Heart Attack
6 Pain's more trouble than it all is worth
Notas iniciais
“Então quer dizer que a Tasha é a amiga da qual o Adrian havia falado.”
Isso não estava acontecendo, isso não podia estar acontecendo. Tasha e Dimitri, de tantas garotas naquela escola ele tinha que ficar logo com ela? Eu sei que se eu o visse com qualquer garota eu me sentiria mal, mas com a Tasha a sensação era mil vezes pior.
De repente senti meu rosto molhado, toquei-o e vi que ele estava banhado em lagrimas, nem vi quando foi que comecei a chorar, só sei que as lagrimas não paravam de cair, então me permiti chorar, chorar por tudo que estava me machucando, chorar por todos esses sentimentos inconvenientes que estavam dentro de mim.
Isso não era justo, eu sempre consegui fugir dos caras, sempre consegui fugir do amor e de repente tudo vira de cabeça pra baixo, eu me vejo apaixonada por um garoto, fujo dele e depois descubro que ele está praticamente junto com a minha pior inimiga. Agora eles são só amigos, mas conhecendo a Tasha como eu conheço, não vai demorar muito pra ela conseguir o que quer com ele. Eu sabia que parte disso era minha culpa, afinal eu havia me afastado dele, dando brecha pra ela se aproximar, mas ao mesmo tempo eu também sabia que assim que ela me visse com ele(caso eu não tivesse me afastado) ela daria um jeito de se aproximar também. Minha cabeça já tinha me avisado disso, não existiam esperanças pra nós dois. Aliás, eu gosto dele, mas nem sei se ele sentia o mesmo, afinal ele poderia estar sentindo apenas amizade mesmo.
Definitivamente, eu me manteria afastada. Ele tinha Tasha não é mesmo? Não precisava mais de mim.
Nem sei quanto tempo fiquei lá, apenas pensando e chorando, mas quando voltei à realidade vi que já estava escurecendo e que já eram quase sete horas. Me levantei rapidamente e caminhei em direção ao meu carro, dirigi até a minha casa sem prestar atenção em nada, nem sei como conseguir chegar lá sem causar nenhum acidente no caminho. Graças a Deus minha mãe ainda estava no hospital.
Joguei tudo em cima da cama e decidi tomar um banho bem demorado. Chorei de novo, de onde estavam saindo tantas lágrimas? Escutei o celular tocando e decidi ignorar, não queria falar com ninguém agora.
Assim que terminei fui em direção ao guarda-roupa e peguei a roupa mais confortável que eu tinha, um blusão velho com a frase “Livros, livros, quero todos eles”. Me joguei na cama e fiquei olhando o teto, em algum momento eu acabei pegando no sono. Quando acordei totalmente grogue, me levantei e fui em direção à cozinha, meu estomago estava roncando. Assim que cheguei lá, vi um bilhete em cima da mesa.
Querida, precisaram de mim no hospital, vou ter que ficar de plantão hoje. Deixei comida pra você no micro-ondas, é só esquentar. Eu te liguei, mas você não atendeu, quando cheguei em casa vi que estava dormindo.
Ps: Não pense que eu esqueci da nossa conversa.
Bjs, mamãe.
Fiquei encarando o bilhete, graças a deus minha mãe tinha saído, eu não aguentaria ter essa conversa logo hoje com ela. Fui interrompida pelo meu estômago roncando, ri comigo mesma e coloquei a comida pra esquentar, frango a parmegiana, meu prato favorito. Comi tudo calmamente, depois lavei as louças e deixei a cozinha arrumada. Decidi ver um filme ou algo do tipo, mas antes subi rapidamente pra pegar o meu celular, não tinha nada além da ligação da minha mãe. Senti meu coração se apertando, acho que no fundo eu esperava que tivesse algo dele, mas parece que ele estava ocupado com a Tasha. Respirei fundo e desci em direção à sala, estava decidida a me distrair com algum filme, eu precisava sentir que ainda tinha algum controle sobre mim mesma.
Comecei a assistir Invocação do mal, era disso que eu precisava pra me distrair, terror. Não queria ver nenhuma comedia romântica hoje, isso só faria eu me sentir pior. Por duas horas consegui me esquecer de tudo e prestar atenção no filme, mas assim que ele terminou, tudo voltou pra minha cabeça.
Lissa disse que Dimitri nunca me machucaria de proposito e talvez ela estivesse certa, mas mesmo não querendo ele machucou, era isso que eu estava tentando evitar, ele não tinha a intenção de me ferir, mas vê-lo com a Tasha machucou bastante. Por isso eu não queria me apaixonar, sabia que isso aconteceria, quando você ama alguém, fica vulnerável a essa pessoa, ela se torna a única capaz de te machucar realmente.
E eu o amava. Não adiantava negar e isso só piorava a situação, com paixão eu ainda podia lidar, mas com amor não. Eu não fazia ideia do que fazer.
Acabei adormecendo no sofá mesmo.
Despertei com o Sol no meu rosto, olhei em volta me lembrando do dia anterior e me joguei no sofá de novamente, quando vi o horário, percebi que eu estava atrasada pra escola. DE NOVO. Decidi que não iria, eu já estava atrasada mesmo, então dane-se.
Eu sei que não poderia evitar essa situação pra sempre, mas evitaria o máximo que eu conseguisse, hoje é sexta, então eu teria o final de semana inteiro pra melhorar. Suspirei e levantei do sofá, logo minha mãe chegaria do hospital e iria querer saber por que não fui pra escola, isso levaria a conversa que eu estava tentando evitar.
Eu estava evitando muita coisa ultimamente.
Subi pro quarto e me arrumei rapidamente, passei na cozinha e peguei algumas frutas, entrei no carro e dirigi até o meu cantinho feliz, pode parecer algo meio sem nexo, mas eu me sentia bem lá, como se os meus problemas não doessem tanto. Porque eu tinha que admitir, essa situação com Dimitri estava doendo de uma maneira que eu me pegava pensando se amar alguém valia tudo isso.
Assim que cheguei ao meu bosque, desci do carro e caminhei lentamente, me deitei na grama e fechei os olhos. Aquele era um bom lugar pra se pensar, talvez eu até conseguisse achar uma solução pra tudo.
Já fazia um tempo desde que eu havia chegado e ainda estava deitada aproveitando o momento quando escutei um leve farfalhar. A sensação de estar sendo observada veio juntamente com o som do meu nome.
—Rose?
Virei-me em direção a voz, totalmente surpresa.
—Mãe?
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