Heart Key
2 Café Cosplay
Notas iniciais

Lucy acordara. Seu sono foi interrompido por alguns feixes de luz que invadiam seu quarto. Levantou-se, abriu a janela e deixou a brisa matinal entrar. Pegou uma escova que encontrava-se em cima da escrivaninha e penteou suas madeixas, arrumando um coque logo em seguida. Trajou uma camisa social branca e uma saia verde, calçando uma bota de couro marrom. Estava decidida: iria arrumar um emprego para poder pagar seu aluguel.
Foi em vários restaurantes e livrarias, mas nenhum contratou-a. O dia já estava chegando ao fim, quando ela resolveu passar numa cafeteria comer algum doce. Ao chegar, pediu um smoothie acompanhado de uma fatia de bolo de baunilha com morango. Aquilo era um delírio, admitia. Estavam quase se retirando do local, quando avistou na parede, um pouco perto dos cardápios, uma placa escrito "Precisa-se de garçonetes". Aproveitaria a chance.
Aproximou-se da atendente do caixa para pedir informações. O sorriso que a mesma fez ao vê-la foi aconchegante, ela realmente sabia fazer seu trabalho.
— Em que posso ajudar? — Ainda esboçando felicidade nos lábios a, aparentemente, jovem de cabelos azuis presos com uma faixa amarela, perguntou.
— Vi que vocês precisam de garçonete, como faço para conseguir o emprego?
— Ah, sim. Você só precisa assinar isto — Disse retirando um contrato da gaveta ao lado.
Pegou uma caneta que tinha na bolsa, assinando tudo, esquecendo de ler as letras miúdas. Ao terminar, devolveu à moça.
— Seu nome seria...? — A loira resolveu perguntar.
— Levy. — Respondeu carimbando o contrato, o trabalho já era de Lucy. — Você começa amanhã às 8 horas, o.k?
— Fechado! — Sorriu — Tem algum uniforme específico?
— Sim! Você precisará se vestir como empregada, afinal, este é um café cosplay.
Ela não havia notado que era um cafeteria cosplay. Nem sequer teve o trabalho de ler o nome do local: Magnolia Cake — Café Cosplay. Agora já era tarde para voltar atrás, foi embora com um pesar na mente. Chegou em casa, suspirou e foi tomar um banho. Soltou suas madeixas e deixou a água quente escorrer pelas mesmas enquanto lavava-as delicadamente. Após terminar, sentou-se na cama, enrolada numa toalha, e começou a secar seus fios. Pôs seu pijama e aconchegou-se na cadeira da escrivaninha.
E, mais uma noite, escreveria seu romance. Abriu a gaveta e retirou uma caneta em forma de pena e um recipiente com tinta, achava interessante o modo como aquilo deixava sua letra mais formosa. Escreveu até um pouco antes da meia-noite, não deveria dormir tarde, já que amanhã começaria a trabalhar. Colocou o relógio para despertar às 6h30, encostou sua cabeça no travesseiro e dormiu.
Acordou com o soar do alarme. Vestiu uma roupa qualquer que encontrou no seu closet e tratou de arrumar uma tigela de frutas para o café da manhã, colocando antes seu almoço, que era a janta requentada de ontem, na bolsa. Adorava morangos, uva, banana e aveia para começar o dia. Em cima da hora, ela partiu.
Quase chegando na cafeteria, pôde observar Levy esperando-na na porta.
— Bom dia! — Esboçava o sorriso de sempre. — Estava te esperando. Vá pela porta dos fundos que dá direto ao vestiário das garçonetes, certo? — Lucy concordou com a cabeça e seguiu suas instruções.
Deu a volta pelo local até achar a tal porta. Não hesitou em entrar quando encontrou-a. Lá dentro estavam ela e mais uma garota. Esta tinha madeixas avermelhadas, de um tom escalarte. Observou a chegada da Lucy e cumprimentou-a.
— Você deve ser a novata, eu presumo. — Estava vestindo o seu uniforme maid.
— Ehh... creio que sim. — Estava confusa. — Sou a Lucy.
— Me chamo Erza, seu armário é este, ao lado do meu. — Guiou-a, sendo agradecida em seguida.
Abriu o mesmo e pôs suas coisas, trocando sua roupa atual pelo uniforme de empregada, afinal, ainda assim era um café cosplay. Impressionou-se com o fato de ser extremamente confortável. Arrumou seu cabelo num único rabo de cavalo e ajeitou a tiara com bordados. Acompanhou o ritmo da ruiva, que dava-lhe os passos que deveria seguir. Aproximou-se, então, de uma mesa onde estavam duas adolescentes.
— Posso anotar seu pedido? — Mostrou o seu sorriso mais encantador, fazendo as jovens se sentirem bem recebidas.
— Claro! Queremos dois pedaços de bolo de chocolate. — Disse calmamente. Quando Lucy saiu, pode ouvir as mesmas comentando sobre você. "Nossa, que atendimento espetacular. Precisamos voltar mais vezes". O que a fez pensar que, realmente, estava fazendo um bom trabalho.
Ao ir pra cozinha, foi parabenizada por Erza e notou Levy dando um joinha no caixa. Repetiu isto o dia todo, sempre demonstrando felicidade, o que atraia mais clientes. Porém, um caso específico chamou-a atenção. Em uma mesa estavam um rapaz de cabelos rosas e uma moça de madeixas brancas um pouco acima do ombro. Os mesmos pareciam discutir, então Lucy foi tentar amenizar a situação indo, finalmente, atender o pedido de ambos.
— Perdoem-me a demora. Gostariam de fazer o pedido? — Tentou sorrir, mas a verdade é que estava curiosa.
— Queremos apenas uma xícara de café pra cada, e sem demora. — Disse a albina, soando extremamente rude, o que fez o seu acompanhante revirar os olhos. O mesmo parou por um segundo quando notou aquele mesmo pingente pendurado ao pescoço da loira, mas foi interrompido por mais lorotas.
Sem muita paciência, Lucy foi buscar o café dos dois. Erza acalmou-a na cozinha, todavia, não foi o bastante para impedi-la de fazer aquilo. Faltando dois passos para chegar a mesa, ela forjou um tropeço, derrubando todo o líquido quente na garota.
— O que foi que você fez? Sua desastrada. — Começou a gritar, fazendo todos focarem-a.
— Oh meu Deus! Desculpe. — Disse escondendo o sorriso e pegando alguns guardanapos que estavam no bolso do avental, ajudando-a a limpar. Notou que o rapaz rosado ria bruscamente.
Os dois foram embora no mesmo momento, sendo ele puxado pela albina. Antes de sair pela porta, sorriu levemente para Lucy, que corou por um instante. Foi até ao caixa que Levy se encontrava, e começou a rir baixinho. Erza chegou e elas começaram a reclamar da personalidade da garota.
— Sabemos que seu nome é Lisanna. — Disse Levy.
— E ele é o Natsu. — Completou Erza.
— Na..t...su. — Lucy repetiu.
Direcionou-se ao vestiário e trocou de roupa, seu turno já chegava ao fim. Terminando de soltar os cabelos, a loira foi barrada por Erza e Levy, que convidaram-a para dormirem na casa da escarlate, onde se conheceriam melhor. Lucy concordou.
Foram de carro, com Erza, que já dirigia. Não era um modelo tão novo, mas era confortável tanto quanto. O céu estava nublado, anoitecendo e começando uma chuva. Alguns pingos caíram no parabrisa, logo aumentando o número. Um temporal. Ao chegarem na casa da escalarte, tiveram que pôr a bolsa na cabeça para não se ensoparem. Passaram pela portal e deixaram os calçados de lado. Era um lugar realmente bonito e ajeitado.
A loira e a garota das madeixas azuis começaram a trocar papos sobre livros enquanto Erza preparava a janta. Lucy tocou no assunto de ser escritora, e Levy logo propôs ser a primeira a poder ler o livro quando terminasse, e a mesma assentiu.
Jantaram peixe grelhado com risoto de ervas, depois uma sobremesa que era a especialidade da escarlate: bolo de morango. As duas riram ao ver o modo com que ela tratava esta especiaria. Começaram a falar sobre o trabalho, ainda na mesa.
— Aliás, quanto é o salário mesmo? — A loira estava bastante pensativa.
— Algo em torno de 120 mil jewels. — Erza falara isto, aconchegando a consciência de Lucy, já que daria pra pagar o aluguel e ainda sobrava algum dinheiro.
Após finalizarem a refeição, foram conhecer o quarto da escarlate, que era, realmente, algo impressionante. Sua cama era de casal, com um edredom vermelho-claro jogado por cima, haviam duas estantes cheias de livros e CDs de músicas. Lucy babou ao ver a quantidade de romances que a mesma tinha. Não demoraram para arrumar seus colchões ali. Ficaram conversando até pegarem no sono.
Lucy levantou algumas horas mais cedo. Pegou suas coisas e despediu-se baixinho das garotas, que nem acordaram. Saiu pela porta da frente, estendendo um guarda-chuva que pegara emprestado de Erza no dia anterior. Ainda eram umas 5h30, e a loira resolveu dar uma volta na cidade. O dia já estava claro, apenas nublado pela chuva. Retirou o pingente da gola e começou a alisá-lo, enquanto olhava levemente para o céu. Quando se deu conta, já eram sete horas em ponto, logo foi para o café. Arrumou-se e esperou o mesmo abrir definitivamente. Levy e Erza já haviam chego antes mesmo da loira.
O primeiro cliente do dia foi um tanto inusitado. Era o mesmo rapaz rosado, só que agora sem companhia. Erza foi atendê-lo desta vez, mas ele recusou e pediu para ter o atendimento da outra garçonete, no caso, Lucy.
— Então, posso saber o que você vai pedir? — Disse o de sempre. Ele riu levemente.
— Bom, eu vou querer apenas um brownie. — A mesma anotou na sua caderneta.
Ela voltou com o brownie e mais um smoothie de morango.
— Hm... este é por conta da casa. — Sorriu e apressou-se a atender outra mesa. Fazendo com que o rapaz sorrisse prazeroso.
Antes de ir embora, o jovem notou algo estranho que acontecia com a loira enquanto atendia uma mesa com dois homens grandes, e com certeza, feios.
— Vamos, delícia, mostre tudo que você tem pra gente. — Disse enquanto dava um tapa nas nádegas de Lucy, que estremeceu.
— Esses seus peitos não são de enfeite, não é? — Seu amigo riu asquerosamente.
Não deu em outra coisa, a loira não se controlou e deu um tapa na cara dos dois, deixando a marca inteira da mão. Isso os deixou extremamente irritados, o que levou-os a levantar bruscamente e pegar a mesma pelo colarinho. Gritos é o que não faltava. Estavam prontos a desferir um soco no rosto dela, quando algo impediu-os, fazendo-a somente cair sentada.
— Então vocês se acham homens o suficiente ao ponto de querer bater em uma mulher? — O dono dos cabelos rosados segurava a mão de ambos, entortando-as. — Não comigo por perto. — Pôde-se ouvir estalos agudos, provavelmente significando a quebra de ossos, já que eles correram chorosos para fora do recinto.
— Obri...obrigada. — A loira ainda parecia perturbada.
— Eles te machucaram? Você está bem? — Ajudou-a levantar, vendo um leve machucado em seu pescoço.
— Ai... estou bem sim. — Tentou esconder a ferida.
— Vamos, eu vou levá-la pra casa. Onde você mora?
Lucy acabou por terminar o turno mais cedo e foi pra casa, com a companhia do rosado. Lembrou que seu nome era Natsu. Natsu... Chegaram, e ele deitou-a na cama, logo procurando nas gavetas uma pomada. Passou-a levemente no pescoço da mesma e cobriu-a. A loira acabou cochilando, deixando-o ali.
O mesmo sentou-se no sofá, e, por desventura,
Cochilou também.
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