Notas iniciais
Mesmo com muitas incertezas em relação à minha própria fic, escrevi este capítulo "seguindo meus instintos". Espero, de coração, que gostem!

Em um dos intervalos que teve durante o expediente de trabalho, Elisabeta sentou-se numa cadeira da mesa mais afastada da casa de chá para analisar a proposta de Darcy. Tentou decifrar os motivos dele para ajudá-la. Imaginava que ele, por ser um homem de negócios, não possuía tanto tempo livre: por que, então, gastar o que tinha com uma pessoa que nem conhecia tão bem?

Ela sabia que ele havia morado na Inglaterra a maior parte da sua vida e talvez a resposta para sua pergunta era: porque ele, por ter se mudado para o Brasil há pouco tempo, possivelmente sofria do mesmo mal que ela: a solidão. Elisabeta admitia que era insensatez considerar-se solitária com uma família tão grande e amorosa e diversos amigos no Vale do Café, mas em São Paulo ela não conhecia absolutamente ninguém com quem compartilhar seus pensamentos e impressões sobre a cidade, sua nova vida e rotina. Era acostumada a ter sempre alguém com quem trocar uma palavra e já estava com saudades disso.

Por isso, ela sentia-se tentada a aceitar a oferta de Darcy. Sua primeira impressão dele fora desfavorável, mas havia mudado completamente quando conversaram. Ela se sentia à vontade para conversar e rir com ele, e gostava de pensar que estavam se tornando amigos.

Suspirou. Qual decisão deveria tomar? Pegou a caneta que tinha guardado em seu avental para anotar os pedidos dos clientes e um pedaço de papel que havia arrancado de um caderno, e pôs-se a anotar os prós e contras daquela proposta.

Motivos pelos quais eu não deveria aceitar a ajuda de Darcy

1) Ele perderia muito de seu tempo;

2) Eu me sentiria em débito com ele, e não consigo pensar em nada para fazer por ele em troca;

3) Dona Ofélia certamente diria que é inadequado passarmos muito tempo juntos, sendo que não temos (nem teremos) uma relação;

4) Gosto demais de sua companhia: isto é uma imprudência, pois desconheço as motivações dele para me ajudar;

5) Eu passei a maior parte de nosso tempo juntos observando como ele é bonito (isso não pode ser algo bom);

6) Não tenho certeza se ele é realmente uma boa pessoa.

Motivos pelos quais eu deveria aceitar a ajuda de Darcy

1) Eu realmente preciso praticar inglês e datilografia; e por isso:

2) Meu sonho de trabalhar no jornal estaria mais próximo da minha realidade;

3) Ele me emprestaria uma máquina de escrever. Não seria maravilhoso ter uma máquina de escrever? (Mesmo que apenas por três semanas);

4) Desfruto demais de sua companhia: tê-lo por perto aplacaria (ou até mesmo eliminaria) a sensação de solidão;

5) Eu poderia passar mais tempo observando como ele é bonito;

6) Tenho certeza que ele é realmente uma pessoa maravilhosa.

Elisabeta riscou de sua lista os itens 5, repreendendo-se por haver considerado sua beleza um determinante para a escolha que deveria fazer. Se ela o achava tão bonito assim, era só não pensar nisso quando estivessem juntos. Ela precisaria apenas se policiar e manter sua atenção em outra coisa, em vez de seu rosto. Seria fácil fazer isso. Não seria?

Ela estava ciente de que os itens 6 de ambas as listas eram contraditórios, mas não podia negar aquela sensação de familiaridade que sentiu ao passar um tempo com ele, apesar de conhecê-lo pouco. E, se seus instintos não lhe enganavam, poderia apostar que sua personalidade era exatamente como transparecia: amável, divertido e atencioso.

Um cliente chegou à casa de chá e ela precisou deixar suas divagações de lado, embora, no fundo, já soubesse que decisão tomaria.

No dia seguinte, Elisabeta chegou mais cedo para o encontro com Darcy na praça, quando o sol estava ainda começando a aparecer no horizonte, com o objetivo de ler o jornal que comprara no caminho enquanto o aguardava. A manhã havia começado há tão pouco tempo que ela se surpreendeu ao ver que ele já estava lá, esperando por ela no mesmo lugar onde haviam se encontrado. Ele estava cabisbaixo e distraído lendo um livro.

— Ora, ora. Parece que em São Paulo há um madrugador como eu. — ela disse enquanto se sentava a seu lado.

— Bom dia, Elisabeta! — ele fechou seu livro e sorriu, cumprimentando-a. — Tive vontade de aproveitar o máximo que puder deste tempo ameno e agradável.

Ela assentiu, observando seu rosto. Parecia inevitável notá-lo. Ele estava ainda mais bonito hoje, se é que era possível. Usava uma camisa branca e um colete bege. Seu paletó estava em seu braço.

Ela olhou para o livro que ele estava lendo e reconheceu o título. Pediu, apontando, para pegá-lo. Quando ele o entregou, Elisabeta abriu em uma página aleatória.

— “Capitu, aos quatorze anos, tinha já ideias atrevidas, muito menos que outras que lhe vieram depois.” Oh, céus. — ela fechou o livro, não sendo capaz de conter uma risada inquieta. — Estas palavras me lembram minha mãe, que não se cansa de me repreender por minhas ideias atrevidas.

— É mesmo?

— Certamente. “Elisabetaaaaaa, ond’é que ocê se meteu a tarde inteira? Não se cansa de me dar cabelos brancos! Devia estar aqui se preparando pro baile, mas só tem ideia errada na cabeça! Como é que ocê vai arranjar marido desse jeito?” — Elisabeta imitou sua mãe, que possuía um forte sotaque do interior. Ele a olhava surpreso e divertido, e então eles começaram a rir. Juntos. Ela deliciou-se quando os sons de suas risadas se misturaram.

— Sua mãe deve ser uma mulher bastante interessante, então?

— E como! Eu a amo e, apesar de discordarmos bastante, tenho certeza que ela torce muito por mim. E eu admiro muito ela. — Elisabeta disse, sorrindo nostalgica ao pensar em Ofélia. — Estou aqui há pouco tempo e já morro de saudades de escutá-la reclamando que passo mais tempo com Tornado que em casa.

— Tornado?

— Meu cavalo alado. Meu cúmplice de planos, de aventuras, de tantos passeios pelos lugares mais inusitados do Vale.

— Não me admira que sua mãe chame sua atenção. — ele disse, com um olhar provocativo. — Deve ser difícil precisar dividir atenção com um cavalo.

— Ah, mas o Tornado é o cavalo, até parece gente! Só ele aguenta me ouvir falar, falar e falar sobre meus sonhos e me apoia em todos. Não há ninguém como ele.

Darcy forjou um olhar decepcionado, murmurando um som similar a “tsc, tsc, tsc”, e então pegou uma cesta que estava a seu lado, que Elisabeta não havia notado.

— É uma pena que apenas Tornado seja alvo de elogios nesta manhã. Eu imaginei que a senhorita gostaria de pães, de um pedaço de bolo ou quem sabe de algum destes doces que eu comprei numa padaria perto da minha casa, mas acredito que feriria meu orgulho dividir estas delícias com uma pessoa que aparentemente preferiria estar conversando com seu cavalo agora. — Ele murmurou e deu de ombros, tirando um guardanapo de dentro da cesta e pegando um pão doce.

Elisabeta observou-o morder um pedaço do quitute. Um pouco do creme que cobria o pão sujou o canto de sua boca, e Darcy instintivamente lambeu o local para limpá-lo. Elisabeta segurou sua respiração, sem conseguir tirar os olhos do lugar.

Por que ela estava olhando para os lábios dele?

Darcy se virou para ela novamente, provavelmente se perguntando se suas provocações não surtiram efeito. Ele analisou cada traço de sua feição e, por fim, seu olhar repousou em sua boca.

Por que ele estava olhando para os lábios dela?

Elisabeta se forçou a se concentrar no assunto que discutiam. Sobre o que falavam mesmo? Algo sobre doces, não? Com certeza era algo sobre doces. Algo sobre doces que a levara a pensar nos lábios dele. Definitivamente o assunto era…

Seriam os lábios de Darcy tão doces quanto a personalidade dele?

Elisabeta exasperou-se, virando-se para encarar uma árvore distante, que estava a sua frente. Era melhor manter sua atenção qualquer coisa que não fosse Darcy. Respirou fundo e, forçando sua memória, lembrou-se do que falavam.

— Darcy, até este momento eu te considerei uma pessoa muito educada e gentil. Eu não gostaria de rever meus conceitos porque você não dividiu estes quitutes comigo. Acho, inclusive, que partilhar o pão é um dos ensinamentos de Deus.

— Ah, Elisa… — Elisabeta notou que ele a chamou da mesma maneira que as pessoas mais próximas a ela. Gostou de ouvi-lo falando seu nome abreviado. — Eu me senti ofendido. Talvez você devesse se retratar. — Ele disse, pegando um doce da cesta, propositalmente segurando-o em frente a seu campo de visão. Ela ouviu sua barriga fazer um barulho.

Ultrajada, Elisabeta respondeu:

— O que eu não faço por um pão? — ela fechou seus olhos por poucos segundos, contrariada, e finalmente disse: — OK, muito bem. Desde que te conheci, percebi que você é amabilíssimo, um ótimo ouvinte e amigo. Tanto quanto meu cavalo. — ela deliberadamente o comparou a Tornado, de modo a insultá-lo.

— Eu gostaria que sua mãe estivesse aqui para unir forças comigo contra você, mas como sei que você tem seu cavalo em alta estima… — ele pegou a cesta e colocou no espaço que havia entre eles. —... tomarei suas palavras como um elogio. Sinta-se à vontade.

— Ora, muito obrigada, senhor Darcy Williamson. — ela imitou novamente o sotaque de sua mãe, e eles riram.

Passaram os próximos minutos conversando sobre amenidades, observando a movimentação da praça e comendo. E então Darcy retornou o assunto que haviam adiado no dia anterior, perguntando a Elisabeta se ela aceitaria sua ajuda.

— Eu não sei se é prudente, eu não sei se devo, mas... Sim, aceito sua oferta.

Ela notou que ele abriu um sorriso alegre e satisfeito.

— Ah, Elisa, fico muito feliz em poder ajudá-la. Percebo como você é esforçada, chegará longe. — ele disse, e o tom de sua voz era sincero. — Não sei se o mundo está preparado para você, mas... — ele dirigiu-lhe um sorriso cúmplice. — Sei que você está preparada para o mundo.

— Obrigada. De verdade, Darcy. — após uma breve pausa, disse: — No entanto, falei sério quando disse que tenho certa dificuldade em aceitar algo sem oferecer nada em troca. Por isso, me coloco à disposição para te ajudar em qualquer coisa que precise. Promete me dizer, caso haja algo que eu possa fazer por você?

— Sim, prometo.

Darcy a acompanhou novamente até a casa de chá e no caminho combinaram que ele iria buscá-la após o trabalho para levar sua máquina de escrever até o cortiço, onde aconteceriam também as aulas. No lugar, havia uma pequena sala contendo uma escrivaninha, um sofá e alguns livros dispostos em estantes. Segundo haviam informado a Elisabeta, o local funcionava como uma sala de estudos ou de leitura, e podia ser usada pelos condôminos livremente ou, caso precisassem de privacidade, deveriam agendar um horário. Elisabeta pensou que seria mais apropriado estudarem ali que em seu quarto. Durante o horário de almoço, ela foi até o local e reservou o espaço para a noite.

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Darcy sentia-se genuinamente feliz por poder ajudar Elisabeta, tanto por pelo prazer de sua companhia quanto por acreditar em seu potencial como escritora, embora não pudesse compartilhar com ela a certeza que tinha em relação a seu sucesso profissional, por enquanto. Ele prometeu a si mesmo que encontraria uma maneira de contar a ela sobre o jornal.

Chegou à casa de chá 5 minutos antes do fim do expediente da moça e, como haviam combinado, ficou esperando por ela do lado de fora. Ele estava dentro do carro e notou quando ela saiu do estabelecimento, sem perceber sua presença. Ele saiu do veículo para cumprimentá-la, e só então ela o viu.

— Você veio de carro? — ela disse, surpresa ao observar o automóvel. Darcy acreditou tê-la visto engolir em seco.

— Sim. Tudo bem para você?

— É só que nunca andei em um.

Darcy sorriu, percebendo sua apreensão. Era comum as pessoas sentirem certo receio antes de entrar em um carro pela primeira vez. Ainda mais no Brasil, que seu uso era bastante incomum.

— Você tem medo? Podemos... — Darcy não terminou sua frase, sendo interrompido por Elisabeta.

— Medo, eu? Imagina, não tenho medo, não. Vamos? — Ela perguntou, e deu alguns passos em direção ao veículo. Darcy também se aproximou do automóvel para abrir a porta para ela, mas os dois tocaram a maçaneta ao mesmo tempo. A mão de Elisabeta ficou sob a de Darcy, e por um momento nenhum deles se moveu. Por fim, se entreolharam. Darcy se pôs a estudar seu rosto, perguntando-se se ela sentiu uma corrente de eletricidade atravessar seu corpo, como aconteceu com ele.

Elisabeta pigarreou e se afastou para deixá-lo abrir a porta. Quando os dois se acomodaram no carro, ela agradeceu.

— Então é sua primeira vez.

— O quê? — ela perguntou, embora não parecia prestar atenção no que ele dizia. Parecia tensa por estar dentro do carro.

— É sua primeira vez em um carro, não é?

— Sim. — ela riu, nervosa. — Estou acostumada a me locomover com minhas pernas ou Tornado, são mais confiáveis.

A breve viagem transcorreu em silêncio. Elisabeta frequentemente se assustava com os solavancos do veículo, segurando-se firmemente no banco. Darcy segurava-se para não rir.

Ao chegarem ao cortiço, Elisabeta foi para seu quarto para guardar suas coisas e Darcy foi para a sala de estudos levar a máquina de escrever. Quando Elisabeta o encontrou, ele mostrou a ela como funcionava e então sentaram-se lado a lado na escrivaninha para definirem um cronograma de estudos para as próximas semanas.

Darcy iria para lá todas as noites após o expediente de Elisabeta e treinariam inglês. Em relação à máquina de escrever, ela a usaria sozinha de manhã e às vezes em seu horário de almoço, e duas vezes por semana ele ditaria textos para que ela digitasse. Como nenhum dos dois se atreveu a perguntar o que o outro fazia aos finais de semana, estes dias estavam livres.

Terminaram de se planejar e decidiram começar imediatamente as aulas de inglês. Elisabeta disse a Darcy quanto conhecia do idioma e suas dificuldades. Ele a testou, fazendo perguntas para ela em inglês para que ela respondesse. Concluiu que seu nível era melhor do que ela pensava: ela entendia com facilidade tudo que ele dizia. Resolveram, então, focar em conversação e escrita.

Eles continuaram com a aula por uma hora e perceberam que já estava tarde. Elisabeta soltou a caneta que segurava e se recostou na cadeira, demonstrando seu cansaço.

— Para finalizar, então, a última lição. – Darcy informou.

— E qual seria?

— Um trava-língua.

— Um trava-língua? – Elisabeta murmurou, e ouvir a palavra sendo dita por ela o fez pensar em sua língua. Ele olhou para seus lábios pelo que deveria ser a centésima vez naquele dia. Eram naturalmente rosados. Pareciam feitos para beijar. Ele não percebeu que estava perdido em pensamentos até que ela continuou falando. — Qual a necessidade de eu aprender um trava-línguas?

— Ora, Elisa! — Darcy disse, voltando a prestar atenção na conversa. — Quem seria o louco que te contrataria se você não sabe nem pronunciar um trava-língua corretamente? — ele disse, divertido. Ele sabia que não havia lógica em sua explicação. Queria apenas vontade de terminar a aula com alguma brincadeira entre eles, pois queria reforçar o bom clima que tinham quando estavam juntos.

Elisabeta arqueou suas sobrancelhas, julgando seu descaramento, e então fez uma expressão convencida.

— Uhum. Certo, então. Mas só aceito porque sou muito, muito competente e sei que irei tirar de letra. Pode falar.

Darcy respirou fundo para tomar fôlego e então disse, rapidamente:

— How much wood would a woodchuck chuck if a woodchuck could chuck wood?

Elisabeta encarou-o, incrédula.

— Darcy, você certamente não espera que eu repita isto.

— Por quê? Eu escolhi o mais fácil.

Ela respirou fundo, e então tentou realizar a lição que ele havia proposto

— How would a much... — Elisabeta percebeu que já havia errado. Olhou para Darcy e percebeu que ele estava segurando-se para não rir.

Ela tentou mais uma vez.

— How much wood would a would... — Ela errou novamente, e desta vez eles riram. — Muito pouco cavalheiresco rir de mim, senhor Darcy Williamson.

— Eu pensei que estávamos rindo juntos. — ele questionou com o olhar. Ela suspirou e finalmente admitiu:

— Touché.

Darcy se levantou e pegou o paletó que havia pendurado na cadeira onde estava sentado.

— Bom, é melhor eu ir. — Ele não sabia se era realmente melhor, mas era o mais prudente. — Nos vemos amanhã à noite?

— Yes, sir! — Sua expressão tornou-se pensativa. — Acho que me confundi. O certo seria Mr., não é?

Darcy sentiu-se corar. Sabia que seu título de nobreza era algo fora do comum no Brasil. Sempre fora bastante reservado e, por isso, não costumava contar às pessoas que fazia parte da aristocracia britânica.

— Mr. Darcy é apropriado. — Ele mentiu, mas sua voz era baixa e não transmitia convicção.

— Darcy. — Elisabeta disse e se levantou, escorando-se na escrivaninha e ficando de frente para ele. Cruzou seus braços e estreitou seus olhos ao perceber que ele não fora completamente sincero. — Me conte. Como eu deveria te chamar em inglês, formalmente?

— Lord Williamson. — Darcy disse, e notou uma expressão surpresa no rosto de Elisabeta.

— Você é um lorde? Qual seu título?

— Conde.

— Ah, meu Deus. Estou falando com um nobre inglês e... — ela olhou ao redor — eu o trouxe num cortiço! — Ela riu, incrédula.

— Bobagem, Elisa. Me sinto à vontade em qualquer lugar que tenha boa companhia. — ele disse, sério. Ele se aproximou dela instintivamente, e o seu perfume preencheu todo o ar do ambiente. Ele poderia jurar que na fragrância dela havia um toque de jasmins, que ele havia passado a considerar seu cheiro favorito desde que a conhecera. Eles permaneceram se entreolhando, e pela segunda vez naquele dia, foi Elisabeta quem se afastou, dando um passo para o lado.

— Então continuamos amanhã, sim? Muito obrigada pela ajuda. Ou, melhor... — ela sorriu. — Thank you.

Darcy percebeu uma sombra de dúvida surgir em seus olhos e, logo depois, ela se aproximou dele outra vez para depositar um beijo em sua bochecha. Ela se afastou tão rapidamente quanto havia se aproximado, e manteve uma expressão tímida no rosto.

Ele teve vontade de puxá-la para mais perto; de sentir seu perfume a uma distância milimétrica; de tocar seu cabelo; de beijá-la; de sentir o toque daqueles lábios nos seus. Mas ela, aparentemente, não possuía as mesmas vontades, pois começou a juntar os papéis que estavam espalhados em cima da mesa, alheia ao que se passava com ele.

Ele segurou um de seus braços cuidadosamente, impedindo-a de continuar organizando o lugar. Quando ela o fitou, confusa, ele aproveitou a oportunidade e se aproximou dela, beijando sua bochecha do mesmo modo que ela havia feito.

Ele se afastou rapidamente, desejou-lhe boa noite e se foi, sem saber que deixava para trás uma Elisabeta igualmente abalada pela força dos sentimentos a atingiam. Ela não sabia nomeá-los, mas nunca havia sentido nada igual. Até aquele dia.