Hayley Potter e a Pedra Filosofal
8 Poções
Notas iniciais
Fred e George nos acompanharam até as masmorras, onde teríamos nossa primeira aula da semana. Poções, com o professor Snape. Ao entrar na sala, vimos que muitos dos alunos da Sonserina já estavam na sala, sentados ao fundo. Hermione e eu nos sentamos em uma das mesas na frente, que eram em duplas, e Ron sentou atrás de nós. Eu estava tirando um dos cadernos da mochila quando percebi que duas garotas pararam bem em frente a nossa mesa.

— Olá. – uma garota de cabelos pretos escuros e olhos verdes disse para mim.
— Hmm... Oi? – respondi, sentando melhor na cadeira.
— Você é Hayley Potter. – ela afirmou, me olhando de cima a baixo.
— Sim? – minha voz saiu insegura, não sabia muito bem o que estava acontecendo.
— Eu sou Pansy Parkinson. – ela disse, uma sobrancelha levantada – E essa é Daphne Greengrass.
Elas ficaram em silêncio, como se esperassem que eu falasse algo. Eu não sabia o que falar, elas pareciam com as garotas que costumavam me humilhar na escola. Eu precisava saber de mais coisas para saber como reagir a aproximação delas.
— Nós sabemos que você é da Grifinória, Hayley. – Pansy disse, meu nome meio sibilado – Mas estamos dispostas a ignorar esse detalhe e sermos suas amigas. – ela então olhou feio para Hermione, como se a presença dela fosse uma ofensa – E te ensinarmos como o mundo bruxo funciona. Ouvimos os boatos de que você não sabe das coisas.
— É mesmo. – Daphne disse, um sorriso irônico no rosto – Não iriamos querer que você acabasse fazendo a péssima escolha de...
— Para seus lugares. – uma voz grave interrompeu Daphne, e eu olhei para a entrada da sala – Agora.
O professor Snape caminhou até a frente da sala, uma expressão incomodada no rosto. As meninas que estavam conversando comigo se sentaram rapidamente na mesa ao nosso lado. Percebi que a sala estava cheia, e percebi que o professor me encarava.
— Vocês estão aqui para aprender a ciência sutil e a arte exata do preparo de poções. – ele disse, olhando cada mesa por alguns segundos — Como aqui não fazemos gestos tolos, muitos de vocês podem pensar que isto não é mágica. – a voz do professor estava baixa, forçando a sala a ficar em silêncio para conseguir ouvir — Não espero que vocês realmente entendam a beleza de um caldeirão cozinhando em fogo lento, com a fumaça a tremeluzir, o delicado poder dos líquidos que fluem pelas veias humanas e enfeitiçam a mente, confundem os sentidos... – ele se virou, andando até a mesa na frente da sala e com um gesto da varinha enchendo o caldeirão de um liquido cinzento — Posso ensiná-los a engarrafar fama, a cozinhar glória, até a zumbificar, se não foram o bando de cabeças-ocas que geralmente me mandam ensinar.
Depois dessa introdução, o professor Snape fez com que várias coisas fossem anotadas na lousa com um aceno da varinha e fez a chamada. Ao chegar no meu nome, ele parou por um instante e então me encarou.
— Hayley Potter. – ele andou devagar até parar bem em frente a minha mesa – A nova celebridade de Hogwarts. — senti meu rosto ficar vermelho, e mexi nervosamente com a caneta na minha mão — Diga-me, o que eu obteria se adicionasse raiz de asfódelo em pó a uma infusão de losna?
— Não sei, professor. – murmurei, olhando para baixo... raiz de que em infusão de losna?
— E onde a senhorita procuraria se eu lhe pedisse um bezoar? – ele perguntou de novo, e vi Hermione levantar a mão ao meu lado.
— Também não sei, professor. – olhei para ele, que tinha olhos tão escuros que mal dava para se diferenciar a pupila.
— Não pensou em ler seu material antes do início das aulas?
— Eu não... – respirei fundo, sentindo uma lágrima teimosa escorrer de meu olho – Não, professor.
— E sabe a diferença entre aconitum e erva do lobo?
— Não, professor. – percebi uma pequena careta em seu rosto e percebi que deveria me preparar melhor para as aulas.
— Vocês poderiam ter encontrado essas informações no capítulo de introdução do livro de vocês. – ele disse, a voz grave ecoando na sala nas masmorras, indo até a própria mesa novamente – Asfódelo e losna são ingredientes de uma poção para dormir tão poderosa que é conhecida como poção do morto vivo. Bezoar é uma pedra retirada do estomago de uma cabra e pode ser utilizado contra a maior parte dos venenos. E aconitum e erva do lobo são a mesma coisa. – o professor encarou a sala, e então disse alto – Por que não estão anotando?
A aula não foi animada, mas nós tivemos tanta matéria que no fim da aula minha mão estava dolorida. Estava guardando o material devagar, pensando se todas as aulas seriam assim quando o professor parou em frente a minha mesa.
— Senhorita Potter.
— Professor? – olhei para ele, com o livro a meio caminho da bolsa.
— Preciso falar com a senhorita, aguarde seus colegas saírem e venha até minha mesa.
Olhei para Hermione, sentindo meu rosto ficar completamente branco. Ela sussurrou um “boa sorte” antes de pegar Ron pelo pulso e o arrastar para fora da sala, os últimos alunos que ainda estavam na sala se apressando para sair, me lançando olhares solidários. Terminei de guardar meu material e vi o ultimo aluno sair da sala, fechando a porta atrás de si. O que o professor quer falar comigo? Será que é sobre eu não saber responder as perguntas dele? Droga. Eu deveria ter estudado antes da aula.
— Professor, desculpe por não saber as respostas... – eu falei, andando até a mesa dele, mas parei quando o vi sentado me observando.
— Eu fui um grande amigo de sua mãe, senhorita Potter. – ele falou, os olhos com um brilho diferente, a voz baixa.
Eu o encarei, definitivamente não esperava isso. O professor de poções foi amigo da minha mãe? Meu coração bateu rápido, meus pensamentos se confundindo, ele conheceu minha mãe. Não só a conheceu, mas foi amigo dela! Eu abri e fechei a boca várias vezes, tentando pensar em algo para falar.
— Sua mãe foi a bruxa mais brilhante que já conheci, senhorita Potter. – ele disse, levantando e dando a volta na mesa – Diferente de seu pai. Ele não se importava com os estudos e preferia causar problemas. – a voz dele ficou irritada ao falar de meu pai, mas voltou ao normal ao falar de minha mãe – Você tem os olhos de Lilian.
— Eu tenho uma foto deles. – consegui falar, o coração ainda batendo forte.
— Gostaria de dizer que estou a disposição caso queira conversar, senhorita Potter. – ele disse, voltando a se sentar na cadeira atrás da grande mesa de madeira preta – O mundo bruxo não é um lugar fácil, e a senhorita pode precisar de alguém para falar sobre isso.
— Obrigada, professor. – disse, os olhos arregalados e o coração ainda batendo descontroladamente no peito.
— Agora vá, ou vai se atrasar para sua próxima aula.
Eu sai da sala devagar, olhando uma ultima vez para o homem de cabelos e olhos escuros. Eu não estava esperando por isso, e percebi que julguei o professor Snape antes mesmo de o conhecer. Fechei a porta com delicadeza, encontrando Ron no corredor.
— Você está bem? – ele disse, correndo até meu lado – Hermione ficou com medo de se atrasar, mas eu fiquei com medo por você. O que ele falou?
— Ele conhecia minha mãe. – murmurei, pensando no que isso significava.
— Sério?
— Sim. – balancei a cabeça, subindo as escadas – Achei que eu levaria um sermão por não ter feito a leitura antes da aula, mas...
— Ele foi legal. – Ron disse, me acompanhando – Fred e George sempre dizem que ele é assustador.
Não falei nada, pensando no que acabou de acontecer enquanto a gente andava até as estufas para aula de Herbologia.
☆☆☆☆☆
A aula de Herbologia foi com a Lufa-Lufa, e muito mais animada do que a de poções com a Sonserina. A professora de Herbologia, Professora Sprout, é a diretora da Lufa-Lufa e muito gentil. Ela fez com que a gente se dividisse em duplas, um de cada casa, dizendo que isso criaria amizades novas. Minha dupla foi Hannah Abbot, uma garota tímida e gentil de cabelos loiros.
No final da aula, Hermione e Ron vieram até o meu lado e nós fomos juntos para o castelo. Ron queria ir direto para o grande salão para almoçar, mas eu e Hermione preferimos ir até o dormitório deixar nossas bolsas. Foi quando um grupo de alunos da Sonserina veio até nós no pátio externo do castelo, sendo liderado pela garota de cabelos escuros que tinha falado comigo na aula de poções e um garoto de cabelos loiros demais, quase branco.
— Hayley. – a menina disse, um sorriso doce demais no rosto, a voz animada demais – Precisamos terminar nossa conversa!
— Não tem o que terminar. – disse, sentindo a adrenalina tomar meu corpo – Eu não preciso de ajuda pra escolher meus amigos.
— Ah, tadinha! – ela disse, o rosto com uma expressão de dó – Você não sabe como o nosso mundo funciona, ninguém te ensinou nossas tradições.
— Não preciso que ninguém me ensine tradições. – respondi, respirando fundo – Eu consigo perceber sozinha quem não será uma boa amiga.
— Potter. – o garoto de cabelos loiros disse, dando um passo a frente – Meu nome é Draco Malfoy, um prazer finalmente te conhecer.
— Igualmente? – respondi, minha voz fazendo parecer uma pergunta, confusa com o garoto entrando na conversa.
— Pansy não é muito delicada. – ele olhou para a garota ao seu lado irritado – Mas tem boa intenção. Você é alguém importante, assim como nós, e podemos te ensinar como as coisas funcionam. Nós de famílias respeitadas tivemos o ensino adequado desde criança.
— Não, obrigada. – disse – Eu estou feliz com Ron e Hermione.
— Weasley é um traidor do próprio sangue, Potter. – ele falou, olhando com nojo para Ron, que ficou com o rosto vermelho – E ela... – seu olhar foi para Hermione, o rosto franzido com nojo – Ela não merece sua amizade.
— E quem é você para decidir quem merece minha amizade? – cruzei os braços.
— Draco é o único herdeiro dos Malfoy. – Pansy disse, a voz irritada – Se você quiser...
— O que está acontecendo aqui? – uma voz alta disse, e todos nós olhamos na direção do som – Nenhum problema, espero. – a professora McGonagall continuou, andando até nós com o rosto severo.
— Não, professora. – respondi, olhando com irritação para o grupo a minha frente – Eles estavam se apresentando, só isso.
— Fico aliviada que seja só isso, senhorita Potter. – seus olhos brilharam com algo que não entendi – Mas imagino que devam ir para seus salões comunais se preparar para o almoço. Sonserina terá aula comigo após o horário de almoço e eu não tolero atrasos. – depois de falar, ela virou e voltou para dentro do castelo.
Esperamos o grupo de alunos da Sonserina entras no castelo e desaparecer antes de seguir na mesma direção, andando rápido até as escadas para o salão comunal. Ron estava muito vermelho, parecia furioso.
— Hayley! – ouvi Fred me chamar e parei no corredor que levaria a gente até o salão comunal, Ron e Hermione parando também.
— Oi Fred. – sorri, e percebi o irmão gêmeo logo atrás – George.
— Como você sabe diferenciar os dois? – Ron disse, os olhos arregalados – Nem a nossa mãe consegue!
— Não vou contar meu segredo, Ron. – observei meu amigo, vendo o vermelho diminuir até ficar só nas bochechas, suspirando de alivio.
— Soubemos que você acabou com o Malfoy e a Parkinson no pátio.
— Eu não acabei com ninguém...
— Os alunos do segundo ano estavam saindo da aula de poções e viram tudo, o castelo todo está falando sobre como você recusou a amizade deles. – Fred disse, um sorriso enorme no rosto.
— Eles não vão ficar quietos com essa rejeição, sabe? – George disse, um sorriso enorme idêntico ao do irmão no rosto – Vai precisar de guarda costas!
— Que?
— Vamos entrar logo, Hayley. – Hermione riu, me puxando pelo braço – Assim nós podemos ir comer logo.
— Ah, vocês têm o horário livre. – Fred fez biquinho – Nós temos aula agora.
— Eu vou ficar bem. – informei os gêmeos – Hermione e Ron estão comigo.
— Vamos logo, Hayley. – Hermione me puxou, e eu a segui até o dormitório.
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