Heart By Heart
26 Passado
Notas iniciais
30 anos atrás, NY...
A pequena Karen sempre foi tímida. Em seus sete anos de vida, não tinha amigos. Fechada, sempre gaguejava quando ia conversar com alguém. Sempre era obediente e nunca dava trabalho para a mãe.
Já sua irmã gêmea 1 hora mais nova (não idêntica, mas muito parecida) era uma peste. Sandra estava sempremetida em encrenca, esperneava sem parar e nunca queria ficar quieta.
Karen sempre estava com os vestidos impecáveis e cabelo perfeitamente arrumado. Já Sandra, estava sempre com um rasgo ou uma mancha na frente das roupas, os cabelos bagunçados pelo vento e pelas brincadeiras.
Como sempre, a pequena Karen estava sozinha em um canto, desenhando calmamente. Na verdade, desenha muito bem comparada a crianças de sua idade. Aparentemente, prática faz a perfeição. Ela agora estava desenhando uma rosa vermelha. Havia lido A Bela e a Fera no dia anterior, por isso estava tentando desenhar uma rosa tão bonita quanto a do desenho.
–Ta muito bonito. — alguém disse as costas da garota. A pequena se virou.
Era um menino bonito. Cabelo preto curto, pele bronzeada e o sorriso banguela sapeca. A garota corou.
–O-obr-brig-gad-a. — Karen conseguiu gaguejar, corando ainda mais.
–Qual o seu nome?
A garota corou ainda mais e olhou para o chão ao responder.
–K-Karen.
O garoto sorriu ainda mais.
–Nome legal! Prazer, sou Derek! Sou novo aqui! Pode me ensinar a desenhar desse jeito? Porque eu desenho muito mal! Você desenha tão bem! Tem certeza que só tem sete anos?
A menina riu.
–Eu te ensino. Pode sentar.
O garoto sentou e começou a batucar o lápis verde na mesa. A garota sorriu para ele.
Então percebeu.
Ela não gaguejou.
25 anos atrás, NY...
–Merda de acordos. — o garoto de doze anos xingou. A garota ao seu lado suspirou.
–É para nossa própria segurança, Derek.
–Ha! Nossa segurança! Eles querem é ganhar dinheiro, Kar! — o garoto exclamou. Com o aparelho nos dentes e óculos fundo-de-garrafa, qualquer um acharia que ele é um nerd, mas na verdade é bem extrovertido. Só é meio excluído por todos pela aparência. Karen suspirou. Só ele a chamava de Kar.
–Já falei para você não me chamar assim.
Derek, maduramente, deu língua.
A garota riu.
–Mudando de assunto, alguma pista sobre a tal garota-mistério?
Foi a vez de Derek suspirar. Não. Eu não faço ideia de quem ela seja. E agora que eu vou mudar de escola, nunca vou saber.
Karen olhou para o amigo. Se pegou imaginando como seria beijá-lo. Sacudiu a cabeça, afastando esses pensamentos, a voz de sua mãe ecoando em sua mente.
"Lobisomens, aqueles animais, imundo, não valem o chão que pisam!"
A garota estremeceu. Derek não era assim. Pelo menos era o que ela achava. Mas porque sua mãe mentiria?
–Promete que vamos continuar amigos?
Derek riu.
–Claro que sim! Mas que pergunta!
–Jura?
O garoto ficou sério.
–Juro.
E, sorrindo, os dois apertaram as mãos.
16 anos atrás, Seattle...
–Tem certeza que quer esse feitiço, Sandra? — Victoria perguntou, olhando a págino do livro que sua amiga lhe mostrava.
–Tenho.
–Mas a sua essência...
–Quero que a dê para Blair. Quando a encontrá-la.
Victoria a olhava em reprovação.
–Por favor.
A Vidente suspirou.
–O que eu não faço por você!
5 meses atrás, Fells Church...
–Tem certeza que não tem problema? — Elijah falou para Clary.
–Minha mãe nem vai saber que está aqui, Elijah. E meus primos estão em uma gincana na escola o dia todo e vão dormir na casa dos vizinhos. Não tem problema algum você ficar no meu quarto comigo enquanto eu pego algumas roupas.
Mesmo assim, Elijah continuava tenso ao segui-la pelas escadas. Clary riu consigo mesmo. Ele era tão... conservador. De uma maneira fofa.
A garota abriu a porta do quarto e foi diretamente em direção ao armário para arrumar uma mochila. Ela passaria o fim de semana inteiro na suíte de Elijah. Como foi decidido ontem a noite na mesma suíte, ela não havia arrumado nada.
Elijah analisou o cômodo. O quarto era bem normal. As paredes brancas, uma escrivaninha com um laptop, um armário com vários posters, um tapete felpudo e estantes cheias de livros,dvds, cds e revistas.
–Pode mexer no que quiser! — a garota disse enquanto escolhia as lingeries certas para levar (todas dadas de inimigo secreto de Natal de Gina).
Elijah olhou os dvds e cds primeiro. Clary tinha um gosto bem eclético havia de filmes de animação até filmes de terror. Com cds, eram todos gravados em casa. Títulos como "Viagem 2008" e "Praia 2007". Os livros estavam organizados por serie. Havia Harry Potter, Instrumentos Mortais, Beautiful Creatures e até mesmo Crepúsculo.
As revistas foram as que mais o supreenderam. Havia de tudo. Hqs (normalmente do Homem-Aranha ou do Demolidor), mangás (aquelas revistas de quadrinho japonesas, que Elijah pessoalmente nunca havia lido) e muitas Cosmopolitan e Seventeen.
Elijah percebeu que não sabia nada sobre a namorada.
–Pronto, podemos ir! — Clary anunciou, feliz, até ver a cara do namorado. Ele a encarava com curiosidade.
–O que foi?
Ele riu.
–Nada, nada. Só percebi que não sei muito sobre você.
A garota sorri.
Ela o puxa para sentar na cama queen size dela e o beija de leve.
–O que quer saber pode perguntar qualquer coisa. Mas depois é minha vez.
Elijah sorriu e lhe deu um selinho.
–Combinado.
Clary fez um gesto, pedindo-o para começar.
–Qual sua cor favorita?
Clary riu.
–Sério?
–Responda, por favor.
Ela revira os olhos.
–Empate. Entre azul e amarelo.
–Flores favoritas?
–Rosas. Mas não as normais, que são brancas, vermelhas ou cor-de-rosa. Gosto que elas tenham significado.
–Sabe o que significa rosas amarelas e azuis?
–Rosas amarelas significam amor platônico, ou amor entre amigos, felicidade. Já as rosas azuis significam verdadeiro amor eterno, forte e raro, mistério, conquista daquilo que é impossível.
–Uau, parece que você fez sua pesquisa.
–Tenho muito tempo livre.
–Livro favorito?
–Eu sou o número Quatro.
–Filme preferido?
–Clube dos Cinco.
–De quem são os posters no seu armário?
–Bem, tem dois do Zac Efron, um do Homem-Aranha e um de Fairy Tail, uma anime que eu assisto.
E as perguntas continuaram por mais ou menos duas horas.
–Qual seu super herói favorito?
–Demolidor, mas o Homem-Aranha fica bem perto no ranking.
De repente, Elijah ficou calado.
–Acabaram as perguntas?
Ele assentiu.
–Ótimo, agora eu posso fazer isso.
E o beijou com paixão, suas mãos já na direção dos botões de sua camisa.
–Mas e suas perguntas? — Elijah perguntou.
–Temos o final de semana inteiro para isso.
E com essa frase, Elijah se calou.
Fale com o autor