He Could Be The One.
19 Recuperação, Descobertas e o Anonimato.
Alguns dias depois de toda a confusão envolvendo o grupo de meninas da Leslie e a própria, eu pude sair do hospital. Claro que, com vários membros engessados. Pelo menos estava viva.
Meus pais me ajudaram, levando as minhas coisas para o quarto, enquanto eu permanecia sentada no sofá.
Nick ainda ficaria mais uma noite no hospital, o que já era bom, pois, diante da gravidade de seu problema, achei que demoraria muito mais para ele sair daquele lugar.
Enquanto aqueles assuntos tomavam de conta da minha cabeça, minha mãe me observava silenciosamente do alto de um dos degraus da escada.
Quando me apercebi de sua presença, dei um sorriso gentil e um tapinha ao meu lado, no lugar vazio do sofá.
- Então filha, o que pretende fazer? – Disse ela se sentando e passando a mão em meus cabelos.
Suspirei. Falei a verdade.
- Não sei mãe. Mas pretendo dar um jeito nas coisas com Nick. Sabe, eu não sei se já lhe contei, mas terminamos. Quer dizer, ele terminou comigo. Por motivos meio confusos, mas enfim. Terminou, e lhe garanto que não era isso que eu queria.
- E com relação à Leslie? Ela é a nossa maior preocupação agora.
Eu sabia que minha mãe se referia não somente à ela, mas também ao meu pai.
Eles dois sempre, sempre quiseram o meu melhor.
- Eu fiquei sabendo ela foi transferida. Agora está tudo bem. Garanto. – Sorri. Depois fui levada para cima nos braços do meu pai, e colocada em cima da minha cama. Fiquei lá, olhando as ligações que haviam na secretária.
A garota que havia feito o telefonema milagroso para Nick resolveu se identificar: Ou não.
“ Bem, lembra de mim? Provavelmente não. Sou eu, a garota que perguntou para você sobre os rumores das histórias que Leslie andava inventando na escola. Lembrou? Pois bem. Estou aqui para pedir que minha identidade permaneça anónima. Não queira saber o medo que eu venho passando. Se aquelas meninas descobrirem que fui eu quem as dedurou, estou ferrada. Por tanto, finja que não me conhece. Adeus”
Por incrível que pareça, aquele recado me fez rir. As pessoas às vezes são meio estranhas. Passei as outras ligações e uma delas havia me chamado atenção:
“ Fui transferida, como você já deve estar sabendo. Só quero que saiba que, eu errei e reconheci meu erro. Mas não me sinto culpada por tê-lo feito. Adeus.”
Desliguei o aparelho e refleti sobre as palavras de Leslie.
Como poderia o ser humano ter tamanha capacidade de odiar? Mais até do que de amar.
Só que, essas palavras também significavam um sinal de paz da parte dela. O que me deixou bastante aliviada.
Senti algo vibrando no meu bolso, e percebi que havia esquecido de tirar do silencioso meu celular.
Chequei o identificador e era Nick. Sorri.
- Sim? – Atendi, tentando parecer indiferente, quando tudo o que eu queria era gritar de alegria por ter recebido a ligação.
- Sabe, eu sou um idiota.
Franzi a testa, e não me pronunciei, à espera de uma explicação para tamanho “elogio”.
- Não sei como pude terminar com você. – Completou ele, e eu pude jurar perceber um sorriso na sua voz.
- Também não sei. – Respondi, retribuindo seu –provável- sorriso.
- Amanhã eu saio desse lugar horrível, e acho que precisamos conversar.
Suspirei.
- Sim, precisamos de fato, conversar.
- Então, nos vemos amanhã.
- Até amanhã.
Já ia apertando o botão vermelho do celular quando ouço meu nome mais uma vez:
- Miley?
- Sim? – Respondi, já ficando meio impaciente.
- Eu amo você. De verdade.
Corei repentinamente. Ninguém havia dito algo do tipo para mim assim, tão abertamente. De início, não sabia muito bem o que responder. Apenas permaneci calada. Quando resolvi falar, pigarreei duas vezes antes de dizer:
- Eu também. Tchau. – E desliguei.
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