— Durante o fim de semana eu, o Rei de Sundallir, e todo o povo do reino, ficamos desesperados pela ação desse homem. No dia 45 do ano, duas sementes foram roubadas no mercado, o vendedor afirmou que as sementes foram roubadas por um senhor, o senhor que está aqui na frente de todos vocês – Leno começou o Julgamento, estava nervoso, afinal, queria mostrar para sua filha que tinha o poder necessário para comandar o seu reino.

— As decisões foram tomadas antes mesmo do julgamento, mas, antes de dermos um fim a isso, trouxemos ele até aqui para que nos desse respostas – Thror gritou a todos, sua voz rouca e esforçada ecoou no palácio. O ancião afastou-se e deixou que Leno se aproximasse de Yviel. — O senhor pode começar o interrogatório – afirmou Thror.

— Você, meu caro Yviel, um dos nossos, nascido aqui sinteticamente através do processo de germinação, deverá nos contar a verdade e somente a verdade – Leno afastou-se. — Apliquem a seiva nele, por favor – dois homens surgiram, um segurou Yviel e o outro aplicou a seiva nele através de um inseto que fora mergulhado no material e logo após jogado sobre a pele do homem, penetrando-o.

— Está pronto, senhor, pode começar.

— Começando este nosso simples interrogatório, pós julgamento, eu lhe pergunto, meu caro ancião, por que roubou as sementes?

— Eu queria fazer um teste – o velho sorriu – Queria ver o que nós causaríamos caso fossemos inseridos a outra raça.

— Poderia falar, explicitamente e sem obstáculo algum o que você fizera após o roubo?

— Após roubar as sementes eu entrei no portal através do lago fosforescente – todos que observavam e escutavam o que estava sendo dito, ecoaram no palácio o som da surpresa, todos cochichavam e falavam sobre, quem faria tal coisa? Quem entraria no portal do lago fosforescente?

— SILÊNCIO! – gritou Leno, o público logo se calara e continuara a acompanhar o velho. — Continue – ordenou.

— Como dito, eu queria ver o que ocorreria caso eu inserisse a nossa raça com outra, eu levei as sementes para um lugar cheio de pessoas como nós, como se eles fossem o outro lado do espelho. O outro lado do lado.

— E o que você fez lá? – perguntou o homem, ele estava nervoso, tudo o que estava sendo falado naquele momento causaria grandes problemas ao seu Reino, como também o mundo inteiro em que vivia.

— Eu acabei encontrando um garoto, jovem, bonito, e o entreguei o pequeno saco com as duas sementes, mas antes de o fazê-lo, antes de encontrar o garoto, eu pedi a elas para que ao nascerem germinassem com o garoto, fazer com que ele as engravide – o povo novamente se descontrolou, guerras e problemas econômicos com outros reinos poderiam ser causados pela brutalidade do ocorrido, Leno pronunciou-se novamente, gritando ao povo para que se calassem.

— E qual a sua intenção em mandar que as sementes germinassem com o garoto? Fazer com que meu reino caia aos pedaços? Era isso o que você queria?

— Não está óbvio meu Rei? – o velho tossiu e continuou. — A intenção não era essa, mas também é algo bom, a intenção é criar uma junção da nossa raça com outra, um híbrido. Não vê nos livros? Híbridos são seres fortes, a junção de duas raças, são seres feitos para governar!

— Matem-no!

— Não adiantará de nada, mesmo que me mate e vá impedir o que fiz, Iunossetes e Thaurinos, raças que vivem isoladas na floresta, devem ter mandado também os seus líderes para criar o mesmo, afinal, todos querem um híbrido para mandar em tudo! – Leno pegou um machado e rapidamente o levou até o estômago do velho, suas tripas eram estraçalhadas e sua boca cuspia sangue a cada golpe.

— O JULGAMENTE ACABOU, TODOS VÃO PARA SUAS CASAS, AGORA! – o povo inteiro saiu às pressas do palácio, Leno jogou o martelo no chão e foi até Thror. — Onde está Layla? Ela tem que ir para o quarto, agora!

— Senhor, eu, eu pensei que havia dito para a garota que ela poderia sair a qualquer momento. Ela me disse isso quando estava saindo quase que no final do interrogatório.

— O que? – o homem estava nervoso. — Não, não, ela, ela foi para o lago novamente! – Leno pegou novamente o machado, e enquanto andava novamente até o corpo morto do velho, arrastava a arma no chão, ele gritou e começou a tacá-lo no corpo.

— Senhor! – gritou Thror. — Tropas devem ser mandadas, apenas ordene!

— Onde está o cetro de Susan? – perguntou o homem, ele estava completamente vermelho do sangue espirrado em si. — Eu vou usá-lo para matar os Iunossetes e Thaurinos, e, se tivermos sorte, talvez as sementes não tenham germinado ainda.

— Ele está no subterrâneo, dentro da caixa deixada por sua mulher, soterrado pelas cartas e livros – Thror observava o homem indo até a escada do subterrâneo, que ficava próxima ao trono. — Tome cuidado em meio a luta, senhor!

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— Quem era aquele homem? – perguntou Harry, o garoto lavava os pratos enquanto a mãe guardava os restos de bolo e salgado.

— Eu já disse, Harry, e eu não vou repetir – Vívia abriu a geladeira e colocou o prato com salgados na última prateleira.

— Eu só acho errado você fazer isso, é o mesmo que dizer que não ama mais o papai.

— Seu pai morreu, Harry, eu tenho que seguir em frente. Vá dormir, já é tarde, eu continuo.

— SUA IDIOTA! – Harry gritou, o prato fora jogado no chão pelo garoto. — Sempre se desviando, sempre fingindo, VOCÊ NUNCA LIGOU! NUNCA LIGOU PRA ELE!

— Filho…

— Você sempre ignorou o amor dele, eu posso não lembrar muito, mas eu sei que você não queria nada – Harry começou a chorar. — Você… não queria nada, e depois – Harry aumentou novamente seu tom. — Depois você me vem dizendo que não me quer mais perto do Lucas! POR QUE? ME DIZ POR QUE! ME DIZ! Você tem medo de que ele me faça gay? É isso, certo? Certo?

— Não querido, não…

— Você tem medo de que eu comece a chupar rola, não é? Ou é por causa da sua reputação?

— CHEGA! CHEGA, HARRY! Eu sou sua mãe e você não possui direito algum de gritar comigo! Não tem direito ALGUM de escolher o meu futuro! Está ouvindo? Eu ESCOLHO O QUE EU QUISER PARA A MINHA VIDA! E você? Você é meu filho! EU tenho o direito de guiar você por um caminho certo! EU tenho que fazer você ter um bom futuro! Lucas? Depois do que vi, percebi que era apenas uma sombre de má influência cravada na sua. Um idiota que não se importa com a vida!

— Então por que trouxe Madeleine e a filha dela? POR QUE AS TROUXE, MÃE? Não era por que queria que ela se oferecesse para mim, não é? Não é por que queria que seu filho comesse ela, não é? EU ESCOLHO O QUE EU VOU FAZER NA MINHA VIDA, NÃO VOCÊ! Tudo, tudo o que ocorreu é culpa sua! – Harry não queria dizer aquelas palavras, mas elas estavam quase saindo, e foi o que aconteceu. — Você matou o papai. VOCÊ MATOU O PAPAI! – Vívia o olhou tristemente após o dito, a mulher estava quase chorando junto do filho, ela suspirou e levou sua mão ao rosto do garoto.

— Como você teve coragem de dizer isso? Não. Como você foi CAPAZ de dizer isso a sua mãe! – a mulher não aguentou, logo começou a chorar. — Eu posso não ter amado seu pai do modo como ele me amava, eu posso ter ferido ele, mas NUNCA, eu NUNCA, seria capaz de matá-lo, está ouvindo? NUNCA! – a mulher caíra de joelhos no chão e continuara a chorar. Harry tentou secar suas lágrimas, mas, apesar de sério, não conseguiu cessá-las.

— Ah – o garoto estava indo para seu quarto. – Eu não vou dormir aqui hoje.

Vívia pôde ouvir o bater da porta. Pôde ouvir os gritos e objetos sendo quebrados. Essa não era a vida que queria, nunca foi. Sabia que todos os erros foram seus, que tudo aquilo estava ocorrendo por causa dela. Tudo o que lhe restava era pagar suas dívidas.

— Eu já estou indo – Harry abrira a porta e olhara para a mãe.

— Para onde você vai? – berrou ela. — Por favor, não me deixe sozinha, NÃO! – ela agarrou o pé de Harry para que ele não a deixasse, mas ela não conseguiu segurá-lo por muito tempo, com a vista manchada pelas lágrimas viu seu filho deixando-a. Isso era tudo o que menos queria.

O vento estava forte e a mochila pesada. Cassie e John haviam saído pela janela de seu quarto e lhe acompanhavam no meio da noite, ambos calados, pois sabiam que Harry não queria falar nada. Tudo ocorreu de um modo a qual não queria. Sua mãe trouxera um namorado para o aniversário, Clara percebeu que ele transou com a filha da vizinha e depois de comer o bolo, fora embora, Lucas não foi por ter escutado o que a mãe de Harry havia dito sobre ele. Não sabia a quem recorrer, a quem ir atrás. Clara ou Lucas? O garoto pensou, mas não conseguiu a resposta. Ele ia falar com John e Cassie, enfim abrir a boca, mas uma pessoa o atacou, uma garota, esta surgira de um beco escuro e caíra em cima dele. Outro apareceu, este segurou Cassie pelo pescoço, ameaçando-a com uma faca.

— É você, garoto!