Harry e...plantas

16 O Cetro. A Batalha. E a Despedida.


— John – chamou a garota, em um sussurro.

John estava agachado com um objeto em mãos. Os dois observavam um prédio. A luz do dia podia dificultar a tarefa de ambos, haviam várias pessoas por todos os lados. Layla teria de apagar a memória dos poucos que os vissem. Estavam em frente ao grande monumento cheio de vidro. Zenzel estava ali em algum canto. John andou um pouco, acompanhando Gyel e Layla, e, em seguida, jogou o objeto para a garota.

— Ok, como o planejado – ela encarou John, e Gyel. — John, tente manter a sua presença extinta, faça-a desaparecer, você consegue. Gyel, você já sabe o que fazer.

— “Uma cena” – Gyel sorriu. — O povo desse mundo é tão estranho.

— Agora!

[…1 hora antes]

— Nem acredito que fomos esmurrados assim, tão facilmente.

A garota estava sentada na poltrona da casa de Harry. Gyel e John estavam do seu lado, e o seu pai, Leno, permanecia em pé, observando os objetos e coisas desse lugar que nunca pensou em visitar. Estava indignada. Com raiva. O que temeram tanto aconteceu, e eles não tinham mais nada para fazer. E esse era apenas um dos problemas. Quem seu pai havia deixado no comando? Thror? Ela não conseguia mais pensar no que ocorreria com a sua casa. Se o povo de seu Reino descobrisse. Desde de que acordaram, Layla evitou olhar, ou conversar, com seu pai. O homem tentara, mas decidira permanecer em silêncio.

Imaginava as reclamações que ele estava guardando por ela ter ido ao Lago Fosforescente e vindo ao mundo humano sem avisar nada. Só de pensar, sentia dor de cabeça. E ainda havia Gyel, que estava ao seu lado, e lhe parecia quase que atormentado.

— O que nós vamos fazer? Eu sei que sou igual a vocês, mas absorvi informações o bastante desse mundo para que eu acabasse me adaptando a ele. Posso ajudar se tentarem algo – John quebrou o silêncio.

— Não tem mais nada o que tentar, não entendeu? Acabou! Estamos apenas esperando uma sentença de morte – reclamou Layla.

— Atá, desculpa – John calou-se.

— Layla.

Enfim ele lhe chamou. Já estava mais que na hora. O tom sério e rigoroso em sua voz a fez se levantar do sofá com um certo arrependimento no peito. O que ele teria para falar? Layla suspirou. Ele virou seu rosto e olhou para trás, seu pai estava na frente do quarto de Harry, no pequeno corredor da casa. Deixou os garotos ali, e foi até ele, dando leves e lentos passos no piso de madeira. Entortou sua boca e mordeu seus lábios. Não mentiria a si mesma. Estava nervosa.

Ela chegou. Entrou no quarto e sentou-se na cama desarrumada do garoto. Haviam blusas e cuecas jogadas no chão. Gavetas abertas e meias jogadas na cama. Leno entrou logo em seguida e fechou a porta. Era o típico momento entre pai e filho, onde ambos precisavam falar verdades um ao outro. Não estava pronta para isso. Principalmente se o assunto for sua mãe, Susan.

— Não, eu não vou reclamar por você ter vindo até aqui, era a coisa certa a se fazer, e eu me orgulho por você ter tomado essa decisão – o homem sorria, parecia orgulhoso, algo que raramente Leno mostrava para com a filha.

Ele se aproximou e sentou-se do lado da garota.

— Com que visão você veio até aqui? Para dar um jeito no problema e salvar a sua casa, ou apenas por curiosidade, por querer descobrir isso tudo?

Layla levou um dos dedos ao seu olho, estava querendo chorar.

— Os dois? – ela sorriu e tentou olhar para o homem.

— Você sabe que algum dia você vai se casar e governar todo o reino, certo? E eu vou ser apenas um velhinho, esperando a morte chegar, e aproveitando os poucos anos restantes da minha vida – ele encarou a garota. — Não, não precisa chorar…

Ele levou sua mão à bochecha da garota, e continuou a falar.

— Não precisa chorar, por que eu vou fazer o possível para conseguir durar muitos, e muitos anos. Tudo apenas para ver você reinar com seja lá qual garoto você escolher para se casar.

Ela enfim conseguira o olhar nos olhos. Não entendia o por que do discurso. Vai ver por que não vinham muito bem ultimamente, por que nunca tiveram uma conversa realmente sincera desde a morte de sua mãe. Por causa do ódio que estava crescendo em seu coração por seu pai. Mas o homem notara facilmente, e agora tentava se redimir. Estava conseguindo perfeitamente tal feito. Layla passou sua mão por suas bochechas e as secou de suas lágrimas. Os dois continuaram em silêncio, dando algumas risadas por ambos estarem chorando, até Layla perceber o objeto redondo que aparecia ao lado da cabeça de Leno. Esbugalhou seus olhos e levou sua mão até a esfera do objeto.

— É o cetro da mamãe?

Leno levou sua mão às costas e pegou o cetro que estava pregado por raízes em sua pele. Observou o objeto, e entregou para a garota.

Havia uma esfera verde prendida por raízes a uma espécie de cajado de madeira. Era leve. Lindo. Quando Layla sorriu e o apertou, lembrando-se de sua mãe, pequenas plantas nasceram do cajado, todas pareciam alegres e cheias de força.

— Sua mãe se sentiu especial quando o recebeu, e não posso negar que fiquei com um pouco de inveja.

— Qual a história dele? – perguntou ela, olhando para o Cetro.

— Eu vou ter que contar um pouco sobre a sua mãe, tem certeza de que quer saber?

Ficou em dúvida. Não queria chorar novamente, não queria se lembrar dos sorrisos e brincadeiras da bela mulher. Mas também não queria se esquecer.

Balançou a cabeça, confirmando a pergunta do homem.

— Susan era linda e esbanjava alegria para todos aqueles que conhecia. Eu era jovem quando a conheci no mercado do Reino, brincando com crianças sem tetos. A família dela era sim, um pouco prestigiada, mas meu pai e minha mãe não ligavam muito. Queriam que eu me casasse com outra garota, que nem mesmo me lembro do nome. Mas eu continuei com meus objetivos. Eu queria algo com Susan. Aqueles olhos verde-água, aquele cabelo alaranjado, os lábios carnudos, e as bochechas de maçã não eram tudo o que ela tinha. Depois de eu enfim conhecê-la comprando um Ijial, passamos a nos encontrar escondido por um tempo. Com o passar dos anos, minha mãe já estava pronta para se tornar nossa vida, nossa nova fonte de energia. As últimas palavras dela para mim, foram um simples eu te amo, e, em seguida, disse para eu seguir com o que eu sempre planejei. Ela queria que eu e Susan fizéssemos um Mekonjyao. E nós fizemos, mesmo sem o total aceitamento de meu pai.

O homem suspirou.

— E é aí que entra a história do Cetro. O Cetro absorve a energia das terras do Reino, ele também a distribui, e produz a nossa fonte de vida. Ele que nos dá nutrientes. Ele que nos dá alegria. Ele que nos dá uma vida. Cada Reino de nosso mundo tem um responsável pelo Cetro. São 4 Reinos. Quatro Cetros. Eu, do Reino do Norte, Bawhul. Bolly, do Reino do Leste, Iknas. Kila, do Reino do Sul, Kowhyl. E o Girhan, do Reino do Oeste, Nyeell. Quando um ocorre um Mekonjyao, o cetro deve passar, ou para a mulher, ou para o homem. O Rei, ou a Rainha, não importando se eles são, ou não, filhos do Rei e Rainha passada. E eu estava mais que ansioso esperando que eu fosse escolhido por ele. Mas ele escolheu sua mãe. As raízes cresceram em suas costas, e das raízes veio o cajado. A esfera apenas nasceu, como uma planta, com o passar dos anos.

— É lindo.

— E ele vai nos ajudar a acabar com isso.

A garota ficou surpresa, não sabia que o objeto poderia ser usado em batalha.

— Você sabe como trazer o Harry de volta? – John entrara no quarto junto de Gyel, parecia alegre e ansioso, queria salvar seu mestre e Cassie.

— Eu posso sentir Zenzel se ele estiver perto, mas as habilidades são dobradas com o Cetro de Susan em mãos, ou seja, consigo sentir ele mesmo estando longe o bastante, e mesmo que sua presença esteja fraca, é possível encontrá-lo.

— Então vamos – disse Layla, levantando-se.

— Não, não, está de dia e provavelmente várias pessoas estarão por aí. Vocês irem para o local como estão vestidos agora apenas chamariam atenção. E, quanto mais pessoas, mais difícil é para fazê-los se esquecer das coisas, não? – intrometeu-se John, esbanjando os conhecimentos que adquirira.

— As habilidades são dobradas com o Cetro – falou Layla.

— Mas ainda assim, mesmo que os poderes desse objeto fossem imensos, ainda não seria o bastante para que toda a população mundial se esquecesse do que viu. Se formos assim, vamos parecer estranhos, loucos, mágicos, pessoas irão nos gravar, iremos parar em noticiários. A energia desse Cetro também pode acabar.

Todos ficaram em silêncio, observando John. O garoto coçou seus cabelos, que já não eram mais verdes, e sim um marrom esverdeado, e sorriu.

— Ah! Sobre as roupas! – John andou até o guarda-roupa. — Podem pegar qualquer uma dessas – o garoto pegou algumas blusas do chão, jogando-as para Layla e Leno. Pegou algumas de dentro do guarda-roupa, e jogou-as para Gyel.

— Se vistam, e estaremos prontos para ir!

[Agora…]

— Você me desafiou, lacaio! – gritou Gyel, apontando uma espada para John.

— Não, por favor! Não me mate!

Os dois estavam perto de um chafariz, em frente ao prédio de onde vinha a energia de Zenzel. Gyel estava com um boné, uma blusa preta com uma frase que dizia “Kill Them All”, e uma calça jeans que provavelmente estava incomodando-o. Continuava apontando a arma para John, esperando que várias e várias pessoas se juntassem ali. Tinha de atingir o garoto, e o fez. Arranhou o rosto de John, que caiu no chão. Algumas pessoas soltaram um “Ooh”, torcendo para que o garoto fugisse. Teve outras que tentaram ajudar, mas Gyel lutou com todas, jogando-as de volta na multidão quando eram derrotadas. E continuaram ali até que o povo dos prédios da região saíssem para observar, principalmente o que Layla acabara de entrar.

— Por favor! Tem, tem um louco tentando matar um garoto com uma espada perto do chafariz! Por favor, ajudem! – as recepcionistas, os seguranças, os atendentes, e até mesmo o chefe do local, que estava ali naquele momento, saíram para ver tudo.

Layla sorriu. Seu cabelo estava amarrado em um rabo de cavalo. Vestia uma blusa vermelha simples, com mangas, e uma calça jeans preta. Ela havia escondido o Cetro em um jarro perto da bancada da recepcionista, e quando todos saíram, ela o pegou. Estava pronta para cumprir com sua parte. Olhou para as escadas e o elevador. Queria confirmar se ainda havia alguém. Por sorte, não vira uma pessoa se quer. Segurou o Cetro de sua mãe, fechou seus olhos e o sentiu. Sentiu a energia que ele exalava, que ele dava para todo o seu povo. E, com um rápido movimento, ela o tacou com força no solo. Algumas plantas nasceram ao redor do cajado. E, ao abrir os olhos, pôde ver exatamente onde Cassie, e Zenzel estavam. Ela saiu do prédio novamente e observou o grande tumulto que Gyel e John estavam fazendo. Aproveitou que ninguém estava olhando para ela, e novamente tacou o Cetro no solo. Dessa vez sentira os sapatos em seus pés estourarem. Ela sorriu e abriu seus braços, colocou o Cetro em suas costas, prendendo-o com raízes, e pulou.

Foi como uma bala. Todos os vidros explodiram e jogaram-se contra o povo, que se assustou com o que viu. Quando Layla se aproximara do lugar, tirou o Cetro novamente de suas costas, e com um movimento bruto, o passou pelos vidros que estavam na sua frente. Outra explosão. O povo começou a correr, ignorando Gyel e John. Não sabiam exatamente o que estava acontecendo. Quando pisou no lugar, e tirou os cabelos de seu rosto, viu Zenzel ali, a observando com raiva, prendendo Harry e Cassie em camas e pronto para iniciar o processo de copulação. A criatura criara uma grande lança de madeira, que se projetou de seu braço musculoso, para lutar contra a garota. Mas ela sorriu e assoprou a esfera verde do Cetro de sua mãe.

— Eu não sou muito boa com lutas.

Quando Zenzel se virou, viu uma árvore crescendo atrás de si, naquele escuro quarto sendo iluminado pelo enorme buraco que Layla fizera no prédio. Zenzel se afastou, e soltou um grito, atacou a árvore, mas nada aconteceu, ela continuou crescendo, e quando enfim estava completa, um homem saiu em meio a madeira. Era Leno. O homem brandou sua espada e soltou um golpe contra Zenzel, que se afastou, mas ainda fora cortado no peito, derramando sangue para todos os lados. Suspirou, e encarou Leno.

— Eu não fui abençoado por nosso deus. Tinha que ter você aqui pra me atrapalhar – ele sorriu, apertando o ferimento em seu peito.

— Layla, solte o garoto, e a garota, tire-os daqui.

A garota foi até o pai e o entregou o Cetro. Em seguida fora até Harry, que estava desmaiado, e o soltou das correntes, fizera o mesmo com Cassie, e, logo após, pulara do buraco que fizera, Leno balançou o objeto, e Layla acabara pousando no solo como se não tivesse pulado de uma altura absurdamente alta. Agora o homem tinha de cumprir tudo. Fazer o menos e matar a criatura.

Zenzel soltou outro grito, começando a soltar golpes descontrolados com sua lança em Leno. Suspirou, sorriu, e golpeou o solo com sua lança. Os dois caíram no quarto de baixo, Leno ia se levantar, mas Zenzel atacara novamente. O homem desviou, se locomovendo de ombro para a esquerda, e, antes que a criatura o atacasse novamente, chutou-o, fazendo-o recuar. Leno o apontou o Cetro, a esfera começara a brilhar, e, como um canhão, soltou algo brilhante, Zenzel a interceptou com sua lança, cortando-a no meio, e, tudo o que estava atrás de si acabara explodindo. Vidro, madeira, concreto, tudo voara para todos os lados. Rodou, portando bem sua lança, passando-a de braço a braço, e, sem que Leno percebesse, levara um pequeno corte em seu rosto. O homem soltou um ruído, e rapidamente aproveitou a abertura de Zenzel, encostando-o a esfera. Ele ficou observando, esperando algo acontecer, e, dado alguns segundos, ele afundou o piso, descendo novamente para o andar de baixo, e continuou assim, gritando e caindo mais e mais. Quando escutou um estrondo, soube que a criatura havia atingido o solo do primeiro andar.

Tentava se levantar, mas não conseguia. Sua cabeça estava rachada, sangrando. Sua boca fora cortada por um ferro, e todos os seus membros estavam quebrados e presos na cratera que fora aberta. Ele gritava, agoniando. Até Leno aparecer na sua frente.

— E-Eu sei que não foi tão fácil, Thunny nojento – ele sorriu. — O que vai fazer em relação ao povo desse mundo? Eles vão ver tudo isso.

— Onde está o Thaurino? – perguntou Leno, olhando com desprezo para a criatura derrotada.

— Ele conseguiu! – começou a soltar risadas, forçadas, dificultando a respirar. — Ele conseguiu o que eu não consegui! Não vai servir de nada você ter me matado, Thunny! O caos vai se alastrar no nosso mundo! – gritava ele. — E NESSE TAMBÉM!

O homem não demonstrou piedade, e pisou com força na cabeça de Zenzel, seguidamente, até sua cara não existir mais, e seu cérebro pular para fora. O corpo da criatura se desmanchava, virando raízes que morriam pouco a pouco. Ficaram cinzas, e com um simples vento, desapareceram. Leno ia sair do lugar, indiscretamente, mas uma mulher, assustada, aparecera em sua frente. Ele apenas passou o Cetro pela mulher, que acabou desmaiando.

Layla esperava apressada pelo homem em frente ao local, um pouco longe para não que não tivesse sido atingida por qualquer destroço que acabasse caindo. Estava em meio a pessoas, e escutava a conversa delas. “Parece que um grupo terrorista quer matar um cara que se isolou deles, e ameaçou a contar tudo o que sabia sobre, ao governo”. “Briga de gangue”. “Ataque terrorista”. E mais e mais ideias malucas, todas absurdamente diferentes do que realmente acontecera. Pensavam até que ela havia salvado os dois, Harry e Cassie. “Não sei, de vez o vidro começou a explodir”, um homem falava para a repórter já presente no local.

— Onde está o Cetro? – Layla perguntou, Leno se aproximava da garota, que estava com Gyel, John, e os dois desmaiados.

— O fiz desaparecer, colocando-o no solo, ele pode aparecer novamente para mim, é apenas eu desejar que isso aconteça – Leno fingiu um sorriso, não estava nada feliz após o que ouvira de Zenzel. — Vamos, ainda temos coisas pra fazer, certo?

[…]

— Ele se meteu sem querer, e quase serviu de cobaia – Layla estava com os braços cruzados, observando Harry deitado na cama, Cassie já havia se acordado e estava ali, junto de John, esperando que o garoto se acordasse.

Leno entrara no quarto, parecia um pouco triste. E Cassie e John sentiram o aperto em seus corações a qual não deveriam sentir. Sabiam que o garoto não os tinham como as melhores coisa de sua vida, mas sabiam que Harry gostava deles, mesmo criando confusões para o garoto. Eles eram o único escape do garoto. Eram a única coisa que faziam com que o garoto sorrisse naqueles poucos dias que passaram juntos. Cassie passou um de seus dedos por seu olho, não queria derramar lágrimas, mas elas continuavam vindo. Mesmo tendo sido deixada ali para fazer o mal junto de John, os dois o conheceram, e sabiam de tudo pelo que ele passava, e eles queriam continuar ali para ajudá-lo, fortalecê-lo nos momentos difíceis.

— Já? – Cassie virou-se para Layla, e Leno. — Nós não vamos nem nos despedir? Esperar ele se acordar?

Leno balançou sua cabeça, dando um passo.

— Não, ele pode negar, garota, e nós precisamos retirar tudo o que ele sabe, tudo o que ele nem mesmo devia saber.

— Ele cuidou de nós – a garota continuava chorando, John a abraçava, tentando consolá-la. — Ele cuidou de nós, e ele nem nos conhecia. Nos deu roupas. Nos deu conselhos. Nos ajudou…

— Vamos, vocês dois – Layla continuava com os braços cruzados, triste pelos dois que choravam na sua frente. — Acabou.

Cassie e John soltaram o braço do garoto, beijando-o a mão. Ele não se lembraria mais deles. Eles seriam um nada novamente, quando sementes. Não teriam ninguém para que cuidasse deles. Mas tinham de se despedir. Aquele não era o mundo deles. Por mais que quisessem, tinham de ir embora. John saiu do quarto, acompanhado de Cassie, oferecendo conforto a garota que ainda chorava. Layla fechou a porta, e encarou seu pai, com o olhar ainda triste.

O homem suspirou. Colocou o Cetro firme em suas duas mãos. Sabia que tudo não havia acabado, mas sentiu como se houvesse, como se nunca fosse ver aquele lugar novamente, absorver mais e mais informações. Sorrir como aqueles humanos, vestir-se como eles. Chegara a hora. O Cetro brilhou, ele sabia o que tinha de fazer. Apagar a memória de todos aqueles que tiveram contato com algo do mundo deles. Fazer como se tudo não tivesse acontecido. Layla apertou o seu nariz e viu o garoto ainda deitado. Queria saber o que ele tinha que fez com que aqueles dois simplesmente se apegassem a ele. Mas não podia. Leno encostou a esfera na cabeça de Harry, e todas as imagens, tudo o que ocorrera com Cassie e John, a captura do garoto, tudo, os sorrisos que dera com os dois. Se fora.

— Vamos – Leno observou a garota, ela queria chorar por algum motivo, e guardava as lágrimas para que não o fizesse.

— Toda a alegria que sentiu com Cassie e John… sumiu… – Layla encarara seu pai, ainda com o sorriso triste estampado no rosto, e os olhos cheios de lágrimas. — Eu não gostaria que a alegria que senti por um tempo em algum dia fosse retirada, é… triste.

Leno abriu a porta e esperou Layla. A garota fungou e secou seu olhos com a roupa humana que ainda vestia. Ela passou pelo corredor, seguindo seu pai. Cassie e John estavam ali, com os olhos vermelhos, esperando que os levassem para o seu verdadeiro lugar. John deu um sorriso torto, também não queria ir embora. Não queria deixar Harry e a vida já feita ali. Gyel se aproximou de Leno, Layla, Cassie e John. Leno brandou o Cetro, e quando Cassie e John piscaram, estavam de frente para um lago, no meio de uma cidadezinha não muito movimentada. Olharam para a água. Leno e Layla foram os primeiros a entrar, Gyel foi em seguida. John deu alguns passos e olhou para trás, para Cassie.

— Nós temos que ir, Cass.

A garota ficou em silêncio, abraçando a si mesma e olhando para baixo, fungando.

— Eu prometo que nunca vou me esquecer dele, e você tem que fazer o mesmo – o garoto estendeu sua mão, estava chorando observando a garota.

Ela colocou as duas mãos nos olhos, começara a soluçar. Ela olhou para John, e segurou a mão do garoto, que a apertou, e andou com ela para o fundo do lago. Estava deixando-os. Harry e Clara. Devia valorizar todos dali. Ia valorizar todos ali. E nunca, nunca se esqueceria de tudo que ocorrera. Os dois afundaram, e John ajudou a garota a nadar até o fundo, como os outros estavam fazendo.

E depois de alguns segundos, não havia mais ninguém ali.