Notas iniciais
Pane mental da autora durante uma aula de Direito e História. Música para ouvir (obrigatoriamente) após o Sebastian abrir a porta: 'Please, Please, Please, Let me Get What I Want' by The Smiths. Se não ouvir, a fic perde a suposta graça.

— Sebastian

— Sim, Bocchan? – respondeu o mordomo oferecendo um sorriso respeitoso a seu jovem mestre.

Ciel recolocou a xícara de chá no pires, fitou o relógio de pêndulo e apurou os ouvidos. Após um minuto, falou:

— Já são quase seis horas e ouço o barulho de cascos de cavalos e de rodas de uma carruagem. Deve ser mais uma visita inesperada de Lizzy. Vá abrir a porta para ela. – não encarou o demônio enquanto falava. Sebastian reverenciou com a mão direita sobre o peito:

— Yes, my lord.

Sebastian deixou a sala de chá da ala leste e desceu as escadas. Também ouvira a carruagem, mas Ciel se antecipara. O som estava cada vez mais alto. No entanto, não era o som usual emitido por uma carruagem que transportasse os delicados corpos de Lady Elizabeth e de Paula. Tal fato passara despercebido aos limitados sentidos humanos de Ciel. O demônio, no entanto, era também incapaz de dizer ao certo quem ocupava a carruagem que se encontrava, a cada minuto, mais perto da mansão. Apenas possuía a certeza de que o ocupante era um ser do sexo masculino. Com seu timing impecavelmente perfeito, aguardou os cinco segundos faltantes para que a carruagem chegasse à frente da mansão e abriu as pesadas portas de carvalho.

Para a grande surpresa (e profundo desprazer interior) de Sebastian, a figura parada defronte si não era alguém com uma mensagem urgente para o conde.

Era Grell Sutcliff, que, trajando suas melhores vestes, apoiava o corpo no joelho esquerdo e no pé direito, tocava desajeitadamente um violão espanhol e cantava numa voz que lembrava o som de algo batendo no fundo de um caldeirão rachado:

- Good times for a change... See, the luck I had can make a good man turn baaaad... So, please, please, please… Let me, let me, let me… Let me get what I wa-

A declaração do Shinigami foi interrompida pelo duro som da realidade, apresentada sob a forma de carvalho maciço de maneira demasiado indelicada para os padrões do mordomo-demônio.

Sebastian?

— Sim, Bocchan? – respondeu o mordomo enquanto aguardava, em sua posição habitual, ao lado da mesa na qual Ciel terminava de tomar seu chá da tarde.

— Quem era o visitante que resolveu seus negócios conosco em tão pouco tempo e nem ao menos precisou falar diretamente comigo?

— Receio que a visita fosse para mim, Bocchan. Assim como o jovem mestre sente-se incomodado na presença de Lady Elizabeth, eu também possuo contatos que procuro evitar sempre que possível. Infelizmente para o jovem mestre, seria muita indelicadeza e demasiadamente impróprio para um nobre que evitasse a própria noiva. Eu, por outro lado, não terei grandes problemas ao ser descortês com certas pessoas.

— Che... – fez Ciel e bebeu seu último gole de chá com leite daquele dia.

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