Haru

1 01 – Haru


Notas iniciais
Olá, meu povo.

Então, esse enredo brotou do além na madrugada da última sexta-feira, me perseguiu (obrigando-me a deixar de fazer coisas muito mais urgentes) e me fez colocá-lo em palavras, e aqui estamos.

Vai ser curtinho, uns cinco capítulos, eu acho.

Espero que gostem :D

A coisa toda tinha começado errado quando decidiram que era uma boa ideia acordar Bakugo dez minutos antes das seis da manhã. Eu vou explodir esse bastardo meio a meio. Naquela quase madrugada, entretanto, ele decidiu deixar passar aquele atrevimento, afinal, havia uma promessa em jogo. Você promete cuidar bem do Haru-chan por mim? Indagara Midoriya no dia anterior, com aquela cara de cachorro sem dono que sempre derrubava Katsuki, antes de sair em uma missão de emergência. Ele, então, prometera com um grunhido. Agora, caminhando com passos pesados até a porta de entrada do apartamento, ele se perguntava se tinha sido de fato uma boa ideia. Afinal, não era um fato incontestável que ele – mesmo quando se esforçava ao máximo – não tinha qualquer jeito com as crianças?

— Que cara horrível. – Anunciou Todoroki Shoto, assim que Bakugo abriu a porta de casa, com a mesma expressão inflexível de sempre.

— Morra. – Foi a única resposta de Katsuki. Ele estava sonolento demais para ser mais criativo. – Agora, passa isso pra cá. – Apontou para o pequeno corpo adormecido nos braços de Todoroki.

— "Isso" é o meu filho, Bakugo, e o nome dele é Haru, como você bem sabe. – Shoto respondeu enquanto passava com muito cuidado o filho para os braços de Katsuki. Haru se remexeu com a troca, incomodado, até achar uma posição confortável nos braços de Bakugo. – Aqui estão as roupas e os brinquedos. – Passou a Katsuki uma bolsa de lado. – E aqui estão os remédios. – Entregou-lhe uma bolsa de mão. – Você lembra a ordem e o horário dos medicamentos?

— Todoroki, você me fez gravar essa merda, lembra?

— Palavrões, Bakugo. Também conversamos sobre isso. – Shoto o repreendeu, o que fez Katsuki revirar os olhos.

— Ok, ok, vou me controlar. Satisfeito? – Foi a vez de Todoroki revirar os olhos.

— Você tem certeza disso, Bakugo? Ainda posso ligar para o meu pai. – Katsuki sabia que aquela seria a última opção de Shoto. A única opção a qual ele não queria recorrer. Bakugo meneou a cabeça, antes de mostrar um sorriso arrogante para o outro homem. Eu jamais obrigaria você a fazer algo assim, idiota.

— Qual é, meio a meio? Eu dou conta do seu fedelho por um dia, sem problemas. Agora, cai fora, você tá enchendo o saco. – Todoroki suspirou, derrotado. Como sempre, Katsuki não conseguia dar as costas para um desafio, nem que esse desafio fosse uma criança de cinco anos.

— Tudo bem, então. Qualquer coisa, por menor que seja, você pode me contatar. Se eu não responder em até cinco minutos, você manda mensagem para a Momo, ok? Se ela não estiver disponível... – E repassou toda a lista de pessoas de confiança que poderiam ser avisadas caso algo desse errado. Até mesmo Deku estava nela, mesmo que ambos soubessem que as chances dele estar disponível naquele dia estavam abaixo de zero. – Caso ele demonstre algum dos sintomas que eu lhe descrevi, você já tem o número do médico da família. Ele estará disponível sempre. E, se ele se machucar de alguma forma, você sabe que ele é alérgico a...

— Todoroki, alguém já te disse que você é superprotetor? – Já. Mais de uma vez. Bakugo, inclusive, já usara o termo contra Shoto algumas vezes. Na verdade, era de conhecimento geral que o casal Todoroki era superprotetor com o único filho. Izuku, entretanto, pedia para que Katsuki fosse flexível naquele ponto. No fim, eles não tinham filhos, então, como poderiam julgar os amigos sobre a criação do pequeno Haru? – Relaxa, cara. Vai dar tudo certo. Vou devolver o seu fedelho sem um arranhão. É uma promessa. – Mais uma, Bakugo se repreendeu. – Agora, você não tinha uma missão urgente, não?

— Tudo bem. – Shoto respondeu depois de alguns segundos de uma análise silenciosa da situação. A frase, contudo, parecia ter sido dita mais para si mesmo do que para Katsuki. – Vou confiar em você. – Bakugo percebeu como tinha sido difícil para Todoroki colocar aquela frase para fora. Afinal, como herói, Katsuki era bastante confiável, agora, como babá... era outra história. Era realmente um inconveniente que Bakugo fosse a única "boa" opção disponível no momento. – Momo deve vir buscá-lo perto das dez da noite, ok?

— Eu sei. Você já avisou três ou quatro vezes. Agora, só vai embora, Todoroki.

Katsuki manteve-se na porta até ver o carro de Shoto distanciar-se pela rua. Uma parte dele queria se certificar que Todoroki realmente iria embora, enquanto a outra queria postergar ao máximo o momento em que estaria totalmente sozinho com Todoroki Haru. Crianças eram, afinal, sempre um território perigoso. Fechando a porta com cuidado, Bakugo carregou Haru pelo apartamento até o quarto principal – onde Katsuki e Izuku dormiam – e acomodou aquela miniatura de gente entre as cobertas. Haru mal se mexeu. Ele era conhecido por ter o mesmo sono pesado do pai, o que Midoriya sempre dizia ser uma semelhança muito fofa.

Depois de deixar as coisas do menino em um canto do quarto, Bakugo sentou-se na beirada da cama e observou o pequeno. Assim como Shoto, Haru tinha os cabelos e os olhos de duas cores. Diferente do pai, no entanto, Haru tinha os cabelos do lado esquerdo pretos como os da mãe. Com seus recém-completados cinco anos, Haru já despertara a individualidade de gelo e possuía uma maestria com o elemento que seu pai desconhecia. O controle dele, com certeza, tinha sido herdado da mãe. Desde o nascimento, todos esperavam que o futuro de Haru seria brilhante, o futuro de um herói... se, claro, não houvesse um "porém". Katsuki desviou o olhar para a bolsa de remédios do garoto e sentiu-se mal. Estava sem sono quando deixou o quarto em direção ao banheiro.

Notas finais
Comentários são sempre bem-vindos, vocês sabem ♥