Haylen And The Obscure Enemy

1 Um simples sonho me deixa de queixo caído


Era o fim... Era hora de acabar com tudo o que tinha vivido até aquele momento, de terminar todas as minhas missões dadas. Era de certeza, a Batalha Final.

Estava rente a ele... Aquele que me fizera tanto mal estava bem a minha frente. Estava na hora de terminar e pôr fim a sua maldade. Meu maior desafio começaria em instantes e, por isso, não hesitei, sabia que estava na hora de terminar. Comecei a me movimentar, andando na direção dele, sem medo do que poderia acontecer, sabia que seria para um bem maior. Comecei a andar entre os destroços do enorme prédio envidraçado que reluziam os poucos focos de luz ali presentes, agora praticamente destruído por tudo que sofrera. O tema era das trevas eternas, a noite era forte e as luzes eram poucas para dar clareza e confiança nos olhos dos presentes. Eu, um mero garotinho no meio daquilo tudo, olhava ao meu redor, via inúmeras pessoas, mas não conseguia reconhecer nenhuma delas.

Depois de atravessar o Pátio Inicial, cheguei até aquele ser... Cheguei até o meu maior inimigo, mas vi seu rosto e percebi que ele estava opaco e fosco, era totalmente embaçado e não se via a face daquele monstro que estava bem a minha frente. Estava completamente obstruída pela imagem, sua identidade agora não se sabia.

Parei em frente aquele homem obscuro, paramos e nos observamos em um curto espaço de tempo. Num piscar de olhos não se via mais nada, estávamos presos num universo escuro, só tinham a nós mesmos, a qual a escuridão teria aparecido em milésimos, encobrindo-o nós dois. Fomos engolidos pelas trevas que nos estavam rodeando. Ao redor só existia escuridão, não tinha um objeto de se ver. O chão, o céu, as paredes, tudo ao nosso redor era negro e obscuro. Estávamos presos num vortex preto e não havia se quer uma faísca de luz. Até que eu ouvi uma voz forte e aguda vinda de alguém que não estava ali presente, não naquela imensidão obscura.

– Acorde... Vamos agora! – Disse a voz misteriosa com frieza e estresse.

Como um solavanco de recepção, logo após ouvir a voz misteriosa, eu, um pequeno garotinho, acordei em prantos do meu sono, tinha despertado com o som da voz que me incomodara. Levantei de forma brusca e um pouco desconfortável, dando um pulo ao ouvir a voz. Fiquei feliz por acordar, mesmo de forma exaltada, e ver que tudo a minha volta que me dera medo desaparecera, que tudo não era real, mas que eu via um quarto velho e empoeirado, a qual já estava acostumado. Aquelas visões eram apenas uns simples sonhos, mas muito estranhos e bem realistas.

Eu tinha levado um susto ao ser acordado por aquela pessoa, acordei ofegante e bem suado, em prantos, não conseguia falar e minha respiração era fraca, como se tivesse visto um fantasma. Tinha me amedrontado com o que via na mente. Levantei um pouco a cabeça e vi o meu corpo suado e amedrontado com o que tinha visto. Empurrei as cobertas da cama velha para o lado esquerdo. Ainda estava um pouco exaltado com tudo o que acontecera e tudo o que tinha imaginado durante a noite.

Me empartei e aconchegou-me na cabeceira da cama, acomodando o tronco, a lombar e os ombros na parte de madeira do fim da cama, mantendo as costas eretas e, ao mesmo tempo, sentava no travesseiro um pouco duro, pronto para ouvir o que me diriam.

A pessoa que me acordara era uma mulher alta e esguia, bem velha a qual se via rugas evidentes no rosto, era magra, bem magra, olhos pretos foscos e cabelos brancos grisalhos presos num coque atrás da cabeça. Usava roupas de cores pretas e mortas, sem cor forte, a qual usava uma blusa de abotoar preta justa e passada o pano, a qual usava também uma saia velha até o fim da canela. Tinha um caráter arrogante, fria e maldosa de forma que não gostara de mim.

– Vamos logo... – Disse a mulher estressada me acordando – ...O café está sendo servido! Se não quiser morrer de fome, venha agora!!

– Já estou indo! – Eu respondi num tom baixo, com uma voz suave e um pouco forte, a minha voz normal.

Depois de um breve aviso da velha, ela deu costas a mim com indiferença e andou pelo quarto, atravessou e a qual saíra pela porta em instantes sem, se quer, se despedir e demonstrar amizade.

Eu estava cansado, exaltado pelo sonho e pensativo no momento. Vi que não existia nenhuma pessoa ali, além de mim, naquele quarto. Percebi que estava sozinho, apesar de que naquele quarto dormia umas 10 crianças nas outras camas espalhadas pelo quarto.

Umas breves informações sobre mim.

Eu me chamo Joshua Yude, ou somente Josh, e não era a primeira vez que tinha tido esses pesadelos que perturbavam a minha mente até o resto do dia. Eu tinha apenas 10 anos e era um pouco baixo para a minha idade. Possuo cabelos lisos marrons médios reluzentes e brilhosos, a qual o arrumo sempre com um leve e médio topete, nem muito grande nem muito pequeno, um pouco repicado nas pontas e totalmente liso no decorrer, no que dava a sensação de charmoso, discreto e suave. Eu era magro, tinha um corpo considerável, sendo um pouco forte e tinha poucos músculos.

Sou branco e tenho uma pele um pouco pálida. Meus olhos são castanho-claro e são um pouco puxados.

Não tinha um íntimo muito bom. Era calmo e apaziguador, mas era tímido, introvertido e não me dava bem socialmente, não me entendia com o resto das crianças que moravam comigo. Eu tinha medo frequente, era incerto e tinha qualidades que não me qualificavam como um “líder”. Muitos até diziam que eu tinha problemas mentais, que era doente ou doido. Era muito travesso e me metia em confusão fácil com outros.

Mas eu era normal de verdade? Bem, não era assim não.

Eu também não era sã, tinha, mesmo que dificilmente, uns ataques de nervosismo, tinha pequenos distúrbios mentais e umas explosões de estresse e raiva de vez em quando. Sendo que meu cérebro queimava e congelava ao mesmo tempo.

Eu não sou um “gênio”. Nunca tinha estudado, mas sabia que não era “inteligente”. Meu cérebro parava às vezes e não sabia como prosseguir, tinha problemas de reconhecimento e de concentração. E isso piorava com os meus constantes surtos, no qual o meu cérebro entendia tudo errado.

Um pouquinho mais sobre o meu passado e como eu vim parar aqui.

Tenho um passado perturbador e eu sei de várias histórias sobre mim, porque tinha pessoas que me informavam sempre que eu pedia para saber alguma coisa, e, muitas vezes, ouvi boatos sobre eu no escritório da Sra. Diretora, mas nenhuma era de certeza “verdade”. Talvez seja por aquelas história que diziam sobre mim, que talvez tenha desenvolvido a minha exclusão do resto dos garotos e a possível “eloquência”. Encontrei sempre indícios sobre a minha vida antes, seja que todas eram bem diferentes umas das outras.

A minha história dava medo e pena. Não sabia de fato sobre de onde vim ou se ainda restava esperança. Eu era um considerável “abandono”, ou quem sabe até um órfão, talvez ainda tivesse pais, mas eles estavam distantes... Bem distantes.

Sabia que tinha sido abandonado pela minha família, ainda não sabia se estavam vivos, se eles ainda me amavam ou se sabiam quem eu era, ou se eles tinham um bom motivo para abandonar-me naquele lugar e nem porque fizeram tal coisa.

Se eu sinto falta da minha família? É lógico! Todo garoto ama a família, mesmo que a minha tivesse me abandonado, eu sentia falta e lembrava deles todos os dias naquela prisão.

Lembrava-me de poucas coisas sobre o meu verdadeiro passado, mas muitos “informantes” me davam ideias sobre como eu era, a qual sabia um pouco. Meus pais me abandonaram, fui encontrado por civis e eles decidiram me levar até um local sugerido, assim eu acabei parando naquele local. Fui para aquele lugar porque me achavam diferente, me achavam perturbado.

Eu era visto por muitos como doente mental e perturbado, talvez pelo abandono, talvez não. Nunca deram informações de verdade se eu tinha problemas ou não, nunca tinha me comportado como uma pessoa desse tipo, talvez aqueles que me encontraram tivessem julgado mal, ou talvez não. Eu tinha aspectos normais e se comportava como alguém normal. Por pensarem assim, destinaram-me para um local medonho, um local em que os sonhos não existem e a esperança morre facilmente. Fui levado a Lex House, um tipo de Hospício-Orfanato. Onde morava até um ponto importante em que o destino interveio pela primeira vez.

O lugar onde morava, a Lex House, era um tipo de Orfanato dedicado a crianças sem pais ou que foram abandonadas, e que sofrem de distúrbios psíquicos. E foi lá que fui enviado com somente 5 anos. Morei no local por muito tempo, e já sofri de mais com tudo o que já tinha enfrentado. Estava lá por perder meus pais e por pensarem ser louco e doido.

Se eu já fui castigado? Com certeza!

Eu tenho uma facilidade para encontrar confusão, não me dou bem com os outros e de vez enquanto eu na sala escura. Um tipo de sala almofadada para crianças em loucura extrema.

Minha psicose era de se admirar. Não era louco e nem era normal. Era um meio termo entre minha paranoia, porém não tinha distúrbios fortes.

O Hospício-Orfanato por onde fui levado quando pequenininho era bem grande e extremamente seguro. Ele combinava as técnicas horrorosas, medonhas e destrutivas de manicômios ou sanatórios com a maldade, a arrogância e horrorosidade de um orfanato-prisão.

O tal Hospício localizava-se no centro de uma movimentada cidade, chamada Bedeler City. Ficava numa área urbana bem localizada, como se estivesse num labirinto de concreto. A cidade onde ficara era imensa e super protegida por várias autoridades, o que impediu que qualquer pessoa já fugisse do local super vigiado dia e noite.

Se eu já tentei fugir? Muitas vezes! Acho que todos os pacientes tinham uma vontade de fugir daquele lugar medonho. Cheguei perto, mas nunca consegui entrar na cidade.

A Lex House era um recinto, uma casa na estrutura e designe de uma residência de 3 andares medieval, uma casa em que a construção remetia eras antigas, com torres pequenas nos telhados, chaminés. O lugar relembrava aqueles casarões de histórias medievais clássicas, relembrando a escuridão e obscuridade do local. Sendo que, mesmo estando no centro, sua estrutura era velha e acabada.

Ao redor da Lex House existiam cercas altas, aproximadamente uns 3 metros de altura, sendo que eram farpadas e cobertas por eletricidade fiária. Só existia uma saída do cerco criado, era um portão de metal velho e rangedor de aparência exótica, a qual era vigiada completamente pela noite e dia. De sequência pelo portão, estendia-se uns bons metros, uns 20 metros, um caminho ladrilhado de pedras foscas, sujas, velhas e marrons.

Ao caminhar pelo ladrilho, chegava-se até o grande casarão velho e negro. Suas paredes eram feitas de tijolos secos velhos pintados de cores negras e mortas. O telhado era feito de telhas velhas e encardidas, marrons negros e mal encaixadas. O chão era ladrilhado por cerâmicas opacas e bem encaixadas, velhas.

Todo aquele local eu conhecia bastante, era a minha “moradia”. Por mais que tudo de ruim que já tivesse acontecido comigo, dentre as quais submissão, obrigação a fazer coisas que achava inadequada, castigos físicos, emocionais e outras coisas que me fizeram chorar bastante, eu sabia que era quase impossível escapar dali. Tinha que esperar ainda seis anos, pois com a maioridade, a Lex House não mantinha mais adolescentes lá, enviavam a outro manicômio. Não gostava de onde morava, mas como não tinha ninguém ao meu lado, não podia reclamar.

A instituição gostava de usar técnicas absurdas para conter os “doentes mentais”, e eu, que sempre fui um alvo fácil a castigos, e todos os outros sabiam disso. Muitas vezes tentei escapar, mas fui detido e submetido a esses “castigos”. O que poucos sabiam era que o local praticava lobotomia nos pacientes mais radicais.

Está certo... Deixando meu passado para trás.

Acordei novamente no meu quarto, o que mais parecia um tipo de cela. Onde dormia se tinha o número 43. As paredes eram pintadas de azul claro, eram úmidas e desconjuntais, a qual nelas existia pôsteres de ilusões que deixavam as pessoas mais “sanas”, uma única janela de madeira com vidro embaçado e algumas prateleiras imundas e empoeiradas. No telhado composto por telhas mal botadas negras, via-se somente um ventilador velho e precário. O chão era quase todo revestido por um tapete branco. Existia somente uma porta, uma de aço com grades numa pequena abertura.

Existiam umas 5 camas iguais no quarto, cada uma encostada em um encontro de paredes no quarto todo. As camas eram de solteiros, mas dormiam umas 2 ou 3 crianças em cada, tinha os mesmos lençóis branco-amarelados e sujos, tinha um corpo bastante frágil. Do lado de cada cama tinha um criado-mudo de madeira vermelha velha, com duas sós gavetas, a qual em cima delas tinha um despertador pequeno e um abajur. No meio do quarto, existia uma mesa redonda de madeira seminova com umas 12 cadeiras de ferro arrumadas. Por fim, existia um guarda-roupa vermelho num canto.

Eu tinha que me apressar, já estava tarde. Virei o corpo para a direita de fora da cama, erguendo os pés para fora dela, sentei-me na mesma, apoiando os pés no chão e os braços na cama dura, ficando sentado na cama desconfortável.

Pensei um pouquinho no sonho, mas não tinha tempo. Olhei para o despertador no criado-mudo. Era 09h20min a.m., milagre se ainda existisse comida em mesa. Quando vi a hora, de imediato dei um salto da cama, ficando de pé num solavanco. Corri para o guarda-roupa do lado de sua cama, onde lá se guardava as roupas de umas 10 crianças, e as minhas é claro.

Andei até o guarda roupa, abri-o erguendo os braços com violência. Vi as roupas e fiquei meio sem saber qual escolher, mas decidi pegar uma calça Jeans preta, uma camisa branca simples e um colete de fechar azul claro. Tinha uns tênis velhos e sujos embaixo das roupas. Peguei um simples All-Star e corri para me vestir.

Fechei o guarda-roupa e saí de perto dele, sentando na cama, deixei as roupas de um lado. Manobrei os braços de forma que tirara todo o pijama, despiu-me e fiquei só de cueca Box. Peguei primeiro a calça, coloquei-a em seção rente as pernas e comecei a bota-la. Depois de colocar a calça e fechá-la, continuei, um por um, a pegar as roupas que tinha tirado do armário e vesti-las para já estar pronto em pouco tempo.

Enquanto me arrumava, pensava em todos os sonhos que já tinha tido, sabia que significavam algo, mas não sabia o que. Seria por esses sonhos que me achavam paranoico a ponto de mandar-me a um hospício?

Com certeza!

Terminei de se vestir por completo e estava bem tarde. Levantei ao terminar e corri pelo quarto até aquele portão metálico que estava entreaberto, o que dificilmente acontecia. Rapidamente, ergui os braços e puxei com força a porta pesada, fazendo com que ela se abrisse com um ranger de aço.

Fora do quarto existia um corredor pequeno e apertado com duas aberturas e saídas, nelas uma levava até uma porta de saída de madeira normal sem identificação e a outra, a uma porta de metal que levava até o quarto depositório.

O corredor era pequeno e estreito. Na parede existiam inúmeros murais e diversos quadros com imagens cativantes. Em continuo, tinha diversos criados-mudos de madeira, todos vazios, ornamentados com vasos de plantas, em caso que algumas eram venenosas, tinham um veneno não letal.

Eu me virei ao corredor, segurei forte a porta e puxei com violência. Quase não fechava, era muito pesada, mas consegui com um pequeno esforço. Assim, virei-me novamente para o corredor e comecei a andar por ele.

Eu não gostava daquele local da casa. Eu na verdade não gostava de nenhuma parte da casa, mas continuei andando.

Quando passei pelo corredorzinho que levava até o depósito, percebi que Nancy estava lá, com sua vassoura de pelo varrendo o abrangir da porta. Nancy era a faxineira da Lex House. Tinha cabelos na altura do ombro, eram marrons e extremamente lisos. Tinha uma aparência jovem, a qual rosto e mãos eram sedosos e não lhe parecia ter uns 52 anos. Não tinha rugas nem flacidez. Era bem magra e esguia.

Quando passei devagar pelo corredorzinho, Nancy parou de varrer e olhou para mim, em resposta olhei para ela. Quando passei ela não hesitou, levantou a mão me chamando com voracidade, me chamando para perto dela.

Sei que não me faria mal, ela era boa, mas estranhei. Não sabia o que queria comigo, por isso hesitei. Não me mexi, mas ela caminhou a meu encontro. Se aproximou de mim com uma expressão vazia no rosto, carregando a vassoura velha. Ficou me observando por uns instantes e depois avisou:

– Ah, filho – Disse Nancy ainda me analisando – A Sra. Diretora quer falar com você! É urgente!

– O que foi que eu fiz? – Falei meio inseguro.

– Ela só me mandou te avisar, não me disse o que queria – Disse Nancy se virando de costas a mim – Por quê? Fez algo indevido? – Falou Nancy olhando acima dos ombros para mim.

– Espero que não! – Eu disse voltando a frente e continuando pelo corredor.

Depois de ser avisado por Nancy me afastei dela e continuei a andar pelo corredor. Andei pensando naquele aviso e por que a Sra. Diretora queria me ver. Andei, atravessei o corredor até chegar a porta sem identificação. Hesitei a abri-la por um tempo.

O que será que eu tinha feito?”, pensei.

Tinha inúmeras respostas e inúmeras outras perguntas.

Será que ela descobriu que roubei umas guloseimas da cozinha e comi escondido?; Será que sabia que eu tinha estourado de raiva e desmaiado outro interno que me estressou?; Será que ela sabia que eu tinha alguns amigos funcionários lá dentro que já me ajudaram a tentar escapar? Talvez

E se tivesse descoberto tudo isso, o que aconteceria comigo? Será que eu iria apanhar de cinto?; Será que eu seria obrigado a limpar todos os corredores, como no domingo que quebrei uma janela acidentalmente?; Será que eu seria submetido a uma consulta com a Sra. Taller, a psiquiatra da Lex House?; Ou pior, será que eu poderia ir até a sala de lobotomia? Talvez.

Disse para mim mesmo: “Se mantenha calmo!”. Mas se manter calmo naquela hora era impossível. Eu podia até perder minhas memórias, mas tentei manter a calma. Só por fora, por dentro eu estava queimando de medo.

Mas eu decidi prosseguir e abri com força e violência a porta de madeira, saindo daquele corredor entrei num pequeno pseudo.

Entrei num quarto extremamente pequeno, a única coisa que tinha lá eram uma lâmpada no teto e uma escada velha e corroída de madeira vermelha. Não havia portas, nem janelas, só o quartinho escuro que se conectava com o andar de baixo. A escada rangia pela idade, era precária e estava a ponto de quebrar.

Pus a mão no corrimão com cautela, ele podia quebrar ou algo parecido. Pus um pé na frente do outro com cuidado, porque era bastante frágil.

Tinha alguns poucos degraus e, mesmo indo lentamente, cheguei rápido ao chão, cheguei de imediato no 2º andar e no hall principal.

A sala da Sra. Diretora ficava naquela “Sala”. No andar tinha muitos outros cômodos, mas a sala da Toda Poderosa da Lex House era no hall principal do 2º andar.

Naquela sala tinha diversas coisas interessantes. Era bem grande, tinha portas bem feitas e esculpidas, belas janelas de vidro brilhoso e outras besteirinhas. Totalmente o contrário dos quartos dos internos. Na parede branca, tinha prateleiras limpas e com vários objetos antigos lá – tipo uns vasos velhos, uns artefatos e esculturas, relógios, tudo muito velho –, ar condicionados bem tratados e novos, alguns quadros famosos, como uma cópia da Monalisa. O chão era forrado com um belo tapete branco extremamente limpo. O teto do quarto era forrado com gesso azul e um lustre com enormes lâmpadas.

Bem no meio da sala existiam vários sofares de cor azulada angulados e de formato curvo redondo, de modo que foram dispostos em um círculo de sofares azuis. No meio tinha um centro baixo. Encostado na parede existiam enormes armários onde tinham uns pratos expostos e outras besteiras de gente velha. Tinha uma televisão grande pregada na parede, LED Full HD. Tinha, também encostado nas paredes, umas máquinas estranhas.

A direita dos sofares redondos existia a passagem para o escritório da Sra. Diretora. Não me esqueço das vezes que estive lá por minha “imprudência”.

Quantas vezes eu ia lá? Muitas!

Uma vez eu estava numa consulta com a Sra. Taller e apertei o botão de emergência de incêndio, os sprinklers ativaram e eu dei um banho em todos os internos, inclusive a diretora. Aí eu tive que lavar todos os andares da Lex House sozinho. Teve outra vez que eu, acidentalmente, comecei uma guerra de comida no teatro. Aí eu tive que limpar até a ultima gota de água espalhada pelo enorme salão, e outras coisas de delinquentes juvenis.

Quando desci da escada, fiquei meio preocupado, comecei a pensar que corria perigo ou algo assim. Mas comecei a andar. Com passos trêmulos e medonhos, comecei a andar pela sala. Andei e pensava no que me esperava naquela sala. De longe ainda consegui avistar a Sra. Diretora e aquela velha que me acordou, a Sterme.