Harry Potter e a Neta de Voldemort

15 Capítulo 14 - Murmúrios de Morgana


Notas iniciais
História originalmente escrita com Sheila Farias. Porque existem histórias que quando não são contadas ou finalizadas, ficam na sua mente lhe perturbando até que as deixem sair.

Capítulo Quatorze – Murmúrios de Morgana

No outro dia o clima estava insuportável. Morgana foi a única das três a corajosamente descer e tomar café da manhã, assim como para atualizar seus irmãos sobre o estado de Sabrina, visto que eles haviam bombardeado a janela delas com corujas e bilhetes. Na volta ela tinha a blusa e as mãos lotadas de quitutes para abastecer os estômagos das meninas. No caso de Sabrina, no entanto, não importou o quanto ela tentasse a amiga com os melhores pãezinhos amanteigados e chocolate quente caramelado, a ruiva se negou a se alimentar. O coração era um órgão estranho, que afetava o corpo todo aparentemente, e quando a ruiva foi forçada a mastigar sob ameaças, correu ao banheiro e pôs tudo pra fora com tamanha violência que ninguém mais tentou ameaça e bom senso nenhum.

Por volta das cinco horas da tarde, Gina, que não ficara sabendo de nada, prorrompeu quarto adentro esbaforida e preocupada foi rapidamente inteirada do que havia acontecido para elas sumirem e encolheu os ombros, como que envergonhada de ser irmã de Fred.

— Ouch... hm, eu posso tentar escrever para mamãe se... se isso ajudar, acho... – Ela sussurrou assim que Sabrina se dirigiu ao banheiro para um demorado banho.

— Não acho que um berrador ajudaria muito, Ginny.

— Tem razão. – Concordou a ruiva pensativa com Hermione.

Elas caíram em um pesado silencio, desconfortável até que Sabrina saísse porta afora e se jogasse de cabelos ainda envoltos na toalha sobre a cama, como um peso.

— Eu...eu posso dar um jeitinho Weasley. – Os olhos de Gina se acenderam, após segundos olhando a amiga acabada. Sabrina grunhiu.

— Não.

— Não se preocupe, eu sei como atingir qualquer um dos meus irmãos, e não vai lhe causar nada. Ele vai ficar bonzinho como um pufoso por uns tempos. – Ela piscou para a outra ruiva que a olhou com uma ausência preocupante de espírito, como se fosse meio morta por dentro. Gina se calou e perdeu ainda mais a empolgação quando toda a resposta que teve foi:

— Tanto faz.

Não a situação não estava boa. Apertando os olhos com firmeza Hermione soltou o ar de uma vez e com as bochechas avermelhadas se ergueu pondo as duas mãos na cintura. De forma engraçada, ela lembrou a senhora Weasley.

— Não, francamente, Sabrina, isso não pode continuar assim por muito mais tempo. Sem comer, sem dormir, chorando e se lamentando o tempo todo, culpando a você mesma e se deixando amargar isso uma vez depois da outra...assim não.

— Sim... – Morgana pareceu receber coragem com as palavras diretas e até um pouco duras de Hermione. Era triste ver a melhor amiga naquele estado. – Isso não vai levar você a lugar algum, e não venha com isso de: Me deixe curtir minha fossa em paz! Ele merece isso? Não, eu te respondo!

— Vou te dizer o que vamos fazer, vamos descer e você vai jantar! Vai olhar bem para ele e fazer ele se sentir tão pequeno e insignificante que vai querer sair de Hogwarts.

— Meninas... – Começou Sabrina, ao que uma Gina pensativa ponderou.

— Boa ideia, Fred odeia se sentir pequeno e insignificante! Porque você acha que os gêmeos são assim?

Sabrina apertou os olhos para a pequena Weasley, uma expressão com mais cor que qualquer uma que sentira até então. Se abrissem seus pensamentos agora, veriam o desejo por sangue de certo ruivo fluindo lentamente até tomar conta de qualquer outra coisa que ela podia estar sentindo.

— De verdade, odeia! O tempo todo tudo que ele quer é atenção e estrelato. – Finalizou Gina, notando que dera certo resultado.

Apertando os lábios Sabrina se ergueu e começou a secar os cabelos, com determinação nova no olhar.

Assim que ela tinha marchado pela porta – para encontrar uma pequena rebelião ressentida de Rony e Harry que haviam tentado subir ao dormitório e visto impotente as escadas virarem um escorregador. “Malditas escadas imbecis.” Praguejou Rony. – Morgana franziu o cenho e sussurrou para a Weasley:

— Eles realmente se importam tanto assim com chamar a atenção?

— Não. – Ela encolheu os ombros, culpada. – Mas isso a fez se animar, não é?

Acenando uma afirmação elas desceram para o Salão principal.

O plano deu extremamente certo...por alguns poucos minutos. Fred pareceu ofendido quando uma Sabrina radiante cumprimentou a todos com uma voz de raio de sol, menos a ele. Assim que se deu conta que estava sendo ignorado ele transformou o gelo dela em vingança e á vista de todo o salão comunal se aproximou da mesa da sonserina e tocou o braço de Thaty com uma intimidade evidente, a arrastando para um canto do salão onde elas viram, boquiabertas, a loira o alimentar brincalhona com um muffin recheado. Descrentes viram Fred olhar a mesa dos professores antes de se inclinar e plantar um beijinho no pescoço de Thaty, que soltou risinhos enquanto olhava Sabrina como se dissesse: "Eu ganhei, eu fiquei com Fred".

— Olha como aquela emplumada se abre pra ele. -disse Morgana lançando um olhar de desaprovação e um muxoxo.

— Emplumada? Quão nobre...é uma cretina. – Hermione tinha as bochechas vermelhas de raiva, e sua voz era tão virulenta que até Sabrina a olhou com espanto.

— Eu usaria a palavra galinha sem pensar em educação.

— Vocês têm razão. Ela é uma vagabunda, piranha, mesmo. — Morgana abusou nos comentários e olhou Sabrina para ver se ela tinha se animado mais um pouco.

A ruiva tinha olhado a cena com aquela ausência estranha no olhar, depois simplesmente deu de ombros e começou a comer, levando a sério a intenção de ignorar o gêmeo. Não entrou no debate das meninas que se seguiu com adjetivos cada vez piores a Thaty Meyer, porém.

— Merlim, se McGonagall as ouvir falando vai cair dura no chão! – Harry arregalou os olhos após um xingamento particularmente mais pesado ainda do que fizera anteriormente vindo de Morgana. Ele se sentou com Rony ao lado das meninas e começou a se servir de purê em camadas generosas.

— O que os ouvidos não escutam o coração não sente, Harriquinho.

— Harriquinho...? – As bochechas de Harry ganharam um tom forte de vermelho enquanto Rony cuspia a sopa com uma gargalhada forte. Morgana encolheu os ombros, num meio pedido de desculpas bem humorado.

— Se já chegaram na parte de se chamar por apelidos constrangedores a coisa está séria. – Comentou Dino Thomas fazendo os dois ficarem vermelhos em sucessão.

— Awn, assim como tomates, tão bonitinhos. – Rony apertou a bochecha de Harry em tom de sátira.

— Cala a boca, Cabeça de Trasgo. – Morgana lhe deu um safanão e revirou os olhos, caindo em um silêncio constrangido com a risada do grupo. Até mesmo Sabrina riu baixinho.

A conversa mudou rapidamente para amenidades, o que fez os dois tímidos a mesa agradecerem intimamente. Pelo menos até que dois lufanos se aproximassem da mesa e como se roubassem o som a volta fizessem os grifinórios todos do grupo os olharem especulativos. Alecssander sorriu cheio de covinhas e se apoiando no encosto da cadeira vazia ao lado de Harry, soltou:

— Ei, eu acabei de ouvir de algumas garotas da minha casa que vocês vão competir para líderes de torcida, é verdade? – Ao ver a afirmativa meio receosa das meninas ele piscou de forma charmosa para Morgana, a fazendo corar. Harry ergueu as duas sobrancelhas olhando o tom vermelho ganhar o rosto de Morgana e de forma desconfortável sentiu a nuca pinicar, dividido entre a vontade de olhar o que o lufano fazia para conseguir aquele tom brilhante na amiga. – Carlos e eu temos uma ideia de torcida.

O moreno, com a pele meio azeitonada bonita, e olhos castanho claros, que se postara em frente a Hermione, apoiando o corpo na mesa para encarar somente a ela, apertando os lábios em um biquinho que pronunciava os lábios bonitos, disse em tom de flerte:

— Pensamos em rosetas e faixas, a minha vai estar escrito um pequeno poema bonitinho que termina com: Vai, Mione!— Rony parou de comer e olhou para Hermione fixamente, depois pestanejou.

— “Vai, Mione?” – Formou apenas com os lábios. Harry sentiu pena pela confusão evidente no rosto do amigo, e podia claramente ver que ele estava confuso com quando fora que sentar junto numa aula os tornara tão íntimos.

— Vocês estão brincando não é? — disse Hermione constrangida.

— Pode apostar que não. Não quer que eu torça por você, gatinha? – Rony deixou escapar um som como se fosse um balão soltando todo o ar, o que fez o lufano girar o corpo para o olhar por segundos antes de dar de ombros e olhar com expectativa esperando a resposta dela.

Hermione não parecia saber o que fazer. A expectativa no grupo era tão evidente, principalmente de Rony, que ela balbuciou como um peixe, olhando de um para o outro, desesperada. Quando o lufano ensaiou uma cara de mágoa ela pareceu agir por espontaneidade e afastou uma mexa de cabelos encaracolados atrás da orelha, sorrindo tímida.

— Não é exatamente isso...

Foi o bastante pro ruivo que se ergueu de subto e resmungou algo sobre um trabalho na biblioteca, se afastando dali com as orelhas em chamas. Carlos o observou e depois voltou a dar de ombros. Hermione suspirou fundo e continuou:

— Não desse jeito, Carlos.

— Quer dizer, hahaha, isso não é sério de qualquer jeito. – Começou Morgana piscando de volta para o Vighty. Harry ergueu uma sobrancelha, de repente não olhar para ver como esses dois traçavam olhares ficou incomodo e desesperados.

— Ahh é bem sério, gata.

— Putz! — disse Sabrina que estava ouvindo até então distanciada de quase toda a conversa.

Alecssander soltou uma gargalhada. – Espera só até ver o que o Fillipe está preparando pra sua torcida, Sabrina.

— Eu o ouvi falar sobre uma faixa que vai pegar a arquibancada inteira, além de camisetas, rosetas, fogos, música tema, gritos organizados, faixa de miss, discurso, coroa de diamantes... – Carlos se interrompeu quando Sabrina deu um tapa na própria testa, pálida e assustada.

— Ai, minha Deusa.

— Relaxa, é brincadeira.

— Mas você disse que ele ia fazer coisa pior, Alecs.

— Eu estava brincando. Ele só vai fazer a faixa, os gritinhos, as camisetas, as rosetas e os fogos. — Sabrina arregalou os olhos. — Brincadeirinha. Na verdade a única coisa que ele me disse é que vai ficar babando na primeira fila da arquibancada que der pra ver melhor. Tirando isso, ele não vai fazer mais nada, eu acho.

— Você acha?

— É, mas não se preocupe, o Fillipe não gosta de chamar muita atenção...sempre. — disse Carlos rindo logo depois.

Não convenceu a ninguém. De repente Harry começou a sentir que sobrava em toda aquela conversa que não levava a lugar algum, e se virou para puxar assunto com Parvati Patil, os olhos fixos em Morgana e seu flerte animado.

Por algum motivo, ele permaneceu incomodado do inicio ao fim da interação com o lufano Alecssander Vighty, que ele não conhecia, e queria conhecer menos ainda agora.

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Ele olhou a lareira sentindo que seu corpo era como o carvão que ficava no fundo. Por fora era como estar morto e cinzento, observando os irmãos e colegas da Grifinória fazerem piadas sem sentido, mas se você cutucasse um pouco com o atiçador, e virasse o torrão de forma que invertesse os lados, veria que um brilho vermelho vivo de fogo e calor queimavam como a morte.

Rony suspirou, exasperado e de forma meio similar a uma garota em crise ergueu os pés até o assento do sofá, deixando entrever as canelas e meias por sob a calça que começara a ficar curta muito depressa, e agarrou uma almofada levando-a até os joelhos e apoiando ali o rosto, como se fosse berrar de raiva a qualquer minuto. Ou quisesse se sufocar.

Jorge lhe deu um tapinha na nuca, e só então ele notou que o gêmeo falava com ele a algum tempo.

— Eu não sei porque me incomodo em falar com você, você nunca escuta. – Dizia ele com um falso tom de magoa na voz. Rony o encarou sem dizer uma palavra, querendo na verdade plantar um murro na cara do irmão.

Porque? Bom, ele existia, pra começar.

Notando que seu mau humor não era culpa do outro, que de maneira quase sensível até tentara o animar quando o vira encostado infeliz na biblioteca, ele levou os dedos ao cenho franzido.

— O que foi? Eu perdi a conversa?

— Percebi. Toma, pega isso. – A garrafa passou da mão de Fred, que observava a conversa atentamente, mas fingia que prestava atenção no que dizia Lino, e foi parar nas mãos de Rony.

O ruivo abriu a rolha e soltou um gemido ao sentir o cheiro forte de Gin de Cereja, famoso no Três vassouras. – E porque eu beberia esse veneno?

— Ah, seja homem. – Jorge revirou os olhos, ele mesmo degustando uma garrafinha. Observando mais de perto, todos os garotos e garotas que participavam da rodinha pareciam beber a mesma coisa, incluindo Dino Thomas, Simas Finnigan e Lilá Brown. E uma ova que ele ia ser passado pra trás por Simas e Dino.

Rony virou a garrafa e bebeu um gole grande, sentindo aquele fogo interno se agitar mais, mas de forma benéfica e quase confortante agora. Estalou os lábios, apreciando o sabor de cereja que o xarope deixava e gostou imensamente. De repente ele não queria apenas matar todo mundo a sua volta. Apenas Carlos Boreanaz. E talvez Hermione.

— Vai com calma, também.

— Tsc, deixa ele, vai fazer bem pra essa situação. – Fred pontuou. – Um homem precisa beber quando isso acontece.

— Que situação? – Lilá se sentou muito ereta, e começou a prestar atenção na conversa deles. Parvati não estava ali para dividir suas fofocas e risinhos, de forma que a garota era quase legal e suportável, apesar da curiosidade mórbida.

— Nós vimos o que aconteceu, Ron, deixa disso. – Jorge sorriu para o irmão, e Fred deu tapinhas animadores nas costas dele.

— Eu acho que se você quer algo, tigre, tem que ir pegar. – Disse o gêmeo imitando a forma sabe-tudo de falar de Hermione.

Rony resmungou. – Assim como você fez com a Sabrina? – Deu satisfação ver a forma como o sorriso convencido do outro simplesmente murchou.

— São coisas diferentes...

— Quer o que? Do que vocês estão falando? – A loira choramingava e Rony segurou o rosnado por simples educação.

— Disso. Tive uma ideia. Hey, meninas! – Jorge se aproximou do grupo que vinha pelo buraco do retrato, parando-os no meio do caminho. Rony desviou o olhar e esvaziou sua garrafa, se recusando a olhar Hermione, conforme o gêmeo falava, e falava, e falava mais ainda com o grupo formado por ela, Sabrina, Morgana, Gina, Parvati e Harry. Uma eternidade depois ele ouviu sua irmã gargalhar e negar com a cabeça, descrente conforme eles se aproximavam.

— É o jogo mais idiota que já ouvi falar. – Ela se sentou perto de Lino, empurrando o garoto mais velho para lá, com almofadadas.

Gina era assim, ela incrivelmente parecia se dar bem com todos, e de uma forma alarmante encantar as pessoas, mesmo sendo insuportavelmente mandona e irritante. Era fácil para ela ir atrás do que queria também, aliás. Para quase todos os Weasley, ele notou através do tempo. Menos para ele, e Percy. Seu estômago revirou quando ele se imaginou parecido com Percy, de todos malditos seis irmãos que tinha. Talvez fosse a bebida. Ele já estava em sua segunda garrafa, e aquilo era forte.

— Eu não vou jogar, mas quero assistir de camarote!

— Que jogo? – Perguntou Lilá. E então Rony ouviu a coisa mais absurda, e ultrajante, que jamais imaginou que as garotas fossem concordar.

Basicamente era um jogo de beijos. E não importa o quanto Jorge explicava insistente que haviam opções, era um jogo de beijos. Uma pessoa tinha os olhos vendados, e tinha que escolher a esmo alguém de uma fileira e depois uma fruta entre as que eram a opção. Jorge explicou que havia aprendido esse jogo com uma garota da Corvinal e Rony se perguntou exatamente que menina? Talvez Padma? Ela era boa em beijos, isso podia explicar tudo. Peras davam direito a apertos de mão. Uva a abraços. Maçã a selinhos, e Salada mista a beijos de verdade, beijos com língua. Por um minuto. Ele se imaginou selando os lábios em uma garota, qualquer uma delas, por um minuto inteiro, e começou a gargalhar.

— Rony é tão puro, está constrangido. – Fred brincou em tom de menina flertando. Rony jogou a garrafa vazia nele.

— Um minuto no paraíso? Um minuto com os lábios cerrados com alguém, um minuto segurando a mão de alguém, um minuto abraçando alguém? De verdade vocês entenderam esse jogo direito? Porque simplesmente não mudam para beijos de língua, direto? Faria mais sentido.

Lilá, agora novamente com Parvati, voltou a dar risinhos insuportáveis. Ele imaginava se elas poderiam soltar risinhos por um minuto inteiro?

— Boa ideia, Ron. Vamos fazer como você disse, e você começa. – Fred sorriu.

Rony observou as meninas sem acreditar direito que elas haviam concordado com aquilo. Quer dizer, ele bebera ali, elas não, não é? Procurou Harry com o olhar e o amigo ergueu os ombros, até ele naquilo. E Hermione, Hermione realmente concordara com...de repente ele se imaginou beijando Hermione e seu estômago afundou.

— Não, eu não... não foi o que... vocês realmente vão brincar disso?

Jorge foi para trás dele, rindo e começou a fechar seus olhos, conforme e avermelhava mais e mais. – Não se preocupe, eu vou arranjar um jeito de dar um sinal quando você chegar a garota que quer beijar.

Por algum motivo ouviu Lilá Brown suspirar e os cochichos da voz dela com Parvati. Mas não era nisso que estava focado.

Por momentos sublimes ele se imaginou nitidamente escolhendo Hermione. Se imaginou chegando perto dela e encabulado levando aquela sua mecha de cabelos encaracolados e tão castanhos como casca de carvalho até atrás das orelhas dela, deslizando os dedos depois até o queixo pequeno e o erguendo até ele. Imaginou ela ficando na ponta dos pés, porque ele era bem mais alto, e ele se curvando, como que pra engolir o corpo pequeno enquanto seus lábios se colavam e ele os tacava gentilmente com a língua, sentindo a maciez da boca rosada, pedindo passagem até que suas bocas estivessem tão coladas e línguas em uma dança tão compassada que eles teriam que dividir o oxigênio, um buscando na respiração do outro a salvação. Podia mesmo sentir o gosto dela, de chocolate mentolado, como as vezes sentia em seu hálito quando ela se inclinava pra sussurrar algo em confidencia. E o corpo dela magro e arredondado, como ele percebera no ano passado, como num flash, com contorno femininos e macios.

Suspirou, e abriu os lábios para dar o aval a Jorge começar, tremendo em antecipação, algo nele, mais abaixo, naqueles lugares constrangedores, se agitando e o fazendo apertar as pernas ainda mais firmemente.

— Pronto, Ron? – Jorge perguntou, com tom de riso, e ele começava a acenar com a cabeça.

Então o encanto foi quebrado quando Sabrina resmungou. – Nos seus sonhos que vamos brincar, Jorge.

O gêmeo riu, gargalhou na verdade, conforme se afastava de Ron e batia com a almofada nele. – Rony estava empolgado, Sabrina, você destruiu seus sonhos!

Rony abriu os olhos lentamente, se sentindo na verdade meio imbecil. Tão vermelho e constrangido que quis colocar a cara no chão ou correr para cima como uma menininha.

— Rony está meio bêbado, é isso que está. – Hermione suspirou e tirou outra garrafa da mão dele, essa pela metade. Quando ela farejou em cima dele, Rony sentiu cheiro de chocolate mentolado.

E quis chorar. E morrer. E principalmente agarrar Hermione e ir buscar o que queria, como Fred havia dito. Se fosse mais fácil fazer isso. Ou dizer a ela porque não queria que Carlos Boreanaz ficasse babando em cima dela o tempo todo. E ele não fosse tão parecido com Percy, era isso que ele ia fazer.

Mas ele era.

xxXXxx

Os dias seguintes, até o final de semana, pareceram passar numa mistura estranha de morde e assopra. Sabrina e Fred mal se falavam, a não ser que fosse para deixar claro que não estavam se falando, ou para se provocar a ponto de inevitavelmente um soltar uma frase desagradável ao outro. Como quando Sabrina fez barulhos de ânsia de vômitos ao ver Thaty Meyer e ele nos corredores conversando, ou quando Fillipe Jackman, de forma um pouco desonesta para a ruiva, recebeu um monte de flertes nos corredores quando Fred passou em caminho ao campo de Quadribol.

Hermione e Rony, por um lado pareciam brigar com tanta frequência e por motivos tão aleatórios que era difícil que eles dissessem como e porque havia começado. Claro, eles tinham uma ideia geral que tudo começara com Carlos Boreanaz a chamando de gatinha, e era consenso geral que Rony era sempre aquele que começava a implicância, mas Hermione, de forma orgulhosa e teimosa, não negava nenhuma das discussões. Era como se ela quisesse punir Rony por ser tão desagradável, mas suas amigas sabiam que no fundo era apenas frustração e insegurança, exatamente por conta disso.

Morgana e Harry... era difícil definir exatamente o que acontecia. Harry as vezes se colocava em posição defensiva, como fizera ao ouvir ela falar de Alecs a primeira vez, mas não tinha um sentimento definido de porque fazia isso e sempre acabava voltando atrás e se desmanchando em desculpas, quando dizia algo que ele afirmava era apenas um mal entendido. Isso era sombrio, e desconfortável sempre que acontecia. Harry sabia que a amiga tinha um mau gênio, mas vinha descobrindo que o gênio dele não era tão melhor as vezes. O ruim era aquela impaciência que sentia quando percebia como estava agindo, mas não queria pensar profundamente nisso o bastante para entender o porque. Era como se ele soubesse, mas não quisesse pensar profundamente no assunto.

Tinha tanto o que fazer naqueles dias, que no fim das contas, entre pensamentos de destruição á um vilarejo esquecido da Grã-Bretanha bruxa, e os estudos e ainda treinamentos solitários que vinha fazendo para tentar melhorar sua Oclumência, ou os treinos de Quadribol, ele não quisesse relaxar e pensar muito sobre um assunto mais simples e adolescente, digamos assim.

Claro, seus planos foram quebrados pela própria Morgana na noite de Sábado daquela semana.

O dia do jogo de Quadribol estava muito próximo, ele ocorreria logo após a seleção de líderes, e parecia que a Lufa-Lufa queria mais do que tudo ganhar esse jogo e reservavam todos os horários possíveis do campo. Estressados, impacientes, os grifinórios se viam na realidade crua de ter que praticamente brigar como leões para reservar o campo, e isso era no mínimo irritante.

— Defina obsessão. – Resmungou Alicia naquela noite, quando finalmente eles poderiam ter o campo para si.

Isso, porém, era bom na visão de Harry, ao menos significava que eles teriam um ótimo jogo daqui a uma semana. Não poderia ajudar a si mesmo no entanto, e duvidava que fosse se manter inteiro se os gêmeos continuassem a exaurir tanto dos seus jogadores como estavam fazendo naquele treino. Não só eles haviam insistido para que eles ficassem mais do que as duas horas em campo – quando Harry percebeu estavam lá a quatro horas, sem muitas pausas – como davam tarefas e treinos absurdos, tal qual fazer com que as artilheiras acertassem e jogassem inteiramente de ponta cabeças por quase uma hora inteira, sob uma garoa enregelante e pesada, até que Angelina quase quebrou o crânio ao trombar contra o chão enlameado de pura tontura.

Se sentindo desleal e desonesto, ele se deixou ser acertado por um balaço no braço esquerdo, de raspão, mas fingindo que era acertado em cheio, com um escândalo glorioso, apenas para que os gêmeos finalmente o deixassem voltar para o castelo, “para poupar forças”. Andou esguichando lama e pensando nos amigos infelizes mais algumas horas sob a chuva, enquanto se dirigia a torre da Grifinória.

Quando entrou pelo portal, não ficou muito surpreso ao notar que o comunal estava completamente vazio, visto que passava muito das onze horas, e todos deviam ter ido para cama, caso não tivessem se esgueirando sorrateiros em festas secretas pelo castelo. Ele nunca tinha ido em uma, mas ouvira dizer que alguns grupos de lufanos e sonserinos davam umas festas de arromba nos finais de semana. As vezes ele acreditava que a Grifinória era certinha demais. As vezes apenas que ele não conhecia muita gente, mesmo em sua casa.

Deixando um rastro de lama nojenta nos tapetes atrás de si, ele começou a se arrastar dormitório masculino acima, quando notou um ponto escuro com o canto dos olhos. Girando para observar melhor, seus lábios formaram um O de surpresa ao ver Morgana jogada em uma poltrona mais perto do fogo. A poltrona não era suficientemente larga para um sono prolongado, e ela tinha pego no sono com um livro nas mãos, que agora jazia entre seu corpo e o braço estofado, cutucando suas costelas de forma que ele imaginou ser dolorosa. Além disso, sua cabeça estava torta e tão jogada sobre o braço do móvel, que seus cabelos caiam em curvas negras varrendo o chão, enquanto seu rosto estava numa posição estranha, meio repuxado sobre o móvel, a ponto dos lábios abertos deixarem escapar ruidosos roncos.

Harry se segurou para não soltar uma risada alta da situação, e quase queria ter uma câmera a mão para guardar aquilo para posterioridade, mas quanto mais olhava a garota ali, tranquila mesmo enquanto roncava e parecia estar a ponto de dar uma cambalhota no sono, mais ele se sentia mal e culpado por a deixar em posição tão incomoda enquanto ria.

— Morg, Morg, acorda. Cê vai ficar toda dolorida, ei...- Tentou, murmurando baixinho após se aproximar, depois mais alto. Frustrado, ele desistiu após alguns minutos em que a sacudiu levemente, e o máximo que conseguiu foi que ela girasse a ponto do livro agora ficar abaixo dela, erguendo um pedaço do suéter e mostrando uma pele leitosa e branca em sua cintura. Erguendo-se, passou a mão nos cabelos e olhou a volta. Morgana tinha um sono pesado, ao que parecia.

Ele sempre podia esguichar água nela com sua varinha, é claro, mas imagina que ela fosse soltar todos os cães do inferno em cima dele depois, ao invés de agradecer a gentileza. “ Ops, desculpa, eu queria só que você ficasse mais confortável.” Não seriam palavras que ela levaria de bom grado. Cansado, do treino e das quatro exaustivas pesquisas de estudo que fizera aquela tarde, tudo que ele queria era ir pra cama o mais rápido possível, sem ter a consciência culpada, de forma que deu de ombros e simplesmente se aproximou mais, resmungando consigo mesmo quando hesitou antes de encostar nela.

Decidido, passou um dos braços embaixo das costas da morena, e outro sob suas pernas, testando para ver se isso a acordara e se ela ia achar algo estranho com o fato dele ter as mãos em volta de seu corpo durante isso. Seu rosto queimava como se ele tivesse próximo demais da lareira antes de uma conexão via flú ser ativada, mas ele não ligou muito para isso, encorajando-se com um: “Não tem nada demais nisso, é uma gentileza.” Conforme a erguia e se tornava consciente, até demais, da pele branca que antes vira por baixo do suéter, e dos contornos arredondados contra seu dorso conforme a aninhava contra o peito.

Experimentou um leve frio na barriga quando caminhou até o sofá e olhou para baixo, para o rosto dela tranquilo e de lábios entreabertos que deixavam uma respiração quente contra seu uniforme de quadribol, e pôde contar um punhado de sardas pequenas e discretas, bonitinhas no seu nariz arrebitado. Não demorou a desviar o olhar pra cima e a colocar no sofá, se afastando rapidamente depois de a acomodar o melhor possível, como se algo queimasse no toque. Morgana pareceu sorrir no sono, e aconchegando-se de lado resmungou e depois sussurrou algo inteligível a ver com seus irmãos e Sabrina.

Harry apertou os lábios, inquieto e se deixou olhar para ela mais um pouco, antes de olhar a volta, no salão vazio, como se estivesse fazendo algo extremamente errado e alguém fosse descer e apanhá-lo sorrateiro, com uma maldição. Virou as costas então e foi até o livro que caíra quando ele a pegara e apanhando-o colocou em cima da poltrona novamente. Virava para sair quando ela sussurrou mais algumas coisas incompreensíveis e logo:

— Hmmm, eu sei... mas eu te amo...

Oh, ok. Agora era a parte miserável em que ela fazia uma declaração de amor ao lufano, Alecssander Vighty, e então ele se sentiria ainda mais estranho e incomodado por segundos antes ter pensado em como queria, só por um minuto, beijar as sardinhas quase escondidas, e...

— ...Harry. — Terminou ela respirando profundamente.

— Espere, o que? – Ele deixou escapar, como um ganido, enquanto a olhava de orbes arregalados. Mais assustado do que satisfeito, na verdade.

Quer dizer, ela havia dito Harry e eu te amo numa mesma frase, não havia? Ele havia ouvido direito?

Apenas para garantir, ele se aproximou mais, observando-a de olhos apertados e corpo inclinado mais perto, só para ter certeza de que ela ainda dormia, e não estava brigando ou chamando por ele quando acordou e viu o que ele fizera. Morgana ressonava, e chegou a virar o corpo mais uma vez, ficando de barriga para cima e levando junto uma massa de cabelos negros como carvão em direção ao rosto.

Ficou ali, parado, na mesma posição, estático e ao mesmo tempo pensando muito e nada, antes de se dar conta de que sim, ela ainda dormia, e que a mão direita dele, como se tivesse vida própria, havia se erguido e começado a afastar as mechas macias do rosto da garota. Por algum motivo aquilo pareceu meio certo, e ele queria ver o rosto dela e saber se realmente, realmente, estava dormindo.

O indicador deslizou da têmpora até a bochecha, e então até o queixo e maxilar. Devagar, como se ele estivesse testando a textura de sua pele, e percebeu que de fato, ele estava. Engolindo em seco, Harry se permitiu sentir por um momento o que se passava ali com ele.

Seu coração disparado parecia bombear tanto sangue que ele respirava pesada e rapidamente, em lufadas grandes para dar o oxigênio de combustível. E um leve formigar tomava conta da ponta dos dedos que tocavam a curva do maxilar da menina. Estranho, assustado...maravilhado. Com a proximidade, e as palavras, que até onde sabia podiam nem mesmo ter qualquer significado.

Ele queria que tivessem, queria mesmo. Prendendo a respiração ele imaginou o que aconteceria se ele a acordasse com o jato de água e perguntasse o que tinha dito. Ou se fechasse o espaço que tinha até o rosto dela e tocasse os lábios suavemente nas sardas do nariz pequeno, e depois os lábios. Os lábios dela estavam cerrados agora, mas pareciam tão rosados e macios, e volumosos e bons para que ele prendesse nos dentes, que ele quase fez isso.

Quase.

Porque a porta do comunal se abriu e o time todo de quadribol prorrompeu dali, fazendo uma algazarra que o fez pular dois metros para longe dela, vermelho e com uma camada de suor fino na testa, antes de resmungar alguma coisa e seguir os Weasley escada acima.

Quando chegou no ultimo degrau, olhou por sob o ombro. Morgana ainda estava ali na mesma posição, dormindo tranquilamente.

Notas finais
O que vocês acham do Carlos e Alecs? Eu quase cortei eles dois e toda a parte que eles são importantes na fic, porque acreditem *spoilers* eles são importantes */spoilers*, mas morri de dó, então... não sei se fiz uma boa escolha, mas talvez role um dramalhão mais pra frente xD Curiosidade do capítulo: No original eles BRINCAVAM MESMO de Salada Mista...rolava um fan service de H/Hr, e tudo mais... mas tirei porque era mais drama do que podia lidar, e sem motivo algum só fanservice, fiz bem? xD