Haunting
1 Marionette
Notas iniciais

“Eu era tão pura quanto um rio.
Mas agora acho que estou possuída”.
Todos os dias na escola eu ouvia que não era o suficiente. Professores dizendo que eu deveria ser mais como os meus outros colegas, que eu deveria tirar notas altas, sendo que não pretendo usar nenhuma daquelas merdas na minha vida. Meus colegas rindo de mim pelos cantos, meus amigos dizendo que eu precisava me esforçar mais, pois eu não ia bem somente porque eu não queria.
Eles não entendem.
Ninguém entende.
Eu sou a Ladybug, a super-heroína de Paris. Salvo a bunda dos cidadãos todos os dias e sacrifico muitas das coisas que amo por isso. Mas é claro que eles não sabem disso e eu não posso contar. É perigoso. Eu me garanto, mas colocar os meus familiares em risco está fora de questão.
O problema é que eles não têm ideia da responsabilidade que eu, uma garota de dezessete anos, tenho nas costas sendo uma super-heroína. É cansativo, desgastante. Todos os dias lutando contra vilões com motivações idiotas como não poder alimentar pombos, não ser escolhida como a garota do tempo, não conseguir tirar uma foto do ídolo e por aí vai. É ridículo eu precisar parar o que eu estou fazendo para perder tempo lutando com esse tipo de pessoa.
Mas eu vou.
Tudo bem, eu tenho um parceiro que me ajuda. Mas mesmo assim é um tempo que poderia ser usado para outro fim.
E falando em parceiro... Chat Noir.
Eu gosto muito dele, mas às vezes eu sinto vontade de jogá-lo longe. Estou ocupada, com tempo no limite e ele fica fazendo piadinhas, alongando as brigas que poderiam ter terminado antes. Argh!
Simplesmente não consigo mais me manter de pé com todas as responsabilidades. Na verdade, a pior parte não é ter que estudar, ajudar meus pais, salvar Paris e etc; a pior parte é fazer tudo isso e ouvir todos dos dias que não faz nada, que não é suficiente, que deveria se esforçar mais.
Eu me esforço, porra! Eu apanho, levanto, estudo, vou para a escola. Faço todas as malditas coisas que me pedem. Só que nem todo mundo é bom em tudo, então eu queria que parassem de me cobrar pra isso.
Hoje foi o dia que eu surtei de vez. Me tranquei no meu quarto e não quis ver ou falar com ninguém. Não que liguem para mim de qualquer forma.
— Marinette, você precisa se acalmar! – Tikki dizia, enquanto as lágrimas corriam soltas – Você precisa... – num ato rápido tirei os meus brincos e os guardei na caixinha. Eu não estava em condições de escutar discursos motivacionais e sim de chorar.
Segurei a boneca da Ladybug feita por mim e a abracei forte. Eu só queria ficar ali sozinha, no entanto meus planos foram frustrados assim que notei uma borboleta negra se aproximando. E infelizmente, não tive forças para afastá-la.
— Cansada das responsabilidades e de nunca ser suficiente? De sempre ter que agir como os outros querem? De fazer coisas que você não quer fazer?— não respondi, apenas continuei chorando – Pois bem, eu Hawk Moth te dou o poder de mudar isso e agora será a sua vez de controlá-los. Mas em troca, eu quero os Miraculous da Ladybug e do Chat Noir.— encarei de relance a caixinha ao meu lado.
— Pode deixar, Hawk Moth. – fiquei de pé.
— Ótimo! Não me decepcione, Marionette!
— Não vou.
***
Chat Noir corrias pelos telhados da cidade, procurando quem havia prendido os cidadãos em cordões no centro da cidade. Enquanto isso eu estava escondida entre os prédios.
A borboleta lilás surgiu na minha frente.
— O que está esperando, Marionette? Aproveite que ele está sozinho.— não respondi. Não queria lutar com ele.
Mas eu precisava.
Saí de trás do prédio e parei no telhado. Assim que ele passou dois prédios à frente, estendi minha mão e joguei uma corda na sua direção, envolvendo seu pé e o fazendo cair de cara no chão.
— Mas o que...
— Sinto muito, Chat Noir. – murmurei para mim mesma avançando e lançando outra corda em sua outra perna.
— Ah, então é você o akuma da vez? – o loiro questionou, tentando se soltar – E como eu devo te chamar?
Não respondi, apenas ergui as mãos, o que também ergueu as cordas com Chat Noir e o atirei no teto do prédio ao lado. Pulei para ali também, atirando outra corda e envolvendo sua mão. Em seguida a puxei para baixo e ele caiu novamente.
Estendi minhas mãos e fiz com que várias cordas o envolvessem e o prendessem na estrutura do prédio. Chat Noir tentava se soltar sem sucesso.
— Nenhum trocadilho até agora? – questionei séria.
— Na verdade é mais uma ironia. Você deve saber que gatos não gostam de ficar presos, não é? Cataclysm! – ativou o seu poder e usou para desintegrar as cordas.
Chat Noir então avançou na minha direção com o seu bastão. Usei uma corda para segurar o objeto e jogar longe.
Ele estava em desvantagem, eu conhecia todos os seus movimentos. Então não demorou muito para que eu envolvesse os seus braços e pernas com cordas novamente. Movimentei os meus braços, fazendo com que ele se mexesse conforme eu queria, fazendo dele uma marionete.
— O que é isso? O que está fazendo comigo?
— Não é uma sensação boa, não é? Ser controlado por outra pessoa...
— Me solta! – dizia, enquanto eu fazia ele caminhar na direção do parapeito.
— É assim que eu me sentia, sabe? Fazendo tudo o que as pessoas queriam, me mexendo conforme os movimentos dos outros. Como uma marionete.
— Não muito diferente de como está agora. – esbravejou enquanto seu Miraculous apitava – Sendo controlada pelo Hawk Moth.
— Ele não me controla. – nesse momento a borboleta lilás surgiu na frente do meu rosto.
— O Miraculous, Marionette!— Hawk Moth exigiu em um tom de voz impaciente.
— Como não? – Chat Noir questionou e eu sorri de canto. Logo fiz com que ele sentasse no chão.
— Hawk Moth não me controla.
— Sabe que eu posso tirar os seus poderes há qualquer momento!— ouvia ele dizendo na minha cabeça.
— Você não me controla, Hawk Moth. – falei firme, ouvindo mais um bipe do Miraculous de Chat Noir – Sabe por quê? Porque o único jeito de você ter o Miraculous do Chat Noir é se eu pegar ele agora mesmo, caso contrário, nenhum outro seu akuma fracassado vai conseguir. Você não me controla, porque eu sou a única que pode pegar o Miraculous da Ladybug e do Chat Noir e eu posso fazer isso quando eu quiser.
— Se eu fosse você não teria tanta confiança assim, a Ladybug vai chegar em breve e ela... – Chat Noir começou.
— Ela não vai. – o cortei e seu Miraculous apitou de novo.
— Como tem tanta certeza? – seu olhar de confusão se transformou em raiva – O que você fez com ela? – movi minhas mãos e fiz com que ele ficasse de pé e de frente para mim.
— Eu não fiz nada com a Ladybug. Eu sou ela, chaton. – silêncio. A borboleta lilás havia sumido do meu rosto. – Eu disse, sou a única que pode ajudar Hawk Moth a conseguir os Miraculous.
— My lady... Por quê... – pude ver um misto de preocupação, surpresa, tristeza e decepção no seu olhar.
— Você sabe qual é um bom motivo para ser akumatizado? Ser chamado de insuficiente todo o maldito dia! – meus olhos estavam marejados há essa altura. – Eu juro que tento, Chat. Mas a pressão de todos à minha volta está me matando. Eu não consigo mais.
— Mas você precisa lutar, precisa ser forte. Paris precisa de você, eu preciso de você.
— A pessoa que mais precisou de mim esse tempo todo fui eu mesma. – respondi séria, sentindo as lágrimas correndo.
— Eu... – foi interrompido por outro bipe. – Não faça isso, Ladybug. Eu amo você. – aquelas palavras me fizeram engolir em seco.
Fiquei parada, sem reação. Até que não demorou muito para o anel de Chat Noir apitar novamente e a sua transformação ser desfeita, me fazendo arregalar os olhos.
— Adrien? – a borboleta lilás surgiu na minha frente novamente.
— Pegue o Miraculous e solte o garoto!— Hawk Moth pediu em um tom de voz que estava mais para o lado do desespero do que para o lado da raiva.
— Não é desse jeito que eu queria que você descobrisse a minha identidade. Muito menos os meus sentimentos. – disse o loiro – Mas agora já foi e eu queria dizer que amo você, mais do que tudo. – Adrien deu um sorriso triste.
Minha expressão mudou de surpresa para raiva, então movi minhas mãos apertando as cordas ao redor do seu corpo.
— Ladybug... O que está fazendo?
— Eu sou a Marionette, agora! – exclamei irritada.
— Marionette, solte o garoto, agora!
— Você... Agora que sabe quem eu sou... Como ousa dizer que me ama? Eu... – as lágrimas escorriam dos meus olhos, enquanto eu olhava para Adrien que não conseguida falar, pois estava sendo cada vez mais envolvido pelas minhas cordas.
Eu não queria fazer isso, não queria mesmo. Mas eu estava fora de mim, irritada, com raiva de todos. E então eu apertei mais, e só fui me dar conta do que tinha feito, quando a cabeça de Adrien tombou para o lado e sua respiração tinha parado de vez.
— Marionette!— Hawk Moth gritou enfurecido – Já chega!
Meu corpo todo começou a formigar e doer, e as cordas rapidamente soltaram Adrien e vieram na minha direção. Fui jogada no chão, sendo presa por elas até que a dor parou.
— Acordo desfeito! Você sofrerá as consequências!— Hawk Moth gritou e as poucos eu fui sentindo o poder saindo de mim. As cordas e o traje se desfizeram e eu permaneci ali jogada, enquanto o akuma saia voando, me deixando ali com a boneca da Ladybug na minha mão.
Meus olhos se fecharam aos poucos e depois disso eu não lembro de nada.
“Eu estou implorando para você continuar assombrando
Porque eu fiz algumas coisas que não posso falar
E eu tentei te apagar, mas você não vai embora
Eu estou implorando para você continuar me assombrando”.
Notas finais
Como eu disse na oneshot do Adrien, esse plot era antigo e eu não fazia ideia que fossem abordar esse tema nos episódios Gamer 2.0 e Heart Hunter. Doeu ver a Marinette chorando por ter muitas responsabilidades. E honestamente, eu me baseei muito em mim para escrever essa one, o que faz ela ser muito pessoal e ter um peso enorme pra mim. Estou muito satisfeita com ela, embora me deixe triste hahaha.
Feliz Halloween :3
Muito obrigada por terem lido! Espero que tenham gostado ♥ xoxo
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