~Hana Okumura on~

Logo após aquela bronca que eu estava me segurando MUITO para eu não rir no meio do falatório do Yukio, Fezina finalmente me puxou para a biblioteca para me mostrar o tal livro que estava super ansiosa para me mostrar. Chegando lá, ela me levou para a área que só era permitida a entrada de professores. Não tinha nada de mais, até ela me mostrar um borrão na parede.

–Ninguém pode saber que a gente já esteve aqui, maninha! – ela disse, olhando para todos os lados para ver se ninguém estava chegando.

–É a área restrita para os professores, a gente precisa sair daqui... Vamos levar outra bronca, Fefe!!!!

–Fala sério, para de ser certinha. Seja mais rebeldia e alegria! Ninguém vai nos pegar... E o Yukio não é louco de falar pro Mephisto expulsar a gente da Academia! E se a gente levar uma bronca vai valer a pena. Não sabe o que eu descobri, menina!

–Pior é que você me acordou às 9 horas da madrugada!!! E começamos a cantar, depois levamos bronca e o que eu comi de café da manhã? NADA! Nem deu tempo...

–Ninguém mandou você não acordar cedo para tomar o café maravilhoso que o Rin nos serviu! Ele preparou um chocolate quente e um bolo de coco que pelamor! Muitoooo bom!!

–PARA DE ME FAZER VONTADE!!

–Fica tranquila... Quando chegarmos de volta ao dormitório, preparo um almoço muito gostoso, ok?

–VOCÊ? – gritei no meio de gargalhadas – você prepara só brigadeiro e olhe lá...

–E você sabe cozinhar algo além disso, princesa?

–Bife!

–Cozinhe para você mesma, então...

–Mas é só bife?? Tem que ter feijão, arroz, bife, batata frita, suquinho ou refri para acompanhar, alguma sobremesa...

–Gorda.

–QUEM VOCÊ CHAMOU DE GORDA?

Nisso, eu e ela tivemos uma mini guerra.

Alguns momentos depois

–OLHA O QUE VOCÊ FEZ COM O MEU OLHO! – ela disse, choramingando.

–Cala a boca, Fezina! Alguém vai nos ouvir aqui!!!

–“Cala a boca”? Você me dá um murro e depois vem pedir pra calar a boca?! – ela estava muito brava comigo.

–É que eu estou morrendo de fome, e eu também não quero levar bronca de novo! Por favor, Fefe! – eu implorava, se levássemos outra bronca, eu ia mata-la de uma vez...

–Calma, olha só! É um livro sobre demônios! Veja só!

Nisso, quando Fezina ia pegar o livro, ela esbarrou e derrubou um outro livro. Tal livro era tão empoeirado que eu não parava de espirrar.

–O que você achou aí, maninha? Não me diz que é mais um plano seu para me trancar aqui e...

–Shhh! Fica quietinha. Eu estou vendo aqui...É um livro de profecias! Olha que demais! – Fezina estava entusiasmada, logo ela tacou o livro na minha cara para eu ler a capa. E então, a alergia continuou mais forte.

–Para de espirrar, Hana! Alguém vai nos ouvir! Precisamos guardar esses dois livros na mochila e voltar para o dormitório!

–Atchim...Mas agora...Atchim...Você...Atchim...Tá preocupada com a gen...

–Que?

–EU NÃO CONSIGO FALAR DE TANTO QUE EU ES...ATCHIM...DE TANTO QUE EU ESTOU ESPIRRANDO!

–Depois eu te dou um xarope tudo direitinho tudo bonitinho!

–TIRA ESSE LIVRO DE PERTO DE MIM!

Fezina guardou o livro, com um pouco de tristeza. Ela realmente queria levar aquele livro para ler mais tarde.

–Ai, ai. Estou bem melhor agora...Vamos levar esse sobre demônios, mas deixa o de profecias aí! Deve ser do senhor Neuhaus!

–Vou dar uma olhadinha na página que diz sobre os Círculos Mágicos...

–Não, sua maluca!

Quando Fezina abriu o livro na página. O livro magicamente fechou-se e voltou para a estante. Fezina tentou pegá-lo novamente, mas quando o encostou, uma parede mágica se abriu por trás da estante.

–HANA! HANA! HANA! – Fezina gritava histericamente, e eu temendo que alguém viesse nos levar de volta ao dormitório.

–Shhhh! Não grite desse jeeeeeeeeeeeeeeeeeeito.

Fezina havia entrado na sala e eu saí correndo atrás dela. Mal pude acreditar nas maravilhas que eu via ali. Havia uma fonte, caindo em cima de pedras cristalinas e um morro muito grande, que levava para um baú cheio de mapas, encantos e listas de supermercado...

–Hana, olha isso! Acho que o senhor Neuhaus esqueceu a sua lista de supermercado aqui! Ele também guardou aqui a foto...Da esposa dele...

Lá, jogada no meio dos papéis, estava a fotografia de Michelle, que havia morrido na Noite Azul.

–Hana, eu duvido que você tente fazer algum desses encantos aqui!

–Vai ficar duvidando, guria! Eu não vou me arriscar...

–Ah, mas eu vou!

–Depois morre e não sabe o porquê, né?

–Calma aí, Hana. Nós nunca saberemos se não tentarmos! – ela dizia com uma carinha fofa que era impossível negar.

Nisso, num barulho estrondoso, vimos uma porta abrir. Era uma porta atrás da cachoeira, feita de ouro e com pequenas estátuas de dragões dourados em volta. Era Mephisto, com um hamster muito fofo no ombro. Rapidamente, eu e Fezina nos abaixamos em baixo de uma rocha que tinha perto do morro, onde estava o baú de Neuhaus.

–Ai, meu Deus! – Fezina cochichou para mim, com um tom entusiasmado, estava feliz de vê-lo.

–Que hamster fofinho, do lado dele!!! – eu disse, num tom inocente.

–É Amaimon! Ele pode se transformar em um hamster! Assim como Mephisto se transforma em cachorro! – disse ela, antes de dar um suspiro apaixonado.

Mephisto puxou uma alavanca para a água da cachoeira parar de cair. Ele passou e puxou outra alavanca do lado de fora, para a água voltar. Assim que chegaram próximos à entrada daquele lugar, Amaimon transformou-se em humano.

–Irmão, preciso ir agora. Tenho que procurar uma pessoa... – disse Amaimon, olhando em direção ao baú, mas sem se manifestar por ele estar aberto.

–Tudo bem, nos vemos depois. Cuidado por onde você anda, Amaimon.

Quando os dois passaram pela passagem, eu e Fezina saímos do esconderijo.

–Eu acho que devíamos ver o que é aquela sala lá dentro! – eu disse, finalmente eu me interessei pelo o que estava acontecendo no momento.

–Vamos para o dormitório... Já fizemos rebeldia demais por hoje...Além disso, até eu estou com fome agora.

–Okay...Então vamos.