Harry e...plantas
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Notas iniciais
— Parece que ele não liga pra gente – Cassie estava sentada na cama de Harry, conversando com John.
— Ele liga sim, Cassie – John levou sua mão até a bochecha da garota. — Não se lembra? Antes de ontem, de noite, quando nós nascemos, ele nos trouxe para a casa dele, e cuidou de nós dois. Ele nos deu banho!
— Mas nós passamos tão pouco tempo com ele, eu meio que sinto, que, que ele não se apegou a nós, não se importa – a garota olhou para John. — Mas, mas eu me importo com ele. É como se tivéssemos nascido aqui por uma razão.
— Layla disse que nós não devíamos ter nascido aqui, disse que nem mesmo deveríamos ter vindo para cá. Ela disse também que esse não é nosso mundo. Nós temos que ir embora quando tudo acabar, independente do que acontecerá com Harry. Ele se cuidava sozinho antes, vai se cuidar sozinho depois. E ele tem os dois amigos dele, a Clara, e o Lucas.
— Lucas não é amigo dele – sussurrou ela. — Ele nem mesmo veio para o aniversário.
— Parece que ele havia brigado com a mãe do Harry…
Cassie levou seus cabelos marrons para atrás de sua orelha e continuou a encarar John.
— O que vai acontecer quando tudo isso acabar?
John a olhou tristemente, mas não falou nada.
— Eu quero ficar – ela confessou.
— Mas não pode – Layla entrara no quarto.
— Onde está Gyel? – perguntou John.
— Está vigiando a porta da casa.
A garota ruiva sentou-se perto de Cassie, e observou os dois ali sentados. Nem imaginava que ambos conseguiram passar dois dias nesse mundo que nunca vira antes. O olhar de ambos eram iguais, nunca havia visto pessoas da mesma raça que a sua tão tristes, até mesmo os ladrões e sem tetos do reino de seu pai lhe aparentavam menos infelizes naquele momento. Ela forçou um sorriso, e começou a conversar com os dois.
— Hei, não precisam ficar assim – a garota passou sua mão pelo cabelo encaracolado de Cassie. — V-Vocês não vão morrer, não vão envelhecer rápido, nada, apenas vão para o lugar ao qual realmente pertencem. Vocês já conseguiram até informações o bastante daqui para conviverem com tudo!
— Nós queremos ficar, e isso não é uma opção! – Cassie levantou-se e saiu do quarto.
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— O que você fez? – a mulher soltou em um grito.
— Não foi eu, Vívia, ele que veio atirando em mim que nem um doido! Eu apenas bati um pouco nele!
— Mas precisava dar um tiro no garoto? – a mulher estava impaciente. — E-Eu vou chamar a polícia!
Ela se afastou um pouco, mas o homem segurou o braço dela e em seguida sussurrou em seu ouvido.
— Não, você não vai – ele sorria. — Se não você vai junto comigo, passar a mesma quantidade de anos em uma prisão, quando eu sair, você também vai sair – ele a soltou.
— O que você está dizendo?
— Eu sei, Vívia. No começo do seu casamento com Rafael. Eu sei que matou aquela garota.
— D-Do que você está falando?
— Você sabe muito bem do que eu estou falando – o homem continuava sorrindo. — Agora, se você ligar para a polícia, eu vou contar tudo desse caso que eles não conseguiram resolver, e você vai presa junto comigo. Se não contar nada, eu inventarei uma desculpa pra tudo isso, e, talvez, eu nunca mais lhe perturbe.
— Eu sei que precisa de uma condição – ela secou as lágrimas de seu rosto, e continuou a falar com o homem. — Qual é ela?
— Poder passar todos os fins de semanas com você e Harry, afinal, Johnny nunca mais vai querer me ver depois do que aconteceu hoje – Tássio andou até o sofá e pegou uma toalha que estava jogada ali. — E você vai me dar uma certa quantia, todo mês, sem reclamação alguma, está ouvindo?
A mulher continuou calada, olhando para o filho caído no chão.
— Eu vou ficar com Johnny.
— Harry vai fazer perguntas, Vívia – Tássio foi até a sua cozinha, e pegou uma das cerejas que estavam jogadas no pote de vidro. — Vai mesmo querer Johnny com você?
A mulher escutou o som da ambulância, e foi até o filho, que respirava fracamente.
— Contanto que ele não esteja com você.
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— Vocês brigaram? – Cassie estava sentada em cima da mesa da cozinha, olhando para Gyel sentado na frente da porta de vidro.
— Sim, por favor, garota, e-eu, eu não quero conversar sobre isso.
— Tudo bem – Cassie levantou-se, e andou até ele. — Mas, você tem certeza? – ela sentou-se e o encarou.
— Eu transei com o pai dela, ela mal me conhece, e já estamos nisso faz 2 meses. Não percebe o que está acontecendo. Eu gosto dela, eu, eu só queria que ela conseguisse perceber. Os motivos -
Ambos olharam para os lados ao escutarem algo estranho. Cassie levantou-se, Gyel fez o mesmo, ambos logo correram para dentro. Layla e John também haviam saído do quarto, se encontrando com os outros dois.
— Vocês também escutaram? – perguntou Layla, assustada.
— S-Sim, deve ser a presença que eu senti antes.
Dessa vez escutaram outro estrondo, conseguiram sentir um pequeno movimentar, e escutaram algumas pedras batendo contra o vidro da porta. Gyel fez um sinal para que todos ficassem ali, ou até mesmo fossem se esconder. Estava de dia, amanhecendo, não tinha do que ficarem com medo. Se alguma pessoa da vizinhança acabasse vendo, arranjariam um jeito de fazê-la se esquecer de tudo, assim como fariam com Harry no fim da missão.
O garoto de cabelos vermelhos tirou lentamente sua espada da bainha, e a segurou firmemente. Não se importava com ninguém ali, mas tinha de protegê-los, principalmente Layla. Ele tinha que protegê-la. Tinha que honrar o seu título de namorado, talvez até mesmo ficar noivo, se tornar o novo Rei do reino, e ela a nova Rainha. Os pensamentos errados estavam novamente preenchendo sua cabeça. Não poderia se distrair. Ele apertou o cabo da espada, firmando-a entre suas duas mãos. Deu seu primeiro passo, e continuou assim. Ao sair do corredor, viu a porta de vidro que dava entrada à casa, no jardim havia uma cratera, como se ali tivesse ocorrido um pouso de algo com grande peso. Suas mãos começaram a tremer. Podia ser um dos Iunossetes, os horríveis Iunossetes, fortes e habilidosos, frios, carnívoros, inteligentes. Mas eram os Thaurinos que mais o amedrontavam. Havia algumas histórias horríveis que sua família contava sobre os habitantes da floresta de seu Reino.
Ia abrir a porta, mas uma pessoa aparecera do lado de fora quando desviara o seu olhar. Era um homem acompanhado de um garoto. O homem estava sem blusa com seu peito musculoso e cheio de pelos à mostra, em suas costas podia-se ver um artefato prendido por algumas raízes que cresciam das suas costas, seu cabelo castanho e liso estava despenteado, e seu rosto sujo. Usava uma espécie de short de seda com várias folhas, mostrando boa parte de suas musculosas pernas, que também estavam cheias de areia, e com algumas facas presas a elas por raízes. O garoto ao seu lado parecia um pouco assustado, mas já sabia bem do que tudo se tratava. Estava olhando para os lados, pensando em como tudo aquilo foi acontecer. Seu cabelo preto meio encaracolado estava despenteado, sua blusa estava suja e amassada, sua calça estava mal colocada, e havia algumas marcas visíveis em seu pescoço. Ele soprou uma pequena mecha que estava na frente de seu olho, e esperou que alguém falasse algo.
— O que aconteceu? – Layla saíra do corredor, estava ansiosa para saber o que estava ocorrendo. — Pai? Oh! O garoto! – ela ficara sem jeito, lembrou-se de que fugira em meio o julgamento do velho que causara tudo, se seu pai não a matasse ali, a mataria mais tarde.
— Sim, o garoto – Leno abriu a porta e empurrou Harry para dentro da casa.
— Harry! – Cassie também saíra do corredor, indo na direção de Harry, ela o abraçou, John veio logo em seguida, e também abraçou o garoto. — Nós estávamos preocupados com você!
— Como você encontrou ele? – perguntou Layla, ainda com medo de seu pai.
— Assim que cheguei aqui, eu senti o Thaurino e o Iunossete que vieram para cá, os persegui, mas acabei os perdendo, eu estava andando quando esse garoto barroou em mim. Ele que me trouxe até aqui, Layla. Mas…
— Tem algo aqui – completou Layla.
— Sério que vocês vão simplesmente me ignorar? – falou Harry, tentando se intrometer.
— Gyel e todos nós sentimos um deles pelas redondezas. Devem ter fugido quando você chegou – Layla ignorou o garoto novamente.
Um vulto atingira Leno, o homem atingiu o solo, e foi arrastado até o asfalto pela força do ataque. Layla soltou um grito, e Harry, Cassie, e John se afastaram. Gyel levantou sua espada, e estava pronto para desferir o ataque no indivíduo, mas ele segurou a mão do garoto, apertou-a, pegou a espada, e a jogou contra Layla, que abaixou-se e desviou da arma. Ele continuou segurando a mão de Gyel, começando, repentinamente, a girá-lo, e, em seguida, o jogou contra Cassie e John, os três foram jogados contra a parede, quebrando-a. Harry olhou assustado para a entidade, e correu para a cozinha, procurou por uma faca, e, quando a pegou, escutou o homem em seu ouvido.
— Eu não faria tentaria isso se fosse você.
Harry ignorou a ameaça, e desferiu o golpe. O grande homem segurou a lâmina da faca, cortando-o, e, com o outro braço, socou o estômago de Harry.
— Eu poderia escolher qualquer um, mas depois de vê-lo em frente a casa da garota que copulou comigo e com Circal, eu senti, senti que o nosso híbrido seria muito melhor! Não deu certo comigo daquela vez, mais agora vai dar – uma raiz pontuda saíra do pulso do homem, ele sorriu e a levou ao pescoço de Harry.
Ele se contorceu, lutou para sair, mas não conseguiu, e em segundos, se viu delirando, quase apagando. Forçou seus olhos, mas não conseguiu. Apagou. Acordou-se com gritos, gritos de uma garota presa a uma cama. Era Cassie. Ele virou seu rosto, também estava preso a uma cama. Correntes prendiam seus pulsos e pés, impedindo-o de se mexer. Por que? Se perguntou. Sua vida subiu, desceu no mesmo dia, desceu mais ainda, subiu com os acertos, com a volta de sua amizade com Lucas, e o relacionamento concreto que firmara com Clara, mas ela descera novamente. Chegou até a se esquecer de que tinha problemas estranhos e ainda maiores para resolver. As plantas. O mundo estranho que até agora se negou pensar existir. Queria que aquilo tudo fosse um sonho.
O homem que o capturara apareceu. Ele o observou cheio de ódio. Seus cabelos eram brancos, suas feições eram jovens, não vestia uma blusa, mas haviam raízes nascendo de seu peitoral, braços, e de sua testa, formando pequenos chifres. Também não vestia uma calça, em seu lugar também haviam raízes, que se entrelaçavam na cintura, formando uma espécie de tanga, elas se espalhavam por seu abdômen, e pernas. Viu apenas algumas, mas nasciam poucas pequenas folhas de algumas das raízes. Ele era forte, e aparentava ter seus 28 anos. Mas não foi toda essa estranheza que chamou a atenção de Harry, foram os olhos vermelhos cintilantes que o olhavam. Aquilo tinha um desejo, e seu olhar mostrava que ele estava perto de alcançá-lo.
— Bem, estamos pronto para copular!
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