Notas iniciais
Olá adorados leitores. Aqui estou eu de volta, depois de dias com meu adorado amigo Matt me enchendo o saco para postar logo. Esse capítulo foi bem legal de se escrever, mesmo a história ainda estando na "introdução". Mostrar o ponto de vista do Bucky foi bem legal, principalmente porque amo o Bucky. Ele é sem dúvidas um de meus personagens prediletos. Tenham uma ótima leitura.

BUCKY

Meus pulmões queimavam. Minhas costelas doíam muito, e minhas pernas pareciam ter toneladas às segurando toda vez que eu tentava dar mais um passo.
Eu deveria estar morto. Carl iria me matar se aquele homem não tivesse entrado naquele beco.
Aquele cara ou era muito corajoso, ou muito idiota. Ou talvez os dois.
— Espera. Por favor.— Peço com dificuldade segurando o seu braço.
Por que eu segurei seu braço? Que estupidez. Eu deveria tê-lo deixado ir. Assim seria mais fácil me livrar dele sem ter que responder perguntas. Mas não. Eu tinha que pedir para ele esperar.
Eu já não estava arrependido o suficiente. Quando ele se vira sinto meu coração falhar uma batia. Eu o conheço. Ele é o cara de quem roubei o celular mais cedo. Droga. Droga. Droga. Droga.
Parabéns, Bucky Barnes. Agora você vai voltar para a cadeira, por culpa da sua completa estupidez.
Eu deveria correr, mas quando tentei fazê-lo sem a adrenalina que antes corria por meu corpo, percebi porque meu pé queimava enquanto eu corria. Eu torcido o tornozelo na metade do caminho, e agora não conseguia correr dele nem um metro se quer. Mas eu tinha que tentar.
Péssima ideia. Agora eu estou com a cara no asfalto, encima de uma poça de água, e para completar, um ciclista passa em cima do meu pulso, e dou um gemido de dor.
— Você está bem?—O homem louro que deveria estar me xingando pergunta, ajoelhado do meu lado com feições preocupadas e me ajudando a levantar.
A noite estava tão fria que todos os pelos do meu corpo estavam arrepiados, e eu tremia levemente enquanto calafrios percorriam meu corpo.
— Não me entrega pra polícia, por favor.— Era o meu fim mesmo. Mas que escolha eu tinha?
A única coisa que eu podia fazer era implorar. Se eu não estivesse tão ocupado prestando atenção nas dores pelo meu corpo, teria percebido pelo seu rosto que ele não tinha nenhum plano de me entregar, e assim poupado a cena de eu implorando para ele não me entregar.
— Calma. Uma coisa por vez. Não posso te prometer que não vou, mas posso prometer que não vou fazer isso hoje. Você está péssimo, e não me parece uma má pessoa.— Ele diz, passando meu braço por seu ombro para que eu possa me apoiar.
Eu não entendo o motivo de ele estar me ajudando. Esse cara tem algum problema? Ele não era nenhum bandido. Não. Tinha feições doces demais para isso.
— Consegue ficar de pé?— Ele pergunta, e antes mesmo que eu responda, ele solta o peso do meu corpo sobre meu pé e eu dou um grito de dor.
—Me desculpa.— Ele pede, assustado, sustentando boa parte de meu peso novamente em seus ombros.— Onde você mora? Vou te levar até lá.
Esse era o problema. Há vinte e quatro horas atrás eu tinha uma casa. Na verdade um quarto na pensão do Carl, mas alguns fatores me fizeram acabar sem casa e apanhando em um beco escuro.
— Bom... Pode me deixar em qualquer lug...— Sou interrompido pela maldita tosse rouca que estou tendo há algum tempo.
— Não vou te deixar em qualquer lugar. Você está machucado, e doente.
—E o que irá fazer? Me levar para a sua casa?— pergunto com um sorriso presunçoso.
—É.— Ele responde com naturalidade e olho para ele sem acreditar.
Dou uma risada. Uma risada alta e que faz meus pulmões doerem. Vejo que ele me olha sem entender e rio mais uma vez, mesmo com meus pulmões queimando.
— Qual a graça?— Ele pergunta quase que me carregando pela calçada.
— Você vai levar um estranho que roubou seu celular para a sua casa? É a segunda prova que você me dá em menos de uma hora de que você não é muito esperto.
— Olha só para você. Não está em condições de ficar reclamado. Eu estou te ajudando porque sei que vo...— Sua voz foi ficando mais baixa até minhas vistas se escurecerem por completo e eu só senti quando meu corpo foi sustentado por seus braços, e depois escuridão.

[...]

Uma vez, quando eu era pequeno, uma tia distante levou eu e minha irmã para uma viagem. Me lembro que a cama do hotel era extremamente macia e acolhedora, e os cobertores quentes eram maravilhosos, e acho que nem preciso falar dos travesseiros, macios como algodão doce. Depois que fui embora, sonhei com uma cama como aquela por noites, e já havia desistido de ter aquela sensação novamente.
Eu podia ouvir vozes... Não. Uma voz. Alguém falava do lado de fora do quarto. Deveria estar ao telefone.
Eu me negava a abrir os olhos. Acordar não era algo que eu quisesse. Não queria ter que deixar aquela cama macia e quentinha, ainda mais que eu podia sentir que fora daqueles cobertores grossos e acolhedores o frio era forte. Tive essa confirmação quando abri meus olhos por curiosidade e vi o louro que me ajudará vestido com casacos grandes e um moletom grosso.
Ele estava falando ao telefone com alguém, e parecia exausto, como se insistisse em tentar explicar algo para alguém que se recusava a entender.
Eu me mantenho o observando enquanto ele está de costas para mim, andando de um lado para o outro do corredor.
Tendo escutar o que ele diz, todavia ele não está perto o suficiente, e não entendo quase nada, só algumas palavras e frases soltas: Empresa. Médico. Não estou doente. Está tudo bem (essa em particular ele parece repetir de cinco em cinco segundos).
Ele me olhou, vendo que eu havia acordado, falou algo no telefone e o desligou.
Seus passos até mim foram lentos. Ele não disse nenhuma palavra, só colocou a mão em minha testa, vendo minha temperatura.
Por que ele estava vendo minha temperatura? Eu teria feito algo, mas a ideia de tirar um dedo se quer de debaixo daqueles cobertores antes da hora parecia um pesadelo.
— Você não está mais com febre. Isso é bom.— Ele diz e sorrio.
Quando percebo estou sorrindo também. Por que estou sorrindo?
Minha tosse havia parado, e meus pulmões e minha garganta não doíam mais como antes.
Olho em volta. O quarto dele é bem maior do que o que eu costumava morar. Eu podia passar o dia dizendo como tudo ali é milimetricamente organizado, mas eu acabaria dormindo novamente.
— Você não me disse seu nome.— Ele diz se sentando em uma cadeira ao meu lado.
Vou me virar na cama, e só então percebo que estou só de cueca. Por que estou só de cueca?
— Por quê estou só de cueca?— Pergunto, não conseguindo conter minha curiosidade.
— Suas roupas estavam imundas, chegas de sangue, lama, estavam molhadas e rasgadas.— Ele responde bebendo algo em uma caneca.
Sei que o que ele está bebendo é café, pelo cheiro que invade cada milímetro do quarto.
— Obrigada pela parte que me toca. E se te serve de consolo, também não sei o seu.
— Steve Rogers.— Ele diz estendendo a mão para mim.
Sério mesmo que terei que tirar minha mão de debaixo das cobertas? Espero um pouco para ver se ele recua, mas vejo que não terá jeito. Tiro minha mão rapidamente, pegando na dele e voltando para debaixo do cobertor, tudo em menos de três segundos.
Ele me encara como se faltasse algo, até que me lembro que não falei meu nome.
— Barnes. Bucky Barnes.— Digo.
Não sei por que eu disse meu nome verdadeiro. Eu poderia ter mentido. Mas não, se entrega de bandeja. Vai lá, Bucky.
— Por quê 'tá me ajudando?— Pergunto me sentando na cama e puxando o cobertor comigo.
Ele para por um segundo pensando, e então percebo que nem mesmo ele sabe a razão.
— Quer comer alguma coisa?— Ele pergunta depois de um tempo.
— Você vai tentar me envenenar?— Pergunto levantando uma sobrancelha e ando um leve sorriso.
— Não.— Ele responde surpreso e ri. Dou um sorriso também e ele fica me encarando.
Por que ele fica me encarando? Eu perguntaria, mas tenho mais medo de descobrir do que de continuar imaginando o porque.
— Okay. Eu... Posso tomar um banho?— Peço apontando para o banheiro que ele tinha no quarto e ele sorri.
— Claro. Precisa de ajuda?
— Não. Estou bem. Só quero um pouco de... Privacidade.
Steve cora fortemente e força um sorriso.
— Claro. Me desculpa. Eu... Eu estarei na cozinha quando terminar. Tem toalhas no banheiro...
— Okay.— Digo rapidamente, segurando para não rir. Ele havia ficado tão desesperado que chegava ser engraçado.

Depois que Steve saiu do quarto, me levantei, me sentindo um pouco tonto, com uma dor no tornozelo ainda, e sentindo todo o meu corpo se arrepiar com o frio, e fui para o banheiro mancando levemente. Só quando levantei percebi que minha bexiga estava dolorosamente cheia. A esvazie enquanto reparava naquele banheiro enorme, e cheio de coisas.
Minha mão estava com uma faixa enrolada, e não parecia ter quebrado nada, só inchado um pouco.
Havia uma banheira. Seria legal tomar banho em uma banheira, mas eu já estava usando demais da generosidade do cara. Sendo assim só tirei minha cueca boxer e entrei debaixo do chuveiro.
A água quente caia sobre meu corpo, e chegava avermelhar minha pele, e a sensação era incrível. Eu poderia passar o resto da vida ali, mas tive consciência de que já estava a tempo demais lá, então desliguei o chuveiro, enrolei a toalha em minha cintura, saindo do banheiro.
Quando chego no quarto percebo que não tenho o que vestir. Provavelmente Steve havia jogado minhas roupas fora. Agora eu estava ali, sem absolutamente nada para vestir.
Abri a porta do quarto, saindo e indo em direção à cozinha.
— Steve, poderia me emprestar uma roup...?— Paro de falar quando vejo que ele não está mais sozinho.
Steve está com outro homem, conversando. Eu já tinha visto aquele homem em algum lugar, só não me lembro onde.
Ambos me olham, Steve de forma surpresa, e o outro homem parece me olhar... Com raiva.

Notas finais
E então? O que acharam? Curtiram Steve ajudando o Bucky? O que acham que Tony irá fazer? Como será que Steve está se sentindo com toda essa confusão? Eu estou um pouco triste, pois ninguém está comentando, e eu realmente gostaria muito de saber a opinião de vocês. O que estão achando? O que esperam para os próximos capítulos. Por favor, deixem suas opiniões. Eu prometo responder a todos os comentários.