Haru Haru
2 Kids need fun.
Notas iniciais
Leiam~
SUNIE’S POV
Distraidamente, eu joguei minha bolsa por sobre o ombro, sem desgrudar os olhos da máquina em minhas mãos. Seletivamente eu excluía algumas fotos inúteis – umas e outras eu já havia passado para o computador para revelar depois – porque precisaria de espaço considerável no cartão de memória para tirar fotos das crianças da instituição de caridade.
Ah sim, todo o mês fazemos doações para o instituto de tratamento para crianças com câncer aqui de Nova York. Não fazemos isso pela nossa imagem, e também não é somente uma questão de compaixão, mas acima de tudo, é lindo ver todas aquelas crianças sorrindo para você, como se você fosse uma espécie de heroína por estar salvando a vida delas – ou quase isso.
– Não apaga essa – disse uma voz vibrante ao pé do meu ouvido. Minho pousou a cabeça em meu ombro, olhando para minha foto que passava no display da câmera. – Você tá bonita.
Eu sorri e dei uma cotovelada de leve no seu abdômen, por que eu não estava nada bonita. Por isso meu polegar ficou um bom tempo acariciando o botão para excluir aquela foto que, em minha opinião e na minha visão, era esquisita. Na foto, eu estava com um olhar sério e um sorriso cético nos lábios, uma tentativa fracassada de parecer sexy.
– Eu preciso de espaço no cartão de memória, as crianças vão ter fotos bem mais bonitas que essa – disse suspirando, sem excluir a foto.
Eu e Minho ficamos simplesmente ali parados até eu terminar de excluir as outras fotos. Seus dedos subiam e desciam pelas minhas costas me provocando uma sensação tão boa e entorpecente que, se eu não tomasse cuidado, eu acabaria excluindo fotos que não deveria. E até quando eu terminei de fazer o que devia fazer, eu comecei a repassar todas as fotos de novo, porque eu não me incomodaria se ele ficasse o dia todo afagando minhas costas.
Mas as crianças precisavam de mim.
Eu suspirei e Minho subiu sua mão para meu ombro, deixando seu braço em volta aos meus ombros e me conduzindo até a porta enquanto eu colocava a câmera na minha bolsa. Pegamos o elevador e descemos até o estacionamento em silencio. Ele abriu a porta do carona para mim quando alcançamos o carro e eu praticamente me arremessei lá dentro.
– Ah, eu assisti alguns episódios Hello Baby... – disse brincado com a alça de couro da minha bolsa quando ele apareceu no lado do motorista, os olhos grudados em mim, um sorriso torto e o cenho meio franzido. – E meu apaixonei pelo Yoogeun – disse rapidamente – Pelo relacionamento que você teve com ele, na verdade.
– Sério? – ele soltou uma breve risada engatando a marcha e tirando o carro da vaga de estacionamento. – Depois que eu assisti algumas cenas minha com o Yoogeun eu me achei tão estranho... Nunca me imaginei como um pai.
– Ah, qual é! – exclamei me virando um pouco de lado no banco do carro para olhar para ele. – Você leva muito jeito com crianças – Sorri. – Acho que meu filho vai ter muita sorte – disse suspirando, e só depois me dando conta do que dissera.
Eu tenho esse sério distúrbio de dizer coisas antes de pensar. Ainda mais quando eu falava rápido ou entusiasmada com alguma coisa. Realmente não sei que tipo de doença mental é isso, porque eu, sinceramente, me sentiria bem mais confortável em saber que isso era uma doença. Quer dizer, as pessoas me entenderiam melhor... eu acho.
•♦•
MINHO’S POV
– Você disse... filho? – perguntei ainda com os olhos fixos na rua, mas, pelo canto do olho, podia ver o quanto ela estava nervosa.
E, por alguma razão, eu me divertia com o nervosismo dela. Eu sabia que a maioria das coisas que saiam por aquela boca pequena não passava pelo seu cérebro antes. Mas esse era outro defeito que eu amava, quer dizer, ela diz tudo que seu coração quer sem antes conseguir pensar em qual poderia ser minha reação.
– Pode ser filha também – balbuciou ela se encolhendo no banco.
Eu sorri apoiando meu cotovelo na janela do carro quando ela voltou a se sentar ereta e a mexer na bolsa enquanto eu pensava no assunto. Quer dizer, é quase impossível, quando sua namorada fala sobre filhos, você não parar para pensar como seria se vocês dois tivessem um. Não que eu realmente queira, não agora. Mas tenho fortes esperanças de ficar com ela até lá para assistirmos nossos filhos nascer e crescerem saudáveis.
Era meio perturbador pensar nisso, mas era uma coisa boa.
– Sun – chamei. Ela parecia concentrada demais fitando o menu do seu celular. – Pensa mesmo em nossos filhos? – perguntei, ainda sem olhar diretamente para ela enquanto fazia uma curva.
– Er... Não, pffu, não! – Ela balançou a mão e começou a rir descontroladamente. – Nós somos muito novos pra isso ainda. Eu só disse aquilo porque... porque... por causa de... por...
Eu ri. Precisei rir! Como não rir com uma Sunie nervosa e com as bochechas vermelhas falando sem pensar?
– Você é incrível, Sun – disse ainda sorrindo afagando os lábios com a lateral do dedo indicar que pairava perto da minha boca enquanto meu cotovelo ainda estava apoiado na janela do carro.
Ela suspirou mordendo o canto do lábio.
– Fala sério... – Ela bufou sorrindo.
– Eu to falando sério, Sun – disse sorrindo suavemente – Tudo que você é. Tudo o que você faz – Eu mais uma vez olhei para ela e dei uma piscadinha, o que a faz sorrir e voltar o rosto para janela.
•♦•
SUNIE’S POV
Eu me permiti a um sorriso bobo quando ele voltou a olhar para frente. Então virei meu rosto para janela deixando algumas mechas do meu cabelo cobrir meu perfil para ele não ter que ver o quão idiota eu parecia quando ele dizia essas coisas e eu ficava sorrindo e me questionando por quais motivos os céus resolveu me dar o homem mais perfeito do mundo. Porque eu sou apenas mais uma garota atrapalhada na sociedade, sou... comum, tenho minhas qualidades e defeitos, mas isso todos tem. Gosto de fazer doações para o instituto, mas isso centenas de pessoas também fazem. Sou fotógrafa, mas ainda não chego aos pés de Marcus Bell.
Enfim, não dá para compreender muita coisa que o destino faz, mas eu aceito suas decisões numa boa.
Quando finalmente chegamos, eu fui direto para recepção e a moça me atendeu com um sorriso largo nos lábios. Ela já me conhecia então logo me entregou os cheques para assinar.
– Onde estão as outras? – perguntou a recepcionista (que no momento eu não me lembro do nome dela, mas acho que começa com L, ou talvez P) olhando por sobre meus ombros e sorrindo gentilmente ao ver apenas o Minho.
– Ah, elas não puderam vir hoje – disse terminando de assinar meu nome no segundo cheque, eram três. Sempre três. – Hoje eu trouxe o meu... na-morado – Não me pergunte porque é meio difícil pronunciar essa palavra, quer dizer, namorado.
Tudo bem que já estava tudo oficial entre mim e o Minho, mas eu namorei o Edward durante dois anos e sempre o chamei de Edward (às vezes Ed), nunca de “meu namorado” porque, por algum motivo, sempre achei isso uma coisa que não fazia parte de mim, uma coisa estranha e desnecessária.
Assim quando terminei de assinar o terceiro cheque eu acenei a cabeça para recepcionista e segurei a mão do Minho o puxando para a primeira sala, a primeira que eu sempre visitava e a primeira do corredor, onde ficavam as crianças de três a cinco anos.
Esse quarto era o mais colorido que havia ali. As paredes eram todas decoradas com personagens de desenhos animados, principalmente aqueles que costumam passar no Discovery Kids (não que eu assista Discovery Kids), e as crianças brincavam distraidamente no chão forrado por um carpete verde clarinho.
Eu tirei meus sapatos me apoiando na parede e colocando-os numa prateleira feita para isso – para colocar sapatos – e depois os substituí por pantufas descartáveis. Logo o Minho fez o mesmo. Eu me aproximei vagamente das crianças que ainda não haviam notado minha presença ali, e fiz “bu!” sacudindo os ombros do que estava mais perto de mim. O Cody. Ele estava mais gordinho em comparação a ultima vez que o vi.
– SUUUUN! – as outras crianças gritaram em uníssono, e o Cody se virou para me abraçar forte quando eu me abaixei.
Era impossível não abrir um sorriso enorme ao ver todos aqueles anjos correndo para te abraçar. E eu conhecia cada um deles, conseguia me dar bem com todas, mesmo as crianças mais novas que ainda eram meio tímidas; três delas ficaram apenas me observando enquanto mastigavam seus dedos, perto o suficiente para eu puxá-las para um abraço coletivo também.
– Cadê a tia Mag e tia Ann? – perguntou Lucie, ela era uma menininha adorável.
– Elas não puderam vim hoje – respondi pressionando os lábios.
– E você trouxe seu namorado! – disse Brenda apontando para o Minho que estava agachado atrás de mim. – Esse é aquele príncipe de quem você tanto falava?
Sim, crianças também não tem muita trava na língua. A diferença é que elas não sabem o que estão fazendo. Depois disso o Minho levou a mão à boca e soltou uma gargalhada maravilhosa. Maravilhosa, porém, mais uma vez – como quando o que aconteceu no carro –, eu queria me enterrar.
– É... quem quer bala? – exclamei, alterando a situação.
– Eeeeeeeeu!!! – eles gritaram de volta.
Eu sorri aliviada, ainda bem que elas também se distraiam fácil.
– Você também leva jeito com crianças – ouvi Minho murmurar perto do meu ouvido. Eu olhei para o seu rosto, ele ainda sorria.
Eu tinha a mania e necessidade de analisar cada traço seu quando olhava para o seu rosto, como se o estivesse fotografando de todos os ângulos. Como se ele fosse desaparecer a qualquer segundo. O que realmente poderia acontecer se minha teoria fosse correta, quer dizer, de que ele veio dos céus.
Estiquei meus lábios em sorriso suave.
– Valeu. A Mag disse que é porque elas se identificam comigo – disse franzindo o cenho de leve. No dia em que a Maggy disse isso eu até me senti lisonjeada, sem ao menos entender o olhar fulminante que Anna lançou para ela depois que disse isso: que as crianças se identificavam comigo.
Mas agora repetindo essas palavras... E vendo o sorriso irônico do Minho.
– Ela me chamou de infantil – falei, indignada por não ter notado isso antes. Agora eu brincava distraidamente com os cabelos castanhos da Brenda, fazendo tranças. Ela tinha um corte igual ao meu, e o fato de ela ter um rosto também arredondado fazia dela uma miniatura de mim (a não exatamente pela cor do cabelo, já que eu ainda era loira – sim, to pensando em mudar a cor do meu cabelo).
– Sunie, você é meiga, inocente e tem um bom coração, isso não quer dizer que você é infantil.
Ergui o rosto mais uma vez para olhar para ele e ver seu sorriso.
Eu sorri de volta e me pus de pé.
– Vamos fazer o seguinte – Aumentei um pouco o tom da minha voz para que as crianças prestassem a atenção em mim. Acho que elas tinham se esquecido do lance das balas. – Vocês sabem brincar de mimica?
– Siiiiiim!
– Conhecem muitos animais?
– Siiiiiiiiiiiiim!
– Então vamos nos dividir em dois grupos – Todos eles já havia largados seus brinquedos e agora estavam prestando a atenção em mim. – Um grupo de meninas, que vai ficar comigo, e um grupo de meninos que vai ficar com o Minho appa... tio Minho – me corrigi antes que alguém me perguntasse o que é “appa”, que significa pai em coreano. Mas Minho simplesmente não combinava com tio; eu me envolvi seriamente com Hello Baby.
Nos segundos seguintes, Brenda, Lucie, Gabriella e mais uma menina que eu ainda não sabia o nome (porque ela ainda não havia se apresentado a mim) estavam ao meu lado numa fila, e o Cody, Luiggi, Kevin, Derick e Tommy estavam ao lado do Minho.
– Tem mais meninos do que meninas, tia Sun – reclamou Lucie.
– Tudo bem – Eu me abaixei para sussurrar no ouvido dela: – Nós somos mais inteligentes.
Lucie sorriu soturnamente. Dentre as meninas ela era a mais velha, tinha cinco anos. No ano que vem ela teria de mudar de sala, uma coisa que eu sei que seria difícil para ela. Ela praticamente administrava aquela sala e cuidava das crianças mais novas.
– Ei – chamei a loirinha que estava ao lado da Brenda. – Qual o seu nome?
– Chelsea – sussurrou ela com uma voz fina e doce.
Eu assenti sorrindo.
– Olha, eu trouxe uma sacolinha com vários nomes de animais – disse tirando um saquinho pardo da minha bolsa. Eu havia feito isso hoje de manhã. – Quando for a vez das meninas, uma vai vim aqui tirar um nome e falar ele baixinho no meu ouvido. Os meninos, a mesma coisa. Entenderam?
O Kevin ergueu a mão.
– Sim?
– Posso tirar mais de um?
– Não, o tio Minho ainda não tem a habilidade de imitar um monte de bichos de uma vez só.
– Quem disse? – quis saber Minho semicerrando os olhos para mim.
Eu mordi o lábio para não rir.
– Certo, então... Quem começa?
– Primeiro as damas – disse Minho antes que os meninos erguessem a mão.
Claro, eles ficaram indignados.
Eu, mais uma vez, me abaixei no tamanho da Chelsea e deixei que ela enfiasse sua mãozinha no saco para tirar um papelzinho de lá. Lucie segurou a mão dela para ler o que estava no papel.
– Gi-ra-fa – sussurrou ela, pausadamente, no meu ouvido.
Não sei como eu ia imitar uma girafa. Não sei por que escrevi girafa em um daqueles papéis, eu simplesmente escrevi o nome de todos os animais que estavam na minha cabeça. E agora eu não fazia ideia de como imitar uma girafa sendo que ela é um dos animais que emitem nenhum som, elas só comem grama e andam, sei lá mais o que elas fazem.
Eu coloquei o saco pardo em cima da mesa e fui para o meio da sala pensar em como imitar uma girafa. Se fosse só eu e as crianças e eu ia tentar o meu melhor – eu faço muito papel de palhaça quando venho aqui só para ver essas crianças sorrirem. Mas com o Minho aqui...
Estiquei meus braços para cima, juntando as mãos e comecei a andar – ou tentei andar – como uma girafa.
– Isso é um animal comprido – comentou Minho prendendo o riso.
Eu também juntava todas as minhas forças para não rir. E não conseguia parar de pensar qual seria o próximo mico que pagaria na frente do Minho. Sei que daqui para frente ele vai me olhar de um jeito diferente, não mais como uma menina madura e meiga de bom coração, mas também como uma criança que faz palhaçada para outras crianças.
– Ééé... – fez Luiggi pensando. – Como é o nome daquela que...
– Girafa! – exclamou Derick.
Eu soltei o riso assentindo e peguei uma bala na minha bolsa e coloquei na mesa perto deles. No final quem tivesse mais bala ganharia e quem tivesse menos teria de pagar um mico. Sim, eu definitivamente estava escolhendo a corda para me enforcar.
•♦•
MINHO’S POV
É, nós perdemos. Nós, os garotos. Simplesmente porque eu não fazia ideia de como imitar um bicho preguiça e era por isso que agora eu estava no meio daquela sala fazendo uma dancinha ridícula de uma musica infantil que tocava (ridícula da minha parte, quer dizer, na dança. As crianças ficavam umas gracinhas dançando, completamente diferente de mim, um homem de um metro e oitenta, com pernas e braços compridos, o que tornava a dança completamente desproporcional). Sinceramente, não sei porque a Sunie escolheu animais tão difíceis para a gente imitar. Nem ela conseguia imitar metade deles! Porque ela não escolheu cachorros, gatos, jacarés ou patos? Mas não! Ela preferiu bichos preguiças, ornitorrincos, girafas, abutres, e mais um monte de animais que eu tenho certeza de que crianças de 3 a 5 anos nunca ouviram falar.
– E foi por isso mesmo que os escolhi – disse ela erguendo o queixo depois de eu ter perguntado o por que quando já estávamos entrando pela garagem do prédio onde elas moravam.
Eu estacionei na vaga e tirei a chave da ignição soltando um suspiro.
Sunie levantou a mão para abrir a porta do carro mas eu a puxei pelo braço fazendo-a se sentar de volta no banco.
– Vem cá – chamei ela com o dedinho, me inclinando para aproximar meu rosto do seu.
Deixei um beijinho no canto de sua boca e mordi sua bochecha sentindo-a sorrir largamente.
– Awwh, Min – miou ela abraçando minha nuca e acariciando meus cabelos enquanto eu continuava a espalhar beijinhos pela sua bochecha e seu maxilar, descendo para o seu pescoço. – Minho...
Eu sorri – era tão bom ouvi-la miando meu nome – e subi para morder seu queixo antes de começar a beijar seus lábios e então enfiar minha língua na sua boca e a puxar pela cintura, a trazendo pro meu colo.
Suas mãozinhas desceram para os meus ombros, massageando ali enquanto tentava por a outra perna do outro lado do meu corpo, de forma a deixar minha cintura entre seus joelhos. Tentei ajudá-la puxando sua coxa para mim, mas eu não sei o que houve que a buzina tocou.
E ecoou no estacionamento inteiro.
Sunie tapou a boca para não rir e procurou pela maçaneta do carro, logo pulando para fora do mesmo, comigo em seus calcanhares.
– Aconteceu alguma coisa? – perguntou o vigia surgindo atrás da gente.
– Nada – ela respondeu rapidamente.
– Nada – respondi só para confirmar.
– Nada mesmo – enfatizou ela.
O vigia estreitou os olhos enquanto eu procurava o botãozinho de trava e alarme para o carro, o que era difícil quando o botão era tão pequeno e minhas mãos estavam tremulas. Ele virou as costas murmurando alguma coisa sobre os adolescentes de hoje em dia serem muito espevitados então eu e a Sun seguimos para o elevador sem tentar rir.
O que não durou muito tempo já que quando as portas do elevador se fecharam nós nós nos dobramos de rir.
Notas finais
Beijos, beijos, amo vocês ♥~
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