Hatefull

1 Prólogo - Memórias Mortas


Notas iniciais
Hey! Esse prólogo é mais pra esclarecer as coisas mesmo, e ainda não tem muito a ver com a sinopse (que tá mais pra spoiler do que pra sinopse de verdade .-.). Ainda. E, eu estou praticamente IMPLORANDO pra vocês pegarem leve comigo, porque é a minha primeira fic. Agora, esperem pelo capítulo 1 u.u

"Last night I dreamt
That somebody loved me.
No hope no harm
Just another false alarm."
–The Smiths

Nova York — 2002

Quarta-feira, 17:40

— Não posso lhe prometer que nada acontecerá com você. — Ela mexeu com os óculos, desconcentrada.

Me ajeitei na cadeira.

— Apenas me diga quando acontecerá o julgamento. Ninguém vai querer me ouvir mais?

— Srta. Hill. Eles quase concluíram que você é a culpada.

Interrompi-a.

— Isso é um absurdo. Eu não fiz nada de errado! Eles não encontraram nenhum indício de que eu tenho envolvimento nessa história, quanto menos que sou a culpada. Eu nem estava em casa na hora! — aumentei o tom de voz — Só porque foi a minha família que morreu, não quer dizer que eu tenha os matado! Está mais do que claro que foi Grace, e...

— Se controle, por favor. Não me faça perder a cabeça. Eu compreendo que é muita pressão para uma garota de 16 anos, mas entenda uma coisa: eles não querem saber quem foi o culpado. Eles querem simplesmente culpar alguém. E você, como a parente viva mais próxima deles, está sendo acusada como a culpada pelo crime. Não há nada que eu possa fazer por você.

— Mas...

— Parece que já terminamos.

Saí da sala, irritada. Ignorei os olhares que eram dirigidos pra mim, como sempre fazia, enquanto saía do prédio mal-iluminado. Desamarro o moletom cinza que levava na cintura e visto-o. Ele caí, largo, em meu corpo magro demais.

Têm sido assim desde que a "tragédia" ocorreu. Eu não devo parecer muito normal, porque provavelmente se fosse qualquer outra garota no meu lugar todos iam lançar-lhe olhares preocupados e lamentar pelo que havia acontecido. Mas, como sou eu a última sobrevivente da família Hill, não há quem tenha pena de mim. Todos me olham como se eu fosse uma serial killer. Mas o ponto é: eu simplesmente odiaria que tivessem pena de mim. Prefiro que tenham raiva e me acusem com os olhos, por mais que eu seja inocente.

Caminho até o ponto de ônibus mais próximo. Procuro meu celular em meu bolso.

— Droga. — resmungo.

Perdi o celular. Pela milésima vez. Tenho 16 anos, quase 17. Trabalho depois da escola, todo os dias de semana. E fico até mais tarde às sextas-feiras. Nos fins de semana eu geralmente durmo. Raramente saio de casa.

Entro no ônibus, exausta. Felizmente haviam poucas pessoas lá. Nunca gostei de lugares lotados, além de que tenho visões desde pequena. Vejo vultos, e pessoas que ninguém vê. Espíritos ou algo do gênero. Eles conversam comigo. Quando estou em lugares com muita gente, acabo confundindo espíritos ou sei lá, alucinações, com pessoas.

Nunca comentei com ninguém sobre isso, porque com certeza acabariam me mandariam para um hospital psiquiátrico. Sempre suspeitaram que eu não tivesse muita sanidade mental, mesmo. Isso seria apenas a gota d'água para me rotularem como uma completa louca.

Vou até o shopping center mais próximo. Não conseguiria me virar sem celular, apesar de quase nunca ligar pra ninguém. Entro em uma loja qualquer. Observo os celulares mais baratos, escolhendo pelo preço. Fico com um de 200 dólares.

Logo pago-o com o dinheiro que havia no bolso do meu moletom e volto ao ponto de ônibus.

18:40

Entro em casa. Observo as paredes brancas vazias. Eu havia me livrado de todas as fotos de família. Não sofria pelo que aconteceu, mas não gostava de lembranças. Nunca gostei.

Desde que minha irmã mais velha, que vivia um drama envolvendo depressão, auto-mutilação e brigas com nossos pais, perdeu a cabeça completamente. Era um dia comum, para a maior parte das pessoas. Mas naquele dia, a minha casa virou um verdadeiro cenário de filme de terror. Meus pais viviam brigando. Todos os dias era a mesma coisa. Minha irmã sempre teve de assistir, querendo ou não.

Grace Hill, 19 anos. Homicida e suicida. Suicidou-se, após matar seus pais. Ninguém nunca soube exatamente o por quê de ela ter feito isso. Mas desde então, todos acreditam que eu matei minha família toda.

O caso aparece desde em jornais até noticiários de TV até hoje. E isso resultou em: assistentes sociais me visitando de 15 em 15 dias, idas frequentes a psicólogos, ser conhecida pelo mundo todo como "A Menina que Matou sua Própria Família" (por mais que isso seja mais ou menos comum de acontecer e esse rótulo ser realmente um dos mais toscos dos que já me deram antes), etc. Eu não vi nada do que aconteceu, mas não importaria se eu tivesse visto, de qualquer forma.

Eu simplesmente não fiz nada, não posso ser julgada como culpada. Mesmo assim, parece que a palavra "homicida" está escrita na minha testa.

Me jogo na cama e caio no sono, exausta.

Os pesadelos repetidos que me perseguem todas as noites visitam-me novamente.

Notas finais
Eu sei que ficou curto, ok. Mas mesmo assim, mereço reviews? c: