Harvest Of Life
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Foi quando um som mais alto passou pelos meus ouvidos, me assustei de novo, mas não me importei, achei que deveria ser só mais outro bicho. Mas então, olhei pra cima e vi algo caindo sobre mim. Era uma pedra, a qual me esmagou, me deixando inconsciente no chão.
Minha cabeça doía, era uma imensa dor na parte interna dela, e que não parava, era como se ela estivesse prestes a explodir a qualquer momento, como uma bomba, ou até uma dinamite. Acordei com uma voz.
- Preciso te tirar daqui, coopere! Vamos! Faça força e me ajude a te tirar daqui! — eu estava sendo carregado, não sei por quem e nem para onde, mas logo desmaiei uma segunda vez, não conseguindo ver o rosto da pessoa.
- Senhor fazendeiro? Fazendeiro? — uma voz fina estava ecoando em minha cabeça, a qual ainda doía — O que o senhor faz aqui? Você dorme aqui? — com muito esforço consegui abrir, pelo menos um pouco meus olhos e mesmo sendo difícil consegui ver quem estava ali — Por que todas essas caretas senhor fazendeiro? O senhor 'tá' machucado? Quer que eu chame o meu avô? — Era Young, neta de Jean, dono da fazenda Morty — Já to voltando senhor fazendeiro, não saia daí.
E adormeci outra vez.
- Billy? Vamos Billy! Acorde! — Pude perceber que era a voz de Hayley, estava com a cabeça sobre meu torso, e estava aos prantos — N-Não quero perder você também! — "Perder você também"? O que ela quis dizer com isso? Ela achava que estava me perdendo? Que eu estava morrendo ou que... eu estava morto? E se eu estivesse? Não, se eu estivesse não poderia ouvir estas coisas, eu não estaria aqui. E havia outra coisa que me intrigava. "Também". Seria possível ela já ter perdido alguém? — Vamos, Bill! Abra os olhos! Dê algum sinal de vida! — fui interrompido de meus pensamentos pela voz dela, e tentei abrir os olhos — Ah, santa deusa da Colheita! Obrigada! Billy! Você está vivo!
- Érm... acho que sim — tentando dar um sorriso, o que falhou.
- Você está bem!?
- Apesar de ter sido soterrado por várias pedras e destroços e minha cabeça estar latejando de dor, e estar com dores no corpo inteiro, estou sim — falei tentando ser um pouco sarcástico, o que fez ela rir.
- Coitadinho...! — e fez uma cara de pena, olhando pra mim — e aliás, pare com isso, você está fraco, não fale muito, guarde o máximo de força que puder, para ajudar você a se recuperar, então, fique quieto!
- Mas não foi você que começou a conversar comigo!? — ela me olhou com uma cara de bravo, e virou o rosto.
- Xiu! — fez um barulho se afastando de mim, indo sentando em uma cama ao lado da onde eu estava e a partir disso percebi que estávamos na clínica do doutor Yank, e sua assistente Mia, vinha até mim, com um remédio para me dar — Só vou até o mercado do meu pai comprar alguma coisa para você, que deve estar com fome e já volto, se comporte! — e era verdade, minha barriga estava roncando muito.
- Ah, que bom, o senhor acordou! — Mia veio até mim com um sorriso enorme pregado no rosto, e tive a impressão de ter sussurrado alguma coisa como "agora não vou mais precisar forçá-lo a tomar seus remédios" mas nem dei bola — Aqui está senhor, o seu remédio da manhã, tome todos, não deixei nenhum, pois essa é a última dose, e hoje ao fim da tarde já receberá alta e poderá ir embora.
- Espera, há quanto tempo eu estou aqui? — virei um pouco a cabeça, confuso e perguntei para Mia.
- Há uma semana senhor. — uma semana. Eu estava inconsciente há uma semana. Não era tanta coisa assim não é? Eu tinha perdido só algumas coisinhas, e pelos meus cálculos, hoje era dia 3 de verão, tinha perdido apenas um festival, o Dia da Praia, não era muita coisa, eu poderia participar ano que vem.
- Estou de volta Billy! — e mais uma vez fui interrompido de meus pensamentos. — Ele deu trabalho, Mia?
- Nem um pouco.
- Que bom! Pode deixar que de agora em diante eu cuido dele, pode ser? Não precisa se preocupar, minha mãe era médica e me ensinou algumas coisinhas. — Era. Por que ela tinha usado o verbo ser, no pretérito? Talvez ela tinha mudado de profissão. — Vamos Billy, tome seus remédios, ou será que vou ter que fazer aviãozinho com eles? — e riu.
- Eles tem um tom de cor estranho. — um dos comprimidos era azul com uma listra vermelha no meio, o outro era amarelo. Não me sentia bem engolindo aquelas coisas, apesar de já ter tomado várias vezes, mas era diferente, antes eu nem percebia, estava desmaiado.
- Não importa, vamos! — e fui forçado a colocá-los na boca e engolir. Tinham um gosto meio amargo, junto com um gosto seco, como se ele não fosse passar pela minha garganta, mas consegui.
Após isso tomei banho, um pouco com dificuldade pois minhas costas doía e estava sendo um pouco difícil me manter de pé. Tive que ir até o boxe do banheiro na clínica, me apoiando sobre as barras de proteção que ali tinha.
Já era de tarde, estava quase anoitecendo, a lua estava começando a surgir do lado esquerdo da cidade, já era possível observar algumas estrelas no alto, o céu estava limpo, sem nenhuma nuvem, então estavam visíveis bastantes estrelas. Tinha algumas que quase formavam uma vaca, faltava apenas uma parte do corpo dela. Outras, um pouco mais longe, formava a cara de um cachorro, parecia ser um bulldog. Hayley, com a ajuda do prefeito, estavam me levando de volta para minha fazenda. Eu me apoiava sobre eles, com meus braços atrás de seus pescoços, e eles com seus braços dando uma volta em minha cintura. Hayley estava com uma cara emburrada me olhando, ela provavelmente estava brava comigo por algum motivo que não eu sabia qual. Após algum tempo chegamos na minha residência, e eles me deixaram em casa.
- Precisa de mais alguma coisa, sr. Billy? — o prefeito perguntou, me dirigindo a palavra.
- Bem, acho que não. — olhei pra baixo, e vi o rabinho de Mark debaixo da cama, deveria estar dormindo ali. — obrigado por se preocuparem tanto comigo, aprecio estes gestos.
- Ora pois, só estamos fazendo o nosso trabalho, de cuidar dos habitantes de nossa vila. — o prefeito sorriu, e disse rindo, em um tom de empolgação.
- E o senhor pode ir pra casa prefeito, qualquer coisa eu te chamo, se algo acontecer. Eu vou ficar aqui com ele por essa noite, caso ele precise de algo. Não precisa se preocupar. — eu olhei para Hayley e vi aqueles olhos azuis cintilantes, aquela pinta que ela tinha um pouco abaixo de sua pálpebra, o seu sorriso que ia de uma orelha à outra, a cicatriz que ela tinha em seu pescoço, as roupas que ela estava vestindo naquela noite, uma blusinha vermelha, um casaquinho branco, uma calça jeans e um tênis all star cinza, o colar que ela usava, era feito de contas, uma pulseira de ouro com uns pingentes de símbolos, que provavelmente significavam alguma coisa. Como nunca havia percebido no jeito que ela arrumava o cabelo, deixando uma franja caída sobre a testa, o pouco de vermelho que tinha nas pontas. Nunca havia parado pra pensar no tanto que Hayley se importava comigo, no tanto de vezes que ela já me ajudou, no tanto de vezes que ela já fez algo por mim, no tanto que ela me amava.
- Aah, muito obrigado! Agora vou me retirar, pois tenho muita coisa ainda pra fazer, muita coisa pra resolver sobre os negócios da vila. — depois que ele saiu, nos deixou sozinhos no meu quarto.
- Hmm, Hayley? Se você quiser, não precisa ficar aqui, pode ir fazer o que você tem pra fazer.
- Não, Billy, eu quero ficar aqui com você — ela disse sorrindo — Mas por que tenho a impressão que você não me quer aqui?
- Não é isso, é que você sempre tá perto de mim, se importando comigo...
- Mas eu me importo mesmo com você. Eu... eu te amo. — ela estava totalmente corada, parecia como um pimentão, e então comecei a rir — Sério? Eu aqui morrendo de vergonha, me matando pra te dizer isso, e você ri?
- Desculpa, eu também te amo, e muito.
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