Haru Haru
1 Capítulo 1
Notas iniciais
– Vamos Yumei. Você vai ter um dia longo ainda. – Disse Jin.
– Sim. – Respondeu Yumei, nada animada.
O garoto então passa o braço pelo ombro da garota e começa a caminhar abraçando-a. A garota o acompanha. Do outro lado da rua chega um grupo de quatro rapazes que vão em direção ao casal. Todos estavam muito sérios. Um deles se destacava: Estava mais à frente. Andava tão sério quanto os outros três, mas havia algo diferente nele. Olhava fixamente para o casal. Um olhar triste, como que pedindo para que não fosse verdade o que seus olhos lhe mostravam naquele momento. Como que pedindo para que aquilo que estava vendo agora fosse apenas um delírio de sua mente. Mas ele sabia que aquilo que estava vendo era verdade. Os dois estavam mesmo ali na sua frente... Abraçados. Era real.
De repente uma súbita raiva invadiu sua mente. O rapaz começou a andar mais rápido só parando em frente ao casal. Ele olhou para Yumei que o olhou de volta, encarando-o por alguns segundos, mas logo abaixou a cabeça. Havia dor em seu olhar. O rapaz continuou a encarar a moça mesmo após ela abaixar a cabeça, mas logo mudou seu foco. Olhava agora para o rapaz que a acompanhava. Os dois se encararam por alguns minutos, Yumei voltou a olhar para o rapaz a sua frente.
– Kouji. – Sussurrou ela para si.
Ao ouvi-la falar seu nome, Kouji sente um impulso, uma vontade quase incontrolável de pegá-la e levá-la dali. Tirá-la dos braços daquele cara que a acompanhava. Mas não podia. Não podia porque foi ela mesma quem escolheu isso. Ela quem o deixou. No mesmo instante em que se lembrou desse momento, uma mistura de tristeza e revolta percorreu todo seu corpo.
Kouji empurrou Jin. A garota não fez nada para impedi-lo, apenas continuou de cabeça baixa. Na mesma hora, os três amigos de Kouji chegam.
–Tá maluco cara?! Quem você pensa que é pra me empurrar desse jeito?! – Gritou Jin logo após ser empurrado.
– E quem você pensa que é pra...! – Antes de terminar a frase, Kouji recebe um soco de Jin. Dois de seus amigos o amparam.
– Jin! — Protestou Yumei.
– Vamos logo, Yumei... – Disse o rapaz puxando-a pelo braço. Os dois se vão.
No dia seguinte, Kouji e seus amigos estavam andando em uma praça quando viram Yumei em um carro.
–Y-Yumei. – Disse Kouji arregalando os olhos ao vê-la. Um de seus amigos, Tae, botou uma das mãos em seu ombro e o olhou como que dizendo “é melhor ficar longe dela, cara”. Kouji entendeu a mensagem de seu amigo, mas ignorou-a, tirando a mão de Tae de seu ombro e seguindo em direção ao carro. Chegando lá, ele bateu de leve no vidro da janela. Yumei se arrepiou assustada, pois estava olhando para o outro lado, distraída. Quando ela reconheceu o rapaz na janela, abaixou-a olhando-o entristecida, como no dia anterior.
– Yumei. – Kouji olhou a garota a sua frente e esticou o braço com a intenção de tocar seu rosto, mas hesitou. Enquanto ele esticava o braço para tocá-la falando seu nome, Yumei fechou os olhos. – Me desculpe... Me desculpe por tudo... Me perdoe por ontem e por qualquer outra coisa que eu tenha feito e tenha te magoado... Por favor, me perdoe. – Kouji recolheu sua mão afastando-a do rosto de Yumei e apoiando-a na janela do carro. – Se eu fiz algo que te magoou, por favor, me perdoe... Não fiz nada intencionalmente. – Kouji olhava nos olhos de Yumei, estava quase chorando.
– Kouji... Não foi nada que você fez. – A garota segurou carinhosamente a mão de Kouji enquanto falava. — Muito pelo contrário. Nunca fui tão feliz como quando estávamos juntos... Nunca.
– Então por quê? Por que me deixou? Por que quando esse cara apareceu, você preferiu ele a mim?
– Eu... – A garota faz uma pausa e desvia seus olhos dos olhos do rapaz, olhando para o lado com a expressão triste. – Você... Tem que me esquecer, Kouji. Vai ser melhor para você... Melhor para o Jin... Melhor para mim.
Quando ela terminou a frase Kouji sentiu um choque. Uma nostalgia repentina tomou-lhe o corpo e uma lembrança veio a sua mente: Os dois, Kouji e Yumei juntos. Rindo, brincando, passeando... Felizes. Não era muito longe de onde estavam agora. Naquela mesma praça, um pouco mais adiante havia um lago. Uma pequena ponte atravessava-o e dava para uns banquinhos do outro lado. Os dois estavam de mãos dadas andando por aquela ponte indo sentar-se em um dos banquinhos. Assim que se sentaram, Kouji mostrou uma pequena caixinha a Yumei. Quando ele a abriu, havia um anel ali dentro. Era simples, dourado com umas pequenas pedrinhas brilhantes em volta. A moça olhou para o anel sem acreditar, depois olhou para Kouji com a mesma expressão no olhar. “Eu não acredito! É lindo!” Disse Yumei, ainda sem acreditar. “Que bom que você gostou!” Disse Kouji pegando a mão de Yumei “Esse é o símbolo do nosso amor. É a prova física de que eu te amo e sempre vou amar você! Sempre!” Continuou o rapaz. Yumei, já emocionada, abraçou Kouji segurando o choro. Kouji retribuiu o abraço de sua amada, muito feliz.
– Melhor... Para você. – Murmurou Kouji. – Não vou mais... Te perturbar então... Espero que o... Jin... Te faça feliz. – Continuou o garoto chocado. Enquanto ele falava, foi tirando a mão de Yumei da sua e se afastando do carro. – Desculpe por tudo... – Sussurrou por fim virando-se de costas para o carro onde Yumei se encontrava.
No mesmo instante em que Kouji se virou, Yumei abaixou a cabeça e começou a chorar. Kouji não tinha se afastado muito quando ouviu o choro da garota. Teve vontade de voltar correndo até ela e abraçá-la firme reconfortando-a, amparando-a. Mas não o fez. Reuniu todas as suas forças e continuou andando, seguindo em frente sem olhar para traz. Quando chegou onde seus amigos o aguardavam desabou. Abraçou o mais próximo e chorou. Seus amigos então, o levaram para casa. Kouji não teria condições para fazer mais nada naquele dia.
Alguns minutos depois que Kouji foi embora, Jin volta ao carro onde Yumei o esperava e leva um susto ao encontra-la chorando.
– O que houve Yumei? Está sentindo alguma coisa? – Perguntou assustado.
–Não... Não foi nada. – Respondeu entre soluços. – Eu só... Eu... Encontrei com o Kouji. – Yumei virou o rosto na direção de Jin. Seu olhar demonstrava culpa. Isso já bastava. Jin já sabia o que havia acontecido ali. Ele esticou os braços em direção à garota oferecendo-lhe um abraço de consolo. Ela o abraçou aumentando o choro.
– Vamos, é melhor você descansar um pouco agora. – Jin ligou o carro e partiu para a casa de Yumei. Chegando lá, ele estacionou e ajudou a garota a se levantar. A menina ainda estava muito abalada. Tremia como nunca! Apoiava-se nele para andar com segurança.
Sua casa era grande, tinha dois andares. Ao lado havia um belo jardim com muitas flores. Os dois chegaram à porta da casa então. Yumei pegou a chave em seu bolso e abriu a porta da casa com dificuldade. Os dois entraram e Jin encostou a porta com a mão livre. O casal foi caminhando devagar, em direção ao quarto da moça, que era no segundo andar, mas ao se aproximarem da escada.
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