Haunted
5 Capítulo 5
CAPITULO QUATRO
-Que diabos você pensa que está fazendo? Aquela garota me rendia dinheiro sabia?
Eram dez e meia da noite e Victor ainda não tinha parado para conversar com Mônica. Não que qualquer um daqueles pedaços de carne da sua boate fossem mais importantes que sua pequena garotinha, mas ela não podia ficar dando prejuízo assim.
-Eu posso dar muito mais darling – Ela soltou a fumaça do seu décimo cigarro com uma careta entediada.
-Ah! Ai que você se engana! Você tem que transar para realmente ganhar dinheiro aqui minha querida!
-E por acaso está insinuando que eu não sei fazer isso? Horas Victor – ela soltou uma pequena gargalhada – eu faço o serviço melhor que qualquer uma dessas vadias.
-Que seja! Que seja! – ela jogou os braços ao alto num ato de desistência – Agora nós temos que descobrir o que vamos fazer com a Debra.
-A cadela ainda não morreu?
-Só se for de dor. Você felizmente não cortou nenhum ponto vital, ou infelizmente porque agora eu tenho uma cadela deformada que ninguém vai querer pagar.
-Ah dá um jeito ai ta Victor – ela beijou a testa do amigo e calçou seus sapatos.
-Hey onde você pensa que vai?
-Dançar...
O barulho dos sapatos altos e pretos ecoavam pela rua em direção ao som abafado da boate... A imagem da mulher morena de estatura mediana com os cabelos amarrados firmemente chamava a atenção de alguns bêbados e prostitutas que se amontoavam como odiosos camundongos naquelas ruas. Era isso tudo que Mônica amava. A sujeira, a indecência, os vícios e as virtudes da cidade.
Deu uma ultima tragada firme no seu cigarro e entrou, sem problema algum, na boate. Acomodou-se no bar esperando por uma bebida que nunca chegava... Decidiu andar... Olhar os rostos... As más intenções... Parou instantaneamente ao ver uma mulher dançando animadamente na pista... Os lábios tingidos de vermelho... A volúpia estampada no olhar... Os olhos castanhos claros se cruzaram com os negros... Mônica caminhou quase que em câmera lenta até a morena... Ela cheirava a Miss Dior mas a olhava tão indecentemente quanto qualquer um.
Sentiu as mãos femininas lhe tocarem os seios enquanto a boca estranha invadia a sua... Sabe quando você toca em uma pessoa e tudo acontece, ao mesmo tempo?
Sentiu seu corpo reagindo as mãos indecorosas e seus instintos lhe guiando para sussurrar as velhas e conhecidas palavras...
-Nos fundos da boate, agora.
Enquanto as duas arrastavam seus corpos colados por entre a multidão o par de olhos castanhos esverdeados observava atento com um copo de John Walker nas mãos todos os movimentos que sua \"amada\" fazia... Cada gesto... Cada olhar malicioso... Reparava que mesmo aos beijos com a figura feminina mandava olhares para todos da casa...
Deixou o copo sobre a mesa e passou a seguir as duas, havia passado o dia inteiro vigiando Mônica e não seria agora que iria perdê-la de vista...
Saindo do som ensurdecedor viu o vulto dos cabelos cor mel sendo encostado na parede e sentou-se em um murro para observar a cena, Observar? Não, não seria essa a palavra certa, a palavra certa seria apreciar. Apreciar a blusa do seu pequeno anjinho sendo jogada no chão... Apreciar o contraste das duas belas mulheres se entrelaçando...
Ele tinha como obrigação, de falar para Mônica se cuidar mais. Não era seguro sair por ai transando com qualquer um que lhe parecesse interessante... Poderia ser um assassino... Um psicopata...
Encostou-se melhor para ascender um cigarro... As costas dela estavam sendo arranhadas pelas unhas carmim... Bela garota... Para casar...
Mas aquele joguinho estava se tornando cansativo para ele. Ele era o caçador, pouco lhe importava se sua caça estava louca para transar com aquela mulher...Pelo menos era isso que se permitia pensar...
Ciúme... o mais puro, mais violento...Quem aquela vadiazinha de merda pensava que era para encostar suas mãos sujas no seu anjinho? Mônica era dele... Apenas dele... Pelo menos, a partir daquela noite seria.
O barulho agudo estourou nos ouvidos de Mônica e o corpo debilmente vivo caio no chão...
Gerard correu de onde atirou para enfiar as mãos dentro da boca da menina lhe abafando os gritos... a encostou num carro que havia por lá e sutilmente apontou a arma para ela...
-Você é tão desobediente sugar...
Medo...tão belo nos olhos castanhos... Onde estava a coragem da noite em que ela tentara o matar? E a fragilidade do dia do inicio da sua vingança... Medo... Medo... A palavra ecoava na sua cabeça e ele se deliciava com os olhinhos arregalados o fitando...
-Quero ver você gritar por socorro!
Ele intensificou o sorriso. Fúria... Maldita orgulhosa. O que mudaria aquele olhar se ele tinha uma arma na mão e era consideravelmente mais forte que ela?
-Você pode me matar... Mas nunca conseguira minha redenção... – rangeu como um animal...
Ah então era isso – se satisfez – apenas queria morrer com honra.
-Eu tenho tudo que eu quiser de você, entendeu bem? – ele a segurou pelos cabelos
–T-U-D-O!
Ele abriu o carro e a jogou lá dentro, entrou e o trancou.
-Nosso jogo acaba de começar. Que vença o melhor...
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