Heart By Heart
29 Chuva inesperada
Notas iniciais
–Você está melhor? — Eu pergunto curiosa quando saímos da biblioteca. Ele olha para a biblioteca atrás dela e fecha os olhos com força gemendo de dor. — Acho melhor passarmos a noite na cidade.
–Não, eu consigo dirigir a moto. — Finn fala.
–Não consegue... — Eu falo e ele me olha. — E vai cair uma tempestade.
Olhamos para o céu, e vimos as nuvens pesadas acima de nós. Eu pulo ao ouvir um trovão e a chuva começa.
–Vem... — Finn fala. — Conheço um lugar para onde podemos ir.
Ele pega a moto e nós saímos andando por uma avenida na chuva, até chegarmos ao fim da pequena cidade e vermos uma estrada de terra que estava molhada.
–Tem certeza? — Eu pergunto em duvida.
–Sim. — Ele fala. — Vem, é seguro.
Eu o sigo e andamos pela estradinha na lama e na chuva. Após alguns minutos andando a chuva começa a engrossar.
–Finn! — Eu falo. — Já estamos chegando?
–É ali. — Finn fala e eu olho vendo um pequeno celeiro para onde eu corro com Finn atrás de mim empurrando a moto.
–Onde estamos? — Eu pergunto.
–É o celeiro do Will. — Finn fala colocando a moto em um canto. — Ás vezes ele me pede para vir aqui arrumar as coisas.
–E você vem? — Eu pergunto olhando para os lados e vendo a bagunça.
–Vim uma vez mas eu não me sinto muito bem aqui. — Ele fala e me olha. — Tem algo, diferente.
–É bem longe de casa. — Eu falo.
–Aqui é o limite das terras do Will. — Finn fala. — Ele tem muito espaço. Muito.
–Nossa. — Eu falo e cruzo os braços me esfregando. — Está frio.
–Quer o minha jaqueta? — Finn pergunta.
–Ele está molhado, bem molhado. — Eu falo.
–É verdade. — Finn fala e tira a jaqueta.
–O que está fazendo? — Eu pergunto quando ele começa a tirar a camisa.
–Colocando minha roupa para secar? — Finn fala divertido. — Você está tremendo.
–Aqui não é muito quente. — Eu falo.
–Vem aqui... — Finn fala e eu franzo a testa.
–Porque? — Eu pergunto.
–Eu vou te esquentar. — Finn fala e eu ri.
–Pare com essas cantadas, Finn. — Eu falo.
–Agora é sério Rachel. — Ele fala e parecia sincero eu hesito, mas ando até ele.
Ele se senta no chão encostando no feno, e eu vou lentamente até o lado dele. Tiro o casaco e fico com a minha blusa. Me sento ao lado dele me encostando nele, e sinto um arrepio ao sentir a pele dele quente.
–Ainda estou com frio. — Eu falo.
–Pode trazer aquele feno pequeno para cá? — Ele pergunta e eu concordo.
Abro a mão a apontando para um feno e faço uma rajada de vento o trazer até mim.
–O que vai fazer? — Eu pergunto e ele sorri e aponta para o feno e uma pequena faísca sai da mão dele, indo até o feno onde começa a queimar. — Isso não vai causar um incêndio vai?
–Não. — Finn fala rindo. — E mesmo que cause o fogo não me afeta.
–Não? — Eu pergunto.
–Não. — Ele fala observando a pequena fogueira que tinha feito. — Eu tenho tipo uma proteção na pele.
–E será que eu tenho? — Eu pergunto e ele encolhe os ombros.
–Não sei. — Ele fala e eu me encolho para perto dele tremendo. — O fogo já vai fazer efeito. Logo você vai ficar mais quente.
Ele passa a mão pelo meu corpo me abraçando e eu sinto algo queimando na minha cintura.
–Ai! — Eu falo me afastando e ele me olha assustado.
–Eu só estava vendo se você sentia ou não. — Ele fala sério.
–Tudo bem. — Eu falo rindo e ele continua sério.
–Você está bem? — Ele pergunta.
–Sim. — Eu falo e ele concorda com a cabeça. — Posso?
Eu aponto para o colo dele e ele concorda com a cabeça.
–Por que não usa os seus poderes? — Finn pergunta.
–Como assim? — Eu falo e volto a me encolher perto dele e a fogueira começa a ficar mais forte me esquentando.
–Se eu fosse você iria usar esses poderes toda a hora. — Ele fala e ri fraco.
–Eu não sei. — Eu falo. — Eu meio que me esqueço que tenho eles, e prefiro fazer as coisas manualmente.
Agora percebo que estou ficando com calor, com o fogo ligado e Finn ao meu lado.
–O melhor calor do mundo, é o humano. — Ele fala.
–Como assim? — Eu pergunto.
–Nós aqui abraçados. Esse calor entende? — Ele fala. — É melhor do que o que sinto quando faço fogo.
Eu sorrio e coro e escuto um trovão.
–Essa chuva não vai acabar tão cedo. — Eu falo.
–Não mesmo. — Ele fala. — Você deveria dormir, acho que passaremos a noite aqui.
–Tudo bem para você? — Eu pergunto.
–Eu te protejo. — Ele fala, mas agora não parecia sarcasmo, ironia, ou mesmo sensual. Apenas uma promessa. Sincera.
Eu sorrio e me deito no colo dele e percebo ele surpreso.
–Eu confio em você. — Mais um trovão e eu fecho os olhos.
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