Heart Attack
19 I get paralyzed
Notas iniciais
—Oi Rose.
—Tasha, abaixa a arma!
Tasha estampava um sorriso perverso no rosto e eu sentia meu coração querendo sair pela boca, àquela louca estava armada e pela expressão dela era claro como água que ela estava fora de si. Dei passos desesperados pra trás ao mesmo tempo em que ela entrava na minha casa e fechava a porta com o pé.
—Por que você parece tão nervosa, Rose? Nós duas nem começamos a nos divertir ainda. –Ela parecia tão calma e era isso que estava me apavorando.
Eu deveria ter escutado o Dimitri quando ele disse que tinha algo de muito errado com ela e que ninguém estava percebendo, Tasha precisava de um médico e infelizmente eu precisei ter uma arma apontada pra mim pra perceber isso.
Eu precisava ganhar tempo, precisava distrai-la enquanto tentava pensar em alguma coisa que me salvasse.
—Então eu não tava ficando louca. Era você não era? Aquele dia na casa do Dimitri, quando eu estava indo embora vi você na casa da frente, mas achei que era coisa da minha cabeça. –Ela torceu o rosto em uma careta e apertou com mais força a arma, meu estomago já estava embrulhado a essa altura do campeonato. –Sim, era eu. Eu escutei vocês falando sobre esse jantar, eu fui pra lá à noite e mandei uma mensagem pro Dimitri falando que nós precisávamos conversar, eu queria que ele saísse de perto de você, mas ele disse que conversaríamos no outro dia e depois me ignorou completamente, tudo por causa de você. Você sempre destrói tudo Rose, mas dessa vez eu não vou deixar você tirar o Dimitri de mim. Ele é meu.
—Ele não é seu Tasha e nem meu, ele não é uma propriedade, ele é uma pessoa e eu nunca quis tirar nada de você, sempre quis entender o porquê de você me odiar tanto. –Eu ainda tentava ganhar tempo, mas estava sendo sincera, eu realmente nunca havia entendido a raiva que a morena parecia ter de mim, no dia em que nos conhecemos ela pareceu me odiar a primeira vista e eu sempre tentei entender o que eu poderia ter feito pra gerar essa reação nela. –Ah coitadinha de você, sempre tão inocente não é? Para de se fazer de idiota Rosemarie, esse papel não combina com você. Desde o primeiro dia você sempre me odiou, eu estava chegando a uma escola nova, só conhecia o meu primo e a namorada dele, estava ansiosa pra fazer novos amigos, pra tentar ser normal, mas eu nem tive chance por causa de você. –Tasha andava calmamente pela minha sala, mas eu sabia que ela estava preparada pra atirar caso eu desse um passo em falso.
—O sistema solar é algo interessante, não acha Rose? O Sol fica ali parado, imponente, enquanto os planetas giram em torno dele, nunca saem da órbita, não importa o quanto o Sol fique parado e não faça nada de interessante, eles não são capazes de se desviar do curso. Você é esse Sol Rose e todo o resto são os planetas ao seu redor, não importava o quanto eu tentasse agradar, era sempre você. Eles nunca gostaram de mim, porque eu não era você, eu não era a tão incrível Rosemarie Hathaway, eu sempre soube que todos aqueles idiotas só me aturavam pelo Christian, mas acho que nem ele gostava de mim. Aí o Dimitri chegou, ele foi a primeira pessoa que realmente gostou de mim e que riu das minhas piadas, a primeira pessoa que gostou da Tasha e não ficou me comparando com você, estava tudo perfeito, eu realmente estava feliz, mas você tinha que aparecer não tinha? Você tinha que tirar ele de mim? Já não bastavam todos os outros? Você tinha que ficar com tudo, não era? Desde que vocês começaram esse namoro ridículo, ele nunca mais teve tempo pra mim, nós não saímos mais juntos, mal conversávamos na escola porque assim como os outros ele só tinha olhos pra você e então eu tive que voltar a ficar sozinha.
Tasha se preparava pra falar mais alguma coisa, mas o meu celular começou a tocar. Antes que eu pudesse pensar em correr pra pega-lo e pedir ajuda, Tasha engatilhou a arma.
—Nem pense nisso, ninguém vai estragar o nosso joguinho agora que ele começou a ficar tão divertido. –Ela se aproximou da estante e pegou o meu celular. –Own, é a mamãe. –Meu coração deu um salto na mesma hora. E se ela já estivesse chegando? Eu precisava mantê-la longe daqui, não podia deixar que Tasha machucasse a minha mãe.-Eu vou ser boazinha com você Rose, você pode pedir ajuda pra sua mãe e ver ela se machucando também ou você pode dizer a ela que está tudo bem e livrar ela do destino que você vai ter.
Eu nem pensei, na mesma hora estendi a mão e ela me passou o celular. Respirei fundo, atendi ao telefone e coloquei no viva voz.
—Oi mãe.
—Querida, eu vou chegar em casa um pouco mais tarde ok? Tivemos que fazer uma cirurgia de emergência em um dos pacientes e agora eu preciso ficar aqui pra acompanhar o estado clinico dele. –Eu respirei aliviada e acho que se não estivesse tão tensa, poderia sorrir naquele momento.
—Certo mãe, sem problemas.
—E falando nele, você pode pegar o numero da esposa dele pra mim? Algum dos residentes perdeu a ficha cadastral dele, por sorte eu estava analisando o caso ontem e deixei a pasta dele aí em casa, está na cozinha.
—É claro mãe. –Tasha acenou em direção ao que pensou ser a cozinha e eu comecei a caminhar calmamente, eu a sentia logo atrás de mim, mas não era nem louca de tentar nada, não iria arriscar a vida da minha mãe.
Fui em direção a bancada e peguei a tal pasta, a abri e procurei pelo numero que minha mãe havia pedido.
—Achei mãe, é 212-555-0000.
—Ok querida, obrigada e até mais tarde.
—Tchau mãe, eu te amo muito.
—Também te amo querida.
Desliguei o telefone e o coloquei sobre a bancada.
Tasha encostou-se à parede de forma displicente e sorriu pra mim.
—Hum, que lindo. Dizendo que amava a mamãe pela ultima vez. Bom, agora de chega de conversinha né? Hora de morrer Rose.
Eu me joguei com tudo no chão quando Tasha atirou e ela grunhiu irritada, eu estava atrás da bancada e peguei a primeira coisa que vi pela frente, uma frigideira. Bela arma Rose, bela arma.
Ouvi Tasha se aproximando lentamente e quando pude ver a sombra dela, esperei mais alguns segundos e bati a panela com tudo na canela esquerda dela, a morena uivou de dor e eu me aproveitei desse momento pra me jogar em cima dela, retirei arma de suas mãos e a joguei em baixo de um dos armários, o mais longe possível dela.
Achei que agora conseguiria correr e pedir ajuda, mas não contava que ela seria tão forte desse jeito, Tasha me chutou com força e eu senti o sangue na minha boca quando bati a cabeça na parede, minha visão ficou turva e assim que consegui me recompor um pouco pude ver ela se aproximando de mim com uma faca na mão. Levantei-me o mais rápido possível e ignorando a pontada na minha cabeça, corri para o andar de cima, Tasha veio atrás de mim e quando eu já estava na metade da escada senti um puxão na minha perna e cai com tudo, Tasha também estava caída e tentava me puxar, eu apenas a chutava em uma tentativa de me livrar do aperto e voltar a correr.
Gritei de dor quando senti a faca entrando na minha panturrilha esquerda e usei toda a força que tinha para chuta-la com a perna boa, consegui me soltar do seu aperto e me levantei com dificuldade, recomecei a correr, mas dessa vez mancando. Lágrimas corriam livremente pelos meus olhos devido a dor lacerante na minha perna, eu me recusava a olhar, pois sabia que se visse o sangue acabaria desmaiando.
Consegui correr até o quarto e tranquei a porta no exato momento em que ela começou a bater loucamente na mesma.
—Você acha que uma porra de porta vai me impedir? Eu vou te matar sua vaca e depois que eu terminar com você tudo vai estar do jeito que deveria ser.
Eu não fazia ideia de onde Tasha estava tirando tanta força, mas as pancadas contra a porta ficavam cada vez piores e eu sabia que em minutos ela conseguiria arrombar. Tirei o meu celular de dentro do short, eu havia conseguido pegar ele quando me abaixei pra fugir do tiro. Disquei o numero da emergência com as mãos tremulas e rezei pra que conseguisse pedir ajuda antes da Tasha entrar.
—Emergência.
—Socorro, pelo amor de Deus.
—Senhorita, me diga o que está acontecendo e vamos enviar ajuda.
—Eu tô na minha casa, tem uma garota aqui, ela tava armada, mas eu consegui tirar a arma dela, eu tô escondida no quarto, mas ela tá lá fora com uma faca. –Nessa hora houve um estrondo horroroso na minha porta e eu pude ver a dobradiças entortarem. –Me ajuda, por favor.
—Calma senhorita, preciso do seu endereço e vamos mandar ajuda imediatamente.
—Tá, é primeira avenida esquina com a Phelton, numero 312.
O telefone ficou mudo e vi que a bateria do meu celular havia acabado, rezei pra que a atendente tivesse conseguido anotar o endereço e corri em direção à janela. Eu sabia que não conseguiria descer pela árvore assim como a Vikka tinha feito naquele dia devido a minha perna, mas tive outra ideia, o telhado não era tão inclinado, talvez eu conseguisse andar por ele e chegar até a outra extremidade da casa onde havia uma escada, no momento era a única chance que eu tinha.
Assim que saí pela janela e me agarrei a uma telha, escutei a porta sendo arrombada, comecei a andar e tentei ir o mais rápido possível já que sabia que logo ela estaria aqui, mas a minha perna estava latejando e eu me sentia cada vez mais fraca devido a perda de sangue.
—Você acha que vai conseguir fugir? Eu vou te mandar pro inferno.
Tasha rapidamente pulou a janela e começou a me seguir, eu sabia que ela logo me pegaria afinal eu estava ficando cada vez mais lenta. Senti pingos de chuva caindo em meu rosto e amaldiçoei a minha sorte, já era difícil andar sobre um telhado, com ele escorregadio então?
Estava na metade do caminho quando senti um puxão no cabelo, minha primeira reação foi pegar uma telha e bater contra o rosto dela, Tasha se desequilibrou e como ela ainda segurava meu cabelo eu acabei me desequilibrando também. Caímos as duas do telhado e eu senti todo o meu corpo protestando de dor, Tasha estava na minha frente com os olhos fechados e antes de ser tragada pela escuridão viajei até Dimitri e rezei pra que ele soubesse o quanto eu o amava.
Ouvi ao longe o barulho de sirenes e depois disso tudo ficou em silêncio.
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