Haven't we met?
19 Capítulo 19
Notas iniciais
Exatamente da cor dos olhos de Elisabeta, Darcy pensou ao observar a pedra verde que ornamentava a aliança que ele comprou para pedi-la em casamento.
Ele estava sentado no sofá da sala enquanto esperava Elisabeta voltar de onde quer que ela tivesse ido. Quando chegou em casa após sair com Charlotte, Darcy a procurou para levá-la a qualquer lugar, pois no entretempo seria preparado um jantar para eles. O plano de Darcy era que, logo após a refeição, Elisabeta e ele fossem para o jardim da casa, para onde haviam levado seu gramofone para tocar exatamente a mesma valsa que haviam dançado na festa de noivado de Jane e Camilo.
E então Darcy a pediria em casamento.
Entretanto, Elisabeta havia saído. Ela não informou para onde, mas deixou um bilhete avisando que não demoraria e pedindo que a esperassem antes do fim da tarde.
Darcy sorriu. Ele a esperaria o tempo que fosse necessário. Eles jantaram e esta seria uma noite linda, afinal...
Ele interrompeu seu pensamento ao perceber, quando olhou de relance para a janela, que havia alguém caminhando no jardim — o que era estranho, pois tudo já estava pronto para aquela noite, e por isso ele dispensou todos os empregados. Além disso, Charlotte disse que sairia para encontrar uma amiga. De longe ele não conseguia distinguir quem era, mas Darcy ponderou que provavelmente sua irmã ainda estava em casa para conferir os últimos detalhes do jantar. Darcy colocou a aliança na caixinha novamente e, ainda segurando-a na mão, com o intuito de pedir a Charlotte dicas sobre como ser suficientemente romântico no momento do pedido, saiu da casa para fazer companhia à irmã.
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Desde o momento em que decidiu pedir Darcy em casamento, Elisabeta não teve dúvidas em relação ao local onde o faria: no gazebo da mansão Williamson. Era um lugar isolado do restante da propriedade e dali era possível ver um lindo entardecer, tornando-se um local maravilhoso para uma ocasião como aquela.
Elisabeta tinha ido ao centro da cidade para comprar o que fosse necessário para colocar em prática seu plano e, quando voltou para a casa, se dirigiu imediatamente para o gazebo antes que Darcy, Charlotte ou alguém mais visse, levando lanches para que ela e seu... futuro noivo? fizessem um piquenique.
E para levar também, é claro, as alianças que escolhera.
Elisabeta havia acabado de preparar o local quando olhou para a casa, decidindo ir até lá procurar por Darcy, pois o sol já estava começando a se pôr. Ela pegou a aliança em sua mão e estava indo guardá-la quando avistou, pelo canto do olho, o gramofone no jardim.
Elisabeta franziu as sobrancelhas. O que aquilo estava fazendo ali? Ele sempre esteve na sala de música. Ela olhou ao redor e percebeu que não havia mais ninguém, e então resolveu caminhar até o aparelho, desconfiada de que não estava funcionando e por isso alguém o colocou para fora — mas se estivesse, não seria adorável que seu pedido de casamento tivesse uma trilha sonora que tocava suavemente ao fundo?
Quando já estava no jardim, Elisabeta percebeu que continuava segurando a caixinha com as alianças e se repreendeu por ter se esquecido de guardá-la antes de andar pela propriedade. Ela observou os arredores mais uma vez e, ao se certificar que realmente estava sozinha, se voltou para o gramofone para começar a inspecioná-lo.
Hmmm, como descobrir estava funcionando? Sua aparência estava igual e já havia um disco nele. Elisabeta passou os dedos delicadamente por toda sua superfície, concluindo que tudo estava exatamente da mesma maneira que ela se recordava, até chegar à agulha.
E foi quando esta caiu sobre o disco e começou a tocar a música.
Ah, não.
Elisabeta fez o som parar imediatamente e segurando firme a caixinha que tinha esquecido de guardar, começou a dar passos largos em direção ao gazebo. Não era o momento de ser descoberta.
Até que todos os seus medos se materializaram.
— Elisabeta!
Darcy.
Como um homem tão grande conseguia se locomover de maneira tão silenciosa? Darcy era a última pessoa que podia vê-la naquele momento, mas foi justamente o primeiro a aparecer.
— Elisabeta? — Darcy a chamou mais uma vez, pois ela ainda não havia se virado.
Elisabeta respirou fundo e contou até três. E então ela se girou ao mesmo tempo em que colocou suas mãos para trás do seu corpo.
— Darcy! — Elisabeta sorriu inocentemente. — Eu já ia te procurar.
Darcy assentiu.
— Eu também estava esperando você chegar. — Ele disse e se aproximou dela.
E foi quando Elisabeta percebeu que Darcy também estava com as mãos atrás de seu corpo. Ele provavelmente percebeu que ambos estavam fazendo o mesmo, pois colou a testa na dela e perguntou:
— E o que a senhorita está escondendo?
— Escondendo, eu!? Nada. — ela deu-lhe um selinho e suspirou. Era uma sensação tão maravilhosa senti-lo tão perto. — Eu não quero esconder nada, Darcy. É o contrário: minha vontade é gritar aos quatro ventos o quanto eu te amo.
Com uma de suas mãos, Darcy acariciou o rosto de Elisabeta, e ela fez o mesmo com ele.
— Então vamos gritar juntos, Elisabeta. — Darcy sorriu. — Vamos gritar hoje, amanhã e sempre.
— Sempre? — Elisabeta arqueou as sobrancelhas. — Sempre é muito tempo, hein? Não permitirei que você se arrependa.
— É impossível eu me arrepender de um caminho que percorreremos juntos, Elisa. — Ele pegou a mão de Elisabeta e beijou seus dedos. — Eu não tenho dúvidas de que quero passar o resto dos meus dias do seu lado.
Elisabeta notou que Darcy estava emocionado, pois seus olhos brilhavam. Ela passou diversos segundos observando o rosto que aprendeu a amar mais que qualquer coisa no mundo. Ela também tinha certeza de que sua felicidade estava nos momentos ao lado de Darcy. Sem conseguir elaborar palavras que expressassem seus sentimentos, ela o beijou.
Foi um beijo suave, quente e profundo.
Um beijo que, exatamente como o primeiro que deram juntos, preencheu cada cantinho do coração de Elisabeta.
Darcy a envolveu pela cintura com ambas as mãos antes de interromperem o contato. Por fim, ela sorriu e disse:
— Então está decidido. Até a eternidade.
Darcy pareceu ter se esquecido que escondia algo atrás de si, ou simplesmente não se importava mais em mostrá-lo, pois Elisabeta sentiu um pequeno objeto pressionando a lateral de seu corpo. Ela retirou sua mão que repousava no pescoço Darcy e percorreu o braço dele até chegar em seus dedos, descobrindo que ele segurava…
Uma caixinha de veludo.
Por acaso era…
Não podia ser.
— Darcy... — Elisabeta murmurou, com a respiração entrecortada. E então olhou para baixo para ter certeza que não estava enganada, voltando a observá-lo logo depois.
— Elisabeta Benedito… — Darcy disse e, embora seu olhar fosse sério, indicando a importância do que diria a seguir, ele manteve um doce sorriso no rosto. — Você aceita se casar comigo?
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A princípio, Darcy não entendeu por que a reação de Elisabeta foi rir. Não que os dois precisassem de motivos para fazê-lo quando estavam juntos, afinal era sempre muito bom.
Mas não demorou muito tempo para que tudo se esclarecesse, pois Elisabeta disse:
— Nós realmente fomos feitos um para o outro, meu amor. Estamos sincronizados. — Lentamente, ela retirou seu braço de trás de suas costas, revelando outra caixinha de veludo. — Não só eu aceito me casar com você, mas também quero que, no inverno, meus pezinhos frios procurem os seus para que nos esquentemos juntos. Quero compartilhar com você minhas palavras e meu silêncio. Quero passar o resto dos meus dias tentando te fazer tão feliz quanto você me faz. — Elisabeta abriu a caixinha e mostrou a Darcy o par de alianças. — E você, Darcy Williamson, aceita ser meu marido? Hoje, amanhã e sempre?
Darcy sequer teve tempo de pensar numa resposta, pois seu primeiro impulso foi abraçar Elisabeta.
Mas um abraço não foi o suficiente — entre eles, nunca era.
Por isso, ele a tirou do chão e a girou. Elisabeta se apoiou no ombro de Darcy e ele a segurou pelo quadril e cintura. Durante todo o momento, seus risos se misturaram às lágrimas de emoção que emergiram em seus olhos.
— Sim, sim e sim. É claro que eu aceito. — Darcy disse.
E então eles se beijaram, com toda a paixão que sentiam um pelo outro.
E não foram capazes de se desgrudar quando Elisabeta convidou Darcy para ir ao gazebo. Eles caminhavam tranquilamente de mãos dadas quando Elisabeta perguntou:
— Então era por isso que você precisava sair com Charlotte hoje?
Darcy assentiu e disse:
— E você também saiu pelo mesmo motivo.
Ela sorriu.
— Desde que a ideia surgiu na minha mente, eu não pude deixar de pensar: não seria perfeito se nos casássemos?
Darcy olhou para a mulher a sua frente que logo se chamaria Elisabeta Benedito Williamson.
De fato.
“Perfeito” era a palavra ideal para descrever o futuro que teriam.
FIM
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