Notas iniciais
Boa noite! Não sei se ainda há gente do outro lado que acompanha essa história mas se sim, peço desculpas pelo meu " desaparecimento ". Nada que eu diga justifica os meses de ausência, sei disso. Só foram meses complicados para mim e escrever nunca foi tão complicado. Conto com a compreensão de vocês. A fic não acabou no capítulo 17, ela ainda tem muita coisa para ser contada. Sem mais delongas, capítulo novo!

— Alho, cebolinha, pimenta do reino, coentro. Alho, cebolinha, pimenta do reino, coentro..

_ Tadinha, ela já entrou no modo automático.

_ Você tinha que ver quando o zangado falou que os pais dela viriam, assustador! Os olhos dela dobraram de tamanho e continuam do mesmo jeito há sete horas! Parece uma máquina..

_ Ela não parou para descansar?

_ Nem um minuto. Só sei que é ela mesma, porque vire e mexe ela arqueia a sobrancelha.

_ San! Deveria ter ajudado ela!

_ E ela deixou? Ela disse que não precisava com uma faca na mão! Fiquei com medo.

_ Nunca a vi assim.

_ Ela está super apaixonada pelo zangado. Não sei o que aquele anão fez ou tem, só sei que Quinn o adora.

_ Ah, deixa ela, se apaixonar é tão bom!

_ Quinn que o diga! Outro dia passei pelo quarto dela, para ver se estava tudo bem, e ela estava sussurrando "Rach, Rach, Rach" dormindo. Estava sonhando.

_ Alho, cebolinha, pimenta do reino, coent.. Parem de falar como se eu não estivesse aqui! Afinal, eu estou.

Estava uma pilha de nervos! Eu havia chamado Rachel para passar o feriado de ação de graças comigo e ela tinha aceitado. Todavia, hoje recebi uma ligação animada dela perguntando se os pais também poderiam vir. É claro que podiam. Sabia que Santana e Brittany não se importariam. A questão não era essa, a questão era que eles eram acostumados com os mais luxuosos eventos e o que eu podia oferecer não chegava nem perto disso. Na verdade, não tinha nada de luxuoso.

Foquei em oferecer o que tínhamos de melhor. Era ação de graças, afinal!

Cozinhei o que eu sempre vira minha mãe fazendo para a Batata-doce caramelizada, purê de batata, milho refogado, pão assado, torta de maçã e, é claro, o peru.

Estava tentando arrumar a bagunça que a cozinha ficou, mas não conseguia me concentrar. Estava ansiosa para a chegada deles.

_ Tem certeza? Porque eu acho que algum alienígena te abduziu e você está sendo controlada por ele.

_ Brittany, sua namorada é muito engraçada!

As duas ficaram sem graça quando eu mencionei a palavra namorada. Santana ainda não tinha pedido Brittany em namoro, eu havia esquecido.

_ Ela é mesmo. _ Brittany comentou depois de um tempo.

Olhei para Santana, esperando que ela enxergasse também o sinal mais que claro que Brittany acabara de dar. Esperei Brittany olhar para algum lugar que não fosse para gente e movi minha boca para que ela entendesse a palavra " Hoje". Ela franziu o cenho em desentendimento. Não entendera.

_ Ah, meu deus! _ Consegui chamar a atenção das duas. _ O pedido! Me esqueci de fazer o PEDIDO!

_ Que pedido? _ Brittany quis saber.

_ Do vinho branco para mais tarde.

_ Ah, ainda dá tempo de fazer.

_ Sério?

Por mais que eu tivesse inventado a história, me lembrei que não tinha comprado o vinho.

_ Sim, alguns mercados ainda estão abertos.

_ Menos mal. _ Suspirei.

_ Deixa que eu termino de limpar. _ Santana ofereceu, vendo eu deixar cair duas tigelas vazias no chão. Ela chegou mais perto e continuou. _ Pode deixar que eu faço o pedido..

_ Obrigada, San.

_ De nada.Tome um bom banho e relaxe. Logo, logo, seu anão estará aqui e você não vai querer recebe-lo cheirando a molho de Cranberry,não é mesmo?

Eu balancei a cabeça negativamente.

_ Menina esperta! _ Piscou para mim.

[...]

Andava de um lado para o outro, não conseguia controlar minha ansiedade. Já tinha tomado banho, me arrumado _ O que não foi uma tarefa fácil, tendo em vista que nenhuma roupa ficava boa o bastante para a situação. _ , arrumado a mesa com a ceia e nada da ansiedade diminuir.

Ouvi duas batidas na porta e permiti a entrada. Era Brittany.

_ Eles chegaram.

_ Oh, meu Deus! _ Engoli em seco.

_ Ei, calma. _ Chegou mais perto de mim. _ Vai dar tudo certo!

_ Vai dar tudo certo! _ Repeti.

_ É só ser a Quinn que todos amam. Seja você.

Santana estava numa conversa com Leroy, tentando mostrar o lado positivo dos paparazzi. Ele parecia estar interessado no que ela estava dizendo, sua expressão passava isso. Meu olhar foi para a outra extremidade da sala. Na entrada da varanda, Hiram e Rachel estavam rindo de alguma coisa que passou despercebido por mim. Pouco importava o motivo, porque minha atenção estava na figura pequena.

Eles notaram a minha presença e a de Brittany, porém meu olhar não desviou de Rachel. Usando uma saia escura de tecido leve e uma blusa rosa, Rachel era a elegância em pessoa. Não estava acostumada vê-la vestida dessa forma, não que ela não se vestisse elegantemente, ela só tirou o dia para ser mais que o usual.

Ela começou a andar até a mim e todos os meus outros sentidos foram atraídos para ela. Era só ela que eu enxergava, era só ela que eu queria enxergar.. Rachel deixou um beijo delicado na minha bochecha e eu pude notar que ela não precisou ficar na ponta dos pés para faze-lo, estava usando salto. Ficamos nos fitando e quando ela abriu um sorriso, me deu vontade de cancelar tudo! Queria ficar olhando para ele, olhando para ela, até o sono chegar e me fazer pensar que foi um sonho que eu vivi..

_ Tenho que dizer que você tirou meu ar com esse vestido, você está linda. _ Ela disse para que só eu pudesse ouvir.

A proximidade dela já me causava arrepios.

_ Fico satisfeita de ter tirado o seu ar, foi um prazer. Mas eu tenho que confessar que você mexeu com todos os meus sentidos e que linda não chega nem perto do que você está hoje.

Ela abriu o sorriso que eu mais gostava, largo, espontâneo.

_ É injusto você ser linda e ainda saber usar tão bem as palavras, Quinn Fabray. Muito injusto..

Ela me beijou, dessa vez nos lábios, fazendo eu retribuir a ação. Sabia que todos na sala estavam olhando para a gente, mas, naquele instante, eu não me importava nem um pouco com o que iam pensar.

_ É nesse instante que eu tenho que interromper. _ Santana falou, nos separando sem muita cerimônia. _ Casal vinte, se comporte!

As risadas ecoaram pela sala. Hiram e Leroy, como se fosse ensaiado, vieram me cumprimentar.

_ Muito gentil da sua parte nos receber assim em cima da hora. _ Hiram disse, estendendo a mão. _ Sei que não é muito elegante, mas Rachel fala tão bem de você e a felicidade que ela irradia em fazer é tão genuína que eu e meu esposo viemos partilhar dela também.

_ Não há problema algum os senhores terem vindo hoje. É tempo de agradecer e estar em família, e os senhores terem escolhido o meu lar e o da Santana para celebra-lo é muito significativo para mim.

_ Como você é linda! _ Leroy dispensou as cerimônias e me abraçou. Eu retribui o abraço um pouco surpresa. _ Agora entendo o sorriso largo da minha filha. Faço muito gosto do namoro de vocês!

É claro que eu fiquei desconsertada com o que ele disse, podia sentir minhas bochechas quentes.

_ Papai! _ Rachel repreendeu o pai seriamente. _ Menos, por favor!

_ Deixe de ser careta, estrelinha!

Rachel tampou o rosto com as mãos e balançou a cabeça, fazendo Santana gargalhar audivelmente e ser acompanhada pelos demais. Algo me dizia que Santana usaria esse apelido de uma forma não tão carinhosa.

_ Papai, o que conversamos sobre me chamar de qualquer coisa que não seja o meu nome? Então, pode começar a fazer isso.

_ Ok, estrelinha.

_ Pai! _ jogou as mãos para o alto.

_ Não foi intencional, eu juro!

Nos acomodamos no sofá da sala e Santana abriu o vinho que ela fora buscar mais cedo. A latina estava sentada ao lado de Brittany, sendo seguida por Hiram. No outro sofá, estava eu, meio sem jeito, ao lado de Leroy e Rachel.

_ Quinn, quero te fazer uma pergunta! _ Minha atenção que estava em Rachel, voltou-se para Leroy. _ Como foi que você conheceu minha Rachel? Eu perguntei para ela, mas ela nunca conta com riqueza de detalhes. Sempre diz que te conheceu na faculdade e desconversa depois.

_ Bem.. _ Olhei para Rachel e percebi que não havia problema eu falar como tudo aconteceu. _ Na verdade, foi bom o senhor..

_ Pode me chamar de você.

_ Me desculpe, é o costume. Como eu ia dizendo, foi boa a sua pergunta porque eu e Rachel nunca paramos para conversar sobre isso. Acho que os acontecimentos posteriores tiraram a nossa atenção para este.

A atenção de todos estavam em mim, parecia que eu ía falar algo que mudaria a vida deles.

_ Rachel, você se importa? _ Perguntei ao segurar sua mão.

Ela negou com a cabeça e afagou minha mão.

_ Era um dia daqueles que você se arrepende de ter acordado. Eu acordei atrasada e tudo que aconteceu depois foi no mínimo desastroso. Depois de me arrumar e sair correndo para o campus de Columbia, um carro passou por cima de uma poça d'água e minha camisa que era branca ficou marrom. _ Eu sorri com a reação surpresa de Leroy. _ Kurt, que até então era um desconhecido, me ofereceu ajuda. Eu relutei de início a ajuda dele, afinal ele era um estranho, mas acabei aceitando. Não sei até hoje como ele conseguiu me deixar apresentável e mais relaxada para o meu primeiro dia na faculdade, mas ele conseguiu.

_ Você está falando do Kurt, Kurt? Amigo da Rachel? _ Leroy quis saber.

_ Sim, dele mesmo. Ele é realmente talentoso, Conseguiu customizar a minha roupa em minutos! Quando vi já estava maquiada e com um cardigã que eu descobriria ser de Rachel. Ele conseguiu me deixar bonita.

_ Você diz como se fosse algo impossível. _ Rachel me interrompeu. _ Acho Kurt
talentosíssimo, mas esse mérito não é dele, é seu. Você só não consegue aceitar que é incrivelmente bonita e que as pessoas te vêem exatamente assim.

Poderia negar que eu não enxergava o mundo como Rachel estava descrevendo, porém estaria mentindo para mim e para eles. Fiquei desconcertada com o comentário, era possível notar no meu semblante. Rachel afagou minha mão e pediu:

_ Continua. Estou gostando do seu ponto de vista.

_ Ok. Logo depois de me despedir do Kurt, saí em disparada para a minha primeira aula. Eu não vi, também não era fácil de ver, Rachel dobrando o corredor, acabei a atropelando com tudo! É claro que eu caí e a levei junto comigo. Eu fiquei atordoada com toda a situação e permaneci parada por um tempo olhando para Rachel. Ela disse alguma coisa, mas, sinceramente, eu não consegui dar atenção. Os olhos dela a tiraram de mim. E mesmo achando que esbarrar em Rachel foi a cereja do bolo de um dia ruim, eu percebi alguns dias depois que foi totalmente o inverso. Hoje eu vejo claramente que não foi azar, foi sorte esbarrar minha vida na dela.

_ Que lindo, Quinn! _ Brittany, disse.

Reparei que Leroy inspirou e depois soltou o ar acompanhado de um sorriso singelo. Achei, no primeiro instante, que ele ía dizer alguma coisa, porém apenas tocou meu ombro com sua mão.

Rachel, surpreendendo a todos, levantou-se e seguiu até a varanda em passos largos, fazendo todo mundo se perguntar o motivo do ato.

Embora eu soubesse que tinha que levantar e ir atrás dela, permaneci sentada no sofá. Revisei o que eu acabara de dizer e não consegui achar nenhuma frase que pudesse magoa-la.

_ Querida _ Hiram se sentou entre mim e Leroy _, vá falar com ela. Não acho que ela queira ouvir os pais agora.

_ Claro. _ Eu disse, me levantando e seguindo para a varanda.

Eu encostei a porta da varanda ao passar por ela. Estava nervosa, sentia minha respiração falhar vez o outra. Rachel estava perto da sacada, onde eu sempre evitava ficar, olhando para o horizonte preenchido por edifícios. Seu cabelo não deixava eu ver seu rosto por completo. Me coloquei ao lado dela e permaneci em silêncio.

Alguns minutos se passaram até que ela falou:

_ Da sacada do meu quarto, eu consigo ver o horizonte sem nenhum edifício ou torre para atrapalhar a minha visão. Há dias que eu vou para lá e olho, apenas olho.. Dizem que todo mundo tem algum lugar de fuga, aquele é o meu. É tão calmo e bonito.. Pacífico, como você é. _ Fechou os olhos. _ É como agora, não preciso enxergar para sentir a sua presença pacífica. Você me traz paz..

Seus lábios se curvaram para cima, transparecendo o seu pensamento. Entretanto, num piscar de olhos, eles voltaram a imitar uma linha reta.

Eu não tinha dúvidas do amor que ela sentia por mim, pois eu o sentia há todo instante. A mesma coisa acontecia com a insegurança dela, eu a sentia! Era algo tão presente na nossa relação que por vezes eu fingia não ver. Rachel era de longe a pessoa mais segura que eu conhecia, e vê-la ter crises de pessimismo, sobre o seu valor na nossa relação, me machucava.

— Queria poder te merecer.. Queria mesmo! Mas você sabe, como eu sei, que isso nunca vai acontecer. Você é boa demais para mim, pura demais para eu acabar ferran..

— Cala a boca! — A interrompi com um tom mais alto do que o meu usual. Levei minha mão ao seu rosto, guiando para que seu olhar encontrasse com o meu. — Você me merece, Rach! Não seja tola de pensar o contrário, não seja tola.. — A beijei lentamente, numa tentativa de fazê-la esquecer a bobagem que tinha colocado em sua cabeça.

— Eu não quero te magoar, não quero te decepcionar. — Abraçada a mim, disse.

— Então não me decepcione. — Apertei mais o abraço. — Você não vê o quão sortuda eu sou por você ser presente na minha vida? Não vou dizer que você é pacífica, pois você é o inverso disso. Mas aí que está, se você fosse calma, como você disse que eu sou, nossa relação mal começaria. E eu amo o furacão que você é! Por favor, me prometa que não vai duvidar do seu valor, que vai continuar fazer meu coração disparar toda vez que meus olhos ou pensamento te encontrar. Me promete, Rach?

Ela se afastou um pouco do meu abraço e possibilitou, assim, eu enxergar seu rosto. Seus olhos estavam vermelhos e sua face levemente molhada. Ela ficou me fitando e eu apenas assisti o seu ato. Seus lábios encontraram os meus tão levemente que eu só pude sentir, porque seu hálito mentolado invadiu minhas narinas.

— Eu te odeio! — Ela exclamou, me abraçando apertado.

— Eu também, Rach. Eu também..

— Elas voltaram!

Todos olharam para mim e para Rachel. Era óbvio que queriam saber o que tinha acontecido para Rachel ter saído daquela forma. Foi quando a situação estava ficando embaraçosa, que Santana, sabiamente, sugeriu:

— Eu não sei vocês, mas eu estou faminta! Ver Quinn cozinhar e não comer nem um pedaço, é frustrante.. Vamos ceiar?

— Seria ótimo! Rachel apressou a gente porque não conseguia ficar mais um minuto sem ver Quinn. Tinha esquecido os efeitos de uma paixão. — Leroy disse, ficando de pé.

— Obrigada por dizer tudo aquilo que eu pedi para não dizer. Papai, você superou as expectativas!

— Mas é a verdade! — Deu de ombros.

Me inclinei levemente e sussurrei na orelha de Rachel:

— Eu estava da mesma forma.

Ela entrelaçou sua mão na minha e a afagou de leve, deixando um sorriso escapar.

Estávamos todos sentados em volta da ceia de ação de graças. — era o meu feriado preferido. Gostava especialmente desse porque meus familiares vinham até a minha casa e tiravam a atenção dos meus pais sobre mim. — Todos pareciam animados em estar entre familiares e amigos.

Foi inevitável não pensar nos meus pais. Estava com saudades, apesar de tudo. Queria que eles estivessem sentados junto a mim e que essa realidade que nos mantinha afastados fosse passageira.

Talvez isso nunca viesse acontecer.

Rachel percebeu que eu estava distante e pôs sua mão sobre a minha. Meus pensamentos que estavam há quilômetros de distância, voltaram para Nova Iorque apenas com um toque.

— Tudo bem? — perguntou baixinho.
retribui o toque e fiz que sim com a cabeça.

— Antes de ceiarmos, eu gostaria de dizer algumas palavras. Prometo que não vou me estender. — Vi que a atenção de todos estava em mim e prossegui. — Como é tempo de agradecer, nada mais sensato que eu o faça as pessoas que me acompanham. Aristóteles costumava dizer que a amizade pode existir entre as pessoas mais desiguais. Ela as torna iguais. E vejo, olhando para vocês, que ele estava correto. São, de fato, as nossas diferenças que nos aproximam. Obrigada Santana e Britt por serem as melhores amigas que alguém pode ter. Obrigada Hiram e Leroy pela compania. E por último, mas não menos importante, obrigada Rachel por ser meu inesperado mais esperado.

Leroy sussurrou algo para Hiram, fazendo o companheiro afagar- lhe o ombro. Estava tão entretida com o ato que nem percebi os braços de Brittany me rodeando. Ela apertou o abraço e eu retribui com a mesma intensidade.

— Do Starbucks para a vida! — Ofereceu o dedo mínimo em forma de promessa a mim.

Eu entrelacei meu também dedo mínimo e aceitei a promessa que aquele gesto representava. Logo que os braços dela me deixaram, encontrei o olhar de Santana. Ela deu um meio sorriso e piscou para mim. Santana não era do tipo que demostrava suas afeições, soube disso quando a conheci. Toda via, isso não queria dizer que ela não as tinha. Era só um jeito diferente de demostrar.

Então meu olhar encontrou o de Rachel e eu o deixei namorar o rosto que um dia odiei. Se um dia eu odiei mesmo.. E olhando para ele, olhando para aquela mulher, uma felicidade me invadiu. Felicidade que nunca sentira antes! Então eu o olhava..

Sabia que o mundo continuava a girar e todos naquela mesa nos olhavam, porém não era mesmo minha intenção parar de olha-la.

Eu apenas não conseguia tirar meus olhos dela.

Nós ceiamos, rimos, ouvimos e contamos histórias. Parecia que qualquer problema que um dia viemos a ter, passava há quilômetros dali! E aquela sensação de felicidade permanecia entre nós.

Pouco a pouco às horas foram passando e as despedidas se fizeram presente. Santana sorria abertamente para todos, até com a Rachel ela estava sendo agradável. Seu sorriso aumentou quando disse que dormiria no apartamento de Brittany e eu soube que provavelmente ela não voltaria mais solteira.

Leroy estava um pouco alto quando me apertou em um abraço carinhoso. Não parava de repetir que eu era um graça e que Rachel e eu fazíamos um belo casal, o que me deixou mais sem graça que o normal. Hiram, sempre discreto, beijou minha mão e agradeceu pela noite maravilhosa que tiveram.

Foi então que eu percebi que Rachel também partiria e, de alguma forma, aquilo me pareceu errado. Pedi para que ela ficasse mais um pouco. Na verdade, me enrolei com as palavras, mas ela sabiamente terminou com minha aflição selando meus lábios, deixando a resposta positiva nesse ato.

Fomos para o meu quarto, Rachel disse que queria me mostrar algo. Ela pediu para eu fechar meus olhos, logo quando entramos. Eu obedeci com alguma relutância, não gostava de surpresas.

— Posso abrir?

Escutei o barulho de seus saltos cruzando o quarto.

— Ainda não, curiosa!

Sua voz abafada evidenciou que ela estava no banheiro ou no closet.

— E agora?

— Mesma resposta de antes.

Agora sua voz estava bem próxima a mim. Senti sua mão encostar na minha e logo a segura-la por completo. Ela me guiou até a cama e pediu para que eu sentasse.

— Pode abrir.

Quando abri meus olhos, um embrulho dourado tomou minha visão. Eu a olhei, perguntando o que era aquilo.

— Abra-o! — Me incentivou.

Eu fiz o que ela pediu. Rasguei o plástico dourado pouco a pouco, revelando o conteúdo. Quando dei conta do que era o conteúdo, levei minha mão a boca.

— Rach..

Ela terminou de desembrulhar e colocou o estojo de aquarelas mais bonito que eu já tinha visto no meu colo.

— Eu não entendo muito de pinturas, não entendo nada para ser sincera. E naquele dia que eu fiquei com febre foi porque eu queria comprar um estojo para você, mas não conseguia achar um que fosse realmente bom. Eu e Kurt procuramos por Nova Iorque inteira! Pesquisamos lojas e fomos até elas. Quando finalmente achamos um estojo que era adequado a ocasião, um idiota o comprou! Claro, tentei fazê-lo desistir, mas ele estava decido. Era a última peça, Black Friday, você pode imaginar a raiva que senti. — Seu semblante fechou quando lembrou do ocorrido. — Kurt me levou para casa e o resto você já sabe! O que você não sabe é que meu pai recebeu alguns amigos para um jantar e um desses amigos era um famoso pintor e eu acho que eu já estou falando demais!

Seu olhar indicou um envelope azul. Eu, prontamente, o abri. Numa caligrafia elegante, estava a curta mensagem:

Deixe que as cores te guiem. Com carinho, Felippo Berdine .

Com o envelope em mãos, me coloquei de pé.

— Rachel — Olhei o estojo, depois para o envelope e depois para as telas que estavam em cima da cama. —, você está falando sério? Porque Felippo Berdine é um dos melhores pintores da atualidade! Meu Deus, isso é sério?

— Claro que é sério! Contei sobre seu talento e ele disse que está ansioso para ver uma pintura sua.

— Mas como pode dizer que eu tenho talento se ao menos viu algum desenho meu?

—Simples, você nunca diria que desenha se não fosse muito boa nisso.

— Rachel, eu não me acho talentosa ..

— Vai negar que leva jeito para desenhar? — Me interrompeu.

— Não, mas não me acho talentosa para ganhar um estojo profissional do Felippo Berdine !

— Ainda bem que eu acho o inverso e ele também.

Ela levantou e ficou de frente para mim.

— Rach, não sei o que dizer..

Seu dedo indicador impediu que eu começasse.

— Sem mais pretextos, senhorita Fabray. Quero saber apenas uma coisa: gostou?

Claro que eu tinha gostado, apesar da ficha ainda não ter caído. Rachel com certeza deve ter sido bem convincente para que Felippo Berdine ficasse tão interessado a ponto de ceder seu material para uma total desconhecida.

— Eu adorei! — Segurei sua mão — Esse foi o melhor presente que já ganhei. Obrigada!

Ela abaixou a cabeça e quando voltou seu semblante estava alegre.

— Que bom que você gostou, mas não posso levar esse mérito porque ele não é meu e sim do Felippo.

— Não estou agradecendo só isso, Rach, estou agradecendo por tudo. Desde o esbarrão até agora. Estou agradecendo por todos esses dias, por hoje, por você ter feito desse dia o mais feliz que eu vivi. É por isso que estou agradecendo, por você na minha vida e Felippo Berdine não tem nada a ver com isso.

Eu mal terminei de falar e seus lábios já estavam juntos aos meus. E o que pareceu ser apenas um beijo carinhoso, acabou se tornando algo mais voraz!

Na cama, seu corpo se mantinha sob o meu. Não tinha a intenção de parar o que estava fazendo e achava que Rachel também não. Todavia, ela diminui os beijos e chiou um pouquinho ao dizer:

— Quinn, as telas.

Eu levantei um pouco , possibilitando que ela fizesse o mesmo. Ela colocou as telas para o lado e eu não hesite em beija-la novamente.

— Quinn.. — Virou o rosto, fazendo com que eu deixasse alguns beijos em seu pescoço.

— Que foi? — Perguntei, continuando a beijar o seu pescoço.

— Não que eu não esteja gostando — Me afastou com delicadeza. — ,mas está tarde e eu tenho que ir antes que a tentação fale mais alto, se é que me entende.

Eu procurei seu olhar e, com a certeza que não me era costumeira, pedi:

— Faz desse dia perfeito, Rach, dorme comigo?

Notas finais
Alguém ainda aí? Se sim, me conte se gostaram! Um bom final de semana para vocês! Beijos.