Hatefull

2 Capítulo 1 - Acordada


Notas iniciais
Oe :3 Demorei um tempo pra postar porque eu estava editando esse capítulo e tal. Enfim. Acho que esse ficou um pouco mais comprido do que o outro. Boa leitura u.u

"Tudo o que vemos ou parecemos / não passa de um sonho dentro de um sonho."

— Edgar Allan Poe

— Louie? — Chamei, em vão. — Louie! Não me abandone!
Em meio à queda, choro. Quando finalmente caio no chão. Me esforço para interpretar o barulho que chegava, baixinho, em meus ouvidos. Não queria acreditar.

— Não me troque... — sussurrei, praticamente implorando. Não me esqueça como os outros...

Depois de alguns minutos sozinha com as lágrimas, finalmente abro os olhos e olho ao redor. Tudo estava escuro, mas eu não sentia medo. Olho mais para cima, procurando o buraco de onde caí. Me sinto no País das Maravilhas. Só que sem as maravilhas.

Vejo um par de olhos violetas abrindo-se na escuridão. Espero o sorriso abrir-se. Mas não abriu.

— Adeus.

14:50

Acordei suando frio. Mas não haviam sentimentos, não haviam emoções. Sempre fora assim. Eu sempre soube que esse sonho que me persegue há tanto tempo era mentira. Eu nunca chorei de verdade. Nunca. E eu não quero mais lembrar do passado, e era isso que aconteceria se eu continuasse pensando nesse sonho por muito tempo.
Como eu já havia perdido a hora mesmo, não valeria a pena ir à escola, ninguém me deixaria mais entrar. E eu não tinha nada pra fazer em casa.

21:15

Decido sair um pouco. Beber, talvez. Ás vezes é bom me sentir quase normal. Levanto da cama e vou para o chuveiro. Deixar a água escorrer pelo meu corpo... Faria meu humor melhorar muito.
Lavei meus cabelos longos e negros. Saí do banho depois de bastante tempo. Volto ao quarto e me visto. Calço meus coturnos e volto ao banheiro.

Seco meus cabelos, que caem lisos e brilhosos, pesadamente, até a cintura. Escovo os dentes e me maqueio.
Pego uma bolsa enquanto saio de casa. Tranco a porta. Não tenho carro, então ou eu pegaria um ônibus, ou eu arrumaria uma carona. Preferia a segunda opção.

— Quanto é o programa? — Uma BMW preta para ao meu lado na rua. Um cara fala enquanto abre o vidro do carro.

— Engraçadinho. — Respondo, revirando os olhos.

Abro a porta do carro para entrar. Sean Keep me lança um olhar malicioso, enquanto analisa meu vestido preto.

— Nem pense. — Reviro os olhos.

— Eu não estava pensando em nada. Só ia elogiar suas roupas, mas parece que não vou mais. — Ele arqueou as sobrancelhas.

— Certo.

— Pra onde quer ir?

— Pro Inferno. — Um sorriso largo surge em meu rosto.

— Hell? — Ele parecia gostar da ideia. Sorriu.

— Exatamente.

Hell é a casa noturna a qual eu frequento. Ou melhor, frequentava. Minha mãe nunca soube, eu sempre inventada desculpas, falava que ia dormir na casa de alguém. Mal sabia ela que eu nem tinha amigos.

Foi lá que eu comecei a beber. Nunca cheguei a virar uma viciada, mas eu bebia sempre que possível. Era como uma fuga. O álcool me ajudava a fugir dos meus problemas.

Parece que meu querido amigo entendeu errado. Eu nunca o vi da forma que ele me vê. Ligo o rádio.

— Curte Marilyn Manson? — Ele me pergunta, sem tirar os olhos da rua.

— Você sabe que sim.

Observo-o. Cabelos médios, em tom escuro. Um skatista perfeito. Tênis Mad Rat, jeans larga e rasgada. Uma camisa de banda e um gorro preto na cabeça. As roupas consideradas "básicas" pra ele. Ele sempre usava esse tipo de roupa, não interessava a ocasião.

Lembro-me da vez que ficamos. Me arrependo, mas apesar de que ainda tenho 16 anos, eu realmente já fui mais idiota. Eu não diria que realmente gosto de lembrar disso, mas...

Eu estava com Leah Reed, a única pessoa que já esteve mais próxima de ser uma amiga pra mim. Nós duas éramos deslocadas na escola, e Leah era gótica. Mas, mesmo assim, ela sabia se virar socialmente. Diferente de mim.

Eu tinha acabado de fazer 15 anos. Meu primeiro contato com bebidas alcoólicas foi naquela festa, se não me engano. Era uma festa de Halloween, mas ninguém usava fantasias. Todos estavam totalmente vestidos de preto. Leah conhecia muita gente de lá, por isso acabei indo sozinha pegar algo para beber. Peguei uma lata de cerveja qualquer e dei alguns goles, sentada perto do bar. Observei a pista de dança, as pessoas animadas.

— Oi. — alguém diz, ao meu lado.

Dou um pulo de susto, virando-me para olhar para a pessoa. Um garoto. Um garoto muito bonito, aliás. Seus olhos acinzentados estavam cravados nos meus, os cabelos escuros médios moldando perfeitamente seu rosto, e os lábios curvados em um sorriso divertido pela minha reação.

— Ahn, oi. — eu disse, desconcentrada.

— Te assustei? — ele riu.

— Ah, não, eu só... — e aí eu voltei para a realidade. Revirei os olhos. — É claro que você me assustou, idiota.

Quando terminei de falar, percebi que ele sorria ainda mais. Talvez ele fosse, sei lá, algum tipo de masoquista. Mas tanto faz.

— Sou Sean.

— Lucy. — disse, o olhar ainda fixo na pista de dança.

— Você não me parece muito, hã, animada.

Dei de ombros.

— Talvez seja porque realmente não estou.

— E você também não parece ter vindo sozinha. — ele agora olhava para o nada.

— Não está querendo saber demais, não?

Ele levantou os braços, como se estivesse se rendendo.

— Calma aí. Foi só um comentário. Por aqui, frequentemente acontecem várias festas como essa. E não são todos que podem entrar. Eu sempre venho, por isso conheço a maior parte das pessoas, pelo menos de vista. E eu nunca te vi aqui antes. Por isso achei improvável que você tivesse vindo sozinha.

Suspirei, derrotada.

— Vim com minha amiga. Leah Reed, não sei se conhece.

Ele revirou os olhos.

— Todos aqui conhecem Leah. Mas não tenho afinidade com aquela garota. Nunca tive.

Encarei-o, um pouco surpresa.

— Por quê? Vocês, tipo, se odeiam?

— É, mais ou menos isso. Agora, deixe-me adivinhar, ela te disse que seria uma das noites mais fodas da sua vida e te convenceu a vir. E, quando vocês chegaram aqui, ela te largou.

Ele me fitava intensamente. Apenas permaneci calada. O que causou a mesma reação nele do que se eu tivesse afirmado. Soltou uma gargalhada alta.

— Típico. — ele foi se aproximando de mim e pegou em minha cintura, puxando-me para mais perto — Mas quanto essa noite ser uma das mais fodas da sua vida, ou melhor, das nossas vidas, bom, poderíamos facilmente transformar isso em realidade.
E então me beijou. E aquela noite seguiu-se daquela forma. Antes de eu ir embora, ele marcou comigo de me buscar em casa para sairmos no dia seguinte.

Preciso mesmo comentar o que aconteceu? Ele não veio.

E Leah, a única amiga que eu já tive, alguns meses depois dessa festa quando os pais dela decidiram se mudar para o Canadá ou algo assim, decidiu fugir de casa. E ela simplesmente sumiu do mapa, sem contar para ninguém. E, as poucas pessoas que notaram que ela havia desaparecido, não se importaram. Nem mesmo os pais dela, porque eles consideravam Leah como uma vergonha para a família Reed. Então simplesmente deixaram ela ir.

E, depois de várias chances que eu dei ao Sean, ele nunca fazia nada certo. E eu quase desisti dele completamente. Quase.

— Chegamos. — Ele me avisa, mexendo de leve em meu ombro.

Sorrio de leve, descendo do carro e afastando aquelas lembranças. Ele me acompanha, colocando a mão de leve na minha cintura.

— Coloque a mão mais pra baixo e eu não te garanto que você sai vivo daqui hoje. — Encaro-o.

— Tudo bem. — Ele aperta mais minha cintura e me aproxima dele.

Quando conseguimos entrar, vamos passando pela multidão até chegar ao bar. Aquele não era algum tipo de casa noturna comum. Tocava músicas mais underground, bandas quase desconhecidas geralmente faziam shows aqui. O ambiente era completamente escuro, apesar da luz negra. Nunca tive certeza por causa do escuro, mas sempre desconfiei que as paredes fossem pichadas. Era completamente trash. As pessoas que lá frequentavam não eram exatamente o tipo de público considerado "normal" pela sociedade.

E talvez fosse por isso que eu gostava tanto dali. Aonde todos os desajustados se ajustavam entre si. Confesso que, no começo, foi meio difícil conseguir entrar lá sem implicarem comigo ou me barrarem, já que eu era e ainda sou menor de idade. Acabei fazendo uma identidade falsa onde constava que eu tinha 21 anos. Não preciso mais das mesmas hoje em dia, porque depois de tanto tempo, acabei conhecendo várias pessoas que trabalhavam ali. E, por isso, ninguém liga mais se ainda sou menor de idade e que isso é ilegal.

Pego uma garrafa de Jack Daniel's e entro no meio das pessoas, dançando. Sean me acompanha. Eu acho.

Notas finais
Acho que é só isso mesmo. Até o próximo capítulo. c:
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.