Haru Haru
4 Lovely horror stories.
Notas iniciais
Mas agora leiam leiam, e comentem u.u
Vocês devem estar se perguntando como é que eles – os cinco – dormiram lá. Certo. Primeiro preciso deixar claro que eu, Ann e Sun dormimos em quartos separados (ou suítes já que tem um banheiro e um escritório – ok, é só uma escrivaninha no canto – separados; um para cada quarto) onde contêm camas de casal.
Por que cama de casal?
Porque adoramos espaço.
Quer dizer, pra dormir!
E sempre quando esta chovendo e relampeando nós nos esprememos numa só cama para dormir (geralmente na cama da Ann que parece ser mais macia, mesmo os três colchões sendo do mesmo fabricante, comprados na mesma loja e no mesmo dia).
Então, à principio, Anna recomendou que nós três dormíssemos num quarto só enquanto eles dividissem os outros dois entre si. Foi assim que eles dormiram aqui ontem, e também seria assim hoje. Portanto, até agora estava tudo numa boa, até eu abri a boca e convencer a elas a fazer outra coisa.
– Bem – comecei, depois de pensar em repensar muito na ideia, o que demorou, já que passava da meia noite (ficamos hoooras conversando na cozinha e comendo brigadeiro com chantilly) e agora estávamos no quarto da Ann. Sun estava no banheiro tomando banho, Anna estava pegando cobertores no armário dela e eu estava sentada na beirada da cama descascando o esmalte azul da minha unha. – Eles vão embora depois de amanhã... – disse.
– Sim, Mag, eu sei – disse Ann jogando os cobertores em cima da cama.
– E... eu acho que a gente deveria aproveitar ao máximo o tempo que passássemos com eles.
Anna fechou as portas do armário e se voltou para mim.
– O que você quer, Margareth?
– Aproveitar cada segundinho com eles...
– Com o Key, você quer dizer!
– Er...
– Perdi alguma coisa? – quis saber Sunie saindo do banheiro enrolada na toalha.
– Mag quer dormir com o Key! – exclamou Ann, com certeza, do outro quarto, eles ouviram.
– O quê?! – Sunie arregalou os olhos.
– Ei! Eu não disse nada disso!
– Então o que você quer, Maggie? – a voz da Ann era tão suave quando a lamina de uma faca.
– Er... – Eu engoli em seco e pigarreei. – Sim! É! Eu quero dormir com o Key, mas não vamos fazer nada disso que vocês estão pensando. – Eu cruzei os braços. Pra falar a verdade, eu não fazia ideia do que eu e o Key poderíamos fazer dormindo na mesma cama, e em plena madrugada. – E vai me dizer que não gostaria de dormir com o Taemin? – perguntei antes que ela abrisse a boca. – Fazendo cafuné naqueles cabelos cor de caramelo e sedosos... E você Sun! – Sunie quase deu um pulo de onde estava, ainda parada no meio do quarto, enrolada na toalha. – Nunca se perguntou como deve ser dormir com o Minho? Se aconchegar naquele peitoril moreno e quente... Hm?
Sun abriu a boca, mas com certeza não tinha nada dizer. Já a Anna, ela é mais difícil, mas não a impossível. Ela permanecia indiferente, olhando para mim como se eu fosse uma criatura que não tivesse mais concerto. Infelizmente, eu era.
– Talvez seja interessante – disse ela ainda indiferente, mas isso foi o bastante para me encher de esperanças. – Só tenho medo de que perca alguma coisa se dormir com o Key – disse ela franzindo o cenho e voltando a arrumar a cama.
Eu também franzi o cenho, mas é porque eu não havia entendido o que ela quis dizer com “perder alguma coisa”, e quando olhei para Sunie vi que ela também estava absorta a tudo (aliás, acho que o cérebro dela parou de funcionar no momento em que descrevi como seria sua possível noite de sono com o Minho).
– Que eu... perca alguma coisa?
– Mag, o que seria possível você perder se dormisse com o Key num quarto, entre quatro paredes, em plena madrugada, sendo que vocês já fizeram coisas inimagináveis a céu aberto, e até mesmo na piscina?
Eu arfei.
– Meu Deus, Ann! Eu não vou dar pro Key!
– Dar o quê? – quis saber Sunie, acho que ela finalmente saiu de orbita.
Anna continuava a olhar com descrença para mim.
– Você não confia em mim? – Aquele olhar dela estava me matando.
– Em você! – Ela saiu de onde estava e sentou ao lado na beirada da cama – Em você eu confio. Eu não confio é no Key!
– Se você realmente confiasse em mim confiaria no quanto eu confio no Key – falei com mais convicção do que esperava. – Eu o conheço, de verdade. E sei que ele respeitaria minhas vontades.
Ela suspirou e se jogou para trás, deitando-se na cama.
– E o Onew e o Jong? – perguntou Anna.
– Nós temos um sofá-cama na sala, esqueceu? Nós não fazemos muito uso da cama, só nos momentos em que nos juntamos para assistir filmes até cair no sono.
Eu mordi o lábio inferior, apreensiva porque ela passou os dez segundos seguintes calada, encarando o teto.
– Não sei – murmurou Anna.
– Não sabe sobre...?
– Sobre dormir com eles.
Eu bufei silenciosamente e Sunie fez o mesmo soltando o miado no final. Então ela, a Sun, veio até a mim e sentou no meu colo para fazer um biquinho manhoso para Ann, e eu encostei meu rosto nas costas ainda molhadas da Sun e fiz um beicinho – ambas com cara de pidona –, porque sabíamos que a Ann, por mais durona que fosse à maioria das vezes, não resistia a uma carinha fofa. Por isso ela semicerrou os olhos para nós.
– Vocês duas são umas pestes – murmurou ela. Eu quase podia vê-la sorrindo. – Vai lá falar com eles!
Nós sorrimos, Sunie saltou do meu colo e eu corri para porta para avisá-los, mas acho que isso não seria necessário porque quando abri a porta vi cinco orelhas em pé.
– Sabia que isso é invasão de privacidade? – perguntei, tentando ser o mais séria possível.
– Mas nós não ouvimos nada – disse Jong erguendo as mãos.
– Estávamos só indo para cozinha... – falou Key olhando para os outros quatro a procura de uma resposta.
– Beber água – foi o Minho quem completou.
Onew e Taemin só continuaram sorrindo.
– Então sabem que nós optamos em mandar vocês dormirem na sala. Sabe, preciso voltar para minha cama porque dividir uma cama de casal com mais duas dar dor nas costas.
–Nããão, não! – Eles protestaram. Pelo menos o Key, o Minho e o Taemin porque Onew e Jong deram um passo para trás, rindo. – Anyeon!
– Vocês disseram que a gente ia dormir com vocês – resmungou Taemin.
E com isso ele recebeu dois olhares matadores – sim, do Key e do Minho.
– Você fala demais, Lee Taemin! – disse Minho.
– Na verdade, ele só fala na hora errada! – Key deu um tapa de leve atrás da cabeça do Taemin que abaixou a cabeça com um sorriso sem graça no rosto.
Eu encostei a cabeça no batente da porta e comecei a rir.
•♦•
Eu e o Key não fomos logo para o meu quarto. Não, ainda ficamos meia hora conversando com o Jong e o Onew na sala (nós estávamos falando da mania de cada um deles quando dormem e eu descobri que o Key range os dentes, o que não era tão grave, aliás, nada é pior do que dormir com uma pessoa que ronca alto), enquanto Minho e Taemin correram para os quartos de Sunie e Anna dando a desculpa de que estavam muito cansados.
Bom, eu esperava que eles estivessem mesmo dormindo porque eu praticamente prometi a Anna que não rolaria nada demais entre mim e o Key, então não poderia rolar nada demais entre elas e seus amados.
Já era uma e quarenta da madrugada quando Onew praticamente nos expulsou da sala dizendo que estava morrendo de sono e que não agüentava mais ouvir a gente falar sobre quem era a melhor: Miley Cyrus ou Lady Gaga.
– As letras da Miley são bem mais profundas e pessoais! Não é nada como “você não pode ler minha cara de paisagem”, me explica por que Lady Gaga fez uma musica assim?
– Ah, Lady Gaga tem muito mais estilo do que aquela Miley Cyrus – Key disse o nome da Miley com tanta repugnância que eu quase levantei minha mão.
– Se vestir de CARNE é estilo?
– Se vestir de HANNAH MONTANA é estilo?
Eu estava determinada a por meu dedo na cara do Key e argumentar mais quando o Jong segurou meu pulso com uma mão e afastou o peito do Key com a outra.
– Eu não agüento mais ouvir vocês dois cacarejando – disse Jong, sério. Mas sério de verdade. – E eu estou com sono. Então será vocês poderiam se retirar daqui e nos deixar dormir?
– Por favor – murmurou Onew com a cara enterrada no travesseiro.
Eu olhei para o Key semicerrando os olhos.
– Boa noite – dissemos num uníssono e nos levantamos.
Ainda pude ouvir Jong agradecer a Deus por nós termos saído dali e Onew dizer algo sobre o Key ter encontrado uma garota como eu, tão impertinente quanto ele.
Eu abri a porta do meu quarto deixando o Key entrar e depois a fechei atrás de mim, me encostando ali e cruzando os braços enquanto o Key sentava na beirada da minha cama e me encarava de volta. Mas nós não estávamos de mal um com o outro, pelo menos não por mais de dez segundos, porque ele sorriu para mim e eu tive que sorrir de volta.
– E aí, vamos brincar de quê? – perguntei mordendo o lábio inferior.
Key sorriu maliciosamente para mim.
– Você que teve idéia de dormir junto comigo, então pensei que tivesse algo em mente.
– Só tenho coisas ruins aqui dentro – disse batendo com o dedo indicador na minha têmpora.
Key soltou uma breve risada baixa e passou a língua entre os lábios – era tão estúpido o quanto isso ainda me tirava o fôlego.
– Nós podemos colocá-las em prática se você quiser...
Foi a minha vez de rir, e morder a ponta do dedão – o que eu só fazia quando ficava sem graça ou envergonhada com alguma coisa. Então ele, ainda com aquele sorriso lindo no rosto, estendeu os braços para mim e abriu e fechou as mãos me chamando. E eu, obediente, fui até a ele sentando na sua coxa esquerda e passei meus braços por seu pescoço dando um beijo na sua bochecha.
– Eu não sei o quanto você ouviu – disse deslizando uma de minhas mãos para gola de sua camisa de malha branca, a que ele usava para dormir. – Mas eu meio que disse algo para Ann sem ter muita certeza.
– Sinceramente, a gente não ouviu muita coisa, vocês falavam muito rápido.
Eu suspirei, talvez de alivio, ou não.
– Você sabe que eu confio em você e tudo mais – comecei sussurrando. – Bom, ela não confia muito – Eu ri. – Mas essa é a Ann. Mas disse a ela que deveria confiar em você porque você é o tipo de cara que respeitaria minhas vontades...
Ele me deu um sorriso torto.
– É claro que eu respeito suas vontades, Maggie – disse ele perto do meu ouvido – Eu nunca faria nada que você não quisesse, você sabe – Ele mordeu a pontinha da minha orelha. – Eu só quero fazer as melhores coisas por você – sussurrou ele dando um beijinho atrás da minha orelha.
– Então você poderia começar parando de me provocar – murmurei mordendo o lábio e deixando meu dedo pendurado na gola V de sua camisa branca (e por falar nessa camisa, ela tinha uma malha tão gostosa que dava vontade de abraçar o Key e não desgrudar mais – a quentura de seu corpo e seu perfume também contribuíam muito para isso, e até me deixavam tentada a fazer outras coisas, mas... deixa pra lá).
– Ok então – disse ele me erguendo de seu colo.
Key contornou a cama e se aconchegou debaixo do edredom.
– Vamos dormir? – perguntou ele – Ou...
Ele me olhou de cima a baixo, seus olhos fazendo um passeio lento pelo meu corpo, demorando mais nas minhas coxas com o short de moletom rosa e no decote quadriculado da minha regata azul. E isso simplesmente fez meu corpo todo formigar. Eu estava com medo de saber o que havia por detrás daquele “ou” porque, apesar de ter dado a idéia de dormir com ele, eu não estava preparada psicologicamente para... bom, fazer aquilo. Porque já dormimos no quintal e num caramanchão juntos, então eu realmente pensava que dormir num quarto não faria muita diferença.
A não ser as quatro paredes, claro. E a estranha privacidade que tínhamos ali dentro.
Realmente não é fácil evitar pensar nisso quando há um cara deitado na sua cama te olhando de cima a baixo daquele jeito. Mas finalmente, para alivio meu, ele abriu a boca completando:
–... contar historinhas?
Eu sorri aliviada e suspirei.
– Que tal, histórias de terror? – sugeri.
– Não gosto de histórias de terror – disse Key com uma voz manhosa.
Eu fiz um beicinho – sim, o mesmo que fiz para Anna – dando de ombros e apagando a luz. Meu quarto ainda podia ser iluminado pelas luzes dos outros prédios em volta (Manhattan era agitada 24 horas por dia, literalmente). Deitei na minha cama me cobrindo com o edredom e murmurando um “boa noite” sem graça logo fechando os olhos.
Key se remexeu por debaixo da coberta e depois eu tive que abrir os olhos, porque uma luz atravessava minhas pálpebras, e quando os abri dei de cara com a tela de um iPhone.
– Eu sei uma – sussurrou Key.
Eu sorri me sentando na cama, cruzando minhas pernas em borboleta, e passando o edredom por nossas cabeças, com uma cabaninha.
– Conta, conta – Meus olhos deviam estar brilhando.
Nós éramos iluminados apenas pela luz do iPhone que ele havia pousado no colchão, entre mim e ele. Key ergueu os olhos para mim e eles estavam completamente negros, o ângulo da luz fazia seu rosto ficar sombrio, enigmático e misterioso.
– E é até uma história popular, talvez você conheça...
– Mas conta – insisti.
– Lá no Japão – começou ele – dizem que se você andar pelas ruas tarde da noite, você vai encontrar uma moça de cabelos negros e lisos, de pele branca e leitosa e olhos castanhos cativantes. – contava ele sem desgrudar os olhos dos meus, o que me fazia perder boa parte do ar em meus pulmões (também levando em conta que ficar debaixo do edredom não nos proporciona oxigênio o suficiente) e me deixar mais assustada sendo que a história nem tinha começado direito. – Mas ela vestia uma mascara que tapava apenas sua boca, ninguém sabia como era o sorriso dela, em quem chegou a conhecer... bom – Ele deu de ombros me dando um sorriso ameaçador. – ninguém sobreviveu para contar.
Ele fez uma pausa de suspense. Eu mexia os dedos dos meus pés descontroladamente.
– Ela se aproximava de você com tal doçura e perguntava: eu sou bonita? Se você respondesse não ela te deixaria em paz, mas era impossível dizer não a tal bela criatura, então, àqueles que respondiam sim, ela tirava a mascara, e mostrava o seu sorriso – Key sorriu maliciosamente.
Eu suspirei franzindo o cenho.
– E o que isso tem de assustador? – quis saber.
– Ela tinha a boca rasgada de orelha a orelha, e tais pessoas que viram seu “sorriso” – Key fez aspas no ar. – eram devoradas violentamente.
Eu passei a língua entre meus lábios, os umedecendo, enquanto eu tentava imaginar o tal sorrido. Infelizmente a minha mente era fértil e eu consegui montar um sorriso realmente apavorante na minha cabeça, então eu consegui ficar assustada.
Mais ainda quando a luz do iPhone se apagou.
E o Key sacudiu meus ombros soltando uma risada maléfica. O que me fez soltar um gritinho.
– Para, Kibum!
Key riu, mas nem sua risada me acalmava.
– Não ta feliz?
– Não – murmurei mal humorada. Eu não esperava uma história de terror assim, e sim aquelas que parecem ser, mas no final não tem nada a ver.
– Awwwh, Mag – Key se inclinou para abraçar meus ombros e dar vários beijos na minha bochecha. – Fica assim não, essa história foi inventada só para assustar crianças e evitar que elas saiam ou voltem tarde para casa.
Eu ainda continuava com o cenho franzido e com cara de mal humorada – aquela história não me fez nada bem.
– Mag... pérola – cantarolou Key no escuro.
– Que é?
– Fica assim não – disse ele, e eu logo senti seus lábios pressionarem-se na pele no meu pescoço. – Dá um sorrisinho pra mim – Ele levou uma mão para o meu rosto e deixou outro beijo suave no meu pescoço.
– Não – murmurei.
– Por favor – disse ele baixinho mordiscando meu maxilar o que me fazia soltar uma risadinha bem baixa.
Eu pude ver o esboço do seu sorriso no escuro e então ele segurou meu rosto com suas duas mãos beijando meus lábios.
– Ela tinha a língua solta – disse Key entre o beijo e logo pondo a língua agitada dentro da minha boca.
– Aaah, Kibum! – resmunguei afastando o Key e cruzando os braços. Não precisava saber daquele detalhe.
Ele riu mais um pouco voltando a me abraçar mais forte e me puxando para me deitar com ele. Meus braços permaneciam cruzados e eu ficaria assim a noite toda por culpa do trauma que ele conseguiu grudar em mim.
Mas eu não sei se isso duraria muito porque o Key voltou a deixar beijos pelo meu pescoço, descendo pela minha clavícula e invadindo meu decote.
– Para, Kibum – murmurei, agora com a voz manhosa e sem a intenção de que ele realmente parasse.
Key me puxou mais para ele e eu levei a mão para seus cabelos macios, e então ele beijou minha boca de forma a fazer qualquer medo ou trauma simplesmente desaparecer. Aliás, fazia qualquer coisa desaparecer fazendo-me sentir apenas ele.
Só ele e mais nada.
Notas finais
Chu~ ♥
Fale com o autor