Harukaze

40 Capítulo 40


Notas iniciais
Boa leitura!

Harukaze

Capítulo 40

No mesmo caminho de sempre, onde os ventos sopram
eu posso me encontrar com você.
Os pequenos sentimentos se encaixam com os
pensamentos,
esperando silenciosamente para que se derretam

Haru andava de um lado para o outro, a unha do polegar presa entre os dentes. Sua mãe era teimosa demais e não havia forma de colocar um pouco de juízo na cabeça dela, porém, ainda assim, ele se sentia orgulhoso por ser filho dela. Tsuhime sempre fora uma pessoa impulsiva, que agia antes de pensar e apenas depois avaliava seus atos, e Haru também era assim. Em seus treinamentos na Academia escutava Iruka falar para bolar estratégias e analisar a situação antes de partir para a ação, coisa que o menino ouvia e não levava o menor jeito para seguir. Entretanto, ele sabia melhor do que ninguém que a pessoa mais indicada para esse tipo de coisa era Hideki, afinal o amigo tinha um cérebro que pensava por todos.

E, embora ainda não fosse um Gennin, Haru sabia que havia crescido e aumentado suas habilidades com o Sharingan. Contudo, não era o suficiente ainda. Treinava escondido de Kakashi e dos amigos a fim de se aperfeiçoar e entender como ele funcionava. E uma de suas surpresas foi apenas com seis anos saber dominar o genjutsu, cujo na primeira vez em que seu Sharingan despertara atingira a mãe inconscientemente. Não que tivesse oportunidade de utilizar o jutsu com frequência, porém essa se mostrava uma abertura.

Olhando as pessoas ao redor ele percebeu que muitas apenas aguardavam que os ninjas vencessem o invasor e pudessem voltar as suas vidas. E ele não se enxergava naquele meio. Ele queria fazer algo, embora fosse arriscado. Sua mãe saíra do abrigo para procurar por Kakashi e seu dever era seguir os passos dela. Ele tinha a arma secreta para ninguém notar que ele saíra, só precisava certificar que funcionasse com igual perfeição. E iria, mesmo que ele gastasse energia demais.

Haru jamais tentou usar o genjutsu com mais de duas pessoas e ali, pelos seus cálculos, deveriam ter duzentas sem contar os chunnins de guarda. Mas tinha que tentar. Mita tentava acalmar o bebê, o choro já estava estressando Haru e, foi nesse meio tempo que ele notou que Aburame Saga também fazia parte do cenário. Talvez pudessem ir juntos, já que Hideki e Souma deveriam estar em outra ala e encontrá-los agora seria impossível. Só tinha Saga como opção. Aproximou-se do menino e sentou-se ao seu lado, tocando seus ombros levemente, conquistando a atenção dele.

As lentes escuras impediam de visualizar a verdadeira cor dos olhos dele, porém Haru não se importava com isso agora. A única coisa que lhe interessava naquele momento era ouvir de Saga um sim. Viu um inseto passear pelo ombro esquerdo dele e tentou não achar aquilo estranho. Aprendera que cada um tinha suas habilidades e que deveria respeitá-las, assim consequentemente se completariam.

— Saga... — Ele iniciou baixo, apenas para que garoto ouvisse. — Preciso da sua ajuda.

Aburame Saga ergueu as lentes para Haru e ele foi incapaz de ver o que ele queria dizer. As sobrancelhas finas se franziram em expectativa e ele assentiu para mostrar que escutava.

— A gente deveria ta lá fora, ajudando nossos pais. Somos ninjas! Ficar escondido aqui não prova nada.

— O que quer provar? — Saga retrucou, interessado. Yatsuki Haru sempre foi um menino diferente aos seus olhos, que sempre estava cercado de amigos e que não aceitava alguém de fora da roda.

— Que a gente também pode lutar. Não quer proteger sua família? — Os olhos negros de Haru brilhavam, transmitindo toda agitação. Saga tinha que ir com ele. — Posso tirar a gente daqui.

— Só nós dois?

— É isso aí, parceiro!

Vendo Saga assentir, Haru ativou o Sharingan e se concentrou em colocar todos dentro de um genjutsu. Mostrava a eles que nada havia mudado, que todos ainda estavam em seus lugares enquanto se esgueiravam pelas pessoas e saíam pelo corredor mal iluminado. As velas ameaçavam se extinguirem, suas sombras tremeluziam com a corrida. Haru não tinha medo do escuro, e ficou feliz ao constar que Saga também não. Eles apagaram as velas, ocultando suas presenças dos ninjas de guarda. Haru foi rápido para colocá-los para dormir e logo ambos corriam o mais rápido que suas pernas infantis conseguiam.

Aburame Saga era alguns meses mais novo do que Haru e um pouco maior também, e com aquela aparência pesada se fundia com a escuridão. Em um movimento rápido Haru sentiu sua mão ser agarrada e seu corpo ser impulsionado para frente com mais velocidade. Sorriu para Saga e aceitou, logo eles desciam a escada em espiral, seus pés se chocando contra o concreto. Um grupo de ninjas se prostrava na entrada com kunai, espadas e shurikens em mãos, alertas a movimentação do lado de fora e prontos para qualquer ataque. Haru fez menção em ativar seu genjustu, porém Saga fez um gesto negativo.

— Deixa que eu cuido disso. — Saga rebateu e estendeu a mão para frente, invocando seus insetos. Os kikkai obedeceram à ordem de seu domador e atacaram os ninjas em um enxame, cobrindo-os. Imediatamente Saga sentiu o chakra do inimigo passando para seus insetos. — Vamos.

Haru deixou os ninjas gritando em agonia, tentando afastar os insetos, e avançou com Saga para fora. Konoha estava devastada, ele mal reconhecia as ruas ou os lugares que frequentavam. Seu coração vacilou uma batida com a óbvia constatação de que realmente estavam em guerra. Quando decidira sair do esconderijo e se arriscar ele jamais cogitou que o estado fosse crítico. E sua mãe estava em algum lugar daquele cenário.

Atingiram o centro de Konoha, o que não era diferente dos outros lugares. O Ichiraku Lámen, local onde se divertiu muitas vezes com Naruto, não passava de um punhado de madeira queimada. Tigelas quebradas, bancos e panos também compunham a cena e Haru desviou o olhar, concentrando-se a sua frente. Um sinal de fumaça subia aos céus e assim que seus olhos encontravam com os de Saga eles decidiram que deveriam ir até lá. Entretanto, a caminhada foi cortada quando ninjas estranhos o alcançaram, cercando-os. Haru juntou as costas com a de Saga e sacou uma kunai, posicionando-a na frente do peito.

— Ora, ora, criancinhas. — Um deles desdenhou. Haru analisou o rosto com uma cicatriz na vertical, o colete era da cor do céu após uma tempestade e o hitaiate dizia que ele era um ninja da Aldeia da Grama. Os olhos maldosos sorriam de satisfação. — Vamos nos divertir um pouco com vocês, então.

Antes que os dois pudessem fazer qualquer coisa algo rápido atingiu o homem pelas costas, derrubando-o de cara na areia. Assim que Haru e Saga se recuperaram da surpresa, o Yatsuki sentiu seu estômago revirar agitado. Os cabelos esverdeados esvoaçavam com o movimento repentino, os olhos rosáceos e divertidos inspecionavam os outros ninjas em desafio e Haru ainda se encontrava surpreso para esboçar qualquer reação.

— Saiyuri! — Depois de algum tempo ele finalmente disse, recebendo um sorriso da menina. — O que está fazendo aqui?

— Dando uma forcinha. — Ela piscou, armando guarda ao ver o ninja se erguer. Juntou-se aos meninos, sacando uma shuriken da bolsa ninja. — Olá, Saga.

— Oi. — O Aburame respondeu baixo, incomodado com a presença dela ali, embora não reclamasse.

Haru tentou não aparentar o quanto a interação deles o desagradava.

— Isso não é lindo? — O ninja da Grama bateu a poeira da roupa. — Veio morrer com eles.

O olhar de Saiyuri ainda tinha aquele brilho intimidador e juntos eles atacaram. Haru cortou o da esquerda com a kunai na altura do estômago, Saga invocou seus insetos para absorverem chakra e Saiyuri atirou suas shurikens. Embora os três fossem familiarizados com seus poderes, os ninjas da Grama eram mais experientes e revidaram, levando-os a se distanciarem dos outros. Haru acabou próximo ao campo de treinamento 1, e de repente o local lhe pareceu uma péssima escolha. Como ele poderia usar o Katon? Ele provavelmente destruiria o campo.

— Pense, Haru, pense!

— Não vai escapar de mim, Uchiha.

— Eu não sou um Uchiha! — Haru sentiu cada célula de seu corpo reagir e partiu para cima do ninja.

Jogou shurikens e desviou de armas e golpes, prevendo cada movimento devido sua kekkei genkai. Essa era a única coisa boa que Tobi lhe dera. Em uma dada distração de seu adversário Haru fez selos de mãos e sentiu o poder irradiando de seu corpo, pronto para ser liberado.

— Katon: Goukakyuu no jutsu!

De sua boca uma forte rajada de fogo saiu, acertando em cheio o seu alvo. E por mais feliz que estivesse Haru não pôde deixar de dobrar o corpo e apoiar as mãos nos joelhos. Sua respiração falhava devido a seu uso de chakra anterior e o chateava saber que ainda precisava de treino. Olhou para frente, vendo Saga e Saiyuri lidando com os inimigos e os dois tinham movimentos excelentes e mal aparentavam estar cansados. Quando findaram, vieram ter com ele e Haru odiou o brilho de preocupação que perpassou os olhos de Saiyuri.

— Aqui! — Ela estendeu um comprimido amarelo a Haru. — É um remédio, vai te dar energia.

— Onde conseguiu? — Saga perguntou primeiro, enquanto a menina oferecia água a Haru.

— Isso não é importante, certo? A gente precisa sair daqui antes que mais alguém chegue.

— Lá... — O Yatsuki apontou para a linha de fumaça, que começava a se dissipar. Agora era apenas um fio fino e espaçado. — Preciso chegar lá.

— Por que quer atravessar metade de Konoha? — Saiyuri interrogou confusa. — Mal acabamos aqui e...

— Minha mãe. Tenho que encontrá-la. — Ele endireitou a postura, sentindo o efeito do comprimido. Além de bonita, Saiyuri era uma menina precavida. E se deu conta de que Saga também tinha essa confirmação.

(...)

Os braços de Shino se fecharam em torno da cintura de Tsuhime, aceitando o corpo contra o seu e dissipando as distâncias. Embora fosse prazeroso tê-la tão perto, o ato foi regado de suspeita no momento em que seu chakra foi sendo extraído com uma voracidade absurda.

Os lábios de Tsuhime se moviam com destreza e agilidade, não permitindo que ele se afastasse. Ela não tinha sequer certeza de que aquilo funcionaria após perder todo o chakra para o Selo Amaldiçoado, mas ela precisava tentar. Seu lar estava em guerra e sua família corria perigo, era sua obrigação se igualar a eles e lutar, mas não adiantaria apenas força bruta. Jutsus seriam essenciais e se tivesse tido mais tempo teria tentado a técnica de absorção com Kakashi.

E a frustração começava a abatê-la quando, em uma fração de segundos, sentiu suas linhas de chakra se inundarem. Lágrimas vieram a seus olhos e ela abraçou Shino mais forte, agradecida por ele estar ali. Por tê-la protegido e por ter sido paciente. Sabia que causava dor a ele, porém não poderia se separar dele agora que seu chakra se refazia. Devagar, mas já era um começo. A guerra, as explosões, os mortos... Tudo ficou além de sua barreira de proteção e sua mente se concentrava apenas no que fazia, aguardando pacientemente que o poder percorresse todas as suas linhas.

Segundos se transformaram em minutos e quando finalmente Tsuhime se afastou, Shino caiu de joelhos no chão e arfando. O suor se juntava na testa dele e a Yatsuki se abaixou, segurando o rosto dele entre as mãos. Sorria para ele e secou-o, não se importando em como ele a via agora. Essa era a verdadeira Tsuhime, que o privou de aguentar sessões como aquela, que o livrou de um peso maior, que amava outro homem e se via perdida entre as sensações do beijo que trocara com Shino. Não o de agora, e sim o anterior.

Sentiu-se com dezesseis anos novamente, de volta àquele dia de primavera que fora testemunha do quanto amara Aburame Shino.

— Desculpe-me, Shino. — Ela disse melodiosa, notando o quanto ele tinha dificuldade para respirar. — Eu sinto muito mesmo.

— Sente? — Uma terceira voz se juntou a eles e Tsuhime ergueu-se em um salto. Seus olhos observavam o quanto o semblante dele estava contorcido em raiva e desgosto.

— Kakashi, eu posso explicar. — Ela caminhou para ele, porém Kakashi recuou. — Não foi nada disso que está pensando.

— Mas parece que é sim, Tsuhime. — E aquela era a primeira vez que ele falava seu nome com tamanha frieza. — Não sou necessário aqui, você está bem protegida.

— Kakashi! — Tsuhime gritou, segurando-o pelo ombro antes que partisse. — Espere, isso foi...!

— O quê? — O ninja copiador se desvencilhou do contato, irritado. O olho com o Sharingan exposto causava calafrios em Tsuhime. — Escolheu um ótimo momento. Ele é o homem que Tobi usou para te enganar?

— Por favor, aqui não. — Ela pediu chorosa, ressentida. — Podemos discutir isso depois, mas acredite: Não é o que está pensando. Olhe para Shino, você conhece esses sinais!

Kakashi olhou momentaneamente para o Aburame, não conseguindo se demorar muito mais. É claro que ele conhecia aqueles sinais, afinal, os sentira na pele. Entretanto isso não mudava o fato de que Tsuhime havia beijado outro homem, que havia feito aquilo com alguém que não fosse ele. Suas mãos se fecharam em punhos trêmulos e antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, uma voz conhecia soou atrás deles.

— Mamãe! — Haru vinha correndo acompanhado dos amigos e se chocou nos braços de Tsuhime. — Achei você!

— O que está fazendo aqui, Haru? Disse para ficar no abrigo. — Tsuhime interrogou surpresa e irritada, embora feliz por vê-lo bem. Logo o menino abraçou Kakashi também.

— Eu precisava ver como você estava.

Apenas agora Tsuhime percebeu que o filho não viera sozinho. Um garoto idêntico a Shino se ajoelhava na frente dele, perguntando se ele estava bem e recebeu apenas um aceno de cabeça. Um pouco mais afastada encontrava-se uma menina bonita e ela sorriu.

— Este é Aburame Saga e esta é Saiyuri Fuu.

Saiyuri? Tsuhime questionou-se em pensamentos, lembrando-se da conversa que Haru tivera com ela quando estava em coma. Então essa é a famosa Saiyuri? Embora a situação exigisse firmeza, ela não pôde conter um sorriso. Após ouvirem a história do grupo, Tsuhime não fizera menção alguma em contar a novidade. A situação não era apropriada e ela não queria atiçar ainda mais a raiva de Kakashi, que evitava contato visual com ela. Ao final, decidiram que as crianças deveriam voltar ao abrigo.

— Eu faço isso. — Shino se prontificou, levantando-se. Seu corpo ainda se encontrava pesado e dolorido, mas ao menos essa tarefa conseguia executar.

— Obrigada. Haru, vá com ele e não saia novamente, entendeu? Seu pai e eu temos coisas a fazer.

— Eu sei, mãe. — Haru a abraçou apertado, escondendo o rosto na volta do pescoço dela. — Fiquei muito feliz em saber que está bem. Você também, pai. Tomem cuidado.

Kakashi e Tsuhime observaram as crianças seguirem Shino, até que não alcançassem mais o campo de visão. Restavam apenas os dois, e Tsuhime não sabia por onde começar. Até que ponto Kakashi vira? Suas mãos não pararam de se mexer, ora escondendo uma mecha de cabelo atrás da orelha ora tremendo. Será que o que tinha feito era tão grave assim? Será que Kakashi duvidava do que sentia por ele? Estavam juntos há quatro anos, tempo suficiente para ele saber que em seu coração apenas ele residia.

— Kakashi...

— Deu certo? — Ele atropelou a fala dela, impaciente.

— Acho que sim... — Tsuhime confessou constrangida, o coração saltando dentro do pai. — Pretendia tentar com você, mas...

— Você ainda o ama? — O olhar duro e firme que Kakashi lançou a Tsuhime a pegou desprevenida.

— O quê? Que espécie de pergunta é essa?! — Ela se ergueu tão rápido que por pouco não perdeu o equilíbrio.

— Apenas responda.

— Se eu o amasse, acha que estaria tentando te explicar alguma coisa? — Ela retorquiu, sentindo o sangue se agitar. Era o cúmulo que Kakashi pensasse daquele jeito, ela não permitiria. Aproximou-se dele, vencendo a resistência dele e o beijou. O pano da máscara entre eles. — Se ousar pensar nisso novamente eu juro que te mato.

— Então não me provoque.

Embora Tsuhime tivesse muito mais para contar, ela optou por guardar apenas para si. Aquele ainda não era o momento.

Notas finais
Obrigada por ler, espero que tenha gostado. Deixe sua crítica construtiva, sugestão, dúvidas... Receberei com muito carinho. Beijos!