Notas iniciais
oizinho

então, desde que eu postei aquela outra fanfic (luce mia) eu fiquei muito animadinho com o conceito will nerd deslocado & nico punk anarquista trevoso. essa fanfic nasceu com o único objetivo de eu alimentar essa vontade de ver os dois nessa dinâmica...

é a primeira fanfic em muito tempo que eu posto que não é de um capítulo só então eu tô animadinho asjkdhfkajsd o plano é essa fanfic ter 4 capítulos, mas vai saber, né.

eu espero muito muito muito que cês gostem ♥ o próximo cap é pelo ponto de vista do nico, mas esse aqui é pelo ponto de vista do will

até mais ♥

Quando o aluno novo chegou na classe, dois meses depois do início das aulas, Will não estava em um momento muito bom para se preocupar com esse tipo de coisa. Se fosse praticamente qualquer outro momento de sua vida, ele teria passado horas conversando com Cecil e tentando stalkear o mais novo colega em todas as redes sociais. Era era algo que os dois costumavam fazer, xeretar a vida das pessoas, mas isso não aconteceu dessa vez. Will tinha outras coisas a fazer.

Mesmo assim, ouviu muito sobre Nico di Angelo. Cecil fez questão disso.

Na verdade, Cecil fez relatórios sobre a vida do garoto.

— Ele veio da Itália. — foi o que Will ouviu o amigo dizer na aula de gramática, apenas alguns minutos depois de ficar sabendo sobre a existência de Nico. Will não deu muito créditos para aquela informação. Di Angelo era um sobrenome bem italiano.

— Ele tem dezessete anos. — Cecil falou durante o intervalo. — Dizem que fez o primeiro ano duas vezes. Ele é primo de Percy Jackson e o signo dele é aquário.

Agora dava para dar créditos.

Will não sabia de onde Cecil arranjava todas aquelas informações, muito menos como, mas já estava acostumado com o amigo sabendo de praticamente tudo sobre as pessoas à sua volta.

Ele era um fofoqueiro, mesmo que não admitisse isso jamais.

Mas Will não julgava Cecil. O próprio Will não admitiria muitas coisas mesmo que sua vida dependesse disso.

Uma dessas coisas era que Nico di Angelo era totalmente o tipo de Will.

Nico tinha um piercing no septo e outro na orelha. Seu cabelo era preto, meio bagunçado — ok, totalmente bagunçado, mas de um jeito bonito. Não tinha um peitoral definido como os jogadores de futebol, por exemplo, mas também não era magricelo. E tinha tatuagens. Muitas. Havia uma no ombro que Will nunca tinha conseguido ver por completo por culpa do uniforme escolar, outras três espalhadas pelo braço direito e duas no esquerdo. Se perguntava quais outras tatuagens e piercings escondidos Nico tinha.

Isso sem falar que Nico era abertamente gay.

Gay! No ensino médio! E às vezes usava delineador nos olhos! O quão incrível era isso?

Spoiler: muito incrível.

Will sentia inveja. Apenas Cecil e Lou Ellen — seus melhores amigos — sabiam que Will era pansexual.

Além de tudo isso, Nico simplesmente andava por aí com aquele ar Eu não me importo com o que você pensa que fazia Will suspirar toda vez. Talvez bad boy fosse mesmo o tipo de Will.

Algumas pessoas tentaram fazer piadas sobre a sexualidade de Nico, mas ele nunca pareceu abalado. Em um episódio específico, um garoto falou "viadinho" quando Nico foi chamado para ler um poema em voz alta na aula de literatura.

Tudo o que ele respondeu foi:

— Levou muito tempo pra descobrir isso, Sherlock?

A sala inteira riu. Will achou aquilo inspirador.

Nico estava destinado a não ter muita gente implicando com ele de qualquer forma. Estava sempre andando com Jason Grace e Percy Jackson, afinal. Os dois garotos mais populares do colégio. Ninguém arranjaria intriga com os dois se não quisesse ter a vida social destruída.

Sem contar que um pouco depois de Nico entrar na escola Jason Grace saiu do armário como bissexual.

Inspirador.

Seja como for, demorou um pouco para Will realmente prestar atenção em Nico di Angelo.

Sim, a atração física esteve presente desde o primeiro momento — seria impossível ser diferente. Nico havia saído de todos os sonhos mais perversos e Will — mas a atração romântica levou um pouco mais de tempo.

E fez Will se sentir ainda mais patético.

Will não estava procurando por atração romântica alguma. Na verdade, tinha uma promessa a si mesmo para evitar isso. Estava mais preocupado com os estudos. Era o seu penúltimo ano no ensino médio. Se queria ser mesmo um médico, precisava se empenhar. E muito.

Além disso, havia feito uma promessa a si mesmo para ficar fluente em francês logo, então precisava de tempo para se dedicar. Já sabia italiano e espanhol, mas seu francês ainda estava muito ruim.

E, claro, tinha toda a história com Lou Ellen.

Cecil, Lou e Will eram amigos desde infância. Will nunca conseguiu ver nada romântico com nenhum deles. Isso sequer passava pela sua cabeça. Quero dizer, Cecil e Lou estavam em seu aniversário de oito anos. Cecil e Lou estiveram lá quando Will começou a questionar a própria sexualidade. Lou estava lá quando Will caiu da bicicleta e chorou por quase uma hora. Cecil estava lá quando Will descobriu como os bebês nasciam. Foi por isso que ficou tão surpreso quando Lou o beijou no primeiro dia de aula daquele ano.

Will não sabia dizer porque correspondeu imediatamente. Talvez porque fosse seu primeiro beijo, ou porque não se deu conta do que aquilo realmente significava, ou porque não queria magoar Lou.

O fato é que ele magoou, mesmo sem querer.

Tentou deixar as coisas claras, mas só piorou tudo.

— Eu não sinto o mesmo, Lou. Eu não vejo você dessa forma. Nós ainda podemos ser amigos, por favor?

— Não. Nós não podemos ser amigos. E sabe porquê? Porque você me deu esperanças. Mentiu pra mim. E ainda fica com esse papo de ser pansexual. Isso nem existe. Você é gay.

Will sabia que Lou havia dito aquilo tudo apenas movida pela raiva, mas doeu de qualquer forma. Ela sabia que a sexualidade de Will era um ponto delicado para ele. Foram anos se questionando e se entendendo. Aquilo simplesmente foi golpe baixo.

Depois de Lou dizer aquelas coisas, ela se afastou tanto de Cecil quanto de Will. Pela primeira vez em anos os três não estavam mais juntos a todo momento.

Havia coisas demais na cabeça de Will para ele pensar em Nico como algo além de "O garoto que eu beijaria se fosse corajoso o suficiente para chegar em alguém". Ele queria se concentrar apenas em tirar notas boas e em consertar as coisas com Lou.

Isso, é claro, até aquela tarde.

Aquela tarde.

Aquela maldita tarde.

Will nunca foi muito próximo de seus dois irmãos. Austin e Lee eram cinco anos mais novos e um de seus passatempos preferidos era implicar com o irmão mais velho.

Não dava para os culpar exatamente. Will era um alvo fácil. Não sabia se impor e sempre colocava os outros acima de si. Isso foi um problema no ensino fundamental, quando era usado de saco de pancadas e empurrado no meio do corredor sem motivo algum, então é óbvio que seria um problema dentro da própria família.

Mesmo assim, quando a mãe de Will pedia para que ele fizesse algo para seus irmãos, Will obedecia, porque esse era seu papel de bom filho. Foi por isso que naquela maldita tarde Will andou por quase vinte minutos para buscar os gêmeos na casa de uma colega da escola. Eles estavam fazendo um trabalho escolar qualquer e Naomi Solace definitivamente não confiava nos dois filhos menores andando por aí sozinhos.

Will tocou a campainha distraidamente, mas quando a porta foi aberta ele definitivamente não estava mais distraído.

Porque Nico di Angelo estava em sua frente.

Sem camisa.

Com o cabelo mais bagunçado que o normal.

E segurando um livro em uma das mãos.

Will sentiu todo o ar sumir em sua volta. Ainda mais quando reparou que o livro era uma coleção de poesias do Bukowski. Ele tinha um igualzinho.

Como é que se respira, mesmo?

— Ei, você é Will, não é? — Nico disse, como se aquilo tudo fosse normal.

Bem, talvez fosse normal para ele.

Mas, merda, não era Nico que estava vendo a pessoa mais linda do mundo em sua frente.

E ainda sem camisa.

Will só conseguiu acenar em concordância. Ele devia estar tão patético naquele momento. Podia sentir o sangue subindo em seu rosto, como todas as vezes em que ficava envergonhado e não sabia o que fazer.

Nico o encarou por alguns segundos, então Will se deu conta de que deveria dizer algo.

— E-eu... Hã... Vim buscar meus irmãos.

Ah! Austin e Lee são seus irmãos? Faz sentido. Digo, a cabeleira loira e os olhos azuis.

Will não conseguiu pensar em algo para dizer. Nico se virou de costas — e que costas. Jesus, por que tudo nele é lindo? — e gritou para alguém de dentro de casa:

— Hazel! Diga tchau para seus amigos.

Depois disso, Will se lembrava apenas de voltar para a casa tentando não deixar os gêmeos serem atropelados por algum carro.

Agora ele sabia o endereço de Nico di Angelo, mas não tinha nada de útil para fazer com essa informação.

Além, claro, de ser um garoto patético que escreve cartas endereçadas que nunca serão enviadas.

Will não sabia dizer exatamente quando começou com toda a história das cartas. Lou não estava mais falando com ele e Cecil, por mais que fosse seu melhor amigo, dificilmente conseguiria guardar para si mesmo as coisas que Will gostaria de dizer.

E não havia chance alguma de ir conversar com Nico, ou qualquer outra pessoa.

Talvez Will fosse solitário demais. Sua mãe dizia isso.

Will pensou no assunto naquela noite, enquanto lia em seu celular um poema antigo em italiano. Ele deu um pequeno sorriso com isso. Não apenas porque fazia pouco tempo que podia dizer que estava fluente e isso o deixava orgulhoso, mas porque, às vezes, quando estava lendo algo em italiano, pensava em Nico. Já tinha o ouvido dizer algumas palavras italianas no meio das aulas... Ele gostava de falar palavrões. Ninguém compreendia, claro. Apenas Will, provavelmente. Honestamente? Era a coisa mais sexy do mundo.

Na verdade, Will fazia muitas coisas pensando em Nico, não apenas ler poemas.

E isso incluia quando ficava por mais tempo que o necessário no banho ou quando se trancava no quarto e abria uma aba anônima no computador. Ele sempre se sentia culpado depois disso. Era ridículo. Sabia que masturbação era algo completamente normal e que não deveria se envergonhar, mas fazer aquilo pensando em Nico? Patético. Nico provavelmente não estava nem aí com a existência de Will. Nico jamais o olharia daquela forma. Will estava destinado a ser apenas mais um colega sem graça dele.

Se ao menos Will tivesse a coragem de dizer um "Oi" que fosse para Nico... Mas não. Apenas a ideia disso o deixava envergonhado.

Não tinha muita explicação. Ele apenas gostava de Nico. Da sua voz, da forma como ele olhou para Will quando abriu a porta, como ele nunca deixava ninguém mandar nele...

Will não conseguia ver um cenário possível em que pudesse conversar com Nico sem suar e gaguejar e sem Nico rir na sua cara por ser tão patético.

Nico era tão... Nico.

Agora que Will sabia que ele gostava de Bukowski, sempre lembrava dele quando olhava para sua pequena coleção de livros do velho. Quer dizer, Will achava que Nico gostava de Buk. Nico poderia estar apenas segurando o livro naquela ocasião, não tinha como saber sem perguntar.

Era por isso que precisava das cartas.

Escrever cartas para Nico era a sua forma de tirar aquele peso das costas. Will sempre se deu bem com as palavras. Aprendeu a ler cedo, então os livros sempre estiveram ao seu lado.

Livros não o julgavam, não riam às suas custas, não o faziam se sentir mal consigo mesmo. Quem fazia essas coisas eram as pessoas.

Apesar disso, Will nunca pensou em ser um escritor. Não, ele seria médico. Queria ajudar pessoas. Escrever e ler eram apenas passatempos que ajudavam em sua saúde mental.

Desde os doze anos escondia embaixo da cama um pequeno caderno cheio de poemas escritos por si mesmo. Era seu pequeno segredo, assim como as cartas.

Will escrevia quase todas as noites. Às vezes eram versos, outras vezes textos contando à Nico tudo o que sentia.

Em algumas madrugadas Will escrevia apenas sobre Nico: sobre como seus olhos eram lindos, como seu cabelo ficava lindo daquele jeito meio bagunçado, como Will amava a forma como Nico falava e se expressava. Escrevia até mesmo sobre todas as perguntas que gostaria de fazer para ele. O que aconteceu para você ter de fazer o primeiro ano duas vezes? Por que se mudou da Itália? Qual a história da suas tatuagens? Qual seu livro preferido?

Então, é claro, aquela noite não seria diferente.

Will deixou o poema italiano na metade. Precisava escrever. Fazia quase uma semana que não deixava seus sentimentos ganharem vida.

Largou o celular na cama e buscou por uma caneta e uma folha em branco no meio do quarto.

Se sentou na cadeira da escrivaninha, pensando em tudo que precisava dizer.

Escreveu as palavras de sempre, em italiano: Querido Nico...

Will mordeu a ponta da caneta antes de continuar:

Hoje na aula de biologia você parecia muito distraído, o que foi ruim, porque eu me distraí pensando na sua distração. Faz sentido? Enfim, queria poder chegar em você e te alertar para ser mais atencioso. O professor costuma marcar os alunos e implicar com eles depois. Você deveria prestar atenção em biologia assim como presta atenção em literatura. Acho que literatura é a sua matéria favorita, não é? Sempre te vejo tão concentrado nas aulas.

Eu gostaria de te agradecer. Por ter falado com a professora Dodds daquele jeito na semana passada, digo.

Ela sempre diz coisas extremamente preconceituosas durante as aulas e eu nunca tive coragem de responder. Fiquei orgulhoso quando você a colocou no lugar dela, mesmo que tenha ido para a direção logo em seguida. Lembro quando ela falou algo sobre bissexualidade, dizendo que não existia. Sei que eu não era exatamente o alvo dela, mas me senti atingido de qualquer forma. Quero dizer, as pessoas pensam que pansexualidade é apenas mais outra palavra para bissexualidade, então quando invalidam bissexualidade estão invalidando pansexualidade também.

Eu amo a sua coragem. Amo como você nunca sente que não deveria estar falando. Eu costumo me sentir assim. Acho que a minha voz não vale de nada. Quem é que iria querer me ouvir?

Por favor, nunca pare de ser você.

Eu gosto de pensar em universos alternativos onde você compartilharia a sua coragem comigo, onde eu seria bom o suficiente para me deixar ter uma conversa olhando em seus olhos e você me acharia bom o suficiente para estar contigo.

Isso meio que doí: ter de estar longe de você. As vezes eu quero tanto que você me abrace. Não precisa nem dizer nada, apenas que me abrace. Eu quero estar em seus braços e sentir o calor do seu corpo, apenas isso. Me parece um lugar muito seguro para se estar, os seus braços. Eu gostaria de um pouco de segurança.

Acho que já falei sobre isso em alguma outra carta... Eu realmente gostaria de um abraço seu.

Eu também gostaria de ter o seu sobrenome no meu nome.

Eu quero tantas coisas que não vou conseguir.

Acho que preciso ir dormir agora. Me pergunto o que você está fazendo. Está dormindo? Aposto que não. Aposto que dorme poucas horas por noite. Por favor, Nico, durma melhor! Suas olheiras me assustam às vezes.

Tenha bons sonhos.

Com amor,

Will

Will pegou um envelope entre as folhas de um de seus cadernos. Já se sentia melhor. Muito melhor. Que droga, ele não deveria depender tanto daquilo. Endereçou para Nico, como sempre, e lacrou o envelope com cola escolar.

Se levantou, indo até uma das gavetas de seu guarda-roupas que era cheia de bagunça. Era lá que guardava a caixinha de madeira com todas as cartas que escrevia para Nico.

Era lá que deveria estar.

Ok, calma, tinha de estar ali.

Will revirou toda a gaveta. Tirou de lá um ursinho antigo de quando era criança, um maço de provas do ano anterior, um livro escolar antigo, uma pastinha vazia, um vidro de perfume vazio, alguns lápis de cor perdidos... Não estava ali.

Ele foi para as outras gavetas, mesmo sabendo que não estariam ali. Ele sempre colocava a caixinha no mesmo lugar.

Ok, respira, quem é que poderia ter ter tirado qualquer coisa dali?

Will saiu do quarto quase voando.

— Mãe? — ele gritou no meio do corredor, para a mãe que estava na cozinha. — Você mexeu nas minhas coisas?

— O quê? — ela gritou de volta. Will não teve coragem de se mover e ir encarar ela.

— Você mexeu nas minhas coisas?

Will estava tremendo. A mãe havia passado um tempo na Itália. Ela sabia um pouco do idioma. Se ela tivesse lido as cartas...

— Não, querido, não mexi em nada. Por quê?

Ele estava pronto para responder quando ouviu uma risadinha vindo no fim do corredor. Will virou o rosto. Austin estava ali, parado em frente a porta do próprio quarto. Provavelmente havia ouvido Will falando com a mãe.

É claro.

— O que você fez com as minhas cartas? No que mais você mexeu no meu quarto?

Austin continuou a sorrir.

— Austin! — Will gritou. Ele conseguiu ver a surpresa no rosto do irmão. Will nunca gritava. — Que droga, cadê as minhas coisas?

O garoto ficou encarando o irmão mais velho. Will queria explodir de ódio.

Onde está as minhas cartas? — Will praticamente rosnou. Ele começou a ir em direção a Austin, mas o garotinho foi mais rápido e se enfiou dentro do quarto, fechando a porta.

— Por que você estava revirando o meu quarto?! — Will gritou, batendo na porta. — Saía daí.

— Que gritaria é essa? — a voz da mãe estava atrás de si, mas Will não deu importância. — O que está acontecendo?

— Austin! — ele gritou.

— Eu queimei! — ouviu o irmão mais novo gritar de dentro do quarto.

— O quê!?

— Todas elas! Eu queimei todas.

— Por que você faria isso? Que merda, Austin, por que...

Will!

Will se virou, encarando a mãe que parecia brava e confusa ao mesmo tempo.

— O que está acontecendo? Não basta eu ter de controlar os seus irmãos agora eu preciso fazer o mesmo com você?!

Ele sabia que aquilo a estava preocupando. Ela sempre foi muito atenciosa com todos os três filhos, mas, desde que Will descobriu sobre a própria sexualidade, não conseguia mais confiar na mãe da mesma forma.

Naomi tinha uma opinião muito bem formada sobre meninos que gostavam de meninos.

Se Will não podia confiar nela sobre isso, não confiaria com mais nada.

— Will. — ela o chamou de novo, mais suave dessa vez. Sempre guardava o tom mais atencioso e gentil com o filho mais velho.

Will piscou, sentindo as lágrimas em seus olhos. Sentia-se tão frustrado. Que droga, eram as suas cartas.

— Nada. — ele disse, esfregando os olhos com as mãos. — Não está acontecendo nada.

— Então por que... — a mãe tentou dizer algo, mas Will foi rápido ao passar por ela e ir até o quarto. Ele trancou a porta, querendo ficar sozinho.

Queria bater em Austin.

Não sabia dizer se ele tinha mesmo queimado as cartas, de qualquer forma, mas sabia que jamais as veria.

Will não se preocupava em Austin ler o conteúdo das cartas: estavam todas escritas em italiano. Nenhum de seus irmãos sabia ler algo que não fosse inglês. Era um dos benefícios de falar mais de uma língua. Já havia escrito em outro idioma pensando exatamente no risco que corria de alguém encontrar os envelopes.

Tinha o risco de Austin e Lee se juntarem e jogarem todas as palavras em algum tradutor online, mas era simplesmente trabalho demais. Eles não podiam se importar tanto com aquilo. Era bobo e trabalhoso. Os dois preferiam brincadeiras rápidas e com resultados rápidos.

Will respirou fundo e se deitou na cama, mentalmente exausto. Por mais que soubesse que seu irmão estavam fazendo aquilo apenas para provocar, ainda assim se sentia incomodado em ter todos os seus mais profundos sentimentos nas mãos de outra pessoa, ou queimados.

Mas, principalmente, nas mãos de outra pessoa.

Ninguém deveria ler aquilo. Era algo apenas seu.

Will preferia morrer a ter alguém lendo sobre aqueles seus sentimentos.