Hazy
4 Infernali Creaturae
Os dois entraram na cabana, Evellyn ficou chocada com a quantidade de coisas que tinham do lado de dentro. Havia uma estante, meio destruída, de madeira, cheia de livros grossos, empoeirados pelo tempo; uma mesa em bom estado no canto da parede, uma geladeira antiga, empoeirada, mas que dava para quebrar um galho. E, além disso tudo, as paredes internas da casa, estavam pichadas em branco de símbolos antigos, pentagramas... Rafael pichou todos eles uma semana antes, para que o efeito pudesse se completar. Não era muita coisa a simples cabana, mas serviria de abrigo e refúgio.
— Tenho muita coisa para te dizer.
— Você sempre tem. — Respondeu ela sorrindo timidamente.
— Então, como você já deve ter percebido, tudo muda daqui em diante. Foi em quem fez esses símbolos e pentagramas, serão eles que te deixarão segura, além de você mesma.
— Como assim? O que são essas coisas? Isso é macumba? Feitiços?
— Sou um anjo, não faço magia negra, pelo menos, não por agora. Não se preocupe, ainda irei te ensinar alguns desses, o resto, terá que aprender.
— Eu deixei comida para você na geladeira. Pedi para comprar o que você mais gosta.
— Pediu? Para quem?
— Daniel, seu amigo. Ele me ajudou em algumas coisas. A propósito, irei busca-lo em breve...
— Estes livros na prateleira contêm todo tipo de informação que você precisa caso necessite de ajuda. Seja para descobrir algo, fazer um feitiço, algum ritual, tudo, tudo. – Respondeu Rafael apontando para os livros.
— Alguns livros estão em inglês, porém, grande parte está em latim e enoquiano, terá que traduzir por conta própria.
— Ok, e como eu vou saber ler em latim se eu não sei? Já ouvi falar sobre enoquiano, mas achei que fosse mentira. Então quer dizer que existe de verdade?
— Sim, existe. Enoquiano é a língua dos anjos, uma língua extinta. Além do mais, acredito que trouxe seu notebook, vai ser para alguma coisa...
— Ok, enoquiano, feitiços, latim, entendi tudo (entendi nada) — pensou ela... e outra coisa, esta bosta de amuleto aqui, serve para alguma coisa ou só vai ficar no meu pescoço?
— Esta bosta aí, irá te proteger e te salvará muitas vezes! — Respondeu ele sério e com uma voz olhando para ela.
— Eu vim para te ajudar. Não ache que irei pousar no seu ombro. Não recebi ordens para ser sua babá 24hrs. Você terá que se virar sozinha, por hora. Daniel irá te ajudar.
— Da pra me dizer como eu uso isso daqui então? Ou vai me dizer que vou ter que procurar um tutorial no YouTube? — Perguntou ela olhando.
— Não sei o que é um YouTube. E não, não irei te dizer, eu te disse que tudo está nos livros, terá que ler e descobrir. São livros muito antigos, alguns são de 1.300 antes de Cristo.
Rafael desaparece, e minutos depois, retorna com Daniel na sala em que ele e Evellyn estava conversando.
— Daniel!!
— Me perdoe por não te dizer as coisas, por não ter dito o que deveria saber, mas fiz por bem, só queria te proteger. — Disse Daniel a uma voz triste.
— Tudo bem, eu já sei de tudo. Eu teria feito o mesmo se eu estivesse no seu lugar. Rafael me disse que você vai ficar comigo, não é, Rafael? — Disse ela o abraçando.
— Rafael? Rafael?
— Ainda não me acostumei com essas sumidas dele.
Os dois ficaram horas conversando, deram uma olhada na pequena cabana, e encontraram uma parede, com frestas do lado, dando aos dois a entender que era uma parede falsa. Daniel tentou abrir, mas parece que estava emperrada, por causa da poeira. Então, ele deu um chute que acabou machucando seu tornozelo.
— ooooooww! Gritou ele morrendo de dor.
— Cuidado!
Evellyn achou um pé de cabra no canto da pequena sala, usou ele para tentar abrir a porta, e conseguiu. A hora que os dois viram o que tinha lá dentro, olharam um para o outro, com expressão de surpresa.
— Só pode ser brincadeira! Armas? — Perguntou Evellyn retoricamente.
— O dono dessa casa só podia ser um militar ou sei lá, um louco por arma. — Respondeu Daniel.
A parede era meio estreita, tinha mais ou menos 1 metro de largura e 1,50m de altura. A parede estava com armas presas por suporte, de cima a baixo, incluindo facas, granadas, e um supositório cheio de balas. Os dois resolveram investigar mais a cabana, andavam lentamente, pois Daniel estava com o tornozelo machucado. Encontraram na cozinha, cheia de poeira e teia de aranha, vários potes com um pó de coloração azul, e sal. Daniel pegou o pó azul, pôs um pouco na sua mão e cheirou...
— Que negócio fede água sanitária e é azul?
— Esse lugar cada vez me assusta mais. — Comentou ela.
— Vamos voltar para a sala, precisamos ler a respeito desse amuleto.
Os dois voltavam para a sala, pegaram dois livros, um cada um, e começaram a ler na mesa, informações sobre objetos antigos. Depois de horas e horas lendo, procurando informações, Evellyn conseguiu encontrar uma página grudada na outra, e devido ao alto relevo, ela percebeu que havia algo dentro. Era uma folha, muito antiga, meio rasgada, amassada. O pentagrama desenhado na parte da frente, era o pentagrama que Evellyn estava usando em seu pescoço.
— Veja isso que encontrei! — Disse ela animada.
— Abra, veja o que está escrito!
— Está escrito em uma língua que eu nunca vi antes... Rafael disse que poderia existir escrituras em latim, enoquiano... Veja se entende.
— Enoquiano? Eu não vejo isso há séculos. Deixe-me ver.
— Você já viu isso antes!? O que você andava estudando?
— Eu pesquisei sobre e é uma língua meio difícil de ser entendida, mas não é impossível.
— Consegue ler?
— Não. E isso aqui, se eu não estiver errado, vai demorar no mínimo uns 3 dias para conseguir entender por cima. — Disse ele olhando o papel...
Os dois já estavam cansados, e resolveram arrumar um lugar para dormir, pois já estava tarde. De madrugada, Evellyn, durante o sono, começou a ter uma visão. Ela se debatia na cama, e suava frio... Era impossível acordá-la, pois Daniel sabia que quando alguém está tendo uma visão, não se pode acordar. Evellyn parou de se debater e acordou. Suada, ofegante e apavorada, olhou no relógio ao lado da cama, era 4:15, e viu que os dois tinham 15 minutos antes do acontecido...
—Vamos sair logo daqui! Pegue algumas armas! Recarregue!
— O que houve, o que houve?
— Te explico depois, mas temos que fugir... agora! — disse ela nervosa.
Os dois pegaram as coisas essenciais e saíram correndo pela rua a meia luz. Olhando de costas, vendo se alguém estava atrás, mas ninguém no momento aparecia. Daniel aflito e apenas seguindo ela, começou a perguntar o porquê de estarem saindo no meio da noite, sem rumo.
— Eu tive uma visão de que se ficássemos naquela cabana, iriamos morrer. Algumas coisas irão invadi-la.
— Mas como assim? Rafael não fez aqueles selos de proteção?
— Não sei, era algo diferente, como se fosse imune aos selos.
Foi que então, apareceram dois caras, logo atrás deles, uns 6 metros atrás. Evellyn olhou para trás e se assustou, Daniel atirou de susto com uma 12 em um dos caras de preto, mas infelizmente, não o derrubou. Evellyn tentou atirar com uma pistola no peito do outro cara, mas como não sabia usar uma arma, acertou o chão. Parece que os dois eram impossíveis de se deter. De repente, apareceu mais 3 caras atrás deles. Encurralados, depois de usar todas as balas, viram que não tinham mais chances. Jogaram as armas no chão, Evellyn olhou para o amuleto que brilhava, tirou de dentro da blusa, segurou na mão, fechou os olhos e disse involuntariamente: virtus animae cum inferno fugare. Uma luz branca intensa saiu do amuleto, tomou conta da rua, os 5 caras começaram a queimar e gritar, até que a luz começou a se apagar, e os dois viram que haviam sido carbonizados.
— Oh meu Deus!
— O que você fez!? – perguntou Daniel surpreso.
— Eu não sei!!
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