Harry Potter e os entes amaldiçoados
1 Capítulo 1 – O legado do mal
Notas iniciais
Capítulo I
O Legado do mal
Mais um dia iniciando no Ministério da Magia, a remessa da manhã do correio coruja está chegando, a correspondência vai sendo depositada sobre a mesa dos funcionários, inclusive na de Harry, que hoje se encontra especialmente irritado com a briga matinal e já rotineira que teve com a esposa, Gina Weasley, o motivo: o de sempre, o filho mais novo Alvo Potter. São as notas que despencam ou o comportamento que incomoda aos professores. Sempre há alguma coisa acontecendo na vida do jovem Alvo.
Ele tira e coloca os óculos nervosamente, sem querer passa a mão sobre a cicatriz, quase se esquecera que ainda a possuía
Foram tantos anos sem o menor sinal de dor ou qualquer evidência da presença de Voldemort que até se esquecia dela com frequência, somente quando via seu reflexo no espelho é que lembrava que ainda estava lá.
Apenas recentemente começara a senti-la de novo, ardendo incomodando,dando sinais, mas de quê?
Algo em sua mesa chama a atenção. Ele percebe um envelope diferente dos utilizados pelo Ministério, na verdade parece mais uma carta pessoal, estranha o fato de uma carta pessoal ser enviada ao Ministério, já que geralmente são entregues em sua casa, a mesma casa que herdou de seu padrinho, Sirius Black, a mesma que serviu de sede da Ordem da Fênix.
Olha pensativo para as letras na carta e de alguma maneira elas parecem familiares, talvez ligeiramente familiares. Resolve logo parar de tentar adivinhar de quem seria, afinal nunca fora bom em adivinhações mesmo! Este pensamento lhe traz um fragmento de sorriso aos lábios finos, aliás, sorrisos andam escassos em sua vida atualmente. Sempre preocupado com as obrigações do trabalho, a família, o relacionamento com Gina. E por vezes, quando menos esperavam, chegavam correios pessoais com notícias de Hogwarts, a escola de magia e bruxaria mais tradicional do Reino Unido, nem sempre agradáveis para os pais dos dois alunos, atualmente na escola.
Identifica o remetente como sendo seu amigo dos tempos de escola e agora professor em Hogwarts, Neville Longbottom, imagina que devem ser más noticias sobre o filho. O pensamento faz surgir uma ruga de preocupação no rosto magro de Harry.
Á Harry Potter
URGENTE – CONFIDENCIAL
Mas o que Neville Longbottom poderia ter de urgente para lhe dizer? Será que os filhos estavam em perigo? Mas que perigo? As coisas andavam calmas ultimamente, apesar de alguns rumores, não muito concretos, de atividades suspeitas.
Já impaciente e curioso abre a carta e senta-se, pois é longa e com certeza vai demorar para fazer a leitura. Posiciona-se o mais confortavelmente possível e inicia a ler.
Caro Harry,
Acho que posso chamá-lo assim, sem usar títulos ou chamamentos de efeito devido ao seu atual cargo, agora que é um funcionário respeitado do Ministério da Magia, creio que nosso passado em comum me permite, então, continuando. Vou relatar a você , confidencialmente, o que aconteceu em agosto passado, quando minha avó resolveu trazer meus pais para uma visita em casa. Acho que pode lhe interessar.
Já fazia quase meio ano que não visitava minha mãe. Sabe que eu sempre voltava deprimido e revoltado por não poder ajudá-la. Você lembra o estado em que ela se encontrava, totalmente catatônica. Minha avó estava prestes a completar seu 105º aniversário e queria a família toda reunida. Sabe, ela parece que ainda tem a mesma idade de quando éramos garotos, parece que só nós envelhecemos, pois é...
Desculpe pelas divagações, mas voltando ao assunto, minha avó resolveu levar meus pais para casa. Então decidi tirar uma licença em Hogwarts para ficar por perto. Ao chegar minha avó fez questão de levar minha mãe para um passeio pela casa, eu então fui acompanhando as duas de perto. Ao chegar ao quarto que havia sido de mamãe e papai, uma coisa incrível aconteceu, ela ficou agitada e parecia com medo, há muito tempo não esboçava qualquer reação, então ela foi ficando violenta e tive que abraçá-la para protegê-la, mas parecia que estava possuída por uma força anormal, ela se desvencilhou e conseguiu me empurrar. Caí sobre a estante que guardava sua coleção de bonecas e uma delas se partiu em pedaços, segundo minha avó, era justamente a que ela mais gostava, pois havia sido o primeiro presente que meu pai havia dado a ela.
Harry vira uma vez a mãe de Neville. Vira quando ele, envergonhado secara a baba que escorria pelo canto de sua boca, mas fingiu não ter visto, com pena do amigo.
Neste momento Harry se remexe na cadeira, não entende o que pode haver de interesse num reencontro de família. Mas daí a ser de interesse do Ministério?
Começava a pensar que o amigo estava tão feliz que talvez quisesse apenas compartilhar de sua felicidade. Mandaria uma coruja com felicitações e um presente. O que mais poderia fazer?
Fica um pouco desapontado e até perde o interesse de continuar a leitura, mas lembra-se de como o amigo e companheiro de batalha fora corajoso no embate final contra Voldemort e sente-se um pouco envergonhado por pensar em ignorar a carta. Porem uma palavra a seguir chama-lhe a atenção: reverter, em letras se destacando do resto da escrita. Retoma a posição anterior e decide continuar a leitura, senão por interesse, pelo menos por respeito ao velho amigo.
O mais impressionante veio depois, primeiro ela desmaiou por quase todo o dia, mas como estava bem , deixamos que dormisse, era muita novidade para um dia só.
Na manhã seguinte acordamos com gritos assustados e corremos para ver o que era. Minha mãe estava parada no meio da sala com um olhar nada perdido, parecia outra pessoa, havia recuperado o brilho no olhar e parecia confusa e desorientada, mas definitivamente lúcida!
Isto mesmo amigo, lúcida outra vez, achamos que jamais a teríamos de volta! Mas ela estava lá e gritava apavorada:
“ Meu bebê, onde esta o meu bebê? “
Tentei chegar perto, mas ela não me reconheceu e tentou fugir. Então minha avó chegou e falou com voz suave que estava tudo bem, ela a reconheceu imediatamente e lançou-se em seus braços aos prantos, ainda gritando: “ Meu bebê, onde está, ele vai pegar, ele está vindo, vamos fugir!”
Passamos quase dez minutos tentando acalmá-la, minha avó garantiu que eu era um amigo e que seu bebê estava seguro. Deixei as duas e fui fazer uma infusão de ervas calmantes, para ela.
Depois de relatar a ela todo o tempo em que ficou “doente” e ela compreender que já haviam se passado anos ela ficou mais calma, queria saber da criança, seu filho.Ela chorava muito por não ter acompanhado seu crescimento e ficou chocada ao descobrir que eu era o “seu bebê”.
Mas antes de prosseguir preciso que se lembre da antiga Ordem da Fênix, nossos pais e seu padrinho, Sirius, juntamente com ,o corajoso, Dumbledore a fundaram , você sabe...para resistir a Você Sabe Quem... ainda não me acostumei a dizer Voldemort.
Neste momento Harry se lembra da fotografia, onde estão seus pais, seu padrinho, Sirius, e os demais membros da Ordem da Fênix.
Mamãe passou a ter pesadelos, acordava assustada e geralmente com algumas lembranças a mais, elas iam surgindo conforme seus pesadelos aumentavam. Ela se lembrou das torturas e revelou um segredo terrível!
Muitas pessoas, aliadas da Ordem, ou meros simpatizantes sofreram a mesma maldição.
Ela se lembrou de um episódio em que Voldemort exibiu seus poderes para seus seguidores, e demonstrou tudo de que era capaz para se vingar de quem o desafiasse.
— Então você acha que pode me enganar? Diga a verdade! Você é simpatizante da Ordem de Dumbledore? Só porque seu filho está na escola dele? Você é grato a Dumbledore?
Os olhos de Voldemort eram dois poços negros de pura maldade enquanto inquiriam o homem.
— Não mestre. Eu jamais o trairia. __O medo transparecendo na voz do coitado.
Então Voldemort mostrara do que era capaz:
— Não tenha medo! Não vou matá-lo agora. Apenas vou mostrar o que acontece com quem duvida de mim, de quem se associa a outros contra mim.Você será exemplo meu caro.
Neste momento Voldemort olhou para nós e fez um gesto para Bellatrix. Ele ainda falou de como poderia transformar vidas sem ao menos precisar matar, pois o que sofreria a pessoa é muito pior que tortura ou morte. Tomou das mãos de Bellatrix um objeto e tornou a sorrir aquele riso de pura maldade, escárnio e deboche. O objeto em questão era um penico de louça, antigo amarelado e já muito judiado pelo tempo. Todos os súditos riram-se a valer, só o homem permanecia quieto e de olhos arregalados. No momento seguinte palavras incompreensíveis foram pronunciadas por Voldemort e com movimentos de varinha junto do feitiço a coisa aconteceu.
O olhar do pobre coitado se esvaziou, a luz fugiu de seu semblante e apenas o vazio se refletia no seu rosto. Voldemort ainda segurando o penico pela alça lançava olhares triunfantes sobre nós e sobre seu bando.
Seus seguidores riam-se a valer e Bellatrix saiu com o homem pelo braço exibindo-o como um troféu. E para que não duvidassem do seu poder, colocou o homem e o objeto juntos.
— Vejam onde foi parar a consciência deste traste!__falou apontando para o vulto á sua frente, que parecia entorpecido e sem reação.
Enquanto falava mostrava a todos o penico agora flutuando ante o olhar de todos. Bellatrix dançava ao redor do homem e soltava gargalhadas cortantes, tornando a cena ainda mais bizarra. E com um movimento repentino de varinha Voldemort deixou o objeto enfeitiçado cair e partir-se em pedaços. No mesmo instante o homem sem alma retornou do torpor em que estava, lembrava-se de tudo, pareceu desesperado, tentou escapar, mas os homens de Voldemort barraram-lhe a passagem.
— Avada Kedavra!
Então, o homem voou e desabou ao chão, ouviu-se um estrondo, ele ficou imóvel, o rosto branco e inexpressivo. E então Voldemort chamou:
— Nagini, seu jantar!
A cobra gigantesca veio serpenteando e num bote certeiro abocanhou o corpo do homem desaparecendo entre os convivas de Lord Voldemort.
Minha mãe e meu pai ficaram apavorados achando que seriam os próximos, mas Voldemort estava momentaneamente saboreando a exibição de seu poder e ainda não tinha se dado por satisfeito, falava de planos futuros e de como poderia ser eterno, mesmo não estando em seu corpo físico. Ele falava sobre um livro secreto, que seria deixado ao seu herdeiro, e de como seu poder seria vasto e que todos que não acreditassem, ou desafiassem , pagariam o preço.
É por isto, meu amigo, que rogo a você que me ajude com meu pai, por favor Harry, nos ajude a sermos, de novo, uma família! Sei que sabe o quanto é difícil não ter crescido com seus pais por perto, me ajude então, caro amigo!
Aguardo retorno, e, por favor, venha ver com seus olhos e tenho certeza , com o grande coração, que sei, que possui.
Seu amigo de batalha Neville Longbottom.
P.S. Desculpe o tamanho da carta, mas sem os detalhes acho que não acreditaria. Um abraço meu grande amigo!
Apesar das revelações de Longbottom, Harry ainda tenta avaliar o quanto tudo aquilo pode ser verossímil e o quanto pode não passar de imaginação de uma mente perturbada. Talvez ele devesse averiguar pessoalmente, mas o certo é que ninguém deveria saber sobre o ocorrido. Iria escrever ao amigo pedindo que mantivesse o maior sigilo, talvez ele já tivesse tomando precauções, mas não seria demais reforçar o pedido de segredo.
Depois deste pensamento, anotou mentalmente que deveria enviar uma coruja a Neville. Então voltou a atenção para o restante da correspondência, a maioria eram ofícios informativos que circulavam entre as diversas divisões do Ministério, horários de audiências ou procedimentos recentemente implantados, como o reforço na segurança e no acesso ao Ministério a pessoas de fora.
O dia transcorreu um pouco devagar demais para ele, mas enfim chegou a hora de retornar á casa no Largo Grimmauld, número doze, a antiga residência dos Black, deixada por seu padrinho, Sírius Black.
Ao entrar, a filha já o esperava, com sua Dolly embaixo do braço, e o riso doce de criança, que sempre o encantava. Pegou-a no colo e deu-lhe um sonoro beijo na bochecha rosada.
-Papai chegou!- saiu saltitando em direção à cozinha.
Harry vai junto e abraça Gina por trás ao chegar à cozinha, ela se vira e ele lhe beija os lábios. Ela ainda parece um pouco zangada com a briga da manhã.
— Algo novo no Ministério?
— Não, na verdade recebi uma carta de Neville...
— Não me diga que ele reclamou de Alvo também?- Gina fala num tom um pouco alto, demonstrando impaciência.
— Não, o assunto era outro, sem importância e nada a ver com a escola.- mentiu Harry , sem querer envolver mais gente no segredo.
— Então o que ele queria e como ele está?- falou Gina ainda de costas para ele.
— Queria convidar- nos para o aniversário da avó...e ele está bem.
— Não sei, podemos ver depois, nunca tive muita intimidade com a Sra. Augusta, podemos pensar. Você gostaria de ir?- disse , já levando os pratos para a mesa do jantar.
Gina gostava de fazer as refeições sem ajuda de magia, sentia que ficavam mais especiais assim.
Harry já estava colocando a louça, mas este sempre que podia usava sua varinha e magia, ao invés das mãos, principalmente porque passara anos fazendo serviços domésticos para seus tios, os Drusley. Claro sem ajuda de magia.
Agora eram só os três em casa, os dois filhos mais velhos estavam em Hogwarts, ainda bem que lá nunca precisavam fazer tarefas de casa, tudo era feito pelos silenciosos e quase invisíveis elfos domésticos.
Lílian entra cozinha adentro e grita com sua vozinha infantil:
— Estou morrendo de fome!
— Então vamos comer, sente-se e deixe a sua Dolly na cadeira ao seu lado! — A voz de Gina é doce, mas firme.
A menina senta-se ao lado do pai que a olha com carinho, não pode deixar de perceber, mais uma vez, o quanto ela lembra os olhos de sua mãe, a primeira Lílian da família Potter, sente seu coração aquecer e lembra-se do pedido de Neville.
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