Haven (Songfic)

1 Único – Refúgio


Notas iniciais
Essa fanfic é dedicada ao Shini, que estava ao meu lado quando as lágrimas caíram com a morte do Visão em Guerra Infinita. Hoje ele me surpreendeu com um funko pop da Vampira quando eu tinha um funko do Gambit preparado para ele. Todo o amor dessa história foi dedicado a você. Dedico, também, ao meu irmão, Areiko. Desde o momento que essa fanfic foi concebida, você apoiou e me deu forças para escrever tipo, quase 6 mil palavras em questão de dias. Obrigada, mano, inclusive pela ajuda com as traduções dessa música! E boa sorte com a sua songfic, Oblivion. Leiam as fics de Horizon Zero Dawn desse menino, gente, vale muito a pena :) À Elisa, a primeira leitora a quem eu dediquei "Ensaios". Você é uma amiga maravilhosa. E à Lu, minha incrível amiga, que apoia demais os meus textos. Espero que goste! À Rox... Não sei nem o que dizer. Obrigada por tornar todas as minhas semanas mais felizes com seus comentários e as conversas tão maravilhosas. É uma honra conhecer você, e ter você como leitora! Obrigada!! ♥ Ao Marcos, Sabrina, Longo, e todos os leitores que tornam a minha vida, pessoal e de escritora, mais feliz. Link da música para acompanhar a fic: https://www.youtube.com/watch?v=YIqXnirQlvM Feliz dia dos namorados e boa leitura!! EDIT (12/07/2021): um mês depois, reli a história com mais cuidado e percebi alguns errinhos de português que precisava arrumar. Não ocorreu nenhuma alteração direta na história :)

I'll be late, but I could make it all up to you

(eu vou me atrasar, mas poderia te recompensar)

I.

Havia um insistente vento ingressando no quarto através de uma porção da janela aberta, aparentemente insignificante, mas suficientemente forte para mover a borda solta do lençol da cama de Wanda. Se Visão olhasse de relance, parecia ainda conseguir ver sua figura, tão frágil, envolta pelos cobertores nas manhãs preguiçosas as quais sucediam noites agitadas na Base. No último Natal, ele se lembrava de aguardá-la acordar sentado na beirada da cama com um pequeno embrulho de presente em mãos. Muito antes de tudo acontecer e eles serem brutalmente separados.

Um suspiro pesado escapou dos lábios de Visão ao que ele mais uma vez sentou naquele mesmo lugar, sentindo a maciez do colchão sob seu corpo denso. Não no sentido da densidade garantida por seus poderes, mas de músculos sintéticos contraídos e o peito sofrido de mais uma vez adentrar aquele cômodo e não a encontrar. As pontas dos dedos vermelhos, um tom que lembrava vagamente vinho tinto, seguravam firmemente a porção de lençol cujo vento tão delicadamente mexia, tentando deixá-la o mais alinhada possível para que, quando Wanda retornasse, encontrasse a cama posta do jeito que a deixara.

Mas a verdade era que nenhum dos dois sabia quando aquilo ocorreria.

Por meses a fio, os quais pareceram séculos para um sintozóide apaixonado, ele aproveitava poucos momentos à sós para flutuar até o quarto de Wanda e observá-lo com detalhe. Seu globo ocular capturava cada canto entre os móveis, os dedos acariciavam as cordas de nylon do violão e o cedro da mobília, e um suspiro leve deixava seus lábios ao que ele notava um quadro de recados com fotos da equipe aproveitando momentos de lazer, da própria Wanda quando adolescente, muitas vezes junto de seu falecido gêmeo, Pietro. Tantas vezes entrara naquele cômodo que havia decorado a disposição dos móveis, passando longos minutos só admirando e sentindo falta da verdadeira dona do quarto.

Naquele dia, porém, ele precisaria ser um pouco mais rápido.

Com uma mala pequena e vazia sobre o chão, ele abriu as gavetas e buscou peças de roupa limpas, objetos de higiene pessoal, cuidadosamente empilhando esses itens até alcançar a borda entre o zíper e o recuo de ar com espaço suficiente para fechar sem ter maiores problemas. Ele sussurrou em descontentamento quando observou a hora em um relógio de cabeceira, o momento do encontro se aproximando cada vez mais rápido. Visão odiava se atrasar, ainda mais em um dia tão importante.

A capa esvoaçou por suas costas quando ele trocou de roupa e, levando a mala no ombro, o sintozóide estava prestes a sair ao que notou ter esquecido de um detalhe que negligenciara enquanto buscava vestimentas femininas para Wanda. Então, rapidamente abriu um compartimento da cômoda e dedilhou o caminho até encontrar uma caixa de veludo familiar e puxá-la devagar em sua direção.

O que ele não esperava era ter uma fotografia cair ao chão com o ato, que quase passou despercebida não fossem seus reflexos aguçados pelo medo de alguém entrar por aquela porta e descobrir o crime prestes a ser realizado (apesar de que não havia crime maior do que mantê-lo separado de Wanda por tanto tempo). A foto planou pelo ar lentamente até encontrar o carpete cinza; e Visão se abaixou devagar para pegá-la entre os dedos em forma de pinça e observá-la, surpreso ao ver ele mesmo no retrato.

Era uma foto em formato polaroid com Wanda sentada no sofá, completamente coberta com uma manta até o pescoço, o corpo escorado em Visão e a cabeça voltada para ele enquanto o próprio olhava para algo na frente dos dois e apontava com a palma totalmente estendida. Ambos sorriam animados, e as memórias daquele dia inundaram sua mente, provocando um sorriso no canto de seus lábios. A fotografia provavelmente havia sido tirada por Natasha quando nenhum dos dois estava diretamente olhando, e ela posteriormente a entregou para Wanda. Atrás, a caligrafia delicada desta indicava a data, com um coração cor-de-rosa desenhado ao lado.

Cuidadosamente, ele guardou a caixa de veludo, bem como a fotografia, em um bolso externo da mala, o pequeno sorriso se recusando a deixar o seu rosto à medida que se tornava intangível para atravessar a parede e voar pelo horizonte.

I'll count down the days, don’t say that you wouldn’t too

(eu vou contar os dias, não diga que você também não)

II.

Os dias felizes da existência de Visão podiam ser contados na ponta dos dedos até certo ponto da sua vida.

No início, era difícil pontuar a felicidade, enquanto tentava se misturar aos seus colegas humanos. Era difícil até mesmo entender como o mundo funcionava. Para Ultron, o mundo era bom, mas as pessoas o tornaram ruim. Steve Rogers pensava diferente; para ele, o mundo era bom, e foram os ideais das pessoas que o transformaram em um lugar inóspito. Naquelas semanas incipientes à sua chegada no grupo, Visão buscava uma perspectiva própria, haja vista não concordar com Ultron, e não querer ter o mesmo pensamento de Steve, ainda que ele fosse seu modelo de pessoa ideal. Apenas queria ser minimamente diferente para se destacar por algum aspecto além da aparência robótica.

Também procurava ser feliz como as pessoas diziam. Seus sorrisos eram calmos e serenos até que ele começou a se aproximar levemente da igualmente novata da equipe. Risadas compartilhadas, conversas francas sobre o luto na calada da noite, assistir seriados americanos antigos durante as folgas da equipe, mãos dadas escondido por baixo da mesa de jantar, abraços que logo evoluíram para beijos que logo evoluíram para carinhos nas longas madeixas de Wanda. Os ápices de alegria de sua vida não eram mais passíveis de serem contados nas pontas dos dedos. Não eram mais passíveis de serem contados.

Não demorou para Visão, ao invés de enumerar os momentos de felicidade tão raros, passar a contar os segundos, minutos, horas, e, recentemente, dias e semanas para vê-la novamente. Porque algo mudava no instante que ela entrava no cômodo: seu sorriso iluminava mais que uma supernova explodindo no universo, seus olhos verdes eram uma floresta na qual ele se adorava se perder por horas a fio, e a pele bege pálida contrastava lindamente com o tom vermelho de palma de Visão quando ele ternamente segurava suas bochechas para beijá-la. Principalmente depois que Wanda foi tão violentamente tirada de seu convívio, o tempo se arrastava ainda mais. No fundo, ele torcia para que a moça igualmente contasse os minutos para se verem novamente.

Foi no caminho para Edimburgo, já se aproximando do local do encontro, que Visão percebeu com clareza a maneira de compreender sua própria vida:

O mundo era bom. E Wanda Maximoff o tornava melhor.

'Cause I heard the rain, as I felt you coming loose

(porque eu ouvi a chuva, enquanto senti você se soltando)

III.

“Qual é o seu maior medo, Wanda?”

Aquela pergunta saíra tão distraidamente dos lábios de Visão, numa das últimas noites que dividiram na Base, que ele nem pensara nas consequências causadas em uma retraída Wanda. Os pingos da chuva do lado de fora batiam fortemente na janela, quase um compasso para o coração agitado da moça ao que ela se encolheu nos braços de Visão.

Foi com esse singelo gesto que ele percebeu a falta de tom em sua pergunta; ela perdera tudo o que lhe era importante na vida até aquele momento. Claro que seu maior medo já havia se concretizado. Antes que pudesse remendar e mudar de assunto, uma voz suave emergiu respondendo, baixinho:

“Ficar sozinha mais uma vez.”

Instintivamente, Visão tomou-a nos braços e a trouxe para perto de seu peito. Os fios do cabelo longo de Wanda esvoaçaram um pouco com o gesto, e o sintozóide devagar os penteou usando a ponta dos dedos, plantando o mais delicado dos beijos no topo de sua cabeça. Ela estremeceu, porém, não negou o carinho, prendendo suas mãos nas suas costas e fincando as unhas compridas no tecido da blusa a qual Visão vestia.

“Enquanto houver vida em meu corpo, eu prometo ficar ao seu lado.”

Wanda tornou o queixo para cima, encarando-o diretamente nos olhos azuis tão límpidos que pareciam uma lagoa. Uma lagoa cheia de amor onde ela poderia nadar sempre que quisesse. Claros de uma maneira fascinante, sendo possível até mesmo ver as suas próprias esmeraldas marejadas refletidas em sua íris.

Cuidadosamente, ela ficou na ponta dos pés e o beijou. Um beijo tímido, rápido, temeroso de algum colega de equipe aparecer e flagrá-los naquele momento íntimo, ainda que os presentes na Base estivessem dormindo em seus aposentos. Duas almas flutuavam pelo Complexo durante a madrugada, uma porque não precisava dormir, outra porque não conseguia. Ali, no silêncio da escuridão, eles descobriam o amor nos braços um do outro.

Mas Visão não cumprira sua promessa.

O dia no qual ele descobrira a respeito da prisão na Balsa, de todos os Vingadores contra quem lutara no aeroporto, principalmente de Wanda, certamente estava chovendo. Talvez do lado de fora do hospital onde acompanhava James Rhodes e Tony Stark; talvez no rastro deixado no caminho de sua pálpebra até a ponta do queixo.

Quando chegara no apartamento alugado em Edimburgo e abrira as cortinas, um pouco empoeiradas pelo tempo em que estiveram fechadas, notou alguns pingos d’água e uma janela embaçada. Aparentemente, a chuva iria acompanhá-lo onde quer que fosse.

And I heard my name, it broke my head in two

(e eu ouvi o meu nome, isso partiu a minha cabeça ao meio)

IV.

“Visão!”

Nos dois meses seguintes à prisão de Wanda, todas as noites, Visão entrava em modo de repouso para tentar fazer as madrugadas sem ela passarem mais rápido. Contudo, acordava com o grito dela ecoando em sua mente. Provavelmente uma semelhança com seus irmãos humanos: os sonhos.

Quando flutuava pela Base em direção ao quarto vazio de Wanda, estranhava a sensação de estar sozinho. De não a ver em pé com uma xícara de chá entre as palmas das mãos, sorrindo enquanto o aguardava para conversarem. Estranhava sentar na beirada da cama e olhar o violão com as partituras paradas, a televisão desligada, os boxes de séries norte-americanas acumulando poeira sob o aparelho de DVD. Estranhava a ausência do aroma de lavanda do perfume de Wanda, impregnado em uma blusa preta jogada sobre o puff, pouco a pouco sumindo pela demora em ela vesti-la novamente.

Ao segurar firmemente o cobertor esticado sobre a cama, ele notava a sensação estranha que o acompanhava como sendo a de saudade.

Wanda não chorou quando foi levada à prisão. Visão tinha certeza disso. Porém será que ela teria clamado por ele? Pensado nele? Requerido a sua ajuda? Aquela angústia o acompanhava diuturnamente até o momento em que se encontrava naquele minúsculo apartamento de um único quarto. Os anseios se misturavam à antecipação de vê-la mais uma vez depois de tanto tempo, a inquietação em deixar tudo pronto antes dela chegar, o medo por ter assumido sua forma robótica com a porta ligando o apartamento ao corredor principal entreaberta. O que seria dele se alguém diferente adentrasse o cômodo? Alguém que não estivesse bem intencionado?

Mas todos os pensamentos se dissiparam quando uma voz feminina, baixa e um tanto rouca, soou pelas suas costas ao que ele observava a janela do lado de fora:

“Visão?”

I'll celebrate on the day that I get the news

(eu vou comemorar no dia que receber a notícia)

V.

Iktsuarpok.

Uma palavra de origem inuit, a qual significa a expectativa de esperar alguém, constantemente andando até a porta para ver se a pessoa está chegando.

Cerca de três meses depois da prisão, Visão estava em um caso típico desses, ao aguardar ansiosamente notícias de Wanda através do Capitão América. Ele inquietamente remexia nas peças de um grande tabuleiro de xadrez, ao tempo que levantava e conferia a porta da Base para ter uma missiva. Uma foto. Uma mensagem criptografada. Qualquer coisa vale quando você não faz ideia do que está esperando.

Para sua surpresa, tempo depois, o próprio Steve apareceu às escondidas. James Rhodes e Tony Stark haviam saído, então Visão manteve a forma original quando ficou intangível para descer ao pátio. A preocupação irradiava de seus olhos antes dele dizer qualquer coisa ao colega de equipe que, com a barba mal feita emoldurando um sorriso singelo, foi direto ao ponto:

“A Wanda está bem.”

Quando a expressão de Visão suavizou, Steve acrescentou:

“Todos estão bem. A infiltração foi bem sucedida. Agradeço por você monitorar o sistema de câmeras.”

Visão assentiu brevemente, preparando para tornar as costas e se despedir, porém o Capitão América o parou com uma frase:

“Ela quer vê-lo.”

Surpresa. Angústia. Medo. Desejo. Todos sentimentos que permearam o sistema interno de Visão, percorrendo sua corrente sanguínea à medida que sentia o coração, tão sintético, dar pulos dentro de sua caixa torácica. Steve nem precisava dizer seu nome para provocar aquilo. Receoso, decidiu confirmar:

“Tem certeza?”

O sorriso de Steve se alargou.

“É claro que eu tenho”, ele cruzou os braços sobre o peito. Onde antes havia uma estrela representando a América, agora, havia apenas um buraco. “Quando eu perguntei ao pessoal onde eles queriam ficar, a Wanda disse discretamente que queria encontrar um amigo.” Depois, riu. “É só juntar dois e dois para saber que esse amigo é você.”

Visão esboçou um sorriso. Quando finalmente conseguiu contato com Steve, ele praticamente implorou pela oportunidade de ajudar, principalmente após seu amigo Tony contar, horrorizado, as aflições às quais Wanda estava submetida. Ele a imaginava presa pelos braços e pernas, sem uma cama para deitar, longe de seus colegas. Choques quando tentava usar minimamente seus poderes. O arrependimento era visível no rosto de Tony em todas as vezes que mencionava a situação da Vingadora. Era bom saber que ela estava a salvo e bem; melhor ainda era saber que ela gostaria de vê-lo.

“Então...”, Steve chutou uma pedra no jardim, mirando de um lado para o outro para garantir a segurança deles. “... Você consegue arranjar um lugar para esse encontro ocorrer?”

Assim, alguns dias depois, Visão se encontrava em um apartamento alugado, sob um nome falso, tudo para dirimir qualquer suspeita. Seu senso moral estava extremamente baixo naquele momento, mas ele honestamente não se importava mais.

As ruas de Edimburgo estavam calmas, especialmente na localidade escolhida. Vez ou outra um carro ou um pedestre, quando muito ambos, cruzavam o pavimento para chegarem em prédios residenciais. A primavera havia chegado, com os pingos de chuva trazendo alegria para as plantas dos canteiros no térreo e em floreiras abaixo das janelas; era um apartamento bonito, apesar de minúsculo. Adornado com plantas, da maneira que Wanda gostava. A sala principal ainda estava um pouco vazia, com somente a mala a qual Visão preparara para ela sobre um sofá empoeirado, um lustre pendurado no alto do teto, um rack para TV vazio, e um quadro não muito bonito na parede atrás do móvel. Ainda assim, com os pertences de Wanda dentro da mala, parecia o início de uma vida juntos.

Olhando para fora, Visão tomou um momento para pensar na estranheza dos humanos.

Eles agem como se tivessem todo o tempo do mundo. Como se seus corpos não fossem peças frágeis, prestes a quebrar com o mínimo de força extra exercida sobre eles. Não podiam trocar sua densidade para ficarem rígidos como um diamante, ou diminui-la a ponto de se tornarem mais finos que uma folha de papel e atravessarem uma parede.

Às vezes, parece que eles não pensam sobre as suas próprias fraquezas, no fato de que eventualmente vão morrer. E perdem tempo com coisas fúteis, enquanto poderiam muito bem usar do seu curto tempo de existência terrena para fazer algo mais importante. Dizer o quanto amam uns aos outros. Procurar um apartamento escondido para ficarem junto da pessoa amada. Desafiar cento e oitenta países, mais ou menos, para não passar nem mais um minuto longe do aroma de lavanda que tanto sentem falta.

... Na verdade, provavelmente Visão estava indo rápido demais.

“Visão?”

Seus olhos saíram da calmaria das ruas de Edimburgo para a figura frágil parada no vão da porta, um pé para dentro e outro para fora do pequeno apartamento. Um meio sorriso se formava quando ele flutuou ao seu encontro; o breve contato visual indicava a oportunidade de Wanda finalmente ingressar no apartamento enquanto ele trancava a porta com todas as fechaduras possíveis.

Tão logo Visão fechou a porta e se virou na sua direção, recebeu os braços finos de Wanda ao redor de seu pescoço. Ela cruzou os dedos na sua nuca, jogando o corpo para Visão segurá-lo, e Deus, como ele o fez. Lentamente passou os braços ao redor do tórax da moça, trazendo-a para perto enquanto distribuía inúmeros beijos no topo de sua cabeça. Os cabelos castanhos escorriam por suas costas, cheirosos com o melhor aroma de lavanda no universo. Seu coração pulsava dentro do peito, quase latejando de tanto surrar a pesada caixa torácica, sussurrando:

“euteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamoeuteamo...”

Os lábios dela estavam trêmulos quando ela disse:

“A Nat queria subir comigo, mas disse para ela ir embora assim que me deixou na recepção.”

Andando dois passos para trás, ao sentir a superfície rígida da porta de madeira nas suas costas, Visão se permitiu escorregar com Wanda em seus braços até encontrarem o chão. Sentado, ele a trouxe ainda mais perto, segurando firmemente seus ombros com as duas mãos enquanto deixava as pernas abertas para ela se aconchegar em seu colo. Tê-la tão próximo o fazia sentir como se tivesse sido vitorioso em uma guerra. E talvez tivesse: uma guerra entre o seu lado racional e os sentimentos emergentes em seu peito.

Cuidadosamente, Visão empurrou-a um pouco para frente para observá-la depois de tantos meses. Moveu as mãos na direção de seu rosto, acariciando suas bochechas ao que um gentil sorriso brotava em seus lábios. Wanda parecia cansada; algumas bolsas na parte de baixo dos seus olhos estavam escondidas por uma camada leve de maquiagem, provavelmente obra de Natasha. Apesar disso, ela não usava sombras pesadas como uma vez usara, possuindo uma aura mais natural a qual Visão igualmente achava atraente.

Ele correu os dedos pela sua bochecha até encontrar seus lábios, contornando-os carinhosamente enquanto os mirava fixamente. Depois tocou em uma cicatriz na pele alva de seu pescoço. Apesar de protuberante, já estava um pouco mais apagada e, por algum motivo, não havia maquiagem por cima. Com a ponta do polegar, Visão fez movimentos circulares sobre a saliência, dizendo:

“Eu li em algum lugar que é bom massagear cicatrizes para melhorar a absorção pela pele.”

Wanda riu.

“Não, você não leu.”

Sua voz estava rouca. Visão lembrou do equipamento em seu pescoço, apertando dia e noite por longos períodos. Instintivamente, ele novamente a abraço, puxando-a bem perto de seu peito e murmurando:

“Desculpa”, sua voz era baixa como em uma prece. “Eu deixei você sozinha.”

Ela balançou a cabeça em negação.

“Você sempre esteve comigo, Vis.” Seu sotaque estava mudado, americanizado, se pudesse descrever daquela forma. “O Capitão falou da sua preocupação. Obrigada.”

Sem pensar duas vezes, ele disse:

“Eu estava com saudade de você.”

Wanda apoiou os joelhos no chão para encontrar o olhar de Visão, esticando as mãos para segurar seu rosto. Sua boca se contorceu em um sorriso amável, sem mostrar os dentes, quando se aproximou e beijou o lábio superior do sintozóide. Ele retribuiu com a mesma intensidade de carinho, aproveitando aquela maneira tácita dela dizer que estava igualmente com saudades. Finalmente podiam se beijar sem pensar em colegas da Base dos Vingadores prestes à ingressar no cômodo dividido a qualquer instante.

Ela se afastou e o encarou diretamente nos olhos. A respiração entrecortada era prova de que os beijos não bastavam; eles precisavam dar um passo adiante.

Visão segurou seus ombros, o contato visual direto indicando que ele precisava de uma confirmação. Um sorriso, uma menção de cabeça que fosse.

Um novo beijo sucedeu, mais urgente, envolvendo a língua de Wanda buscando espaço na boca de Visão. Para um sintozóide entendedor, um mero beijo basta.

“Você... Quer que eu fique na forma humana?”

“Não.” Respondeu Wanda simplesmente, novamente o beijando enquanto Visão a pegava no colo para levá-la até o quarto.

I'll count down the ways, I'll be wishing that I was you

(eu vou contar os caminhos, desejando ser você)

VI.

Pelos eriçados. A ponta dos dedos de Visão notava os pelos levantados no braço de Wanda quando delicadamente movimentou as mãos, em formato de concha, do pulso até seus estreitos ombros. Em seguida, ele envolveu o seio direito dela com a mão antes de descê-la pelo lado do corpo, o mero toque delicado fazendo as costas dela arquearem. Suas pupilas dilataram, quase preenchendo a totalidade de suas írises verdes. Naquele instante, as unhas, ainda compridas, se encontravam cravadas nos bíceps definidos de Visão, deixando pequenas marcas brancas contra a superfície vermelha.

A iluminação era escassa. Havia um abajur na cabeceira da cama, que nenhum dos dois lembrara de acender, e o tempo nublado não fornecia muitas possibilidades deles se verem com iluminação natural. O próprio quarto era excessivamente simples, com um armário no canto próximo às janelas, uma poltrona comum ao lado da porta, uma cama de casal a qual pelo menos tinha roupas de cama limpas, e o carpete amarronzado repleto de roupas femininas espalhadas.

Visão era cuidadoso. Mantinha a densidade usual de um homem adulto enquanto ajoelhado no colchão, não tão macio quanto o de Wanda no Complexo, e, ocasionalmente, olhava para a porta, em especial quando ela estava com os olhos fechados e não notava a expressão preocupada do sintozóide. Era impossível alguém os descobrir ali, mas todo o cuidado ainda era pouco.

Em determinado momento, todavia, ele esqueceu os receios para se concentrar apenas e tão somente na linda mulher em sua frente. Quando escorregou seu membro para dentro dela, notou um tremor em todo o corpo de Wanda, e sua face se contorceu em dor. Pensou em recuar, já que deveria fazer muitos anos da sua última relação sexual, e, antes de efetivamente desistir, sussurrou:

“Você está bem?”

Wanda afirmou com a cabeça.

“Se quiser parar, nós podemos...”

Ela veementemente negou, arfando, e cruzou os braços nas costas de Visão. As unhas cravaram imediatamente em sua pele, provocando uma onda elétrica nos circuitos dele. Visão se moveu devagar, percebendo as nuances na expressão de Wanda até ela se sentir mais confortável, abrindo mais as pernas, e o permitindo mover mais rápido.

O corpo de Wanda parecia ser os três estados da matéria ao mesmo tempo. Era sólido, pela força exercida contra a cama a cada investida de Visão dentro dela. Fluído, pois era tão maleável entre as palmas da mão dele, cuidadosamente movendo sua cintura de um lado para o outro da mesma forma que um rio segue seu curso. E vapor, no calor emanado pelo suor de seus poros abertos, os vidros fechados do quarto embaçados após o longo tempo ali dividido.

Os gemidos de Wanda eram extremamente contidos, quase inaudíveis não fosse a audição hipersensível do sintozóide. Pouco a pouco, porém, o tom de sua voz aumentou, tornando-se alto como os grossos pingos de chuva batendo na janela. Havia um delicioso contraste entre a água martelando no vidro e o barulho do pênis de Visão movendo-se na intimidade encharcada da moça. Apesar de estarem no seco da cama, eles se encontravam embebidos por conta do prazer inundando o aposento.

Após alguns beijos em seus seios, os mamilos rígidos inchados depois dos tantos movimentos de sucção por parte dele, Visão começou a sentir que Wanda estava prestes a atingir seu ápice; os músculos de suas costas enrijeceram, ela abria e fechava a boca em intervalos maiores, gemendo mais alto e por um período maior de tempo, além de haver sintomas de fadiga muscular pelas coxas tremendo sob as mãos dele. Lentamente, ele moveu um dedo em direção ao seu clitóris, fazendo movimentos circulares para estimulá-la devagar, até que um sorriso travesso brotou nos seus lábios.

“Ainda não.”

Em um raro momento de distração de Visão, ela o jogou para cima da cama, e, num movimento rápido, levou seu corpo sobre o dele, sentando na altura do quadril ao posicionar a entrada de sua vagina na ponta daquele pênis ereto para descer milímetro por milímetro, quase uma espada cravando a carne, e um gemido extremamente alto e gutural alastrou-se pelo cômodo.

Eles não precisavam de luminosidade para enxergarem um ao outro no instante seguinte, já que Wanda possuía uma iluminação própria, e até o tempo nublado resolveu abrir para admirar a linda mulher em seu colo, rebolando enquanto se firmava usando as palmas da mão bem abertas sobre o abdômen definido dele. Os praticamente inexistentes gemidos do sintozóide igualmente se tornaram intensos a cada estocada.

Visão tinha conhecimento da mitologia relacionada a Ícaro, o menino grego que possuía asas de cera para sair da cidade de Creta voando, mas que, ao se aproximar demais do sol, encontrara a morte certa nas águas do mar. Por muito tempo, ele pensou em Wanda como Ícaro, os poderes a aproximando demais do sol, provocando nele um constante temor por sua segurança. Porém, naquele momento, boquiaberto, Visão percebera o quanto ela era independente, e que ele fora o Ícaro da sua história o tempo todo, sendo Wanda o tentador sol que o fazia se aproximar cada vez mais. Ícaro está voando, perto demais do sol; e, se aquilo significaria se afundar num mar de amor, que assim fosse.

Não demorou para Wanda atingir o máximo do prazer, demonstrado através dos movimentos cada vez mais rápidos até finalmente uma rebolada final e forte arrancar um gemido contido de ambos, ondas elétricas percorrendo a totalidade de seus corpos quando ela finalmente se deitou sobre ele. Um líquido viscoso escorria pelas suas virilhas quando Visão retraiu a densidade da intimidade para ela ficar mais confortável sobre seu peitoral, uma sensação de tranquilidade junto da eletricidade sendo a última coisa que sentiram antes de caírem no sono.

But I can't correlate the way you move

(mas não consigo coligar como você se move)

VII.

“Eu queria ser bailarina quando era criança.”

Em algum momento durante o descanso de Wanda, Visão despertou, e usufruiu da oportunidade para trocar as roupas de cama por lençóis e fronhas limpas, movendo-a com delicadeza para não acordá-la, bem como cobrir seu corpo nu com um lençol disposto no armário. A chuva continuava caindo, mais próxima do final do que quando ele chegou a Edimburgo. O relógio em um poste do lado de fora marcava o início da noite, e o céu de primavera adquiria as primeiras nuances do breu após o pôr-do-sol, pequenas estrelas aparecendo como pontos em um gigante cobertor.

Wanda acordou pouco depois, ainda abraçada em Visão, e começou a conversar sobre momentos e desejos aleatórios de sua vida os quais ela não comentava com ninguém mais. De certa maneira, ele se sentia lisonjeado em ser o confidente por trás dos seus inúmeros segredos.

“É mesmo?”, ele questionou, movendo o corpo, igualmente nu, para novamente encontrar o dela, quente sob os lençóis.

“Uhum.” Wanda assentiu. “Tinha uma escola de balé no centro de Sokovia, e eu adorava olhar as meninas treinando pela janela.”

“Você certamente seria uma bailarina linda.” Visão disse e sorriu em resposta, movendo uma mão na direção de sua bochecha. “Ainda pode ser, você sabe.”

Ela encolheu os ombros enquanto escondia um sorriso na dobra entre o pescoço e o ombro de Visão. Ele, por sua vez, carinhosamente a abraçou e beijou sua têmpora direita.

“Por que você não quis que eu trocasse para a forma humana quando fizemos amor?”

“Eu gosto de você assim, Vis.” A voz dela soou abafada pela mistura do corpo dele e os lençóis da cama. “Não preciso que você se torne humano para ser mais atraente. Inclusive, você é muito lindo.”

Por algum motivo, Visão sentiu as bochechas queimarem, ainda que a superfície metálica não permitisse o rubor ficar aparente, e novamente aninhou Wanda próximo. Ao que parecia, nem toda a proximidade do universo seria suficiente para deixá-lo satisfeito com sua companhia.

A barriga de Wanda roncou uma vez, mais baixo, seguido de um ronco alto que foi imediatamente notado por Visão.

“Está com fome?”, questionou o sintozóide, consternado.

“Morrendo”, ela confirmou.

“Pelo uso da hipérbole, vejo que está faminta.” Ele disse enquanto sorria, e se levantou em seguida. “Posso preparar uma xícara de chá e...”

Visão fez uma breve pausa.

“Em verdade, eu não trouxe comida. Peço desculpas.”

Wanda gargalhou sonoramente enquanto sentava na cama.

“Não se preocupe. Fica a dica para as próximas vezes.”

Próximas vezes. Aquela frase trouxera uma perspectiva que nem o próprio Visão sabia ter, alargando seu sorriso e o forçando a olhar para baixo. A moça levantou, com o lençol enrolado no corpo, e seguiu para a sala, remexendo a mala atrás de roupas, ao que Visão rapidamente fechou os olhos e projetou vestimentas sobre o corpo robótico.

“Não sei porque, mas estou com vontade de comer massa com molho vegetariano.” Ela disse enquanto vestia uma calcinha. “Será que tem algum restaurante com essa opção por perto?”

Visão franziu o cenho.

“Não tem medo de sair?”

Wanda negou, movendo o lábio inferior para cima e arqueando as sobrancelhas.

“Eu posso mover coisas com a mente. Além disso, você vai me proteger, não é?”

Visão rapidamente assentiu, ainda preocupado, enquanto a observava se vestir. Não dava para negar que ela estava mais magra; provavelmente, no calor do sexo, ele não foi capaz de notar os mesmos detalhes que seus olhos agora captavam. Quando ela chegou no Complexo a primeira vez, sua aparência era completa de desnutrição. Comia muito e com urgência em todas as refeições. Uma das primeiras interações deles foi, inclusive, o sintozóide pegando um prato a mais de comida e entregando-o no quarto dela, para evitar constrangimento à Wanda. Lembrava de ela ter agradecido com os olhos, assustados, e somente depois vir falar sobre a fome passada em Sokovia.

Aos poucos, o rosto dela adquiriu um tom mais corado, e seu corpo tomou uma proporção de acordo com sua idade. Entretanto, os meses passados na cadeia pareciam ter maltratado aquele lindo corpo mais uma vez; as costelas eram visíveis através da pele clara, os ossos das omoplatas igualmente salientes, assim como havia dois vãos entre sua cintura e o início da bacia. O olhar de Visão era uma mistura improvável de desejo e pena notado por Wanda, que disse:

“O que está pensando?”

“No quanto você é linda.” Ele cruzou os dedos sobre o abdômen. “E no quanto precisamos de suplementação nutricional para você.”

Ela riu.

“Vis, Vis, sempre preocupado. Eu estou bem, mesmo que abaixo do peso. Tomei soro quando cheguei em Wakanda, e recebo três refeições por dia.”

Após se vestir com uma bata preta e calças compridas, junto com a bota a qual usava quando chegou, Wanda prendeu os cabelos em um rabo de cavalo alto, deixando o rosto à mostra emoldurado com alguns fios soltos. Visão se aproximou da mala e puxou a caixa de veludo, escondendo-a enquanto falava:

“Feche os olhos.”

Ela prontamente obedeceu, e o sintozóide usou a ponta dos dedos para afastar o cabelo dela e pegar o colar para prendê-lo atrás do pescoço. O solitário prata com rubi era uma saudade diária de Wanda, que sorriu ao correr para confirmar no banheiro do espelho a desconfiança de que ele trouxera a joia. O primeiro presente, recebido no Natal anterior.

“Obrigada, Vis.” Ela agradeceu e o beijou ternamente. O pingente, junto de um pedaço da corrente, estrategicamente cobria parte da sua cicatriz.

“Tem mais uma coisa também.” O sintozóide puxou da mala a fotografia e a entregou em seguida, com Wanda a segurando firmemente sobre o peito.

“Mais uma lembrança para esperar nosso próximo encontro. Obrigada.”

Wanda caminhou até a porta, e Visão a seguiu devagar, a nova menção ao futuro provocando um sorriso bobo em seus lábios.

So I'll stay half away, and I'll guess that it'll do

(então vou ficar meio afastado, e acho que isso vai bastar)

VIII.

Não estava mais chovendo quando o casal deixou o prédio.

As poças de água formadas no chão brilhavam com as luzes dos postes, e Visão, como sempre, indicava o caminho para Wanda não molhar os pés. Ela, porém, o ignorou e, sorrindo, correu por entre as poças, respirando o ar fresco e pulando enquanto não havia ninguém pela rua.

Um pouco distante, Visão a observava, e entendia um pouco mais o gosto pela liberdade. Não era a primeira vez que Wanda saía, já que estava fora da prisão há alguns dias, porém era a primeira vez que saía com a segurança de ter alguém ao lado dela. Steve, Natasha e Sam a acompanhavam em todo lugar, mas, por quaisquer motivos, ela escolhera Visão para demonstrar sua alegria em poder caminhar pelas ruas novamente.

Ele escondeu um sorriso enquanto a moça exclamava:

“Acho melhor a gente ir logo, Vis, ou eu vou morrer de fome!”

“Isso é uma hipérbole, Wanda. Eu saberia se você fosse morrer.”

“Mas eu estou com fooomeeee!”, ela disse com uma risada. “Podemos pedir para comer em casa, que tal? Valeria mais a pena pedirem para entregar, só que eu precisava espichar um pouco as pernas depois de tantas horas de viagem.”

Wanda esticou a mão. A iluminação pública destacava a sua figura na calçada, tão vazia que parecia ser uma armação do universo para dar aos dois um pouco mais de privacidade. Até então, Visão havia mantido sua distância, apenas observando a alegria de Wanda e pensando não ser capaz de compartilhá-la pela sua natureza robótica, mesmo que uma porção de pele sintética cobrisse sua aparência e o tornasse mais um entre todos os humanos de Edimburgo.

Então ele pensou no alívio em saber que ela estava bem. No anseio antecedendo a sua chegada. O coração pulsante, sussurrando sobre amor quando finalmente a tomou nos braços. O calor das suas intimidades juntas pela primeira vez, tornando nulo o espaço entre dois corpos que tanto se amavam. Ele não chegou a dizer, porém tudo indicava a reciprocidade por parte dela. O desejo. A esperança de reencontros.

Pequenos momentos que o tornavam um pouco mais humano.

Logo ele precisaria retornar para a Base. Wanda iria voltar para Wakanda junto de seus colegas. Contudo, em seu bolso, havia duas chaves para aquele apartamento que se tornara um pequeno abrigo onde poderiam se encontrar, ainda que o mundo ardesse em chamas do lado de fora. Com certeza, várias instâncias de iktsuarpok sucederiam, pois somente uma palavra tão diferente poderia definir tamanha expectativa.

Os japoneses também possuíam uma palavra curiosa. Boketto era o nome o qual se dava para o hábito de admirar uma paisagem e não pensar em absolutamente nada. Ele, estranhamente, pensava em tudo e nada ao mesmo tempo em contrapartida à linda vista dela, tão próxima e tão distante. Havia uma barreira entre os dois, imposta por ele mesmo: bastava quebrá-la.

Um corajoso passo à frente antecedeu a mão esticada de Visão, segurando firme a palma de Wanda e caminhando ao seu lado até um restaurante enquanto conversavam e riam juntos. Ali, ele entendeu que o apartamento era meramente um lugar físico, de tantos onde poderiam se encontrar; e o verdadeiro refúgio estava nos braços daquela tão bela mulher.

Don't go away.

The moment you turn your back to me,

I won't be able to breathe.

It's strange when I feel my heart pounding

Just by seeing you far.

When I hug you, I feel,

I just won a war.

Under your blouse, I feel your petit heart beating

Against my chest

When I hug you tightly.

Jean Paul-Sartre, Descartes, Freud,

They didn't find an explanation

For love.

So, my presumption says

That this really is a combat.

A struggle between me

And my rational side,

Against affection.

And this far, I saw

That I can't win

Opposing my so deep

Feelings

For you.

(Feelings, por Vanilla Sky, 2015).

Notas finais
Não, gente, não é a última fanfic que eu escrevo na vida, pelo contrário -q eu só... queria algo diferente. Algo para agradecer o suporte que praticamente explodiu nesses últimos meses. Eu fico muito feliz de vocês apoiarem e gostarem das minhas fics!! Se JORDI, álbum novo do Maroon 5, tivesse saído alguns dias antes, tinha chance de Haven se chamar Lost, e não Haven ASAUSHUASH. Apesar de que Haven tem esse toque delicioso que embala um reencontro mesmo. Para quem não sabe, eu AMO videogame, e Life is Strange é um big deal para mim. Assim que ouvi Haven a primeira vez eu sabia que queria escrever uma songfic com ela. E nada melhor que o Visão para servir de "cobaia" ushaushaush. Praticamente todas as minhas fics começam com o ponto de vista da Wanda: Ensaios, Algo Sobre o Futuro, O Futuro Está Aqui, The Vision and the Scarlet Witch Show.... salvo engano as honrosas exceções são For Those About to Love, que começa com a Viv e o Visão, e Epifania que igualmente começa com o Visão. Há muito tempo eu queria fazer uma história que nunca fiz: o efetivo reencontro entre a Wanda e o Visão após Guerra Civil. Há um tempo atrás, vi esse headcanon que seria um apartamento, e não um hotel, em que eles se encontravam em Edimburgo... E já que WandaVision não teve menções à esse período, resolvi fazer a minha própria versão. Principalmente, com o ponto de vista 100% do Visão. Apesar de não ser especificamente uma história de dia dos namorados, eu senti essa oneshot como uma mistura de muitos sentimentos perfeitos para esse dia: saudade. angst. reecontro. amor, através do sexo e do carinho. Desculpem pelas seis mil palavras UHSUAHAHS era para ser parte da coletânea, mas ela quase criou vida própria e ficou gigante. Também, espero que tenham gostado da poesia! Deixei ela em inglês para efeito dramático, haha. Escrevi em 2015 para um personagem que, assim como o Visão, era bastante analítico e tinha certa dificuldade com sentimentos. Also, pode-se dizer que é uma continuação indireta de Ensaios? O colar é uma referência direta. Apesar de eu pensar em trazer Ensaios para filmes além de Guerra Civil, eu meio que desisti e vou me manter dentro da Base. Vocês vão ver nas atualizações futuras :) daqui a pouco eu vou criar um UCVS (Universo Cinematográfico da Vanilla Sky) uhuahsauhs. Enfim, deixem seus comentários, o que gostaram e o que não gostaram. Além de agradecer, eu quero ouvir. Ouvir o que têm a dizer sobre as minhas fics. Se gostam, odeiam, se querem que eu pare ou sei lá UAHSUAHSUAHS. Um beijão, fiquem bem, e um feliz dia dos namorados de mim, Vanilla Sky, da Wanda e do Visão ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!