Harry e Eu
6 Minha casa na árvore, minhas regras
Notas iniciais
Minha casa na árvore, minhas regras:
— Possa saber o que você está fazendo aqui? — Perguntei incomodado.
— Lhe incômodo? — Perguntou ainda calma. — Você não me disse seu nome.
— Harry. — Continuei seco.
— Ah! Disseram-me que essa casa na árvore é sua... Me desculpe! Achei que estava abandonada e resolvi dar uns ajustes. — Seu tom de voz continuou calmo e isso me irritava.
— Ficaram bons os ajustes, mas esse é o único lugar pelo qual consigo ficar sozinho, pode se retirar?
— Você me odeia não é? Fiquei sabendo. — Disse se aproximando de mim. — Não tenho culpa, Harry.
— Não te odeio... Só te desprezo. E pode meter o pé fora daqui?
Ela sorriu para mim e continuou me encarando. Algo digno de uma pessoa sem noção, afinal o que a faz confiar em mim? Poderia simplesmente jogá-la para fora.
— Essa casa partir de agora é nossa, Harry. Já que fiz uns ajustes significa que também posso usá-la.
— É o que? Isto aqui fui eu e meu amigo que construímos e você acha que pode simplesmente dizer que é sua?
Pelo que percebi ela é uma caipira abusada que acha que agora o mundo é dela. Princesa nojenta!
— Eu disse nossa... — Sorriu. — Acho que como ajudei a arrumar, você não se importaria de dividi-la comigo.
— Olha só... Maria, você pode pedir para construir uma só sua, não acha?
Ela sorriu mais uma vez e se deitou em uma das almofadas.
— Por quê? Gosto de dividir.
— Ah!!! — Gritei irritado.
Minha cabeça começou a coçar e meu nível de estresse aumentou. O único jeito era deitar ali mesmo com aquela coisa irritante, afinal estava cansado da viagem e não queria entrar no Palácio agora. Deitei alguns centímetros longe da praga e fechei os olhos imaginando que estava sozinho. Senti-a encarar-me e minha tensão só foi aumentando.
— Você surgiu do inferno? — Resmunguei.
— Se você chama a roça de inferno, pode ser que sim. — Respondeu soltando uma risadinha. — Sou prima de segundo grau da família de sangue da Rainha.
— Charlotte foi atrás de você no fim de mundo? — Continuei, me interessando pelo assunto.
— Sim... Ela foi até minha roça para conhecer meus pais, que no caso são seus primos. Não sei muito sobre a história de vida dela, mas pelo o que entendi, Charlotte foi adotada pela antiga rainha com concedimento de minha tia falecida, pois não tinha condições de criá-la. — Explicou se aproximando mais de mim. — Sou criada na roça desde pequena, não costumo ter medo de mexer com o que dá medo, tiro leite de vaca, capino terreno, já matei porco e boi. Sua cara feia não me assusta, Harry.
— Imaginei que você fosse menina-macho desde o momento em que te olhei. — Respondi grosseiramente. — Acontece que eu não faço a mínima questão de te assustar, só quero distância, aliás, por que quis sair da roça?
— Na roça tem uma tradição que quando a menina de família completa a maioridade arranjam um casamento com algum fazendeiro de confiança e meus pais queriam que me cassasse com um velho de fazenda rica. — Respondeu fazendo cara de nojo. — Quando a prima me ofereceu o contrato de virar sua filha adotiva para herdar o trono não pensei duas vezes, era meu jeito de fugir do casamento.
— E agora seus pais te odeiam?
— Exato! Eu disse à minha mãe que só me casaria com quem eu amasse e não por dinheiro.
— Pobre coitada. — Ri em deboche. — Não aguento sua ingenuidade digna de uma princesa de conto infantil...
Antes que eu pudesse terminar ela colocou sua mão em minha boca e continuou:
— Eu só queria fugir de um casamento nojento! Você não sabe nada sobre mim, sou mais esperta do que pensa. — Respondeu séria e fria.
Tirei a mão dela de meu rosto e me afastei.
— Boa sorte, caipira.
Precisava de um banho para limpar minha alma e tirar todo o estresse acumulado dessa conversa digna de cenário mexicano. Andei em passos duros até o Palácio e permaneci de cabeça baixa para que não fosse parado por ninguém, porém, Charlotte me avistou de longe e com sua voz irritante fez questão de me incomodar.
— Harry! Te liguei diversas vezes! — Gritou enfurecida.
— Eu percebi, Charlotte. — Debochei.
— Quero que ajude Maria a ficar confortável e também poderia ajudá-la com vestes e... — A interrompi soltando uma risada escandalosa. — Você acha que aquela criatura consegue ficar bonita? Ela é uma caipira suja!
— Harry, você não vê o que diz? Parece uma criança mimada! — Gritou irritada.
— E por que eu ajudaria? Eu já disse que não quero saber de nada dessa porcaria. Estou procurando um emprego e vou sair daqui. — Sorri. — Livre estarei de você!
— Como consegue ser tão ingrato? Seu tio não gostaria de ouvir essas coisas.
— Ele morreu, Charlotte! — Respondi frio.
— Harry!!! — Leona gritou irritada após ouvir o que eu disse. — Olha o que diz!
— Eu gosto de você, menino, pois de alguma forma lembra-me dele, mas ultimamente tem se tornado insuportável. — Charlotte continuou. — Tudo bem, eu não preciso de sua ajuda.
— Graças a Deus! — Respondi indo em direção ao meu quarto e ignorando as duas.
Era só o que me faltava... Três mulheres infernizando minha vida. A única coisa que eu quero é me livrar desses encostos, mas como a vida só sabe te ferrar, minutos depois de sair do banho escutei a voz de Merlin me gritando pelo Palácio.
— Eu não aguento mais! — Gritei irritado.
Coloquei o primeiro par de roupas que avistei no guarda-roupa e sai de fininho do quarto escondendo-se dos gritos dela. A casa na árvore é o único lugar onde posso me esconder, mas aquela caipira ainda deve está lá... Melhor que nada. Consegui sair sem ser visto por Merlin e subi o mais rápido que pude a casa.
— Ei. — Disse entrando e me deparando com Maria comendo alguns bolinhos de chocolate. — Vai morar aqui agora?
— Não... Depois eu vou sair e fazer coisas que uma princesa faria. — Respondeu com a boca cheia.
Deitei nas almofadas e fechei os olhos tentando relaxar perto do demônio.
— Você me acha feia? — Perguntou com a voz totalmente perto e eu estranhei abrindo os olhos e se deparando com ela encima de mim.
Arregalei os olhos e observei os detalhes do rosto queimado de sol de Maria. Seus olhos eram tão charmosos e apesar de sua pele mal cuidada tinha uma beleza admirável. A melhor descrição para Maria seria simples e atraente.
— Não... Existem coisas piores. — Disse debochando de meus próprios pensamentos.
Ela me deu um tapa no braço e se distanciou.
— Queria saber o que fiz para merecer tanto tormento. — Resmunguei.
Os gritos de Merlin foram se aproximando de onde estávamos e isso me deixou aflito. Não queria que ela descobrisse sobre a casa, como a conheço ficaria vindo me fazer “visitinhas” frequentes e essa não era a minha ideia quando quis construí-la, queria fugir justamente do sufocar dela. Queria saber por que é tão difícil dela entender que estamos terminados e que tudo o que menos quero é ela me perseguindo.
— Quem é? — Maria perguntou curiosa.
— Por favor, não abra a porta para olhar... Deixe-a achar que morri. — Respondi nervoso.
— Sua namorada? — Continuou curiosa.
— Ex-namorada.
Ela sorriu maliciosa se aproximando de mim.
— Me leve para fazer compras que eu não conto a ela onde se esconde.
— Por que quer fazer compras?
— Quero me sentir como uma princesa, uai. — Sorriu pegando em minha mão esquerda. — Princesas se vestem com roupas chiques.
Comecei a rir, mas logo depois percebi que ela me olhava esperançosa e que não tinha escapatória, precisaria fazer o que Maria pedia.
— Tá. — Respondi sonso.
Ela sorriu e começou a falar diversas coisas que queria conhecer na cidade e eu percebi que ela se parecia um pouco comigo nesse aspecto. Nojo! Não posso virar amigo desse demônio.
Nós fomos até a cidade e passamos por diversas lojas para escolher roupas melhores que coubessem em Maria. Não nego que até que foi um pouco divertido observá-la experimentando diversas roupas, algumas esquisitas e outras que combinavam com o tipo de corpo bruto que tinha. No final saímos pela cidade carregando diversas bolsas de roupas femininas e eu me senti um bode doméstico. Olhei bem para Maria enquanto caminhávamos e decidi que iríamos ao salão dar um jeito em seu cabelo e ela concordou, não precisaria cortar ou fazer qualquer outra coisa maior, apenas precisava hidrata-lo, não nego que a caipira tem cabelos negros bem bonitos.
Encontramos com Antônio no caminho para o Salão e ele começou a rir achando que Maria era minha nova namorada.
— Mais uma, Brother?
— Ela é a princesa, babaca. — Respondi revirando os olhos.
— Ué... — Ele disse sem muito entender, se aproximou de mim e sussurrou. — Ela não é sua inimiga mortal?
— Eu fui chantageado. — Respondi em mesmo tom.
— Ah!!! — Disse sorrindo para ela. — Olá, princesa.
— Pode me chamar de Maria, meu bem. — Respondeu sorrindo.
— Eita! — Ele arregalou os olhos. — Ela é um amor, Harry.
Fechei os olhos e respirei fundo. Óbvio que ele gostaria dela!
— Ela é solteira, Brother. O que acha de tentar? — Debochei. — Já te imagino como o novo príncipe de Zion.
Maria começou a rir sem graça e Antônio passou alguns minutos tentando flertar com ela, jogando piadinhas e cantadas bobas para fazê-la rir e algumas vezes deram certo. Tentei desviar a atenção para outros lados, mas acabei observando a conversa dos dois e percebi que Maria não tinha muitas reações às cantadas, era como se fosse indiferente, não a senti nem incomodada e nem parecia está gostando.
— Vamos! Não tenho todo tempo do mundo. — Os interrompi olhando para o relógio no pulso de Antônio.
Maria disse que sim com a cabeça e se despedimos do galanteador e eu o avisei que mais tarde o ligaria para falar sobre assuntos importantes.
— Você não gostou, não é? — Perguntei curioso depois que estávamos bem afastados de Antônio.
— Ah! Tanto faz... — Respondeu sem emoção.
— Você por acaso já teve namorado? — Continuei.
— Não...
— Já gostou de alguém? Já se apaixonou?
— Não... — Continuou fria.
— Já beijou alguém? Nunca teve relação? — Estranhei e comecei a encará-la com expressão de surpreso.
— Nunca senti vontade. — Sorriu novamente sem emoção.
— Ah pronto! Conheci um robô. — Debochei ainda surpreso. — Nunca sentiu vontade de beijar ninguém? Nem curiosidade? Quer ser freira ou algo assim?
— Não para todas as perguntas... Podemos falar sobre isso depois?
Respondi que sim, mas por dentro queria saber mais sobre esse “troço”. O que ela é? Isso é uma nova maneira de se manter casta até o casamento que eu não conheço? Odeio admitir, mas até que essa caipira me faz sentir curiosidade sobre sua personalidade esquisita.
Depois do salão, fomos direto para o Palácio e eu me separei dela indo em direção ao meu quarto. Ela havia me dito que falaria com Charlotte que fui bem legal com ela, preferi não responder sobre isso, mas não ligo para o que aquela rainha irá pensar de mim. Peguei meu notebook e sentei à cama, precisava editar algumas coisas em meu currículo e imprimir mais para espalhar pelas lojas da cidade, alguma coisa teria que arrumar, a ultima opção é trabalhar com meu pai na obra.
Passaram-se meia hora e Leona entrou sem bater sorrindo e eu a encarei sem muito entender o que queria.
— Tu gostou da princesinha, foi? — Sorriu maliciosa. — Ela tem um sotaque engraçado, mas é bem simpática, sabia que iria gostar dela.
— Posso saber de onde tirou que gostei dela?
— Saíram juntos e tu a ajudou a comprar roupas, aliás, o cabelo dela está muito bonito! — Continuou com o tom malicioso. — Eu sei que no fundo você é um amorzinho, irmãozinho!
— Leona... — Respondi revirando os olhos e voltando para o notebook.
— Charlotte ficou muito feliz... — Continuou a falar se aproximando de mim. — E Maria também está bem feliz, sinto que agora se sente como uma de nós. Quando chegou estava bem acanhada, devia está se sentindo inferior... Mas, sabia que quando tu chegasse ela se soltaria mais.
Continuei ouvindo o que Leona estava dizendo sem muito interesse e prestando mais atenção no que fazia no notebook, mas a deixei falar.
— A mãe e eu até tentamos mostrá-la para algumas meninas da vizinhança, mas tu sabe como elas são, só demonstram simpatia com machos, ignoraram Maria completamente... Fiquei com medo dela se sentir só.
Leona se deitou em minha cama e ficou olhando para o teto, pensativa.
— Ouvi que Charlotte quer fazer um baile para apresentá-la às pessoas... Para conhecer novas amizades e até mesmo um pretendente. Tu conhece muito sobre festas, o que acha de ajudar?
— Não estou muito afim, Leona. — Respondi aleatoriamente.
— Pois bem, acho que tu se divertiria organizando a festa, sei que leva jeito.
— Sentiu saudades? — Perguntei mudando de assunto.
Ela fez que sim com a cabeça e começou a me contar como foram os dias sem mim e queria que eu contasse todos os detalhes da viagem, mas eu contei só algumas coisas, sei que ela odiaria saber que sai por aí bebendo e beijando pessoas aleatórias, então ocultei essa parte. Contei sobre os passeios e destaquei às praias, mas não me esqueci das comidas. Contei até mesmo sobre eu e o Gabriel estar pensando em se mudar para lá e ela se sentiu meio triste nessa parte, mas não quis falar sobre.
Leona me contou que falta bem pouco para conseguir sua clínica e que como a faculdade já está prestes a terminar já pode exercer seu trabalho, contou que a mãe e o pai estão cada vez mais distantes e isso lhe incomoda um pouco, mas que prefere não falar muito sobre isso, assim como eu que evito ao máximo. Ainda não conheceu nenhum príncipe encantado como disse e que menos mal que sua cabeça agora só tinha espaço para realizar seu sonho da clínica. E ao final disso tudo disse que se eu desistir dessa história de se mudar para longe poderíamos construir a casa que ela quer e morar juntos até eu decidi o que quero de minha vida. Sei bem que no fundo ela quis dizer que não quer que eu vá ficar longe dela, mas utilizando outras palavras, sei que Leona respeita minhas decisões e não quer se intrometer em meus planos loucos. Minha irmã é a pessoa que eu mais sentiria falta se realmente fosse morar longe, mas não quis dizer isso para não deixá-la sentimental.
Mais tarde depois de toda à conversa com Leona, liguei para Antônio e logo em seguida para Gabriel, marquei de encontrar com os dois às 8 da manhã para entregarmos currículos e botar a conversa em dia. Enviei uma mensagem para Merlin explicando que havia chegado, mas que estava ocupado e que não queria que ela ficasse me procurando pelos cantos do Palácio e reforcei que estávamos terminados, ela não respondeu, espero que esteja dormindo e veja isso ao acordar, pois sei como ela é e que talvez seja capaz de vir até o Palácio sabendo que estou aqui nesse momento.
Todo o Palácio estava escuro e isso significava que todos já estavam dormindo, já eu estava com insônia e resolvi ir andar pelos arredores. À noite estava fria e o céu estava estrelado com sua cor azul escuro. Respirei fundo para sentir a ventania e sentir o cheiro do gramado gelado. Fui até a casa na árvore e finalmente ela estava vazia, decidi que dormiria ali naquela noite. Deitei sobre os travesseiros e fechei os olhos se entregando ao sono.
Maria entrou de fininho e se deitou ao meu lado pensando que eu não iria perceber sua presença ali, porém sinto o cheiro de roça de longe.
— Você nunca quis achar um príncipe encantado como muitas garotas por aí? — Perguntei ainda com os olhos fechados.
Ela se assustou com a pergunta e ficou alguns minutos tentando raciocinar o que diria a mim.
— Nunca senti vontade de me relacionar com ninguém.
— Nunca quis beijar só para testar? — Continuei.
— Não...
Abri os olhos e olhei para ela, percebendo que estávamos só alguns centímetros de distância.
— Somos opostos. — Sorri achando aquilo bem engraçado.
Ela retribuiu ao meu sorriso e logo em seguida fechou os olhos.
— Como quer mostrar a sua mãe que pode se casar por amor se você nunca nem sentiu atração por alguém?
— Também não sei, Harry... Eu só acredito em amor porque já li muito sobre e já vi casais que pareciam se amar de verdade.
— Estava ocupada demais com os porcos que não se interessava por outras coisas? — Perguntei continuando achando aquela situação engraçada.
— Pode ser que seja isso... Sempre fui assim desinteressada sobre esses assuntos.
— Como pode uma pessoa nunca ter sentido vontade de beijar alguém? Eu nunca vi alguém assim. — Ri de nervoso.
— Talvez eu seja assexual. — Respondeu séria.
Explicação sobre assexualidade: Basicamente é uma pessoa que não se sente atraída por homens ou mulheres. Pessoas assexuais podem até se apaixonar, mas não sentem atração sexual pela pessoa.
— Ou pode ser que você só vá sentir vontade de alguém após conhecer melhor, existem pessoas assim também. — Respondi também sério.
Ela abriu os olhos e nos dois ficamos se encarando por alguns centímetros de distância.
— Charlotte quer que eu conheça homens no baile que irá me apresentar às pessoas. Será que conseguirei me interessar por algum deles?
— Aposto que sim... — Respondi rindo. — Charlotte escolherá os mais “boa pinta” que conhece.
Maria sorriu demonstrando interesse sobre o assunto.
— Você pode me ajudar a organizar o baile? Sua irmã me disse que sabe muito sobre festas...
— Não. — Respondi frio. — Estou sem vontade.
— Você sabe que ainda posso contar a sua namoradinha onde está, não é?
— Eu te odeio, sabia? — Respondi revirando os olhos. — Pior coisa é mulher baixa que fica chantageando as pessoas.
— Mas, você só funciona a base de chantagens, Harry. — Respondeu rindo.
— Só mais isso e me deixa em paz?
— Prometo. — Disse apontando seu dedo mindinho da mão esquerda para mim.
Eu cogitei não fazer o mesmo, mas por impulso acabei tocando meu dedo no dela. Agora tenho mais um problema para resolver, um baile que nem é para mim, sorte é o que tenho para esses dias.
Maria e eu ficamos nos encarando por alguns segundo depois disso, pois não tínhamos mais o que falar e acabei pensando que queria poder ouvir o que ela pensa. Era só o que me faltava sentir interesse pelos pensamentos da caipira.
— Vamos dormir juntos essa noite, mas não pense que virei seu amigo, certo?
Ela fez que sim com a cabeça e em seguida fechou seus olhos. Fiz o mesmo apesar de que ainda não sentia sono algum. Passei meia hora pensando sobre o que diabos estava fazendo com a minha vida deitado ao lado do demônio que roubou meu subtítulo, mas ao mesmo tempo não conseguia odiar está ao lado dela.

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