mas o pior ainda estava por vir.

Lucy morreu na hora, não deu tempo nem mesmo de a ambulância chegar. Um dos vidros da janela do carro havia lhe acertado no pescoço. E Natsu, Natsu não usava o cinto de segurança. Ele chegou a ser socorrido, mas os ferimentos foram tão graves que não resistiu. Eu perdi meus dois melhores amigos, as duas pessoas que eu mais amava em uma única noite.

Nunca soube o motivo de ter sido a única sobrevivente do acidente. Não havia motivos para isso. Natsu e Lucy tinham um futuro lindo juntos. Eles tinham uma filha para criar, e ela precisava deles.

Eu chorei tanto naquele dia, como se não fosse ter outra oportunidade. A dor que me assolava não tinha proporções era maior que qualquer coisa que eu já tinha sentido.

— Levy McGarden

Atualidade

— Você não acha que as pessoas gostariam de saber o final de Lisanna? — Gajeel veio até mim trazendo uma bandeja de frutas.

— Você tem razão, eu me esqueci dela. — Ri com o meu engano e risquei o meu nome no final da folha. Antes que eu pegasse a caneta sobre a mesa uma linda menina apareceu correndo trazendo-me um pirulito. — Obrigada Nana.

Quando ela se foi saltitante como veio continuei a escrever:

“Um tempo depois eu entrei na justiça pedindo a guarde da filha deles, foi difícil tendo Igneel Dragneel como um concorrente. Mas os anjos estavam ao meu lado e eu consegui.

Lissana quando ficou sabendo da morte do casal entrou em depressão. É meio cômico saber que ela sofreu com a morte deles, acho que o certo a dizer seria que ela sofreu com a morte dele. Ela o amava apesar de tudo, um amor doentio, louco, que não os levariam a lugar algum.

Com o tempo se concretizou o que eu lá no fundo já sabia, ela enlouqueceu. Mas não antes de me confessar tudo. Aquela mulher havia drogado Natsu, por isso o motivo dele estar com ela. Meses depois descobri que ela havia se suicidado no manicômio, havia se enforcado com a cortina.

Os dias que se seguiram não foram fáceis, eu estava certa quando disse que o mundo sem Natsu e Lucy não seria o mesmo. Ao menos o meu mundo. Mas eu continuei firme por aquela menina linda que eles haviam deixado para trás: Nana. Eu sabia que onde é que estivessem eles queriam que eu cuidasse dela e assim o fiz, até os dias de hoje.

Dois anos depois que tudo aconteceu, eu conheci Gajeel RedFox, o meu verdadeiro amor. Eu fico feliz por não ter sido tão baixa quanto Lissana e tentado separar aquele casal, talvez se assim como eu, se não tivesse feito tanto mal, e percebesse que nada no mundo poderia separá-los, quem sabe tivesse encontrado o amor como eu encontrei. Talvez se estivesse menos preocupada com eles, ela teria percebido a verdade dentro de seu próprio coração”

Voltei a colocar meu nome no final da folha seguinte. Guardei-a dentro do caderno para as próximas correções. Ela teria o lugar especial no meu jornal da próxima semana. Ele era lido por muita gente, e essas pessoas conheceriam a história dos meus dois melhores amigos.

Fim!

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!