Hate Everything About You

7 Marcado - Parte II - Fuga


Notas iniciais
Lembrando que estamos em universo mágico, até reviver um morto é possível.

Drake pousou sobre o ombro de Peter, que afagou-lhe a cabeça.

– O bilhete foi entregue. Vamos avisar minha tia que está tudo pronto. – Falou o garoto, fazendo com que um leve sorriso fosse estampado no rosto de Claitae, mas ao mesmo tempo, uma certa melancolia tomou conta da garota.

– Tem certeza que esse plano irá dar certo? Eu me sinto... como se estivesse abandonando meu irmão... – Falou a elfa. Nesse exato instante Alvina foi até a garota.

– Vai ficar tudo bem pequena... mas, enquanto você estiver ao alcance daquele homem, seu irmão vai ter medo por você... ele não vai ter coragem de se voltar contra ele enquanto você não estiver fora de alcance... – Disse a humana, que junto com Nádia, já havia auxiliado várias pessoas em situações semelhantes à do irmão. Spes era um lugar contraditório — o nome da cidade significava esperança, mas a cidade era decadente, com governantes negligentes e guardas corruptos, sendo um dos pontos preferidos de criminosos ou mercadores de escravos. Poucos faziam algo quanto a isso, e quando faziam, seus esforços encontravam o contratempo da necessidade de discrição — não chamar atenção, não deixarem suas ações óbvias.

– Alvi... — A garota balbuciou.

– Shh... eu e Nádia vamos providenciar tudo esta noite. Você irá ficar com Peter e minha irmã, e eles irão no sentido contrário às cidades drow com você. Nós levaremos seu irmão até a cidade onde combinamos o quanto antes. – Falou a humana.

– Vai ficar tudo bem... – Disse o sobrinho de Alvina, acariciando os cabelos da garota.

– Pete... – Disse a pequena, chorando.

~*~

Amaess se via correndo sem direção — seu corpo doía, mas precisava correr. Precisava escapar a qualquer custo. Sua irmã estaria a salvo agora, portanto Quarfein não mais poderia ameaçá-la. Precisava continuar correndo, e essa era única coisa que tinha em mente quando entrou à primeira porta aberta que encontrou ao virar em um corredor, fechando-a atrás de si.

– Quem fechou a porta? Eu não enxergo nada! – Disse uma voz feminina. O elfo ofegava, tentando reduzir o barulho de sua respiração. Ouviu o som de um fósforo sendo riscado, e logo imagens bruxuleantes de materiais de limpeza se fizeram presentes em volta da figura mal-iluminada de Belinda, que acendia cuidadosamente um lampião. A humana logo notou o pânico nos olhos do garoto – Ah, é você... as outras garotas lhe disseram para não confiar em mim, então acho que está aqui por acaso... eu não sou dissimulada como dizem... – Falou, enquanto o garoto tremia. – Mas confiar ou não-

– Me ajuda... — Disse o elfo, quase chorando. – Por favor me ajuda... ele vai... vai... – Amaess levou a mão ao corte feito em seu peito, sem conseguir dizer o que imaginava sobre o tipo de tortura que o outro havia preparado caso sua fuga fracassasse.

– Shh... está tudo bem, eu vou te ajudar. – Disse a mulher, com um sorriso malicioso que foi oculto quando virou de costas. Sabia muito bem como fazer dinheiro com pessoas, e sabia muito bem com quais podia fazer MUITO dinheiro. Espiou pela fechadura e, ao ver que o corredor estava vazio, puxou Amaess pelo braço até um quarto da estalagem. – Esse é o quarto de um amigo meu. – Falou, empurrando o garoto para o quarto 26. – Ele vai te ajudar. – Mentiu, gesticulando para que o jovem se sentasse na cama. A humana analisou a corrente que pendia do pescoço do garoto, e então prosseguiu. – Não se preocupe, ele pode remover essa corrente para você. – Falou.

– Obrigado... mas... não está muito perto? — Perguntou o elfo, ainda amedrontado.

– Está, mas por que motivo ele lhe procuraria aqui? – Disse a humana. – Aliás, é justamente por ser perto que este é o último lugar do mundo no qual ele lhe procuraria. — Falou, enquanto o jovem tentava se tranqüilizar. Pegou um vidro contendo uma poção e entregou para o garoto. – Passe sobre os seus ferimentos. É uma poção feitas de ervas que crescem a beira da nascente de um templo sagrado, então suas propriedades de cura são quase instantâneas. Ela também vai dar um jeito na sua exaustão. – Falou, e deixou um copo com um líquido transparente sobre a mesa. – Assim que terminar beba isso. Eu irei atrás do meu amigo.

O jovem hesitou por um instante, mas então prosseguiu.

– O que é?– Perguntou.

– Nada demais, só uma bebida que vai te deixar mais calmo. — Disse a humana, trancando a porta atrás de si. O elfo estranhou aquilo, mas apenas associou ao fato de que Belinda não queria deixar o quarto de seu amigo aberto com um estranho dentro.

E, analisando melhor a situação, talvez fosse até melhor para evitar a entrada de Quarfein.

~*~

Quarfein percorria os corredores evitando fazer muito barulho, quando avistou Nádia. Não hesitou e foi até a humana, agarrando-a pelo braço. A garota se assustou, mas antes que pudesse fazer algo o rapaz estava com a faca próxima ao pescoço dela.

– Onde está ele?– Perguntou o drow.

– Do que está falando?! – Respondeu, assustada.

– O garoto que estava comigo, onde ele está?! – Disse, apertando ainda mais o braço da garota. A raiva tomou conta do semblante de Nádia.

– Eu não sei! E se soubesse não te falaria! – Falou a jovem.

– Eu sei como olha para ele. Sei que planeja ajudá-lo a fugir, a despeito do que seu trabalho exige! – Respondeu Quarfein, apertando o braço dela ainda mais.

– Eu não sei onde ele está. – Disse a garota. – Assim como eu aposto que você sequer sabe o nome dele.

O silêncio imperou por alguns instantes.

– E não preciso saber. Ele não passa de um brinquedo. – Respondeu o drow, reprimindo algo de estranho que sentira.

– Não me admira que ele tenha fugido de forma desesperada. – Disse a humana. Um tom preocupado tomou conta da voz dela. – A única coisa que me preocupa são as possibilidades dele cair nas garras de alguém ainda pior que você, se é que isso é possível.

Quarfein notou que a humana realmente não estava mentindo e a soltou, se afastando e fazendo perguntas às pessoas que encontrava, mas nenhuma delas parecia ter visto o elfo. Uma voz em sua mente insistia em gritar "se qualquer coisa acontecer com ele, a culpa é sua."

~*~

Notas finais
Não irei fugir se deixarem reviews, a menos é claro, que sejam ameaças de morte -Q