He Doesn't Like The Lights
26 #26 - Um ídolo melhor
Notas iniciais
#26
Um ídolo melhor
— Sabe o que seria mais incrível ainda? – Blaine perguntou com o rosto ainda escorado no pescoço de Kurt, dando leves beijos no local.
— Já imagino o que você vai dizer... – Kurt levantou, andou até a porta e a fechou, a trancando em seguida. – E para a sua alegria, concordo que seria incrível...
Kurt voltou para o colo de Blaine, mas agora colocou uma perna em cada lado seu.
— E isso nos faz parecer dois adolescentes que recém descobriram o que é sexo. – Brincou Blaine, rindo.
— Vai dizer que não gosta?!
— Amo!
Blaine puxou Kurt e juntou seus lábios nos dele e um beijo calmo, que logo se intensificou. Ao que tudo indicava, ainda ficaria por um bom tempo dentro daquele estúdio...
[...]
Gritos, conversas por todos os cantos, jornalistas, flashes e mais flashes. Aquilo era tudo o que cercava Blaine Anderson e Kurt Hummel, em um salão não muito grande que o Anderson havia alugado para o encontro com seus fãs. Seus seguranças estavam nas beiradas da sala, apenas para garantir que nenhum incidente viesse a acontecer.
O moreno conversava animadamente com qualquer fã seu que viesse até ele para trocar alguma ideia e tirar foto. Era incrível a maneira com a qual ele estava sentindo tudo no momento. Se sentia imensamente bem de estar fazendo aquilo. Se sentia feliz de dar alegria para tanta gente.
Kurt estava perto de Blaine, pois o moreno quase o implorou por isso. Mesmo que no início Blaine estivesse completamente tímido, agora, duas horas depois, ele estava bem solto e falando sobre tudo com todos. Gabriela e John também estavam presentes, afinal estavam sempre ao lado de Blaine, já que trabalhavam para ele.
— Oi! – Duas meninas chegaram até Blaine e uma delas o cumprimentou. A outra deu apenas um sorriso tímido.
— Olá, meninas! – Blaine deu um beijo no rosto de cada uma e um abraço forte. – Como vocês estão?
— Sentindo que estou em um sonho. – Respondeu uma delas. – Você nem parece de verdade.
— Que isso, gente... sou real e sou como vocês. Aliás, como vocês se chamam?
— Eu sou a Beatriz, mas pode me chamar de Bia.
— E eu sou a Bárbara. – Falou a outra moça, a que estava mais tímida.
— B, estão te chamando para você responder as perguntas lá naquela bancada lá... – Kurt, que tinha se afastado brevemente de Blaine para falar com Gabriela, disse se aproximando do moreno. – Oi, meninas. Eu sou o Kurt...
— Noivo do nosso ídolo. – Beatriz disse alegre, completando a frase de Kurt. – Vocês são tão lindos que eu sinto vontade de abraçar os dois e nunca mais soltar.
— Awn, vocês que são lindas. – Kurt disse sorridente. – E infelizmente vou ter que roubar o ídolo de vocês por alguns instantes, porque ele precisa subir lá para responder as perguntas de todos.
— Ok, amor, estou indo. – Blaine mexeu em seu bolso e pegou dois crachás e anotou o nome das meninas, logo dando uma pulseira para cada e prendendo os crachás na blusa de cada uma delas. – Agora vocês podem ir lá para frente para também perguntar.
— Obrigada! – Bárbara disse com um sorriso enorme no rosto. – Você é demais.
— Vocês que são. – Blaine novamente abraçou as duas e seguiu Kurt para a bancada, onde sentaram lado a lado, junto com Gabriela e John.
Os flashes das câmeras ficaram ainda mais fortes para cima deles e Blaine foi obrigado a pedir para que eles diminuíssem apenas por alguns momentos, prometendo que depois tiraria fotos com todo mundo – e dessa vez realmente iria, não pretendia fugir.
— Posso começar? – Uma jovem repórter perguntou e Blaine assentiu.
Ele se sentia demasiadamente tranquilo em relação à aquela entrevista. Não tinha mais medo das pessoas o interpretarem errado, nem de perguntarem coisas que ele não queria responder. Disse que depois dessa entrevista demoraria para ceder uma nova, pois queria focar agora em seu futuro casamento e em sua turnê, que já estava atrasada até demais.
— Por que você decidiu fazer esse encontro com seus fãs? Pretende repetir esse feito? – O crachá da moça dizia que seu nome era Hailey e Blaine sorriu antes de responder.
— Não foi uma ideia minha e sim do meu noivo. – Confessou o moreno, fazendo Kurt corar. – Mas admito que está sendo muito melhor do que eu imaginava. Eu pretendo repetir sim, vou tentar reorganizar as datas da turnê e fazer um encontro por cada cidade por onde eu passar, pois nem todos têm condição de ir até meus shows ou de viajar para cidades distantes.
— Vocês já decidiram quando vão casar? – Perguntou outro repórter, que aparentemente se chamava Johnny pelo que dizia em seu crachá.
— Estamos primeiro planejando todos os detalhes principais, não queremos fazer um planejamento correndo para casarmos de uma vez e de qualquer jeito. Queremos que tudo saia perfeito. – Blaine respondeu ainda sorrindo.
— E quanto aos shows atrasados? Como fará para recuperá-los?
— Bom, eu apenas adiei todas as datas, não cancelei nenhum. Ainda não sei o que vou fazer, pois eu não remarquei eles ainda. Estou pensando em como farei isso sem que os shows interfiram na minha vida pessoal. – Blaine segurava firme a mão de Kurt por baixo da grande mesa, recebendo um carinho bom em sua mão.
— E você vai continuar com essa vida de turnês depois de casar?
Aquela foi a pergunta que o pegou de surpresa. A verdade é que não tinha parado para pensar nisso, nunca para ser honesto. Ele estava tão feliz que não tinha conversado com Kurt sobre o futuro de sua carreira. Era algo para se pensar mesmo, mas até agora não tinha passado isso por sua cabeça.
— Oh, você realmente me pegou. – Blaine riu sem jeito. – Eu não sei, não parei para pensar nisso... Eu amo o que eu faço e não acho que eu queira simplesmente parar, mas não sei...
— E se o seu futuro marido dissesse para você parar, você pararia? – Melissa precisava mesmo estar ali? Por que ela sempre estava em todas as entrevistas de Blaine apenas para alfinetá-lo? Chegava a ser irritante.
— Desculpa me meter, mas... – Começou Kurt. –... o que te faz pensar que eu pediria uma coisa dessas a ele? É o trabalho dele, ele ama cantar e compor. Eu não seria idiota de querer que ele largasse algo que o faz tão feliz. Acredito que dentro de um relacionamento nós sempre podemos avaliar tudo o que pode vir a acontecer e administrar bem qualquer coisa que possa ser um empecilho, mas abandonar uma carreira? Isso não é um empecilho, é apenas uma pequena pedrinha que não vai nos atrapalhar.
— Perguntei para o Sr. Anderson! – Melissa disse ríspida, como sempre.
— E Kurt respondeu, ponto final. – Blaine respondeu a ela com um sorriso irônico. – E eu acho bom que você mantenha pelo menos um pouco de educação durante essa entrevista, porque eu estou com o maior humor do mundo aqui respondendo, então não vejo motivos para ser tão ignorante assim. – Melissa se calou, obviamente irritada.
— Não querendo ser rude, mas continuando nesse assunto... como vocês querem ter uma família desse jeito? Não acha que seria difícil uma criança crescer com um pai que vive viajando pelo mundo? – Um repórter que estava ao lado de Sebastian perguntou e foi só nesse momento que Blaine viu Sebastian ali, revirando os olhos para o tal repórter.
— Isso não é da sua conta, metido. – Implicou Sebastian, sentando na fileira da frente.
— Nós vamos dar um jeito, tenho certeza disso. Só queria deixar bem claro que minha família vem em primeiro lugar. Kurt, Gabriela, John, Elliot e até Sebastian, estarão em primeiro lugar para mim, então...
— Você quer dizer que abandona sua carreira por nós? – Sebastian perguntou pasmo, se repreendendo mentalmente em seguida.
— Quando eu e Kurt resolvermos que é a hora de sermos pais, sendo que isso pode acontecer amanhã ou daqui cinco anos, não sei, se eu precisar dar um tempo em minha carreira, eu vou dar. Não será para sempre, eu apenas não poderei ficar viajando o tempo inteiro. Acho que depois de treze anos fazendo isso, eu mereço um descanso. – Blaine explicou, sorrindo e olhando de canto para Kurt.
— O filho de vocês vai ser lindo. – Bárbara comentou, ao lado de Bia em uma das primeiras fileiras. – Mas vocês pretendem adotar?
— Boa pergunta... – Blaine olhou para Kurt, como se quisesse que ele respondesse essa pergunta.
— Eu acho que se nós procurássemos por uma barriga de aluguel seria legal, mas adotar também é uma boa ideia.
— Temos muito tempo, podemos fazer dos dois jeitos... – Blaine disse sorrindo mais ainda, levando Kurt a também rir. – Mais alguma pergunta?
— E vocês têm nomes em mente? – Bia perguntou entusiasmada, levando os meninos a novamente rirem.
— Gosto de tantos nomes. – Comentou Blaine, entrando na brincadeira, deixando todos sorrindo feito idiotas enquanto olhavam para eles. – O que você acha, amor?
— Também gosto de vários. Que bom que não temos que escolher agora, porque confesso que não é fácil. – Kurt disse e foi puxado por Blaine para ficar mais perto dele.
— Sabe, gente, por muitos anos vocês ficavam me perguntando sobre meus relacionamentos, ficaram querendo saber sobre minha vida afetiva e agora eu sinto muito orgulho de mostrar que estou em um compromisso mais do que sério com esse homem aqui que eu tanto amo. – Blaine começou a falar, deixando Kurt corado. – Lembro que nas últimas entrevistas eu sempre desconversava, fingia não ouvir certas perguntas, mas a verdade é que eu já queria sair exibindo um relacionamento com ele desde que o conheci. Mas isso já passou, o que importa é que agora eu posso.
— E faz isso até demais... – Sebastian disse rindo, fazendo Blaine revirar os olhos.
— Invejoso. – Kurt disse baixo, apenas para Sebastian ouvir.
A entrevista se seguiu por mais uma meia hora e depois Blaine voltou a falar com seus fãs e tirar fotos com eles. Só saiu de lá quando era quase meia-noite. Estava cansado, mal tinha comido e estava morrendo de sono. Entrou no carro com Kurt, John, Gabriela e Sebastian e sentiu o Hummel se escorar nele, sorriu e o abraçou de lado.
— Vocês não cansam, não? Estão sempre grudados. – Sebastian disse e Blaine riu.
— Cadê o Elliot, Sebastian? – O castanho ficou todo sem jeito com a pergunta do Anderson, ficando quieto e corando em cinco mil tons de vermelho.
— E-eu não... eu não sei... por que deveria saber? Eu, ein... – O Smythe disse todo atrapalhado, fazendo Kurt e Blaine rirem feito loucos.
— Ele acha que somos idiotas. – Comentou Kurt.
— Nós percebemos a troca de olhares de vocês desde a festa, Sebastian. Não somos tão ingênuos assim de pensar que dormiram no mesmo quarto por engano.
— Como sabem disso? – Sebastian perdeu toda a cor de seu rosto com aquilo.
— Eu fui tomar água durante a noite e ouvi certas coisas, confesso que eu preferia não ter escutado... – Blaine falou e viu Sebastian quase se afogar com o ar. – Eu teria xingado vocês, caso não estivesse fazendo pior no meu quarto. – O moreno levou um tapa de Kurt, que corou furiosamente. – Vai dizer que é mentira?
— Não, não é, mas não precisa ficar expondo isso para todo mundo ouvir.
— Kurt, naquela noite todos aproveitaram. E quando eu digo todos, é todos. Tem seis quartos na minha casa, Sebastian e Elliot estavam no seu antigo quarto, Gabriela e John estavam em um dos debaixo, meus pais também estavam em um dos debaixo, Cooper encontrou uma das meninas estilistas, a Aysha, e também levou para um quarto. E nenhum deles estavam dormindo. Muito menos nós. O único que dormiu foi o seu pai, que estava em outro quarto e sozinho... – Blaine disse tudo aquilo na maior naturalidade, deixando todos os outros quatro do carro corados. – E não se envergonhem disso, apenas saibam que alguém passou por todos aqueles quartos antes de vocês...
— Eca, Blaine, que nojo! – Sebastian disse repugnado. – Não me diga que eu transei com Elliot na mesma cama que você fez isso com um outro qualquer.
— Eu era o outro qualquer, idiota! – Kurt disse, revirando os olhos.
— Ciumento. – Brincou Blaine, dando um selinho no noivo. – E você, Sebastian, acabou de confessar que transou com ele.
— É, e depois disso ele não falou mais comigo. É só mais um idiota.
— Mas você não estava lá quando acordamos. – Kurt disse desconfiado.
— Exatamente! Elliot te procurou e fica me perguntando sobre você, Sebastian. Quando chegarmos em casa eu te dou o número dele, porque ele não sabe onde você mora nem tem seu número. Ele estava feito um louco querendo saber como você estava.
— Mesmo? – Sebastian perguntou esperançoso e os outros riram, fazendo ele fechar a cara.
Os cinco ainda demoraram um pouco para chegarem a casa de Blaine, onde simplesmente se atiraram cansados no sofá. Ligaram para a pizzaria e encomendaram duas pizzas, depois ficaram apenas conversando alegres. Estavam bem de estarem ali uns com os outros.
Quando as pizzas chegaram, vieram com um acompanhante a mais. Era Elliot e Blaine tinha feito aquilo de propósito, é óbvio. Logo o novo integrante daquele grupo se enturmou melhor com os outros e pouco tempo depois todos os seis já estavam conversando como se fossem amigos de infância.
Kurt e Blaine trocavam olhares serenos e apaixonados, felizes por imaginarem como seria a vida deles de agora em diante, planejando um casamento e a criação de uma família.
Tudo parecia finalmente estar se encaixando em seu devido lugar e eles não poderiam sentir uma sensação mais satisfatória do que a que sentiam agora.
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