Notas iniciais
Aah, não acredito que consegui fazer dois capítulos em um só dia, e um foi grande *_* então, espero que gostem, até o final do capítulo!

Verão — 20

- Tenho que me apressar, não posso demorar muito — pensei alto, enquanto ia para o supermercado encontrar Hayley — Já estou atrasado. Também ninguém mandou ir dormir tarde, bocó — e comecei a correr, mesmo um pouco cansado.

Aquela era a tarde em que eu iria propor Hayley em casamento. Vocês devem estar pensando que ainda é muito cedo e bla, bla, bla. Eu sei, eu sei. Mas o que eu posso fazer? Acho que agora é o momento certo. Mesmo que eu só tenha 22 anos... eu nunca tive m relacionamento tão sério assim, como esse. Jà tive outras namoradas sim, mas eu nunca gostei delas do jeito que gosto de Hayley agora. E eu tenho certeza que depois, não vou me arrepender de nada. Tudo vai ser perfeito. E já que eu já tinha expandido minha casa, já tinha uma cama de casal, então daria tudo certo. Hayley e eu moraríamos lá na minha casa na fazenda, dormiríamos juntos, teríamos um filho pra cuidar, se chamaria Theo, já tínhamos pensado em tudo.

Tudo mesmo.

Quando vi que já estava em frente ao mercado, bati na porta.

...

Esperei alguns segundos e bati de novo.

...

Nada, esperei mais um pouco e bati mais uma vez, dessa vez com mais força para tentar fazer o barulho sair mais alto.

...

Mas ninguém apareceu, desci as escadas da varanda, e olhei a plaquinha que tinha na frente do lugar:

Supermercado do Ouro

Fechado dias de quinta e domingo

Aberto das 9hrs até 5hrs

Peguei meu celular no meu bolso, desbloqueei a tela, procurei o icon calendário, e abri.

- Hoje é dia vinte... — e procurei pelo número — Quinta-feira, ótimo.

Perfeito. Eu tinha me esquecido que hoje era quinta e o estabelecimento não abria. E ainda mais que eu não tinha dito para Hayley que iria encontrá-la, queria fazer surpresa.

- Onde será que ela está...? — e saí andando, olhando para baixo, focando em minhas lembranças, tentando achar algum arquivo em minha cabeça, onde ela falava para onde ia nesses dias. — Mo... topo... topo? Topo... alto, tem algo a ver com alto, muito alto. Topo e alto, topo alto, alto topo, montanha... — as palavras cada vez iam chegando — topo da montanha! É isso!

Comecei a andar para a floresta, apressando o passo. Eu estava meio desengonçado, estava nervoso para fazer o pedido, então tropeçava em qualquer coisinha que aparecia na minha frente no chão. Então achei melhor andar normal, sem pressa, sem correr. Enquanto andava, pensava em formas de começar uma conversa com ela, sobre o assunto. Me vinha umas ideias sem sentindo, umas conversas nada a ver, resolvi desistir, e deixar que na hora, eu improvisasse, deixar que a conversa fluísse, assim, do nada.

Eu estava no meio do caminho, quase, estava no começo da floresta, dali, eu teria que passar em frente o lago e a mina, atravessar uma ponte e subir um pouco, que eu chegaria. Segui este caminho, e logo já estava no topo, e já pudia avistar Hayley na ponta.

O topo da montanha era da forma de um bico, e era envolto por uma cerca de madeira, o chão ali era seco mas tinha alguns pedaços de grama, onde cresciam flores, e alguns pedacinhos de galhos que pareciam ser mudas de árvores. O lugar atraía bastante aves, principalmente sabiás. Ainda por cima, que ali tinha um espacinho com um recipiente com sementes.

Hayley estava mais na frente quase encostada na cerca, e olhava para o céu, quando ouviu um barulho e olhou pra trás, sorriu e se dirigiu a palavra:

- Eu gosto bastante daqui, me ajuda a pensar com mais calma sobre tudo, sobre você, minha família, tudo que estou tendo problemas, e sempre consigo achar uma forma de resolvê-los, de vez em quando me contato com alguns bichos que aparecem por aqui. Agora mesmo estava brincando com um esquilo que aparecera, à procura de comida, e como tinha um noz no bolso, eu dei para ele, e assim nos tornamos amigos, ele gostou de mim, subia em meu pescoço e em minha cabeça e ficava andando mas então ele foi embora, como sempre, todos iam embora. Sábado passado eu tinha feito amizade com um tamanduá. Ele seguia uma fileira de formigas, que andavam por aqui. Mas então, ele partiu. Não vi mais ele. O mesmo aconteceu com um filhote de raposa — ela falava olhando pra mim, com um olhar de tristeza e continuou — outro exemplo também, Bill, foi a minha mãe — a mãe dela!? O que a mãe dela tinha a ver com isso? — mas ela foi diferente, ela não foi embora do nada, não foi embora por pura vontade. Eu a fiz ir embora, eu... eu fui o motivo dela ter ido embora, eu briguei feio com ela num dia, e no outro ela não estava mais em casa, tinha ido embora, suas roupas não estavam mais no guarda-roupa, estava faltando uma mala no armário, e tudo que pertencia à ela, não estava mais na casa, ela simplesmente tinha ido embora sem dar explicação, nunca tivemos nenhuma informação sobre o desaparecimento, nem a polícia nem ninguém, mas o caso dela não vem ao caso, eu já superei. O que me intriga e o que me fez estar aqui pensando desde cedo, foi se você também iria agir como os outros, se você também iria me abandonar como todo mundo fez — eu apenas a observava dizer tudo aquilo na minha frente — eu sei que você gosta mesmo de mim, que você me ama ou seja lá o que for, mas... todos são iguais não são? Todos fazem a mesma coisa. Passa um tempo com a gente, forma um sentimento de amizade ou de até amor com a gente, mas depois, quando tudo está perfeitamente bem, perfeitamente maravilhoso, a pessoa simplesmente vai embora. Você deve estar me perguntando sobre o meu pai. Ele também provavelmente não demorará muito para me abandonar — ela estava aos prantos dizendo tudo isso — então, já que você vai embora, vá agora, me deixa agora — estava começando a falar em um tom mais alto — Billy... por favor, não vá, fique aqui comigo, por favor, não vá embora como fizeram os outros — ela caiu de joelhos no chão e corri até ela também me ajoelhando em sua frente — por favor Billy...!

- Eu não sei porque você está pensando nessas coisas, como começou tudo isso, mas fica tranquila Hay... eu nunca vou te abandonar, eu falo sério, você é o amor da minha vida, como posso deixar uma moça tão bonita como você? Me diz, como? Você tem tudo Hayley, tudo para me fazer feliz, tudo para me alegrar, você é perfeita aos meus olhos. — falei sorrindo para ela, tentando levantar seu rosto e fazê-la olhar para mim.

- Você me diz Bill, como eu posso saber que isso é verdade, que você nunca vai me deixar, que você vai ficar comigo pra sempre, até que a morte nos separe? Como você pode me provar que vai passar o tempo todo ao meu lado, cuidando de mim, se importando comigo, me paparicando, fazendo de tudo para me deixar cada vez mais feliz? — seus olhos estavam vermelhos, muito vermelhos devido ao seu choro. Era com muito esforço que ela conseguia conversar comigo enquanto chorava — agora eu preciso que você me dê essa resposta, Billy. — eu vasculhei em meus bolsos da calça e tirei dali um embrulhinho.

- O que é isso? Presente? Você acha que poderá me provar, com míseros presen~

- Apenas abra — a interrompi, entregando-lhe a caixa.

- Ah, tanto faz — ela abriu o embrulho, levantou a tampa da caixinha e viu o que tinha ali — Billy, santa deusa da colheita! Você... você... — eu tinha dado à ela a blue feather, o pedido de casamento tinha sido improvisado, como deixei que fosse.

- Hayley Summers, com toda minha sinceridade, com todo meu carinho, lhe peço, aceita se casar comigo? — falei olhando diretamente em seus olhos. Mesmo chorando, ela estava linda.

- Billy... espera, como você sabe meu sobreno... — ia me perguntar, mas se interrompeu — ah, tanto faz, eu aceito, é claro! Mas... temos que conversar com meu pai, não é?

- Ah claro, vamos lá, cadê ele? — perguntei me levantando, e estendendo a mão para ajudá-la a se levantar também.

- Érm... pra falar a verdade eu não sei, mas acho que no bar, vamos lá, mas deixa eu só pegar um lenço — falou, mexendo em sua bolsa.

- Aqui, deixa que eu te ajudo — e limpei seus olhos com um lenço que ela havia me dado.

Chegamos no bar e o pai da Hayley estava lá, sentado numa banqueta, em frente o balcão. Estava bebendo refrigerante. Ele não tomava álcool, nunca havia tomado.

- Pai...? — Hayley dirigiu-lhe a palavra, mas ele não pareceu escutar.

- Sr. Summers? — chegamos um pouco mais perto e ouviu.

- Olha só, Billy e Hayley! O que querem? Sentem-se.

- Acho melhor não pai, que tal irmos lá pra casa? Precisamos conversar com o senhor em particular.

- Iiih... o que fizeram dessa vez, hein? — perguntou revirando os olhos.

- Então, senhor Summers, eu... não sei como te explicar muito bem, então chegarei direto ao ponto, — falei, já no quarto de Hayley — hoje mais cedo, eu pedi Hayley em casamento! — senti um grande alívio no peito.

- Casamento...? — santa deusa, era o que eu temia, ele vai começar a gritar, falando que a gente é muito novo pra isso, que a gente tem é que aproveitar a vida, vai falar um monte no meu ouvido e no da Hayley, e por fim vai me despachar, proibindo o nosso namoro — Que coisa boa! Não via a hora para você desencalhar, minha filha! — ou não.

- É-é isso? Você aceita? Quero dizer, você apoia o nosso casamento? — perguntei gaguejando para o pai dela.

- Mas é claro! Mas olha só, eu vou confiar seriamente em você Billy. Se algo acontecer com minha filha, a culpa será totalmente sua. Eu quero que ela seja mais feliz do que já é. Quero que ela seja mais feliz ao seu lado do que ao meu. Está entendendo? Se alguma vez, você machucar ela, seja no sentido físico ou psicológico, eu vou te 'caçar' até você se lamentar bastante. Estamos entendidos?

- S-sim! — eu já esperava por isso. Todos os pais falam isso.

- Muito bem. Agora vão aproveitar enquanto vocês tem esses segundos de namorados, vão! A vida é melhor quando não se tem compromissos sérios. Quem sabe vocês até mudam de ideia, e desistem dessa história de casamento não é? — disse com um enorme sorriso sarcástico no rosto.

- Pai...!

- Estou brincando, estou brincando! Podem ir. E Billy, lembre do que eu te falei: tristeza, caça, até se lamentar muito. — disse cerrando os olhos para mim.

- Vamos lá marcar a data do casamento com o padre, Billy! — Hayley disse, me puxando pelo braço.

Notas finais
Me diverti escrevendo esse episódio :3 Então, reviews?