Harry Potter e a Neta de Voldemort
13 Capítulo 12 - Entre a Felicidade e a Vingança
Notas iniciais
Capítulo Doze – Entre a Felicidade e a Vingança
Sabe quando você acorda feliz e animada, achando que tudo no mundo é belo e incrível, logo depois de ser azarada, e ter sua pele quebrada em três lugares diferentes, passar uma noite de suor frio por fazer ossos se juntarem, e isso um pouco depois de descobrir que sua mãe e sua professora de Defesa Contra as Artes das Trevas são provavelmente agentes secretos de um vilão do mal carniceiro? Não? Então, você provavelmente não sabe como Sabrina se sentia naquele dia.
Quando acordou, ela sequer esperou que madame Pomfrey a desse alta, pulando e saltitando pelo quarto e tão logo passou pelos exames básicos da meticulosa enfermeira, ela agarrou seu álbum de fotografias e partiu dali, sem sequer perguntar se havia recebido visitas, ou se algo a mais havia acontecido. Quem podia culpá-la? Apesar de na semana anterior ter passado noites em claro se revirando por causa das palavras nefastas que havia ouvido, ela descobrira que estava quase, mas bem pouquinho perto de se apaixonar de novo. Que garota ia ficar triste com palavras como: Você beija bem, após ser carregada até a ala hospitalar por seu salvador, certo?
Quando estava um pouco longe da ala hospitalar Sabrina começou a cantar e a dançar pelos corredores indo em direção ao salão principal. Alguns alunos a olhavam com caras assustadas, mas Sabrina não estava com vergonha. Quando ela chegou no salão este estava cheio, mas ela não parou de cantar, muito menos de dançar na verdade ela começou a cantar mais alto do que já estava cantando, arrancando risadas de todos na mesa até mesmo seus amigos. Não demorou até ela parar a cena e se jogar na cadeira afogueada, após uma breve reverencia a um Neville animado que batia palmas.
Os garotos a olhavam desconfiados, e pegando um muffin da cesta ela questionou:
— O que?
— Madame Pomfrey errou a poção e te deu uma que simula o Tarantallegra? – Questionou Morgana desconfiada, e de certa forma preocupada com a amiga.
— Ahh, não! Porque? Aliás, estou chateada, nenhum dos meus amigos foi me ver. – Pontuou ela com um beicinho que fez Rony se encolher e ter um calafrio.
— Odeio quando mulheres fazem essa voz e beicinho. – Sussurrou ele.
— Tudo bem, agora sabemos que você gosta de mulheres machonas, Rony.
— Em primeiro lugar nós fomos lhe visitar, você estava dormindo. Em segundo lugar o que exatamente aconteceu? – Continuou Morgana, enquanto Rony resmungava amuado:
— Não foi isso que eu quis dizer...
— Ah vocês foram? Bom, que bom que tenho amigos tão maravilhosos e amáveis. – Ela abraçou Hermione apertado, dando-a um beijo estalado na bochecha que a fez corar um pouco.
— Ok...Que bom que está bem. Mas não está preocupada com o que aconteceu? Alguém te atacou, precisamos saber quem.
— Ah, Mione, foi Thaty Meyer, tenho certeza, mas quem se importa? – Sabrina sacudiu as mãos abanando o assunto pra lá, e cantarolou. — Tudo na vida passa, até uva-passa. Hahaha.
Ninguém seguiu suas gargalhadas, todos aturdidos demais com aquele humor insano.
— Ok. Tenho certeza que isso não é uma sequela de Esquelesce. – Harry observou Sabrina pensativo, mas logo deu de ombros, puxando o livro que lia com displicência. – De qualquer forma ficamos felizes que esteja bem, Sá.
— Eu também, o que é Oclumência? – Ela leu por cima do ombro do amigo, mastigando uma maça dessa vez. Harry fechou o livro, lívido, e com um sorrisinho sem graça, murmurou:
— Uma magia avançada. Aurores...isso. Aurores precisam aprender isso para...
— Ah Harry, você mente tão, tão mal. Que seja. Preciso buscar meu material no dormitório, encontro vocês mais tarde ok?
E saiu dali, balançando-se e dançando corredor afora.
xxXXxx
— Ei, você! – Morgana parou no corredor, resmungando um pouco conforme parava a leitura do pergaminho de Runas e girava para ver quem a chamava. Havia acabado de sair da biblioteca, onde ficara copilando uma redação da matéria, e agora vinha distraída pelo corredor conforme revisava o que havia escrito.
Mal deu tempo de registrar a visão que teve antes de um sorriso brilhante se abrir e ela se sentir um pouco ofuscada. Oh, deusa, aquilo era uma visão ou algo parecido?
— Você esqueceu o tinteiro na biblioteca, aqui. – Ela estendeu a mão para apanhar o tinteiro um pouco lentamente, sem tirar os olhos do rosto do garoto com quem falava. Desconcertado, ele pareceu corar, esfregando a nuca desajeitado. – Eu tenho alguma coisa no rosto ou algo assim?
Ela franziu o cenho, e se deu conta de quão boba parecia. Então, como não ficar?
A sua frente um garoto alto e o que só podia ser definido como “tonificado” estava parado, todo lindinho e constrangido. Sua pele era clara, mas um pouco bronzeada de forma saudável, e os olhos eram de um castanho mel bonito e brilhante. Os lábios...ela adorara os lábios dele, vermelhos e quase delicados, contrastando com o queixo masculino e bem definido, e quando ele sorria os dentes brancos iluminavam e brigavam com as duas covinhas para ver quem chamava mais atenção. Os cabelos de um castanho claro eram cortados de forma moderna, repicados longos, com algumas mechas caindo displicentemente em sua testa lisa. Cute. Ela o conhecia da aula de Runas, e o achara decididamente interessante, tanto que havia comentado com Hermione e Sabrina anteriormente. Alecssander Vighty, era esse seu nome.
Ele inclinou o corpo um pouco para o lado, a observando um pouco mais perto com uma cara entre o curiosa e completamente ciente do efeito que parecia causar. Isso a fez recobrar completamente o espírito.
— Não, não há nada, estava apenas distraída pensando em algo. Obrigada. – E virou o corpo, voltando a erguer o pergaminho para se afastar dali o mais rápido possível, antes que fizesse algo estúpido outra vez.
Emparelhando com ela, Alecssander continuou a seguindo. – Você sempre olha as pessoas e fica autistando pensando em outras coisas, ou é só comigo?
Prendendo o riso, ela revirou os olhos, franzindo o nariz arrebitado conforme o respondia. – Só com você. Parece que seu rosto é uma paisagem daquelas que fazem refletir ou algo assim.
— Oh, nenhuma garota nunca me disse isso antes, isso é bom ou ruim, afinal?
— Depende do ponto de vista, seria melhor ficar observando sua beleza não lembrando do sentido da vida, não? No entanto você pode dizer que desperta emoções profundas, e isso é bom. – “Ah Morgana, apenas pare. Pare agora mesmo, você é péssima nisso.” Se recriminou conforme notava as besteiras que dizia.
— Minha beleza não é o bastante pra te prender então. Ouch, mal, muito mal. Mas gosto da parte de emoções profundas. Já sei, como você desperta os dois em mim, que tal se eu só ficar te olhando, e pensando nessas emoções, como fiz na biblioteca? – Ele deu um passo para a frente, impedindo que ela continuasse o caminho, e com outro daqueles sorrisos cheio de covinhas ficou esperando sua reação.
Que foi péssima aliás. Morgana travou, ficou abrindo e fechando os lábios como um peixe, tentando entender como respondia a algo assim, e controlar a vermelhidão em suas bochechas.
— Te deixei sem palavras?
— Ah bastante. Você é sempre tão direto?
— Pra falar a verdade não sempre, sou péssimo com garotas. – Ele riu conforme falava, e parecia verdadeiramente encabulado, o que ela achou uma graça. — Mas desde que começamos a ter Runas antigas eu venho reunindo uma certa coragem pra falar.
— O que faz o que, um mês? Bastante tempo.
— Sim, então, temos um trato? – Ele estendeu a mão e Morgana a olhou de olhos apertados.
— Não sei direito com o que tenho que concordar aqui, Vighty.
— Eu pensava em um encontro, mas um trato para sentarmos juntos e nos conhecer melhor já é um bom começo. Que acha?
— Acho que você está arranjando problemas na Lufa-lufa com meus irmãos, mas aceito.
— Tsc, gosto do desafio. – E ela apertou sua mão, rindo.
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Harry entrou no salão comunal meio se arrastando.
Aquela noite tivera a primeira aula de Oclumência com Lilandra, e em meio a invasões dolorosas a sua mente, ele entendera o quão profundamente era importante que fizesse aquelas matéria extra com a professora. O fato dela entrar, esmiuçar e parecer deliciada quando lhe dizia coisas de seu passado e pensamentos íntimos o fazia odiar e perceber o quanto Voldemort tinha vantagem naquela droga de guerra contra ele.
O fazia perceber o quanto a professora podia ser irritantemente macabra também.
Jogando-se ao lado de Rony e Hermione ele deixou a cabeça cair no encosto do sofá, observando os padrões do teto de pedra do comunal e pensando em absolutamente nada para tentar dar a mente uma trégua.
— Como foi? – Perguntou Rony pelo canto dos lábios, mexendo uma de suas peças de xadrez bruxo para abater uma das de Hermione, exasperada.
— Hm...acho que não muito bem.
— A Legilimência é uma arte avançada, poucos são os estudantes que conseguem se formar dominando-a. Ouvi dizer que apenas após a formação os bruxos que estudam com tutores conseguem dominar a prática.
— E mais uma vez Voldemort é expert em algo tão difícil. É um gênio. – Disse Harry carrancudo, e Rony estremeceu.
— Não importa quanto eu tente, ainda odeio ouvir esse nome.
Hermione o olhou de canto de olhos, parecendo morder a língua antes de dizer o que queria. Ao invés disso ela girou a atenção para Harry, os lábios apertados em um fio severo. – Ele tem que ser um bruxo poderoso, ou não seria capaz de fazer o que faz. Mas você é melhor do que ele Harry, e o derrota em batalhas desde que era um bebê, isso vale muito. Não desista...
— Eu estou cansado de ouvir isso Hermione! Não desista, você é a esperança, você é forte, você tem algo que ele não tem. No entanto, eu tenho que ficar aqui esperando enquanto ele mata pessoas lá fora. – Cerrou os punhos, sentindo aquele tipo de revolta desconfortável que vinha invadindo seu interior e rugindo pra fora sempre que o assunto vinha a tona.
— Harry...
— Shiu, os dois, temos companhia. – Rony indicou Sabrina e Morgana que vinham sorridentes pelas escadas do dormitório.
Bastou que as duas sentassem pro silencio se tornar desconfortável, e elas se olharem questionadoras.
— Atrapalhamos?
— Ah não, Sabrina, eu estava mesmo prestes a vencer esse jogo. Xeque-mate. – Rony sorriu para Hermione fazendo sua rainha desabar.
— Harry? – Morgana observou a cara ausente do amigo e ergueu uma sobrancelha questionadora. Ele se forçou a sorrir.
— Desculpe, estou tendo alguns problemas na matéria de DCAT, só isso.
— Ah a professora Lilandra. Vocês não acham que ela é um pouco misteriosa? – Sabrina começou após uma pausa, os lábios presos entre os dentes. Automaticamente prendeu a atenção de todos.
— Bom, ela me deu calafrios no começo, mas acho ela uma boa professora. – Rony reuniu as peças e se recostou satisfeito no sofá, piscando para Hermione que bufou.
— Ainda assim, ela tem alguma coisa esquisita, eu acho. – A ruiva tentou, ponderando se dizia ou não o que e porque.
— Bom, todos professores tem. Snape, esse tem decididamente algo estranho, sempre. – Todos riram de Rony, menos Harry e Sabrina.
— Não, Sabrina tem razão. Eu acho que...ela tem alguma coisa que não encaixa, também. Suas reações e ações são como se tivessem um objetivo maior, ou diferente. – Harry girou os olhos para Rony e Hermione, que franziram o cenho.
— Como o que? Uma espiã de Voldemort? – Morgana inclinou a cabeça pro lado, observando Harry atentamente. Sabrina ficou lívida.
— Não isso, talvez. Apenas algo...
— Talvez isso vá soar mal para vocês, mas me engano com as pessoas, não com as vibrações. E não acho que Blacklight tenha uma tão nefasta. – Morgana deu de ombros, agarrando uma almofada taxativa. Sabrina a olhou de soslaio.
— Eu costumo confiar em você, Morg, mas nesse caso...
— Algo não bate!
— Algo não batia no Lupin também, Harry, e no entanto ele salvou sua vida, descobriu Pettigrew e salvou Sirus no terceiro ano... – Morgana pos a mão sobre os lábios, se dando conta que falara demais.
Harry a olhou incisivo, e sentando-se mais duro, alerta rebateu:
— Como você sabe de tudo isso? Ninguém sabe o que aconteceu, ou dessas coisas, a não ser nós três e Dumbledore...
Ela soltou um longo suspiro, e agarrando mais a almofada se recostou na mesa de xadrez, desviando o olhar. Já dissera mesmo, agora restava continuar. – Nem só vocês sabem disso, ok? Há mais pessoas lutando essas batalhas pelo lado do bem que apenas vocês.
Harry manteve o olhar desconfiado, observando Morgana por outra ótica agora. O que a garota sabia? Quem afinal era ela? Ou Sabrina?
— Sim, como meus pais. – Cortou Rony.
— Ou os meus. – Morgana encarou Harry, abrindo um sorriso mordaz. – O que, acha que sou uma espiã do Lord das trevas que me aproximei de vocês para descobrir mais? Talvez você devesse saber, Padfoot se encontra em minha casa. Cara legal. Apesar que acho que eu não deveria lhe contar isso.
A reação foi a esperada. Harry deixou os lábios caírem e se recostou no sofá, ao que os outros suspenderam o ar. Morgana simplesmente revirou os olhos e negou com a cabeça displicente.
— Eu não sei mais, ok? Talvez ele nem esteja mais lá. O que sei é que eles já se conheciam de antes, e ouvi algumas coisas numa reunião com Dumbledore, atrás da porta. O que irrita, de verdade, é esse seu olhar idiota e desconfiado para todas as coisas. – Apontou Harry mau humorada.
— Quem é Pettigrew? E Lupin? E Padfoot? – Sabrina coçou a cabeça, parecendo desconcertada.
— Longa história. – Disse Hermione, procurando Harry com os olhos como que perguntando o que deveria fazer.
— Que eu terei prazer em contar depois, Sabrina. É meio cansativo essa mania dos três de achar que tudo gira em torno do herói Harry e seus segredos sombrios, sabe? Sabrina teve uma visita nesse ano que acabou na morte na frente dela do pai, por conta de um ataque de Voldemort. Nem toda a batalha é vencida sozinha, e nem tudo está sendo deixado de lado, ou as pessoas são precisamente ruins. Que seja. Vou dormir, boa noite.
E subiu para o quarto batendo os pés.
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Era difícil que tudo voltasse a normalidade após um confronto tão chocante, no entanto, voltou. Morgana e Sabrina ainda tinham coisas pendentes a contar umas as outras, e Hermione, de forma que numa tarde após as aulas, a três se reuniram no salão comunal, e aproveitando a brecha foram fazer o que adolescentes em suas idades faziam melhor do que enfiar os narizes em sérios assuntos de bem e mal: Fofocar.
Rapidamente a morena contou os pormenores do que acontecera a Alecs, e as outras riram e adularam com zoações e brincadeiras até que a outra corasse de vergonha.
— Apenas um amigo, além disso, sempre há o problema com o Arthur e todo seu ciúmes e raiva do grupo que anda com o Jackmen. Eles se odeiam, algo que tem a ver com uma garota que namoraram, ou coisa assim.
— Ahh o Fillipe, isso me lembra...vocês não acreditam! Essa semana ele veio me paquerar, e bom, ele é legal, mas não faz meu tipo. Então disse que namorava.
— Namorar? Com quem? Hmmm....com um dos gêmeos? – Provocou Morgana.
— Claro que não! Com o Arthur!
A morena deixou o queixo cair, o rosto avermelhando de raiva!
— Você disse que está namorando com o Arthur?! – Disse um pouco alto demais, e Sabrina correu para tapar seus lábios, ao que Morgana mordeu sua mão!
— AI, pare com isso, relax Morg, era só brincadeirinha, apenas para me safar!
— Não se faz esse tipo de brincadeira! Arthur te chama de maninha, você não precisa usar ele para afastar outros garotos!
— Você sabe que esse ciúmes de irmão que vocês sentem é estranho, não sabe Morgana? – Hermione se encolheu ante o olhar que recebeu. E Sabrina gargalhou negando com a cabeça.
— Eu já pensei isso. Aí você precisa ver o pai dela, e os primos, enfim...é uma família complicada, sabe aquela que precisa pedir a identidade e antecedentes para liberar um encontro?
Encolhendo-se Morgana sussurrou. – Nos importamos um com os outros, o que há de mau? Rony não tentou estrangular Neville por causa da Gina? Além disso pensar em Arthur com Sabrina é...ugh, é como ver meus irmãos namorando!
— Aw, me chamou de irmã. – A ruiva a abraçou e Morgana bateu com a almofada em seu rosto, a fazendo gargalhar.
— Bom, sabemos que você é um mau partido Sabrina, já que ela acha que te namorar é algo ruim pra Arthur. – Foi a vez de Hermione levar uma almofadada na cara. – Então, porque você estava tão feliz aquele dia que saiu da enfermaria? Duvido que tenha sido por causa da azaração!
— Ah isso...bem...
As duas ficaram olhando para ela em expectativa. Por algum motivo Sabrina se sentiu constrangida e começou a rodear. Dez minutos de “Bem, então, aí...” depois Hermione e Morgana já pareciam entre desinteressadas e exasperadas com ela.
— Bom... é o seguite... Olha o Harry e Rony tão jogando snap esplosivo será que eles me deixam jogar?
— Sabrina Penélope Vandon Lair, será que dá pra parar com a palhaçada e dizer que porra de segredo é esse?
— É que eu tava lá, aí...
— Sabrina... — Disseram Hermione e Morgana juntas. O que era muito, Hermione não parecia perder a paciência tão fácil.
— Ok. Eu descobri que o Fred foi que me deu o beijo, ponto vírgula cabei. – Disse de um fôlego só, olhando suas mãos depois.
Não teve a reação que esperava, Morgana olhou Hermione e negou com a cabeça.
— Nossa, eu pensei que ela ia contar uma coisa que eu fosse ficar duas horas aqui, fala sério já tinha preparado até as almofadas pra eu cochilar um pouquinho... brincadeirinha.
Para surpresa das outras duas Hermione disse apenas:
—E? – Como nenhuma das duas entendeu o que exatamente ela quis dizer a morena foi mais taxativa. – Francamente: Você vai, não vai, vai ficar olhando pra nossa cara? Quero dizer ir falar com ele! Não me leve a mal, ma você descobriu isso a o que? Uma semana? E sequer falou alguma coisa para o garoto? Pensei que você vivia pensando nesse beijo, nesse dilema, e queria saber porque achava que estava se sentindo meio apaixonada. Entendi errado?
— Não, mas...
— Hermione tem razão, isso costuma dizer que a garota não está afim de você! Acho que ele imagina isso. Quer dizer, desde que ele saiba que você descobriu. Ele sabe?
Então a ruiva contou toda a história do álbum, e como ele havia a levado a enfermaria, e o que havia dito lá.
— Uff, você deu um fora nele.
— Eu não dei um fora nele, Morgana!
— Tecnicamente sim. Toda essa semana o vendo e sem sequer dizer nada, ele deve estar chateado.
— Eu apenas...
— Apenas deu um fora nele!
— Não fiz!
— Então corra atrás do prejuízo, prove e vá falar com ele.
— E dizer o que?
— Que o céu é bonito. Sabrina! – Hermione revirou os olhos. – Só vá.
— Okay, eu vou. – E cruzou os braços, bufando enquanto se recostava mais no sofá.
— Então...? – Tentou Hermione arregalando os olhos pra ela.
— Eu tô indo.
— Hahaha. Ah tá, tem que mexer as pernas sabia disso?
— E eu não tô mexendo, Morg?
— Não.
A ruiva olhou a volta e encolhendo o corpo se levantou do sofá, completamente ausente, e mais por pressão do que por confiança, se dirigiu até onde Fred assistia a emocionante partida de xadrez bruxo entre Neville e Jorge. Envergonhada ela se sentou ao lado dele e puxando todo o ar pros pulmões, se forçou a provar que era de fato uma grifinória e balançou o ombro do ruivo com o seu, soltando em uma voz de flerte, toda animada e descontraída.
— Ei, Fred. Não temos nos falado muito não é?
O garoto girou a cabeça para encará-la e ergueu uma sobrancelha fitando o sorriso convidativo que a ruiva dava com uma careta.
— Não, não temos. – Disse mordaz, e voltou a fitar o jogo.
Sabrina estranhou, mas resolveu tentar mais uma vez. Mordendo os lábios, pensando se isso soaria demais convidativo e atirado ela lançou. – Bom, e que tal darmos uma volta no castelo para...esclarecer umas coisas sobre...meu álbum?
— Não acho uma boa ideia.
— Por que? — Perguntou a garota pestanejando. Esperaí? Ele parecia interessado. Quando um garoto te lança olhares no corredor, e te diz que sei beijo é bom, ele está interessado não é? No entando, ali estava ela, prestes a levar o que parecia um fora? Com mais força de espírito ela repetiu. – Por que?
Fred revirou os olhos, e como um animal ferido a olhou com uma carranca. — Porque seu namorado pode ficar com ciúmes!
— Meu que?
— Eu escutei você falando com a Morgana.
— Você está brincando? – Sabrina gargalhou, o que pareceu não deixar o outro muito satisfeito. Negando com a cabeça ela começou. – Olha Fred, é que era uma...
— Da licença, eu vou ali falar com a Angelina. — dizendo isso o garoto foi ao encontro de Angelina que tinha acabado de chegar no salão, cortando completamente o clima, a fala e o bom humor da ruiva.
— Oi Sabrina, também adorei te ver. Quer jogar? – Jorge observava tudo ao longe, e parecendo achar muita graça, apontou Neville e o xadrez animado.
— Seu irmão é um imbecil!
— Sempre digo isso, mas ele não gosta muito. Mamãe também diz, e Papai e Rony e... Tchau Sabrina. – Prendendo o riso ele deu de ombros e voltou ao jogo, conforme Neville fazia um movimento perigoso com seu cavalo e Sabrina batia os pés de volta as duas amigas.
— O que houve? – Arriscou Morgana olhando da amiga para Fred distante conversando com Angelina.
— Não houve.
— Ou sou eu que sou muito burra ou você que não falou nada com nada. Você não tinha dito que tinha certeza que era ele?
— Eu tenho certeza que é ele, mas o palhaço pensa que eu tenho namorado. O retardado, débil-mental, ouviu eu falando com você e tirou conclusões precipitadas, e ainda por cima me deixou falando sozinha, como uma idiota, com Jorge e Neville rindo da minha cara!
— Oh, eu vejo.
— Huh...vamos jantar, sim? – Hermione apontou a saída, e se olhar matasse tanto Sabrina quanto Fred estariam mortos até que ela saísse pelo buraco do retrato.
O castelo era grande porém, e naquele instante foi como se mágica acontecesse pois deram de frente bem com Arthur e Richard. Animados, os garotos correram para elas, mostrando suas camisetas de quadribol, e tinteiros com tinta infinita, como duas crianças.
— O que diabos é isso? – Perguntou Morgana observando os nomes e corações dispostos nas duas camisetas numa infinidade de locais diferentes. – “Se você ganhar me deve um beijinho, Romy V”?
— Isso maninha, se chama Popularidade! Com P maiúsculo!
— Isso se chama falta de vergonha na cara dessa lambisgóia! – Morgana puxou a camiseta olhando as outras assinaturas. – “Se eu fosse um trevo de quatro folhas iria querer ficar grudadinha em você, vai ter muita sorte no jogo, gracinha. Sua Katie O.”? Qual problema dessas garotas? E porque diabos vocês estão num corredor pedindo assinaturas?
— Pra dar sorte! Vamos jogar contra a Grifinória na primeira rodada, e é daqui a duas semanas, então apostamos quem vai conseguir mais assinaturas. Assinem aqui.
— Me dá aqui.
Sabrina puxou a camiseta e virando Arthur de costas usou as mesmas como apoio pra escrever. Satisfeito, o Summers começou a ler, um sorriso contagiante diminuindo conforme lia em voz alta.
— “Tomara que você caia da vassoura e quebre todos os dentes, pra beijar metade dessas idiotas banguela. xoxo Lair.”? Que isso, Sá! Pensei que me amava, pow.
Morgana sussurrou para o irmão:
— É, Arthurzinho... a Sá não esta com um humor muito bom hoje, então por favor seja mais agradável e releve, ok?!
— Ah tá. – Ele sorriu apontando o polegar para a irmã e se virou para Sabrina. – Então, Docinho, vai fazer algo melhor ou não? Oh, vou apagar aqui e...
—Olha docinho é a puta que te pariu!
Morgana imediatamente arregalou os olhos, indignada. — Ei, ei, ei. Agente tem a mesma mãe, você sabia disso? Victória lembra? A mesma mulher que você chama de tia?
— Desculpa, eu me empolguei, tia Vich não merece isso. – Girando nos calcanhares a ruiva olhou Arthur que estendeu a pena satisfeito. – Não me chama de Docinho, porra!
— Você tá com a boca suja hoje hein, Docinho? – O Summers cruzou os braços, com uma carranca.
Sabrina delicadamente deu um soco no ombro de Arthur, virou as costas e saiu. Hermione que parara para tirar pontos de um sextanista que vandalizava uma tapeçaria, os alcançou a tempo de ver o furacão Sabrina sair desabalada para o salão principal.
— O quê aconteceu com ela?
— Pergunta pro Arthur.
— E eu é que tenho que saber o porque dela estar estressada desse jeito... E você, Fofinha, não vai assinar minha camiseta?
— 'Cê acordou com vontade de ficar sem os dentes hoje, né? Como sou muito legal, vou fazer isso quando estiver de bom humor! “Você me deve um beijinho...trevo de quatro folhas grudadinho”...céus! Que idiota. — E dizendo isso Morgana se retirou correndo para alcançar a amiga.
Arthur olhou maliciosamente para Hermione, fazendo a outra corar. Incorrigível o Summers apoiou um dos braços na parede e piscou para ela galanteador.
— Nunca mais conversamos desde a festa, monitoras devem ser muito ocupadas. Como vai?
— Huh, bem, acho. Estudando e... – Ela agarrou a ponta das vestes, encabulada, e sem saber muito como reagir. Quando Sabrina dissera que ele era galanteador, ela jamais achara que fosse daquele tipo meio fatal.
— Ah eu sei, tenho um fraco enorme por garota inteligentes, minha irmã te contou? Não tem coisa mais sexy do que ter um cérebro além de uma carinha fofa. Você tem os dois. Ahnn, estou te deixando sem graça. – Como se desculpando ele estendeu a pena e a camiseta, se endireitando. – Desculpe, é que realmente acho isso, mas não quero te deixar assim, fica parecendo que não sou mais que um conquistador. Aqui, não quer assinar minha camiseta pra dar sorte? — Arthur olhou profundamente nos olhos de Hermione.
O que quase causou um acidente por conta dela sentir que suas pernas falhavam.
— E-eu...não sei o que escrever, todo mundo...deixou uma frase...uma frase sem vergonha! – Ela pontuou lendo uma em particular que falava sobre banhos juntos que davam sorte. Arthur gargalhou.
— Não precisa, Mione, só sua assinatura vai me deixar bem feliz.
—Ca...cla...claro. — E dizendo isso ela puxou uma caneta esfereográfica que estava na mão de Arthur e assinou o seu nome cheio de floreios e colocou uma carinha no final junto com um coraçãozinho no i. Podia brincar de paquerar também.
— Ahh ótimo. Sabe o que? Pra terminar de dar sorte só falta um beijo...- Hermione arregalou os olhos e olhou para os lados, como se quisesse fugir e ele sorriu.-...na bochecha. Desculpe, estou forçando de novo.
—Ah...não okay. Hm...
Arthur se aproximou de Hermione e deu um beijo meio torto que acabou pegando um pouquinho na boca, eles pararam com as bocas próximas, e o Summers levou uma mão ao rosto dela afastando uma das mechas encaracoladas para colocá-la atrás da orelha de Hermione. Ahh ele não estava mentindo, realmente tinha um enorme fraco por garotas inteligentes, e Hermione parecia tão meiga e interessante. Pensou se podia, por um momento começar uma ficada, afinal, ela parecia se interessar também. Mordeu os lábios e olhando os dela se aproximou devagar, sussurrando.
— Ops, moça, se você não quiser é melhor me afastar...porque seus lábios estão me chamando, sabe?
Hermione congelou, os olhos muito arregalados e desviando dos lábios de Arthur para os olhos semicerados deste.Ficar? Isso parecia bom não parecia? As pessoas ficavam, ela ficara com o Krum, Gina ficara com outros garotos antes de namorar Neville. Morgana e Sabrina ficavam, e Merlin, Arthur era...lindo. Começou a semi cerrar os olhos, quando...
— Oi.
Hermione e Arthur deram um pulo pra trás e Hermione sentiu que seu coração pularia pela boca, e seu rosto derreteria de tão quente e vermelho que estava. Arthur no entando parecia bem vermelho também, mas de raiva. Virou-se para o irmão, Richard, que dava um maravilhoso sorriso inocente e resplandecente.
— Interrompi? Ei, Hermione, bom te ver, assina minha camiseta?
Hermione só conseguiu acenar que sim, frenéticamente, e se sentindo meio sem ar e mortificada assinou e se apressou em fugir dali, uma mão sobre a cabeça que girava em voltas confusas. Arthur ficou parado a olhando se afastar com o canto dos lábios tremendo ligeiramente. Virando-se para Richard ele agarrou a manga do uniforme do irmão e o arrastou para perto, irritado.
— Interrompi? Moleque, só porque você é meu irmão eu vou deixar você escolher: Quantos socos 'cê quer levar – acima de dez tá liberado – vai lá, fala!
— Você tem que parar com isso Arthur! Acho que você tem um problema com as garotas! Hermione é legal, não pode sair beijando garotas legais assim, ainda mais se elas forem amigas de nossa irmã, sabe o que Morgana faria com você?
— Sério, porque você nasceu?!
— Pô, nunca pensei que você tivesse ciúmes de mim, Arthur! – O garoto abanou a cabeça desconsolado e escondeu uma risadinha. – Eu nasci pra ser sua consciência!
— Minha conciência está ok! Ela estava afim...sabe quando eu vou ter a chance de novo? Ah, eu te mato Richard!- E quando disse isso Arthur pegou Richard pelo colarinho, ao que o outro segurou seus dois braços, entre rindo e tentando se safar do cascudo que viria, ou soco. Ainda não tinha certeza qual dos dois!
— O que está acontecendo aqui, Sr. Summers?
— Eu tô caçando borboleta, o que você acha? – Tarde demais ele se deu conta de com quem falava.
— Eu acho que vocês dois vão ficar de detenção.
Snape estava parado no corredor, sua voz não mais monótona, mas sim com um que de prazer deixando claro o quanto aquilo o agradava. Arthur olhou soltou Richard lentamente, ageitando as vestes do irmão com um sorrisinho amarelo, e depois o abraçando fraternalmente. Este por sua vez rapidamente transformara o riso em uma careta de descontentamento.e acusação para Arthur.
— Professor, desculpa eu não sabia que era o senhor....
— Explique isso para o Filch. Vamos!
— Sabe o que é professor, ele tava me aconselhando... – tentou o mais novo conforme corriam para alcançar Snpe.
Este apenas o observou de cima a baixo com uma espécie especial de veneno mordaz no olhar.
— Eu não sabia que você caçava borboletas, Sr Summers.
— Comecei agora! — Ele deu um grande sorriso para ilustrar.
— Então o Filch vai te dar alguns conselhos, você sabia que ele faz coleção de borboletas? Comece, a, caminhar. Se eu tiver que enfeitiça-los, eu vou. — Snape os olhava com um olhar de ave de rapina que ia fazendo os garotos encolherem de forma gradual um contra o outro, amedrontados, conforme o seguiam.
— Puxa que legal, mas...
Antes que Richard falasse mais alguma coisa eles chegaram a sala do Filch. Quando Snape abriu a porta de supetão, eles viram a cena mais bizarra do mundo: Filch estava vestido com as vestes de Hogwarts, com um chápeu marrom e amarrotado na cabeça e uma varinha que parecia gasta. Ele apontava para uma pena em cima da mesa e falava totalmente desajeitado, enquanto consultava um maço de pergaminhos em cima da mesa com os dizeres "Curso Bruxpress para Mentes Escassas" em purpúra berrante:
— Ving...ving...vingigardium lev...levooosa.
— É vin-gar-dium levi-o-sa. — Instintivamente Arthur puxou a varinha e apontou para a pena que começou a flutuar. — Você tem que falar bem o Gar e...
Snape olhou para Arthur, interrompendo sua fala até que o garoto guardou a varinha e olhou para baixo, outra vez de ombros encolhidos. De repente ouviu-se um barulho de alguém tentando segurar o riso e Richard segurou os lábios, tentando abafar as risadas que saiam tão altas e descontroladas que as lágrimas desciam por seus olhos.
— Não dá! Como...uma...pessoa...consegue...se...subjulgar...a...isso. Até que ponto...chega um ser...humano, minha Deusa.
Filch olhou para os garotos se sentindo humilhado e envergonhado, mas ao mesmo tempo furioso. Snape fez um feitiço para Richard parar de gargalhar por algum motivo ele tinha um olhar vitorioso e um sorrisinho maldoso nos lábios.
— Não vou perguntar o quê você estava fazendo, porque não é da minha conta. Esses alunos vieram cumprir detenção.
— E o quê o senhor quer que eles façam, Professor? – O zelador, vermelho de fúria e humilhação parecia prestes a pegar uma faca e estripá-los caso Snape desse a mínima mostra de que poderia.
O professor deu de ombros e os olhou com desdém, estendendo a mão a frente dos dois. – As varinhas? – Relutantes eles entregaram as varinhas ao professor, e só então ele continuou. – Faça com eles o que você achar melhor.
— Ótimo! – Ele pegou um dos chicotes pendurados na sala, e Snape revirou os olhos, entediado.
— Sem usar violência física senhor Filch. Ambos sabemos que eles não vão ficar amarrados e os problemas que haveriam com o diretor.
Acabrunhado, o zelador soltou o chicote e pegou madame Nor-r-ra no colo acariciando-a lentamente.- Vão polir todos os troféis e depois vão tirar o pó das minhas borboletinhas...tenho umas mil, cento e vinte e oito na coleção, usarão escovas dentes macias. Elas são muito delicadas.
— Como eu disse senhor Summers, Filch tem muito a lhe ensinar na caça as borboletas.
Os dois garotos se entreolharam assustados.
Snape girou as costas, e como o morcego que era saiu pelos corredores. Bastou estar em sua sala para deixar surpreendentemente gargalhadas saírem até que chorasse de rir como Richard, minutos atrás. – Uma vingança pessoal alentadora, não, Victória?!
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