Have a break, have a... Davekat?
2 Assando a cabeça
Notas iniciais
Era o primeiro dia de verão, e a temperatura não negava.
31°C até pode ser classificado como uma temperatura amena para alguns países, mas não para aquela porção Sul de São Francisco, cujas máximas não chegavam a alcançar o teto dos 23°C nos dias mais intensos do verão.
A onda de calor, no entanto, se impusera teimosa, e pelo que tudo indicava, pretendia se demorar mais alguns dias nas costas ensolaradas do litoral Oeste dos EUA.
Mas um indivíduo em particular estava sinceramente incomodado pela elevadas temperaturas da Califórnia.
Karkat, sem muito esforço, deitava o olhar num ponto específico do teto, onde o ventilador cambaleava ora para uma aba, ora para a pá oposta, sem ao menos agitar o ar ao seu redor. Também pudera, os fios pelos quais se sustinha eram da própria fiação exposta.
E era assim, de cabeça apoiada na mão e pálpebras pendendo sobre as olheiras fundas, que aquele tampinha ruivo estava a "aproveitar" o primeiro dia de férias escolares.
A sua carranca usual, entretanto, denunciava que, embora estivesse oficialmente nas tão almejadas férias de verão, ainda estava longe de ficar efetivamente livre do trabalho.
Um alvoroço incomum drenou a atenção que ainda restava de Karkat para o lado de fora. Da janela redonda que dava para a calçada, seguiu com o olhar a procissão de adolescentes vindos direto da escola e que agora percorria a rua da loja. Identificou um ou outro rosto conhecido, até que um vulto esbelto se aproximou da porta, e quase de imediato o tilintar do sino ecoou pelo estabelecimento.
– Karkat...? — a garota guiou os passos até o balcão, com um sorriso tênue a lhe colorir os lábios pintados de um batom escuro. — E aí, que que cê tá fazendo aqui?
A primeira reação do ruivo foi erguer a cabeça e levantar os olhos surpresos. Mais tarde teve de admitir a si mesmo, que seu coração falhou uma batida quando seu olhar pousou sobre sua amiga. Era a Terezi, e mesmo assim, por Jegus, como estava mudada! Ou eram apenas os seus olhos de moleque? Não o saberia dizer.
– O que você acha? — bufou, tentando desviar os olhos do colo ofegante da garota. — Tocando os "negócios" pra frente.
– Negócios?! Aposto que não abriu a caixa registradora hoje. — debochou a Pyrope, desrosqueando a sua garrafinha de água mineral.
– Bem, já que a srta. Mariam está fora, alguém tem que ficar aqui, não é mesmo? — grunhiu o mau humorado, voltando a apoiar o queixo na mão.
Com uma risadinha roncada, Terezi virou a garrafa na boca, sorvendo a profundos goles daquela água requentada do Sol. Foi então que Karkat percebeu que a amiga vestia malhas leves, de academia.
Com muito esforço, desviou o olhar de volta à calçada. Não era apenas ela. Um grupo modesto de jovens reunia-se no parecia ser uma excursão à academia. Dentre os quais reconheceu o "grupinho do RPG".
– Aonde vocês vão? — questionou à amiga.
Terezi interrompeu os goles, um pouco desengonçada, deixando escorrer um filete de água pelo queixo. Fez uma pausa antes de responder ao ruivo:
– Vamos ao parque.
– Hum... — Karkat grunhiu. Seus olhos focavam na jovem de estatura proeminente e cabelos escuros de pontas tingidas de azul anil cujas costas estavam apoiadas na janela circular. — Ela também vai...?
– Desculpa, quem?! — a garota quase gritou. Queria forçar o amigo a falar mais alto. O máximo que conseguiu, no entanto, foi um tom de voz mais agressivo:
– Ela também vai?
– Ela quem? — levantou a sobrancelha, sorrindo confusa.
– A sua namorada. — o ruivo fez questão de destacar a última palavra, franzindo o nariz como se estivesse chupando um limão azedo.
Terezi olhou para o lado, até que seus olhos também encontrassem a silhueta da garota de costas.
– Ah... A Vris? — demorou seu olhar mais alguns instantes nas costas da jovem, para ver se seus olhos iriam se encontrar, o que de fato aconteceu. E apesar de Vriska estar com os óculos escuros de Terezi na cara, ambas pareceram ter se comunicado visualmente. — É, ela também vai.
Terezi arrumou mechas do seu cabelo verde atrás da orelha, puxando a sua franja oleosa de suor para o lado. Pensando ter presenciado a morte de mais uma conversa, já fazia menção de partir quando Karkat interrompeu o silêncio:
– Vocês já treparam?
A face de Terezi, apesar de não ser tão esbranquiçada, assumiu uma coloração vermelha viva. Mais que constrangida, estava indignada pela pergunta indelicada.
– Desnecessário, não? — cruzou os braços. — Você é tão agradável, Karkat, nossa...
–O quê? É comum, não é? — o ruivo não parecia cair em si. — Tipo, se vocês namoram e---
– Tão delicado... — a garota cortou o amigo com o seu tom irônico-agressivo. Como explicar a um garoto que, embora namoradas, elas não tinham iniciado esse tipo de relação ainda? E apesar disso, entre elas, era mais que mera amizade?
Ainda mais para o Karkat. Terezi optou por não explicar.
Gostava muito de seu amigo, mas ele sabia ser desagradável... Quase sempre.
Suspirou. Não sabia como, mas conseguia aturar aquele ruivinho mau humorado até na escola.
Passou a mão na testa uma última vez e foi caminhando até a porta.
– Até mais, Vantas. E vê se toma um ar pra refrescar essa sua cabeça assada. Parece que o calor está te deixando mais azedo que o normal. — "Se é que isso é possível", pensou consigo mesma, arreganhando um sorriso afiado.
– Pode deixar, Pyrope. — retrucou com voz enojada. Aquela conversa o havia deixado de mau humor, ou melhor, havia aumentado o seu mau humor já costumeiro. Ultimamente as conversas com sua melhor amiga tinham sido assim, desde que soube da relação entre ela e Vriska.
Não sabia qual tinha sido a pior notícia, o namoro entre ela e Gamzee ou o atual. Para Karkat, Terezi parecia nunca fazer a escolha certa, embora ele mesmo não fosse capaz de indicar um possível relacionamento ideal para a amiga. Afinal, não sabia o que se passava naquela cabecinha verde marinho. E mesmo assim, as escolhas dela sempre o afetavam de algum modo.
O ruivo se pegou repassando as imagens do colo ofegante da amiga. Ela usava uma regata leve, preta e azul marinha. E mesmo não tendo quase nada de busto, as gotículas de suor sobre as clavículas, sutis, o jeito como puxava seu cabelo para trás, até o ritmo da sua respiração, toda essa composição dava significado à palavra verão.
O fluxo de seu pensamento foi interrompido pelo segundo tilintar do sino de entrada naquele dia. Desta vez, era Equius quem aparecera na porta. Acenou para Karkat, que apenas desviou o rosto para os fundos da loja. Não dava um minuto para que sua irmã surgisse...
O rapaz de cabelos lisos, colados nas têmporas, foi direto ao refrigerador, escolhendo duas garrafas de energético de marcas distintas.
– Equius...?! — "Não falei?", bufou o caixa, acompanhando de vista o vulto da irmã precipitar-se para aquele lado iluminado da loja.
A baixinha logo se pôs ao lado do rapaz, recebendo um cafuné na cabeça, fazendo com que sua touca de gatinho tombasse no seu cabelo loiro. Ela riu, exclamando um "Pare!", manhosa como um felino doméstico.
O garoto pagou as bebidas, e foi sendo acompanhado pela loira até a saída.
– Hey, peraí! — exclamou Karkat. — Nep!
A baixinha inclinou a cabeça para trás, a sua antes expressão eufórica e risonha desmanchando-se em um semblante de aborrecimento.
– Quié?! — dirigiu-se ao irmão.
– Você não pode sair agora, ainda não deu seu horário. — fez questão de ressaltar o ruivo, cruzando os braços.
– Mas você está aqui, não é? Eu não estou fazendo nada mesmo. — Levantou os ombros.
– Mas, a gente não ia revezar...? — choramingou em desalento.
Nepeta levantou o indicador:
– Corrigindo: a gente ia revezar se o movimento estivesse acima do normal. Esqueceu? — com um sorriso meigo, voltou a sua atenção ao amigo. — Vamos, Zack. (o apelido derivado do sobrenome Zahhac)
Muito a contragosto, assistiu ao casal de amigos desaparecer pela porta afora.
Com um prolongado e pesado suspiro, enterrou a cabeça nos braços, os quais estavam sobre o balcão. Deveria ter saído dali enquanto podia, aproveitando a deixa de estar mais próximo da porta. Agora estava literalmente sentindo a cabeça assar, sem nada poder fazer para amenizar o calor.
O sino tilintou uma terceira vez naquele dia, porém, nem fez questão de erguer a cabeça para ver quem havia chegado. A verdade é que queria se enterrar num poço de lamentações e não sair mais de lá.
Pensava em Nepeta e Terezi, e suas respectivas opções de parceiros. Tentava, por exemplo, entender o lado de sua irmã ao persistir em seu amor platônico pelo Zahhac, mesmo sabendo que este não era capaz de correspondê-lo, mas isto simplesmente não procedia naquela cabecinha ruiva. Para Karkat, esta persistência era tão absurda quanto óbvia, e o garoto insistia em ressaltá-lo sempre que pudesse à irmã.
E era com estas reflexões com as quais Karkat cozinhava a sua cabeça, oculta pelo balcão. Acompanhava este cozimento o assovio despreocupado do consumidor que acabara de ingressar na loja, o qual o ruivo preferiu ignorar.
Até que sentiu um cutucar na nuca. Grunhiu relutante, e muito a contragosto desenterrou a cabeça do balcão. Um tanto ávido por descobrir o rosto deste que o retirara de suas reflexões, piscou os olhos repetidamente para focar a visão no rosto do cliente.
Assim que o fez, quase caiu duro. Era Dave.
Ok, sua aparição na loja não era nada de extraordinário, mas havia um quê de inusitado naquela cena.
Seria por que, pela primeira vez na história, Karkat tinha a visão de um Dave sem camisa bem na sua frente? Ou talvez por que o mesmo levava na boca um picolé azul a respingar por cima do balcão, e por assim fazer, sujar o mesmo? Ou ainda por que era possível enxergar os olhos dele por através das lentes escuras do seu inseparável par de óculos?
O ruivo não saberia apontar o quê com exatidão, mas, meu Jegus, a temperatura havia subido repentinamente? Era o que constatara ao sentir o rosto e a base do pescoço ferverem mais do que a sua cabeça havia cozido até então.
Karkat nem se deu ao trabalho de perguntar o que o loiro desejava, já retirando da mão do mesmo a infame embalagem vermelha e branca cuja existência tantas vezes amaldiçoara. Passou a barra do Kitkat pelo leitor, efetuando a compra do mesmo.
Por mera força de hábito, já estava prestes a perguntar o "Algo mais?", conforme sua mãe lhe ditara, mas deteve a sua língua a tempo, recordando-se de situações passadas nas quais Dave sempre encontrava um jeito de relacionar uma piada de mau gosto com a inocente pergunta.
Curioso, Dave estava consideravelmente mais silencioso naquele dia se comparado aos demais. E Karkat o preferia assim. Nada de ironias, raps ou conversas autoconscientes.
O loiro fez menção de guardar o chocolate dentro de sua mochila, sem pronunciar palavra sequer, até que foi interrompido pelo conselho do caixa:
– Você tem certeza mesmo de que quer guardar o doce na bolsa? — agora o ruivo tinha ganhado o olhar e a atenção de Dave, para seu desespero. — Digo... Nesse calor, vai derreter se você guardar... É só um conselho, tá?
O rapaz de óculos escuros, ao retirar o picolé da boca, produziu um estalo com a língua.
– Tem razão. — concordou o sulista, lambendo o filete azul que lhe escorria pelo canto do lábio. — Vou comê-lo aqui então.
Dito isto, tomou um dos banquinhos altos, os quais estavam dispostos pelo balcão onde eram servidas as bebidas quentes. Mas para comer o doce, tinha primeiro de finalizar o seu sorvete. E para isto, o loiro não poupou tempo. Não relava o dente no picolé, “talvez por sensibilidade?”, perguntava-se Karkat, enquanto observava o texano engolir aquele suco congelado e retirá-lo da boca quase do mesmo tamanho de antes. E o pior de tudo é que achava aquilo absurdamente erótico.
O ruivo balançou a cabeça, afastando tais pensamentos, e dirigiu-se furioso ao Strider:
– Pensando bem, é melhor você cair fora. – tentava empurrá-lo da cadeira, sem sucesso. – Você já comprou o que queria, não deveria estar aqui.
Bem neste instante, o sino tilintou. Ambos os garotos fixaram o olhar na porta, e depararam-se com um menino de camiseta azul, óculos de armação grossa e dentes proeminentes.
– John...? – Karkat precisou pronunciar o nome deste que acabara de transpor a porta para que se assegurasse que o mesmo estava de fato ali em pé, olhando com um sorriso curioso em sua direção.
– Olá Karkat! – John caminhou espontaneamente até onde os dois rapazes se encontravam. Ao chegar próximo de Dave, cumprimentaram-se com um soquinho. – E aí, Dave?
– Fala, bro. – havia retirado o picolé da boca. – O rabugento aqui estava me expulsando da loja. Acho que é por causa disto.
E o loiro ergueu o gelado azul em frente aos olhos de John.
– Oh... Entendo... – de tão próximo que o sorvete estava de seus óculos, o garoto envesgava os olhos para observá-lo melhor. – Me diz... É sabor tutti fruti?
Dave meneou a cabeça positivamente.
– Você quer?
Recebeu em resposta um sorriso que exibia dentes salientes e clareados. Karkat podia jurar que viu seu reflexo naqueles incisivos de coelho.
No momento seguinte, lá estava John, dando uma lambida com gosto no picolé o qual Dave ainda segurava.
– Ótimo... Pode ficar com ele... – o loiro constatou após observar a avidez com que seu amigo saboreava o sorvete. Passou o mesmo para as mãos de John, que parecia não se importar em melar as mãos com o degelo azul, que agora lhe escorria por entre os dedos.
Ok, aquele era o cúmulo, Karkat concluiu após observar o modo que o moreno lambia o picolé. Se aquilo estivesse sendo filmado, com certeza iria censurar aquela cena.
– Ahem, se importa, Ergbento? – o ruivo limpou a garganta, chamando a atenção de John. – Aproveite e leve sua namorada aqui.
O mau humorado lançou um olhar acusador ao texano. Obviamente havia se referido a ele. Dave, contudo, atrás de seus óculos escuros, pareceu ignorar tanto as insinuações como o mau humor do baixinho.
– Nah, eu ficarei por aqui...- constatou indiferente.
– Tudo bem! – cantarolou John, de lábios tingidos de azul. – Valeu pelo picolé, cara! Até mais!
Com aquele mesmo sorriso de coelho, o moreno acenou da porta para os dois rapazes no balcão, ao que apenas Dave retribuiu. Karkat, como sempre, cruzava os braços e lançava um olhar mortal ao simpático menino, até que o mesmo se retirasse do estabelecimento.
Acompanhou ainda de vista quando o vulto de John seguiu rua acima, acompanhado por Jade e Rose, as quais compartilhavam de uma bicicleta de dois lugares.
– Quer ouvir um rap novo? – virou-se de repente o sulista para encarar o caixa. – Escrevi hoje. Em homenagem às férias de verão.
Karkat lhe deitou um olhar franzido pelas sobrancelhas baixas.
– O que você acha...? – amargou a pergunta com o azedume da sua fala.
– Ok, começa assim... – Dave pareceu não captar o sentido da fala do ruivo, e iniciou o ritmo da beatbox, colocando a mão em frente à boca.
– Não, seu imbecil! Eu quis dizer que não estou a fim de escutar seus raps escrotos! – exclamou Karkat, sobrepondo o fluxo das batidas.
– Falou então, mané. – o texano interrompeu a beatbox, um tanto ofendido. – Que bicho te mordeu? Você está mais rabugento que o normal, e eu jurava que não havia como bater o Record. Karkat, recordista mundial das rabugens foi desbancado por... Ele mesmo!
– O mosquito da espécie Raps scrotti, conhece? – retrucou Karkat. – E, obrigado, não preciso de você para saber que sou mau humorado.
Os dois jovens caíram num silêncio constrangedor, no qual nenhum deles estava disposto a prosseguir com os insultos, que, por experiência, sabiam que não os levariam a lugar nenhum. Pois tudo o que tinham feito durante estes três anos de encontros contínuos naquela loja era discutir e batalhar com ironias infantis, mesmo que nenhum dos dois desejasse essa hostilidade, no mínimo, infundada.
O ruivo suspirou, passando o pano sobre a superfície do balcão respingada de picolé derretido. Afinal de contas, por que cismara em expulsar o texano da cafeteria...? Nem ele mesmo conseguiria se recordar do motivo.
– Sabe... Se você quiser, pode comer o seu chocolate agora... – Karkat iniciou com um murmúrio tímido. – Mas coma logo! Não quero que o seu rosto obsceno afugente a freguesia...
“Freguesia...?! Sério mesmo?”, refletiu sorrindo de si para si o sulista.
Levou as mãos ao pacote retangular, usando as unhas ralas para rasgar a embalagem vermelho viva. Porém, interrompeu-se no processo.
Ergueu os olhos a fim de encarar o rosto salpicado de sardas de Karkat. Entreabriu os lábios, pausou, hesitou. Estava inseguro. Ele, Dave Strider, estava inseguro do que estava prestes a dizer.
A grande questão morava em revelar ou não revelar aquilo que o vinha atormentando há anos. Sim, pois pela expressão que fazia, de certo refletia acerca de um assunto de peso para si.
Após uma pausa considerável, na qual o ruivo tentou decifrar a expressão que Dave ocultava sob suas lentes escuras, o texano formulou uma fala na qual iria expor tudo aquilo que o atormentava de um modo em que não fosse se queimar caso sua mão estivesse no fogo:
– Admita, Karkat... – retirou os óculos de Sol do rosto, revelando as suas íris de um escarlate concentrado. – Que você gosta de mim, cara. Eu já ‘tou sabendo de tudo, não precisa esconder.
Dave sentiu como era respirar, enfim. Após três anos se contendo, ciente do segredo pertencente ao objeto de suas provocações, enfim juntara coragem para confrontar o baixinho. Desta vez não havia escapatória, nem resposta evasiva que não fosse driblada pela suposta astúcia do Strider.
Pois ele mesmo desejava escutar dos lábios do ruivo a confissão de amor. Desejava a comprovação efetiva daquilo que esteve sustentando através de três anos.
A resposta de Karkat, porém, passou longe das expectativas do loiro...
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