Haru

5 05 – Todo o tempo do mundo


Notas iniciais
Hey, meu povo! Esse é o capítulo final. Sintam só a mudança que nosso pequeno Haru-chan causou em apenas um dia haha Espero que gostem :D

— Ah, Momo-san! – Exclamou Izuku, assim que avistou Todoroki Momo saindo de um carro, há poucos metros do prédio onde ele residia. Ele carregava uma mochila nas costas e tentava camuflar o cansaço de dois dias seguidos de serviço.

— Boa noite, Izuku-kun. – Ela se aproximou. Midoriya não deixou de perceber o contorno cada vez mais aparente da nova gravidez de Momo. O cansaço dele, de repente, desapareceu para dar espaço para a alegria de saber que os Todoroki teriam mais uma criança em alguns meses. Afinal, fazia parte do sonho de Shoto e Momo ter a casa cheia. – Que bom que você chegou. Mandei algumas mensagens para Bakugo-san e ele não me respondeu. Temo que algo possa ter acontecido.

— Não se preocupe. Ele provavelmente só dormiu. – Izuku anunciou rindo. Com um gesto da cabeça, convidou Momo a acompanhá-lo até o apartamento. – Conhecendo-o como eu conheço, ele deve estar esgotado depois de passar o dia com o Haru-chan.

— Ora, eu não queria causar problemas para o Bakugo-san. – Momo levou a mão ao rosto, de repente, horrorizada com a ideia de o filho ter causado algum inconveniente para Katsuki. Midoriya sorriu, cheio de doçura.

— Definitivamente, não se preocupe com isso, Momo-san. Kacchan adora crianças. Ele sempre fica emburrado e faz birra quando elas estão para chegar, e ele, com certeza, não é muito bom em lidar com elas. Mas, ele as adora tanto quanto elas o adoram. Então, pode ficar tranquila, porque, mesmo exausto, ele vai estar mais do feliz por ter passado o dia com o Haru-chan. – Izuku abriu a porta de casa, e antes de entrar, sussurrou uma última coisa para a mulher ao seu lado. – Mesmo que ele jamais vá admitir isso.

Midoriya os encontrou no quarto. Haru estava embaixo das cobertas, sossegado, e Katsuki estava encolhido ao seu lado, e sua expressão serena entregava o quanto ele não estava infeliz com o dia que se passara. Izuku não resistiu ao impulso de pegar o celular e tirar uma foto daquele momento. Logo, eu terei uma pasta só com as fotos dele com os pequenos. A pasta mais adorável da coleção, com certeza. O flash da câmera, no entanto, despertou Bakugo. O olhar ameaçador que Katsuki lhe lançou foi o suficiente para que Midoriya pedisse desculpas pela intromissão.

— Muito obrigada mais uma vez, Bakugo-san. – Momo sussurrou enquanto Katsuki levava Haru no colo até o carro e Izuku cuidava das bolsas do menino.

— Hum. – Foi tudo o que ele disse em resposta. Midoriya não conseguiu barrar o próprio sorriso. Izuku conhecia o significado de todos os “hum” do parceiro e aquele em especial escondia a irritação boba que queria dizer “por que você não o deixa um pouco mais?”.

Com leveza, Katsuki acomodou Haru na cadeirinha e começou a arrumar os cintos. Midoriya deixou as bolsas no banco do carona e voltou para o lado de Momo quando Bakugo terminou com os cintos. Katsuki ergueu o tronco e moveu-se para se afastar, quando uma mãozinha agarrou sua camisa. Ele foi pego totalmente desprevenido por aquele ataque.

— Ei, garoto, o que foi? – Indagou, com uma preocupação mal camuflada na voz.

— Eu posso voltar, tio Kacchan? – As bochechas dele estavam vermelhas. Não queria causar problemas, mas também não queria ir embora sem pedir permissão para voltar.

— Sempre que quiser. – O sorriso de Bakugo era fino, curto, mas não menos sincero. Haru não poderia estar mais feliz.

O carro dos Todoroki afastou-se rapidamente. Sozinhos, na rua vazia, Izuku desviou o olhar para o rosto do companheiro. Ele pretendia brincar um pouco com toda aquela fofura de poucos minutos atrás. Katsuki, no entanto, foi muito mais rápido.

— Ei, Deku, talvez eu queira um filho. – E deu as costas a Midoriya.

Izuku quase teve um ataque ali mesmo, na rua. Fazia anos que eles conversavam sobre filhos e especialmente, sobre o desejo de Midoriya em ter crianças deles. Bakugo, contudo, sempre se mostrava travado naquele ponto. Havia muitos motivos para aquele comportamento, claro. Eles não eram casados, então, oficialmente, não poderiam ter filhos com o sobrenome deles como casal. Eles eram um casal homoafetivo, então, filhos biológicos seriam difíceis e adotivos ainda mais. Eles eram heróis, então, a qualquer momento, algo ruim poderia acontecer a um dos dois, e até mesmo, algum vilão poderia usar a criança como refém contra eles. Porém, acima de tudo isso, havia uma insegurança que Izuku sabia que Katsuki escondia. É uma criança, Deku, uma vida. Qualquer erro poderia afetá-la para sempre, ele havia lhe confessado anos antes. Agora, entretanto, ali estava ele, com um súbito interesse em filhos. Midoriya quase não conseguia acreditar na própria audição.

— Você solta essa bomba e sai assim? – Izuku foi atrás do companheiro, enquanto eles subiam as escadas até o apartamento. – Ei, vamos conversar, Kacchan.

— Não. Estou cansado. – Bakugo anunciou antes de entrar em casa, com Midoriya em seu encalço.

— Mas... – Izuku começou, apenas para se interromper após receber uma encarada violenta do parceiro.

— Alguém já disse que você é irritante? – Midoriya sorriu, derrotado.

— Você. Milhares de vezes. – Foi a vez de Katsuki sorrir.

— Verdade. Agora, por que o Sr. Irritante não toma um banho, come alguma coisa e me encontra na cama? Sabe que prefiro dormir acompanhado. – Izuku soltou um suspiro cansado. Era sempre impossível ganhar da teimosia de Kacchan. Bakugo, contudo, pareceu perceber a reação magoada do companheiro e entrelaçou seus dedos aos dele. – Relaxa, Deku. Nós temos todo o tempo do mundo, não temos?

Eu quero viver todo o tempo do mundo ao seu lado, Katsuki havia confessado ao parceiro muitos anos antes, quando o mundo sequer sabia que eles eram um casal. A frase escondia muitos significados. Significados que apenas eles compreendiam. Significados que pertenciam apenas a eles – como rivais, como amigos, como amantes, como parceiros de uma vida. Midoriya sorriu. Um daqueles seus sorrisos enormes, iluminados, cheios de afeto e amor. Meu Deus, eu te amo. Bakugo lhe correspondeu com um sorriso mais leve, mas não menos carinhoso.

— Sim. Todo o tempo do universo. – Izuku puxou as mãos do parceiro, fazendo com que o corpo de Katsuki se ligasse ao seu. Suas mãos, então, soltaram-se apenas para alcançarem o rosto do companheiro, a poucos centímetros do seu. – Para sempre.

E beijou-o.

Os filhos viriam quando fosse o momento certo. Midoriya não apressaria as coisas e especialmente, não apressaria o homem que escolhera para compartilhar a vida.

Notas finais
E, então? O que acharam? Gostaram da história? Eu, pessoalmente, gostei de colocá-la no papel. Foi gratificante escrever algo fofo sem perder a crítica que eu tanto queria colocar para fora. Espero que tenham gostado da experiência tanto quanto eu :D Estarei aceitando qualquer tipo de comentário, inclusive de críticas construtivas. Então, manda ver e até uma próxima ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!