Heart Attack
8 POV Dimitri
Notas iniciais
—Você vai ficar mesmo sorrindo pra esse celular? Tá com cara de idiota irmãozinho. –Suspirei e olhei pra porta do quarto. – O que foi Vikka?
—Mamãe mandou te chamar pro jantar, mas agora eu quero saber o por que dessa sua cara. –Ela se apoiou na porta e sorriu maliciosa. –Estava falando com a Rose?
—Sim, eu estava. –Não adiantava esconder nada da minha irmã, mesmo sendo mais nova que eu, ela sempre conseguia me colocar contra a parede. Ela sorriu vitoriosa. –Eu sabiaaaaaaaaaaaaaaaaaaa, ai Dinka eu gostei dela.
—Não começa Viktória, eu a Rose somos só amigos. E a proposito que palhaçada foi aquela de manha? Precisava mesmo me envergonhar daquele jeito? –Ela não parecia nem um pouco arrependida. –É claro, sou sua irmã mais nova, esse é o meu papel. Ai ai Dimitri Belikov, quando você vai parar de mentir pra mim? Tá claro como agua que você está apaixonado por ela e pelo o que eu vi hoje, o sentimento é recíproco.
Como assim pelo o que ela viu hoje? Ela falou com a Rose depois que eu entrei em casa? Antes que eu pudesse perguntar o que ela queria dizer com isso, minha mãe entrou no quarto.
—Crianças, o jantar está esfriando. –Dona Olena era a melhor mãe do mundo, tinha essa pose de durona, mas era a pessoa mais amorosa que eu conhecia. –Desculpe mama, acabei me empolgando com o Dinka, a propósito, eu vou descendo pra jantar, mas acho que você devia falar com ele.
Viktória disse isso e rapidamente saiu do quarto, minha mãe me olhou com o cenho franzido e se aproximou de mim.
—O que ela quis dizer Dimitri? Você está com algum problema? –Droga Vikka, deixou a mamãe preocupada. –Não mama, é só a Vikka de graça. –Minha mãe me olhou de cima a baixo e fez uma carranca pra mim. –Dimitri Belikov, eu te coloquei no mundo e posso te tirar dele, não ouse mentir pra sua mãe.
Eu não ia ter escapatória.
—É sobre a Rose mama, uma menina da escola. –Ela olhou pra mim com um olhar de “entendi tudo” e se sentou na minha cama. –É aquela garota que te trouxe em casa no primeiro dia de aula? –Por que ela está sorrindo desse jeito pra mim? –Sim, a Rose foi a primeira pessoa que eu conheci na escola.
—Bom, então por que você não me conta o que está te incomodando? Talvez eu possa te ajudar. –Eu sempre fui reservado com todos, menos com a minha mãe. Eu sabia que podia falar sobre qualquer coisa pra ela, então contei tudo. Ao final do meu relato, ela simplesmente riu.
—Dinka, você está apaixonado, estou tão feliz. Me preocupava ver que nenhuma garota na Rússia te interessava realmente. –Eu sorri de leve pra ela. –Mas do que adianta eu estar apaixonado se ela não sente o mesmo?
—Dinka, eu não a conheço, mas pelo o que você me disse, ela está apaixonada sim. Levando em consideração a saída brusca dela da biblioteca e a agressividade por achar que você tinha defendido a sua amiga, só vejo uma resposta possível. Ciúmes, ela tem ciúmes de você com essa outra garota. –Rose com ciúmes de mim? Será? –Será mesmo mama? Será que tenho alguma chance? –Minha mãe segurou minha mão. –Meu amor, você é um Belikov e os Belikov não desistem.
—Obrigada mama, a proposito amanha eu vou sair com ela, leva-la ao parque pra conhecer uma nova sorveteria. –Minha mãe pareceu animada. –Huum, um encontro.
—Não, eu só vou com ela pra conhecer a nova sorveteria, Rose é apaixonada por sorvete. Não é um encontro. –Antes que minha mãe pudesse responder, escutei a voz da minha irmã. –É logico que é um encontro maninho, não seja burro. –Minha mãe parecia chocada, mas logo começou a rir. –Bem querido, não seria a sua irmã se ela não estivesse ouvindo atrás da porta. Agora vem, vamos jantar.
O jantar foi tranquilo, com exceção da Vikka e suas piadinhas que eu deliberadamente ignorei. Logo subi pro quarto e assim que me deitei, dormi igual a uma pedra.
No dia seguinte acordei com o sol no rosto, havia me esquecido de fechar a janela. Olhei pro relógio que marcava 09h30min e vi que ainda faltava bastante tempo até o horário marcado com Rose, nós combinamos de nos encontrar as 14h00min. Me levantei calmamente e quando desci, percebi que a casa estava vazia. Encontrei um bilhete da minha mãe na porta da geladeira.
Dinka, sua irmã insistiu em comprar um tênis novo pra aula de educação física, então fui ao shopping com ela, conhecendo ela como conheço, vamos acabar almoçando aqui. Deixei em cima da mesa da sala dinheiro e o cartão de um restaurante que faz entregas em casa, é só ligar lá e pedir o seu almoço.
Boa sorte no seu encontro, essa garota parece ser especial, não a deixe escapar.
Lembre-se querido: Беликов никогда не сдаваться.
Sorri pro bilhete, essa era o lema da família, “Os Belikov nunca desistem”, eu sentia falta de poder falar russo sempre que queria. Mas tinha aprendido a gostar do inglês. Meu sotaque ainda era muito forte e lembrei-me de como isso me deixou nervoso no primeiro dia de aula, se não fosse Rose ter me ajudado. Ah Roza, ela não percebia o quanto me deixava encantado, sua inteligência, sua língua afiada, sua bondade. Eu tinha que me controlar perto dela pra não parecer um idiota, tudo nela me afetava, seu sorriso, seu perfume, a forma como mexia no cabelo.
Eu nunca me interessei por nenhuma garota na Rússia, cheguei a ficar com algumas, mas não achava isso certo, eu fui criado com certos conceitos de cavalheirismo que não me deixavam apenas “ficar”, eu queria me envolver apenas com a pessoa certa. Eu me sentia estranho por nunca ter encontrado essa tal pessoa, eu não via problemas em ficar sozinho, na verdade eu até gostava, mas não podia impedir a minha mente de divagar o porquê de eu ser diferente dos outros. Mas quando pisei o pé naquela escola e esbarrei com ela, quando vi os seus olhos e percebi que ela era a garota mais bonita que eu já tinha visto, todas as minhas duvidas foram respondidas, eu nunca havia me apaixonado antes porque eu ainda não a tinha conhecido. Era ela. Conforme os dias foram passando e a nossa amizade foi crescendo, foi crescendo também o amor dentro de mim. Eu a amava, sabia disso. Só restava agora, saber se era recíproco.
Naquele dia na biblioteca eu iria beija-la, mas Tasha atrapalhou o momento, quando olhei em volta vi que ela tinha sumido. Tasha era uma boa amiga e eu realmente gostava dela, mas já tinha percebido que ela queria algo a mais e isso eu não poderia dar. Mesmo que eu tentasse evitar, eu só tinha olhos pra minha Roza.
O resto da manha se passou tranquilamente, eu tomei meu café e decidi fazer o dever de casa para adiantar tudo, na hora do almoço liguei para o restaurante e depois de comer e arrumar a cozinha, subi pra poder me arrumar.
Assim que terminei liguei para o taxi, assim que ele chegou, entrei no carro e falei o destino, o taxista era um senhor muito simpático, parecia ter uns sessenta anos. Quando chegamos ao parque eu me despedi e paguei pela corrida, olhei em volta e decidi me sentar em um banco que ficava em baixo de uma macieira. Daquele lugar dava pra se ter uma visão panorâmica da rua, assim eu poderia vê-la chegando.
Depois de certo tempo, vi o carro dela estacionando. Logo meu coração se acelerou, quando ela desceu e me viu, começou a caminhar em minha direção, eu tive que me controlar pra manter a expressão e não começar a babar. Ela estava simplesmente linda, com um vestido florido de alças que ia até o meio das coxas e um rabo de cavalo no alto da cabeça. Me levantei pra recebe-la e fui pego de surpresa quando ela se colocou na ponta dos pés e me abraçou. Imediatamente o cheiro dela me invadiu, morangos. Abracei-a de volta e me permiti ficar ali por alguns segundo, o seu corpo pequeno parecia se encaixar perfeitamente no meu.
Assim que nos separamos ela olhou pra mim e sorriu.
—Então, vamos pra essa tal sorveteria? Eu nem almocei hoje pra poder comer mais sorvete. –Eu não pude evitar rir, isso ainda me era estranho, eu geralmente era fechado, mas ela conseguia me arrancar sorrisos facilmente. –Só você mesmo Roza. –Ela me olhou confusa. –Roza? –Droga, eu havia falado em voz alta. Agora não tinha como esconder, fiquei um pouco tímido na hora e ela pareceu perceber, pois sorriu pra mim. –É o seu nome em russo. –Ela sorriu mais ainda pra mim e se aproximou. –Gostei do meu nome assim.
Eu sorri de volta e logo começamos a caminhar calmamente até a sorveteria, ela estava lotada por ser dia de inauguração, mas conseguimos pegar a ultima mesa vaga. Rose não mentiu quando disse que não tinha almoçado, ela pegou um pote enorme de sorvete, com todo tipo de sabor e guloseimas dentro pra acompanhar. Ela não parecia envergonhada em comer aquilo tudo na minha frente. Começamos a conversar banalidades e às vezes em meio à conversa eu a chamava de Roza, ela parecia ter gostado, pois seus olhos brilhavam a cada vez que eu a chamava dessa forma.
—Aim, eu tô cheia. –Sorri de canto pra ela. –Qualquer um ficaria cheio depois de ter comido tanto, você não mentiu quando disse que amava sorvete. –Ela sorriu divertida pra mim e pareceu se lembrar de algo. –Sabe o que eu estava pensando ontem, você é da Rússia e nós já nos conhecemos a algum tempo, mas nunca vi você falando russo.
—Provavelmente é porque ninguém vai entender, acho que vocês americanos achariam a nossa língua bem estranha. –Ela revirou os olhos. –Que nada, eu adoraria ouvir mesmo não entendendo, fala alguma coisa em russo pra mim? –Ela parecia realmente interessada, então decidi mostrar os meus sentimentos, mesmo sabendo que ela não entenderia, se eu ainda não podia demonstrar nada na língua dela, falaria na minha. Olhei nos olhos dela e disse. – Я люблю тебя больше, чем я могу понять.
Ela pareceu encantada. –O que isso significa? –Antes que eu pudesse pensar no que responder, escutei uma voz atrás de mim. –Pequena Rose!
Olhei pra trás e me deparei com um garoto loiro, ele parecia conhecer a Rose, mas não gostei nem um pouco dele, aquele sorriso irônico no rosto não me parecia amigável. Olhei pra Rose e ela estava impassível.
—Adrian, o que faz aqui? –Ele sorriu de maneira inocente pra ela. –Eu vim ver a nova sorveteria, não foi surpresa nenhuma te encontrar aqui, sei o quanto você ama sorvete, posso dizer que a surpresa está na sua companhia. –Ele parecia ser intimo dela, eu estava gostando cada vez menos dessa cara, me levantei pra cumprimenta-lo, confesso que quis intimida-lo já que eu era muito maior que ele, porém ele não pareceu se abalar e estendeu a mão pra mim.
—Adrian Ivashkov. –Eu dei um aperto firme em sua mão. –Dimitri Belikov. –Ele sorriu ironicamente pra mim. –Eu sei disso, o russo. A proposito Rose, vocês não estavam brigados?
Rapidamente eu soltei sua mão e me virei pra Rose. Como assim? Eles eram íntimos ao ponto de ela contar esse tipo de coisa pra ele? Rose parecia atônita com a situação, mas respirou fundo e se levantou.
—Adrian, podemos conversar em particular, por favor?
—É claro princesa.
Ela olhou pra mim e eu apenas assenti, os dois então foram em direção a macieira onde eu estava sentado antes e logo percebi que a morena parecia brava, ao contrario do Ivashkov, que parecia se divertir com a situação, eu me virei pra sorveteria pra não ter que ver nada, eu sempre tinha que me controlar, pois as vezes o meu comportamento podia ser muito explosivo. Passados uns cinco minutos, vi pelo canto do olho Rose se aproximando sozinha, assim que se sentou ela me olhou culpada.
—Desculpe pelo Adrian, ele sabe ser um babaca às vezes. –Olhei pra ela de forma neutra, não queria demonstrar a minha irritação, meu corpo estava fervendo de ciúmes, será que eles tinham alguma coisa? –Sem problemas, só achei que você fosse mais seletiva com seus namorados. –Ela me olhou espantada. –Ele não é meu namorado, nós ficamos por um tempo e foi isso, e mesmo se ele fosse não é da sua conta. –Ela parecia irritada agora, eu não estava muito diferente. –É da minha conta a partir do momento que você fala de mim pra ele. –Rose bufou pra mim. –Eu não contei nada de você pra ele, nós mal conversamos, não sei como ele descobriu que não estávamos nos falando, quer saber, não importa, nos vemos na escola. Tchau!
Ela disse isso e se levantou bruscamente, quando olhei pra trás vi que ela praticamente marchava em direção ao carro. Droga Belikov, você é um burro, colocou tudo a perder por conta de ciúmes de algo que nem é seu. Eu não podia deixa-la ir embora dessa maneira, lembrei-me do bilhete da minha mãe, ela falou que Rose parecia ser especial e que eu não deveria deixa-la escapar.
Mas Rose não parecia especial. Ela ERA especial e eu com certeza não a deixaria fugir, não dessa vez. Levantei-me num pulo e comecei a correr chamando pelo seu nome, ela não olhou pra trás, a alcancei quando ela já estava com a mão na porta do carro, segurei levemente seu braço e a virei pra mim.
—O que é Dimitri? Não acha que já falou demais não?
Passei a mão pelos cabelos, era um gesto que eu fazia muito quando estava nervoso. –Acontece Rose que eu tô cansado disso.
—Cansado de que?
—Disso tudo, sempre que eu tento chegar perto, você se afasta ou alguém interrompe, eu tô cansado do destino me atrapalhando.
Ela pareceu totalmente desconcertada, e parte da raiva foi embora, sendo logo substituída por apreensão.
—O que você quer dizer?
Eu sorri pra ela e me aproximei.
—Quer dizer, que eu não vou deixar você fugir dessa vez Roza.
Então, eu a beijei.
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