Heal My Scars
8 Descontrole emocional
Notas iniciais
3 semanas depois...
P.O.V Do Freddie
Arrumei a Alice, peguei a bolsa infantil com estampa de estrelinhas e saí de casa, ela estava um pouco agitada, queria ver a mãe, não quis comer direito. Sam estava no trabalho, o melhor negócio que fizemos foi ter comprado a padaria, ela transformou numa confeitaria carregando seu sobrenome.
Ficava apenas uns 20 minutos de casa, estacionei o carro, tirei a pequena da cadeirinha, apareci sem avisar minha namorada.
Sam conversava com os clientes, além de ser a chefe do estabelecimento, era ela quem comandava na cozinha, fazia os melhores bolos da região e as incríveis tortas.
Ela entregou um saco de papel para uma senhora. Sempre muito carismática.
— Olha ali a mamãe, princesinha. — Apontei para Sam.
Muito esperta, ela olhou para a mãe atrás do balcão, se agitou pulando no meu colo, agitando os bracinhos.
Já ia fazer 8 meses, estava ficando pesada.
— Calma, já estamos indo lá. — Beijei sua cabeça.
Assim que nos notou ali, Sam abriu um sorrisão.
— Viemos te visitar. Está muito ocupada? Espero não estar atrapalhando. — Me aproximei.
Alice estendeu os bracinhos pedindo o colo da mãe.
— Não mesmo. Que bom que veio. — Tirou e pendurou o avental após se livrar das luvas de plástico.
Usava touca higiênica.
Eu quis beijá-la, mas não podia fazer aquilo ali.
Sam pegou a bebê, Alice choramingou e uma das mãozinhas foi parar no seio direito da minha loira.
— Ela está com fome. — Constatou.
— Comeu pouco. Não quis fruta amassada e também recusou a papinha. — Falei.
— Lily, arrume a prateleira depois e venha atender, por favor. — Chegaram mais clientes.
Sua funcionária obedeceu, colocou as luvas.
— Vamos lá para trás. — Me chamou.
Abri a portinha, levantei o tampo do balcão e entrei.
Fomos para a salinha que virou seu escritório. Tinha um laptop e uma calculadora sobre a mesa.
Como uma boa mãe, Sam sentou na cadeira e levantou a blusa. Começou a amamentar. Parecia aliviada.
— Senta aí. — Indicou a cadeira.
— Como andam as coisas? — Perguntei.
— Ótimas. Contratei um rapaz para fazer as entregas. Tem duas pessoas me ajudando na cozinha. E Lily é ótima, ela que me ajuda a atender. — Contou animada.
O cheiro ali dentro era muito bom.
— Que maravilha. — Me alegrei.
— Quer um cafezinho, amor? — Perguntou.
— Só se me servir uma fatia de torta de coco cremosa. — Brinquei.
— É com prazer! — Piscou para mim.
Olhou para a bebê que fechava os olhinhos sonolenta, tinha a mãozinha apoiada no seio dela.
— Esse anjinho está com muito sono. — Beijou a cabeça da filha.
Após terminar de amamentar, me entregou a pequena adormecida. Colocamos ela com cuidado no Sling preso em mim.
Sam me deu um selinho.
— Vou lá pegar o café e sua fatia de torta. — Se afastou.
[...]
P.O.V Da Sam
Mesmo estando atarefada, tirei um tempo para dar atenção ao homem que amo e a minha filha. Freddie apareceu de surpresa indo me visitar na confeitaria. Fique feliz por vê-los, eu trabalhava de segunda à sexta, abria a confeitaria às 07h e fechava às 18h. Deixava a Alice em casa com o Freddie ou com a babá, que era uma garota de 16 anos, filha dos nossos vizinhos.
Fechei a confeitaria com a ajuda de Brad, um rapaz que contratei para entregar as encomendas.
Quando cheguei em casa tudo estava em silêncio, Freddie não estava na sala. E nem na cozinha. E não havia brinquedos espalhados.
Alice já engatinhava bastante, mexia nas coisas e claro, bagunçava, espalhando seus brinquedos.
Os encontrei no quarto, dormindo, ele apenas de bermuda fina, ela de bruços deitadinha sobre o peito dele, tinha o dedão enfiado na boca, Freddie roncava baixo, seu peito subia e descia com a pequena adormecida.
Era a cena mais linda de todas.
Em silêncio, tirei o celular do bolso e os fotografei sorrindo.
Tirei a roupa, e sem acordá-los, fui direto tomar banho.
Eles dois estavam realmente ferrados no sono. Coloquei uma roupa simples de ficar em casa, fui preparar o jantar. A danadinha deve ter dado uma canseira nele.
Fiz arroz, preparei uma saladinha, empanei um pedaços de peito de frango. Eu fritaria assim que meu moreno acordasse, para a gente comer os empanados quentinhos.
Terminei de adoçar o suco.
Freddie apareceu descalço e descabelado com a Alice no colo.
Ela estava com as bochechas bem rosadas, fechava e abria a boquinha.
— Até que enfim. — Falei. — Encontrei vocês num sono profundo. — Sorri.
— Ela me fez ver aquele desenho lá... — Bocejou.
— Mentira, ela nem assiste desenhos ainda. — Nós dois rimos.
Fui pegar a nossa princesinha.
— Deu uma canseira no seu pai, foi? — Sacudi de leve, fazendo-a rir.
Mais um dentinho de baixo despontava.
Levei ela para o quartinho dela, dei um rápido banho com a água morna que aparei do chuveiro elétrico.
Freddie foi tomar banho e se aprontar para o jantar.
Fiz sopa para a Alice.
As coisas estavam indo super bem entre nós dois.. Não nos desentendemos mais. Eu estava super feliz com a confeitaria. Não era só minha... Era nossa.
O que mais eu poderia querer?
Minha vida estava finalmente seguindo um ótimo rumo.
Freddie e eu estávamos fazendo planos. Queríamos oficializar a nossa união.
[...]
P.O.V Do Edward
Dei banho no Julian, ele não parava de chorar. Estava muito inquieto, eu sabia que ele estava com fome, mas também poderia estar com cólicas. Melanie andava muito estressada, o leite havia secado. Enrolei meu filho na toalha. Olhei para o bebê aos prantos.

— Prepara a mamadeira para ele. Leite ou chazinho... Ele está com fome. — Falei para a Melanie.
— Já tentei dar fórmulas, ele não toma o leite que a pediatra passou. Não tem chá em casa. Não posso fazer nada se meu leite secou. Minha cabeça está quase explodindo aqui. — Afundou o rosto no travesseiro.
Estava de camisola, só saia da cama para ir ao banheiro.
Minha paciência com ela já estava indo para o ralo.
Cansei de acordar com o nosso filho se esgoelando de madrugada, ela dormia ou fingia estar dormindo para não ter que levantar.
Sequei ele, coloquei a fralda após passar talco e pomada para assaduras, o agasalhei com roupinhas quentes.
Julian estava vermelho. Começou a soluçar.
— Porra! Não consigo nem dormir! Cala a boca dessa criança! — Esbravejou fora de si.
Ela arremessou o travesseiro para longe.
Arrumei a bolsa infantil com as coisinhas dele. Melanie estava extremamente estressada. Peguei a manta, saí com o Julian no meio da noite.
Eu não conseguia ficar mais nem um minuto ali com ela.
Minha namorada não estava sendo uma boa mãe para o nosso filho.
Nem sei que porra estava acontecendo com ela.
O coloquei com cuidado na cadeirinha, prendendo-o devidamente.
Dirigi pelas ruas de Seattle ouvindo o choro forte do meu filho.
Devia estar com dor... Faminto.
[...]
Foi meu irmão quem abriu a porta.
— O leite da Melanie secou... Ela está muito irritada... As coisas estão insuportáveis lá em casa... Faz noites que não durmo... O Julian... Ele tá com fome desde cedo... — Desabei chorando diante do Freddie.
Era muita coisa pra minha cabeça.
Ele pegou o bebê que soluçava.
— Sam! — Chamou em voz alta.
Minha cunhada apareceu, cruzou os braços, me olhou séria, se aproximou à passos lentos.
Estava de camisola, desconfortável com a minha presença.
Freddie explicou tudo a ela.
Ela foi para o quarto levando o sobrinho.
— Você tá acabado, cara... Senta aqui. Quer alguma coisa? — Ofereceu.
Aceitei uma xícara de chá. Precisava me acalmar.
— Talvez seja depressão pós-parto. — Tocou no assunto.
— Ela grita com o Julian... Depois chora... Já tentei conversar com ela... Não sei o que fazer. — Admiti.
— Devia levar ela para uma consulta. Parece que é mesmo psicológico. Melanie está precisando de ajuda. — Me aconselhou.
— Mas ela não quer. Diz que é bobagem. Que só está cansada. — Falei.
Tomei o chá de camomila.
Ficamos ali na sala esperando minha cunhada retornar com o meu filho.
Ela trouxe Julian adormecido, enrolado na manta, entregou para o meu irmão que me passou o menino.
Olhei para o rostinho dele, estava avermelhado, sua boquinha tremia, ainda estava com soluços.
— Vou preparar uma mamadeira com leite materno. — Ela foi tirar leite para eu poder levar.
— Vou convencer ela a conversar com a irmã. — Disse em voz baixa.
Ficamos ali na sala conversando. Julian estava tão cansado. O pobrezinho caiu no sono profundo.
Sam voltou com a mamadeira pronta. Estava dentro de um porta-mamadeira térmico.
— Traga ele amanhã. — Sam apenas disse isso, nem me olhou direito.
— Obrigado. — Agradeci.
Sam era boa... Ela tinha um coração genuíno.
Voltei para casa aliviado. Coloquei o bebê no berço e caí na cama exausto.
Na manhã seguinte, o inferno recomeçou.
Melanie estava passando dos limites.
Estava me arrumando para ir trabalhar.
Melanie colocou o trocador dobrável sobre a nossa cama. Ela dizia que o quarto do bebê era pequeno e muito abafado.
Julian começou a chorar. Parecia que já sabia que ia tomar banho.
Melanie tinha acordado de mau-humor. Eu estava apressado, ia tomar café-da-manhã à caminho do trabalho.
Ajustei minha gravata.
— Fica quieto! — Ela perdeu a paciência.
Sacudiu o bebê e desferiu uma palmada na coxa direita dele.
Ouvi o estalo e ao invés de chorar mais alto... Julian acabou prendendo o choro.
Ela se afastou rapidamente, largando ele ali sobre o trocador macio.
Nosso filho estava sufocando.
Melanie gritou fazendo o maior escândalo.
Agi rápido indo socorrer ele.
Nem sei o que eu fiz... Talvez eu tenha o sacudido. Acho que dei tapinhas nas costas dele... Mas salvei nosso filho.
— VOCÊ FICOU LOUCA, PORRA? — Berrei nervoso e furioso.
Ela se encolheu num canto chorando.
Meu irmão tinha razão... Melanie precisava de ajuda psicológica.
Nem fui trabalhar e fiquei em casa cuidando do bebê. Melanie não tinha condições.
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