Harry Potter e a Neta de Voldemort
8 Capítulo 7 - Se preparando para o pior
Notas iniciais
Capítulo sete — Se preparando para o pior
Não demorou muito mais para que chegasse a visita a Hogsmeade e com ele o dia da festa tão comentada. A maioria dos garotos confirmou, divertidos com o fato de que teriam um motivo para festejar completamente livres de adultos. E as meninas tiveram realmente medo de alguns que sugeriram levar sua própria garrafa de tipos diferentes de bebidas. Uma aluna mais descolada da Lufa-lufa – não convidada – até mesmo abordou Sabrina com uma lista dos melhores licores que seu pai fabricava.
— Isso tá começando a ficar incontrolável. – Hermione ponderou quando eles conseguiram se desembaraçar da garota para tomar rumo a fila que Filch exigia para libera-los em grupos para Hogsmeade.
Harry fez uma careta em guisa de resposta. Estava preocupado com o amigo atrás de si, já que Rony se oferecera para esconder a capa da invisibilidade entre as vestes, para que Filch não perguntasse sobre nada. Passou pelo zelador, e cruzou os braços esperando o amigo passar pelo escrutínio do zelador, a ansiedade o fazendo mudar o peso do pé de um lado a outro. Aquela manhã ele despertara decidido a ter uma conversa séria com Sirius naquela caverna, e por conta disso anunciara a Hermione e Rony que iria sozinho conversar com o padrinho. Ao seu lado Sabrina dava pequenos estremecimentos quando gente que ela nunca vira na vida a cumprimentava, mas para surpresa de todos seu humor estava radiante, de forma que o humor tacanho de Harry quase o fazia resmungar e querer enfeitiçar a ruiva para que ela parasse de tagarelar.
— Passamos! – Rony sussurrou se aproximando enquanto fechava a mochila guardando sua autorização. Ao seu lado Hermione bufou e Harry quis deixar os dois para trás. – Você estava parecendo sobre efeito de tarantallegra, Mione! Marchava! Eu só quis te ajudar...
— Não estava, estava feliz! Harry, me ajude! – A morena suplicou enquanto Rony fazia uma imitação exata de seu andar feliz. Harry coçou os olhos, cansado da tensão.
— Não quero saber disso agora, Mione. Rony... – O ruivo trocou um olhar com a amiga, deixando Sabrina de fora de algum segredo compartilhado entre os três. Depois parou de perturbar a morena e ficou muito a junto a Harry, contrabandeando a capa para a mochila do moreno. Sabrina abriu os lábios quando reconheceu o tecido fluído. Só vira aquilo uma vez na vida.
Atrás deles Gina se aproximou até estar quase em seus cangotes, andando muito junta até que eles terminassem. Se pareou á eles dando de ombros, quando o irmão ergueu a sobrancelha em questionamento para ela.
— Vocês estavam sem cobertura, dava para ver que contrabandeavam algo mais atrás, e tem gente muito curiosa de olho. – indicou Malfoy, Crabbe e Goyle os fixando bem atrás do grupo.
— Obrigado. – Harry deu um sorriso á ruiva, enquanto sussurrava, seu olhar voltou-se para a estrada a frente. Uma risada era trazida pelo vento até eles enquanto os Summers caminhavam apressados quase ás portas do povoado.
— Bem estamos fazendo progresso, a apenas dois dias ela nem sorria e agora...- Rony indicou a frente, mau humorado.
Harry fitou Gina atentamente enquanto ela corava, o olhar fixo nas costas do irmão mais novo de Morgana que parava na placa do caminho e se apoiava nela, gesticulando enquanto falava algo que fazia os irmãos rirem. A ruiva o pegou olhando e deu de ombros.
— Vocês estão na mesma turma não? – sondou ele, com um sorriso. Ele era bom em pegar esse tipo de coisa no ar, ao menos quando não o envolvia, e agora só estranhava o fato de Neville não estar ali grudado a eles. Parecia um vício agora que eles haviam assumido um relacionamento.
— Só em Herbologia, temos um trabalho em grupo.
— Ei Gina, como vai? – Richard parecia incomodado quando acenou, seu irmão o acotovelando de forma perceptível. Gina acenou de volta.
— Tenho que encontrar Neville no Três Vassouras. Vocês vem? – Ela olhou os quatro que deram de ombros caminhando até o bar com ela.
Encontraram Neville, Simas e Parvati com sua irmã Padma em uma mesa e logo se juntaram a eles. Por todos os lados só puderam escutar conversas animadas sobre a festa que aconteceria nas próximas três horas, e se deixaram animar com o clima enquanto curtiam seus quentões na mesa confortável.
Já era quase quatro quando Sabrina e Harry se levantaram. Ela disse rapidamente que gostaria de visitar sua avó na loja da família, antes da festa, e Harry lançou um olhar duro para Rony que se levantou também. Segundo eles iam passar na Esportes Mágicos do povoado para ver as ultimas novidades para Quadribol. Rony bateu na bolsa na cintura, assegurando Gina que havia juntado dinheiro suficiente nas férias para seu conjunto de proteção para goleiros. Com a saída de Olívio Wood a vaga estava livre e o ruivo estava pondo sua fé em ocupar o cargo, tinha juntado sua mesada por um grande tempo para comprar as proteções, e treinara feito maluco com a família. Gina os desejou boa sorte e Hermione acenou da mesa onde se juntara com Morgana e os Summers, tentando ser uma boa amiga e dividindo seu tempo entre as duas briguentas enquanto tentava as forçar a se falarem.
Harry acenou e fez seu melhor para continuar com a farsa pré combinada, enquanto Sabrina ia para a esquerda, e ele e Rony entravam na Esportes Mágicos. Passearam pelas fileiras devagar, se prendendo a muitos artigos e discutindo animados, então ele entrou em um corredor com bolas de Noteron — outro esporte mágico — enquanto Rony ia até a de equipamentos para quadribol pedindo a ajuda do vendedor solicito. Harry olhou pela fresta entre as bolas e rapidamente jogou a capa pelos ombros e cabeça. Lá fora Hermione entrou esbaforida empurrando a porta bem aberta enquanto passava por ele sussurrando um “boa sorte”, antes de se juntar a Rony.
Livre, o garoto que sobreviveu tomou o caminho para aquela caverna escondida como fizera muito no ano anterior.
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— Docinho! – A senhora Lair se aproximou da neta a abraçando apertado. Sabrina agarrou a avó se sentindo um pouco sortuda por ter parentes tão perto da escola.
— Vó, não me chama de docinho na frente dos outros! – Sua rebeldia juvenil, porém, não estava retraída. Ao seu lado um grupo de quarto anistas da Corvinal começou a rir dela. Vovó Penny fez um meneio de mão as enxotando.
— Ok. Mas você chegou cedo, pensei que iria passear por ai. O jardim está tomado de adolescentes, não sei como dizer mais àquelas crianças que a festa ainda não começou. – ela confidenciou ao que Sabrina soltou um muxoxo.
— Preferi vir te ajudar aqui. E vou ficar aqui, não vou recepcionar ninguém. – Pontuou quando a avó começou a abrir a boca. A senhora deu de ombros e lhe deu um tapinha no quadril, indo em direção ás corvinais.
— Então mãos a obra.
E realmente ela o fez. A loja Penélope’s Boom era muito famosa no ramo de logros, e seu pai era simplesmente um gênio quando se tratava de invenções bizarras e engraçadas. A Dervixes & Bang, no outro lado do povoado, comprara a briga, é claro, mas sendo uma loja mais de utilidades e não apenas de logros, era fácil ver pelos corredores apinhados quem estava ganhando a batalha. Vovó Penny, sempre a senhora simpática e afeita a soluções plausíveis, vinha conversando com a bruxa proprietária da outra loja sobre uma troca de favores que finalizasse aquilo. Seu pai inventara alguns objetos de utilidade, que a Dervixes poderia oferecer, além de Ângelus ter muitos inventores como contato que estavam em conversação para uma série apenas na Dervixes, enquanto os logros ficariam apenas ali. Sabrina sabia, sua avó era um gênio em questões empresariais. Mas olhando para os dois únicos ajudantes na loja ela se preocupava com o fato dela estar se puxando demais.
— Bobagem, o que eu faria se não tivesse aqui em tempo integral? Você não tem mais idade para que eu faça todas suas roupas de lã e crochê, e a programação bruxa tem decaído muito. – Disse a senhora enquanto fazia um bonito embrulho em cima de uma serpente de mola. A cliente pagou e Sabrina mudou para o outro lado do balcão, para atender três clientes que demandavam atenção com as coisas mais “perigosas” que ficavam apenas ali, em lugar seguro.
Seus olhos se desviaram para o sino da porta quando esta se escancarou deixando uma brisa gelada entrar. Os gêmeos Weasley entravam ali, com os olhos brilhando. Pareciam ter descoberto o mundo, e começaram a se encaminhar para o primeiro corredor, pegando caixas a esmo. Sabrina desviou os olhos corada, depois voltou a bruxa que exigia baratinhas explosivas. Sabrina sorriu a ela, os olhos sempre se desviando para as fileiras.
— Você não tem idade para estes!
— Mamãe diz que eu posso. – A menina ajeitou o vestido, emburrada. Devia ter seus oito anos. A ruiva sorriu, era exatamente assim quando mais nova. Ao fundo ouviu um barulho enquanto Jorge Weasley deixava algumas das caixas que enchiam seus braços caírem.
Ela respirou algumas vezes, se lembrando de seus exercícios de meditação para acalmar a batida frenética em seu peito. Fazia alguns dias que ela evitava, ou tentava evitar, os gêmeos. Mas eles eram clientes agora, que precisavam de ajuda. Sorriu a bruxinha e virou-se a Janice, uma das ajudantes para pedir para esta cobri-la um instante. Apanhou uma das cestas que ficavam atrás do balcão e entrou por entre as fileiras, com seu melhor sorriso e sua voz interior que tentava lhe acalmar dizendo que só fazia isso para ajudar os clientes. Não era porque ela queria desesperadamente falar com eles, talvez descobrir quem beijara, de jeito nenhum!
— Vocês têm que tomar cuidado, estão numa loja de sustos e artimanhas, sabiam? – Sorriu com a melhor pose de funcionária do mês, ajudando Jorge a colocar as caixas sobre na cesta.
— Claro que sabíamos "Penélope's Boom, Sustos e Artimanhas" é conhecida mundialmente. A melhor! — disse Jorge parecendo honrado.
— Por isso que viemos correndo quando vimos a placa. Vimos o jornal mas não tínhamos certeza se era verdade! — disse Fred no mesmo tom do irmão.
— Precisamos de ingredientes e inspirações para nossas criações. – esclareceu Jorge, Sabrina o estudou calmamente, mas além da aparente honra e excitação, ele não se traia. Ela pestanejou.
— Ah é, vocês tem uma pequena "loja" de truques em Hogwarts.
— Um dia seremos tão grandes quanto aqui. – Fred pareceu sonhador.
— Uhh, acho que deveria me preocupar com a concorrência desde agora! – Disse ela observando um garotinho de cabelos muito loiros e uma feição escandinava cutucar uma caixa com as mãos.
— Quanto é? – ele perguntou com um sotaque forte.
— Oito nuques, mas não coma eles em jejum, ou eles queimam. – ela girou a caixa lendo “Bafo de dragão” no verso.
O garoto acenou e foi andando em direção ao balcão. Jorge ergueu a sobrancelha para ela.
— Você trabalha aqui?
— Não exatamente. — Sabrina apontou uma placa ao lado da porta com um gemido. Sua avó tinha mania de colar ali artigos que saiam sobre a loja nos jornais e revistas. Um dos recortes do "Pequenas bruxarias grandes Feitiços" estava ali em destaque. Lembrava-se da foto, ainda estava chateada com a morte do pai, e tentava se manter sorridente em frente a câmera do repórter no seu conjuntinho de tweed.
"SABRINA LAIR, A HERDEIRA DA REDE DE LOJAS "PENÉLOPE'S BOOM, SUSTOS E ARTIMANHAS" AO LADO DE SUA VÓ E TUTORA PENNY LAIR INAUGURA NOVA LOJA EM HOGSMEADE."
— Você é a... — começou Jorge sendo logo seguido por Fred:
— ...dona dessa loja?
— E das outras três também, algum problema? – os gêmeos deram passos para trás, como se tivessem assustados. Negaram categoricamente e ela se mexeu desconfortável, saindo rapidamente de perto deles. – Bom, vou voltar ao trabalho, cuidado com as caixas, algumas não tem lacre de segurança. Ah... agente se vê na festa, certo?
— Claro...
— Estaremos lá.
Voltou ao seu posto, observando eles cochicharem e olharem para ela meio conspiratórios enquanto enchiam mais a cesta com caixas. Por algum motivo, agora tinha a sensação desconfortável de que eles aprontavam algo. Só esperava que não para ela.
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Ele se sentou em uma pedra, retirando a capa e a colocando abaixo do braço enquanto fitava o chão da caverna. Ainda haviam muitas goteiras e infiltrações, mas dessa vez não via ratos jogados por ali, ou sinais da vida precária do padrinho em fuga. A sua frente Sirius se recostava na parede úmida da caverna, cruzando as mãos que descansavam confortavelmente em seus joelhos dobrados. Harry observou o padrinho. Como da outra vez Sirius não tinha uma aparência assombrada de fome, não estava cadavérico e pálido como a morte, e não parecia ter aqueles reflexos de fúria animal também. Seus dedos estavam com as unhas aparadas, e não havia terra sob elas, e ele quase seria saudável não fosse o olhar que ele observara antes. Sirius tinha fúria, determinação e uma opacidade de ausência em seus próprios pensamentos. Por algum motivo isso o assustava mais, como se o padrinho estivesse pensando em coisas ruins. Sua garganta apertou quando o homem a sua frente franziu o sombrolho, os cabelos meio grisalhos ainda compridos, mas parecendo lavados caindo sobre os olhos azuis, que adquiriam uma expressão aguda.
— O que você está pensando?
— Bicuço não está aqui, você não parece passar muito tempo aqui.
— Ele está em segurança. – Sirius apoiou a cabeça na parede o olhando por cima.
— Você não vai me dizer aonde, já que é onde você está, certo?
— Não. Bicuço está em outro lugar agora, com seus parentes, e eu estou seguro, Harry!
— Certo. – ele mexeu em musgo aos seus pés.
Tivera a intenção de gritar com Sirius, exigir respostas, mas agora ele só sentia desespero e medo pelo padrinho, e vontade alguma de discutir com ele. Era sua família, Sirius era sua única família, e ele não era capaz de dizer o quanto queria ter certeza que ele não estava tentando se matar para poupa-lo do trabalho de enfrentar o Lord das trevas. Eles ficaram em silencio pesado, Sirius o observando sem lhe dar nenhuma dica do que pensava, a não ser que fosse em como ele parecia idiota, a julgar pelo meio sorriso nos lábios do padrinho.
— Estou pensando em porque você confia na Professora Blacklight, e não em mim, e porque eu devo confiar nela também para essas aulas de Oclumência que ela me falou.
Sirius sorriu mais abertamente, depois passou a mão no rosto cansado. – Estava esperando quando você soltaria isso de vez. Eu não confio nela, Dumbledore confia. E eu confio em Dumbledore. Nem mesmo a conheço direito, e não concordei com isso até ele me acalmar sobre o assunto. Queria Lupin de novo como seu professor, mas Aluado tem seu problema de confiança, e é difícil para ele. Ela parece boa, e Dumbledore passou um longo tempo conversando conosco sobre...coisas sobre ela que não sabíamos. Nos dando a certeza que ela está...ali para te proteger.
— Quem é nós, Sirius? Você e Lupin? E porque eu preciso dessas aulas, porque preciso de proteção?
— Nós...os homens de Dumbledore. Você precisa ser protegido porque tem um louco te caçando, pensei que soubesse.
— Sim! – ele se levantou de súbito começando a perder a paciência. – Já ouvi isso no verão, mas não você me responder o que está sendo feito, ou porque ele está me caçando. O ministro continua...
— Sendo Fudge. Ele quer minha carcaça, e quer me culpar por tudo, se recusa a ver o que está no nariz dele, por isso nem mesmo você pode saber onde estou. Não é só Voldemort que é um perigo, enquanto estiver em Hogwarts você estará bem, fora dela...o que me leva a dizer: Não quero que você venha até Hogsmeade nas outras visitas, não se eu não puder mandar alguém para ficar de olho caso algo aconteça. E não o quero usando as passagens secretas para escapulir do castelo.
— Você está me tratando como criança de novo. – O garoto sibilou, furioso. – Como no verão. E está fazendo isso com ordens e nenhuma explicação. E você não confia em mim, porque diabos eu não posso saber de nada? Eu não contaria nem sobre tortura, mas você não tem fé nisso, nenhum de vocês tem. Só sabem me ordenar calma e cautela, e falar que eu devo ser protegido como um garotinho sem mãe! Adivinha, eu não tenho uma a muitos anos e me dei muito bem sem a proteção de vocês varias vezes, inclusive no fim do ano passado! Eu confio em você Sirius, sempre confiei, sempre pensei que ia me dizer o que eu precisava com honestidade, mas você mudou, e não esta fazendo isso. EU NÃO QUERO UM PAI, O MEU MORREU E EU QUERO QUE A PESSOA QUE FEZ ISSO SEJA DETIDA ANTES DE FAZER DE NOVO! – girou para encarar o padrinho louco de raiva. Seu peito subia e descia como se ele tivesse corrido por quilômetros, e tudo que ele queria era por aquilo para fora e os fazer entender.
Sirius olhava para baixo, parecendo miserável. Harry jamais poderia dizer se o homem derrotado a frente se sentia pior pelas palavras dele ou pela impotência que demonstrou no olhar quando ergueu as duas mãos para ele em um gesto de suplica.
— Harry, eu nunca iria querer ocupar o lugar de James com você! Eu nunca poderia, seu pai era uma pessoa muito melhor do que eu jamais fui para que eu sequer tentasse. E ele teria orgulho de você pelo que disse. Eu não gosto de te manter no escuro, não é o que eu imaginava quando pensei em ser seu padrinho. Mas eu não quero você morto, e eu não posso tomar todas as decisões, a única forma de te manter vivo é fechando as respostas que você quer.
— Porque? Inferno, porque?
— Porque você tem uma ligação com Voldemort, bem na sua testa! Porque sua cicatriz é um canal aberto direto a ele. Você nunca se perguntou o porque dela queimar e doer tanto quando ele está presente? Você nunca se perguntou porque ele sabia o que você pensava quando o enfrentou tantas vezes? Ou os seus sonhos com ele? – Sirius puxou a respiração com força, levando a mão ao rosto. – Dumbledore não queria que eu lhe contasse, eu posso ver o porque.
Harry parecia em choque, as mãos caídas dos lados do corpo ao ouvir o que Sirius tinha a dizer. Ele as crispou com força, o rosto sombreado. Fazia sentido! Como ele nunca pensou naquela possibilidade? Fazia muito sentido que ele soubesse daquelas coisas que não deveria saber, e a vivacidade dos seus sonhos, a forma como o duelo se desenrolara no ano passado. Engoliu em seco, assustado quando viu que Sirius compreendia seu choque. Eles nem sequer deveriam estar os dois ali, se Voldemort vasculhasse sua mente e visse Sirius ali...se sentia fraco demais para dar passos para longe e pensar nisso.
— Mas você nunca vai concordar conosco se não lhe dermos alguma informação, eu sei disso.
— Pelo jeito Dumbledore é meu pior inimigo. – Ele disse sem notar o que dizia, anestesiado.
— Não. É seu melhor amigo, sua única chance nessa batalha. Isso...essa ligação, não é unilateral. Felizmente é um canal de duas vias, você é capaz de saber quando ele faz isso, porque dói em você, e ele não o faz porque isso também dói nele. E ele está fraco agora. As aulas são para lhe ajudar a se fechar a isso. Tem muito o que você não sabe, Harry, e infelizmente não posso lhe falar enquanto você não conseguir proteger seus pensamentos.
Os dois ficaram em silêncio por um momento, se encarando. Harry puxou o ar, forçado. Sirius voltou a falar.
— E algo está sendo feito para o manter fraco, não pense que estamos sentados esperando você estar pronto a se sacrificar. Nós vamos impedir que você precise fazer isso. Confie em nós, Harry, apenas mais um pouco. – O pulso de Harry se acelerou.
— Você não vai se matar tentando me proteger.
— Não vou morrer, te prometo. – Ele abriu um sorriso de lado. — Mas você tem que me ouvir, e entender o porque não pode sair, porque tem que se manter seguro, e o porque não posso lhe contar tudo o que quer saber. Você vai as aulas?
Cerrou o maxilar com força. Queria se rebelar, mas entendia isso, ainda assim a sensação desagradável não o abandonava, a sensação de que aquilo que Sirius não dizia, significava que ele mesmo se sacrificaria para manter Harry protegido. Olhou o padrinho, contrariado.
— Porque simplesmente não me entregam a ele? – disse sem emoção.
— Você não sabe o que está falando, Harry, não sabe! Se não fosse por nada, eu nunca faria isso com a memória de Lily e James. Mas não é, e eu me mataria antes de deixar algo acontecer a você, garoto. Você também é minha única família, você sabe? – Riu baixinho, e Harry deixou os ombros caírem, emocionado. – Vai as aulas? – Ele voltou a insistir.
— Sim.
— Ótimo, avançamos. Você só precisa ficar bom nisso, e então lhe prometo que vou te contar tudo. Agora preciso ir, não posso ficar muito por aqui, preciso vadiar e depois ir para um lugar seguro. Alguém contou a Fudge que eu era um animago.
Harry se alarmou, arregalando os olhos e dando um passo a frente.
— Não, não é grande coisa, venho fazendo isso há muito tempo. – ele se adiantou, e os dois ficaram sem jeito. Sirius soltou uma gargalhada, o abraçando com força. – A primeira vez que troquei afeto com James, Remus fez disso uma piada eterna. Se cuide, e se divirta hoje na festa da sua amiga. – Ele piscou rapidamente, se afastando do abraço e se transformando em um cachorro de novo.
— Acho que isso significa que tem alguém cuidando da minha segurança lá, hoje? Snuffles enfiou o focinho sob sua mão e Harry sorriu, acariciando-o antes de passar os dedos pelos cabelos revoltos e vestir a capa com um suspiro profundo.
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Vovó Penny fechou a loja mais cedo para aprontar alguns detalhes da festa, deixando Sabrina com alguns segundos para trocar o uniforme por um suéter roxo com pedrinhas no decote e uma saia pregueada caramelo pelo meio da coxa. Colocou também uma anklebot de pele de dragão e passou alguma maquiagem antes de descer as escadas para ajudar no que faltava. Ainda bem que as pessoas acampadas ali haviam sido expulsas pelo frio que ficava mais forte, então não tiveram que cavar pelos jardins pelo caminho. Ela passou pelo saguão de entrada, ampliado por magia, sorrindo um pouco mais animada diante da grande produção. Havia algumas serpentinas azuis e brancas no teto, e luzes mágicas o transformando em uma pista de dança, e mesmo as janelas estavam fechadas dando ao local um ambiente de discoteca com estrelas despencando como fogos do teto. A sala anexa, que antes era dourada e vermelha agora estava no mesmo tom de azul do salão, e com muitos sofás e pufes espalhados, num lugar para conversar longe da caixas de som bruxo do saguão. O ambiente também parecia ampliado e na porta para o jardim de inverno estava encostada uma mesa de buffet quilométrica com bebidas e comidas.
— Nada de bebidas ilegais. – Sua vó sorriu, ao vê-la provar o ponche.
— Você vai decepcionar algumas pessoas da festa. – A ruiva brincou enquanto corria a porta para abri-la. Avistou Harry, Rony e Hermione conversando no canto da sacada, as três cabeças juntas em conspiração. – O que vocês estão fazendo?
Os três deram pulos, com caras assustadas que se apressaram a mudar para sorrisos felizes. Ela ergueu a sobrancelha pedindo ajuda para escancarar as portas duplas de entrada. Ela percebera algo sobre esses três: eles tinham segredos, e não dividiriam esses com ela tão cedo. Já ponderara sobre isso, chegando a conclusão que provavelmente envolveria Voldemort, e portanto a não ser que tentasse espiona-los, ela jamais saberia. Se eles soubessem o que ela passara com o Lorde das Trevas...
— Podem ir entrando e se sentando, a festa ainda não começou. — disse vovó Penny muito animada. – Gostam de ponche ou preferem vinho de frutas?
— Vovó, você disse que não haveriam bebidas ilícitas! – Sabrina arregalou os olhos para a avó, que riu baixinho.
— Vinho de frutas não é ilícito, só precisamos de um feitiço para os esbanjadores. Fique quieta e aproveite a festa. Harry, Hermione e Rony, certo? – Ela deu uma palmadinha na mão da neta, depois um abraço nos três garotos. – Ouvi muito sobre vocês, obrigada por fazerem a adaptação da minha neta tão fácil.
Sabrina corou enquanto os três faziam o mesmo. Harry pigarreou.
— Muito bonita a sua casa, senhora Lair.
— Que rapaz encantador. – Ela piscou, fazendo o menino corar mais, depois seu rosto se transformou em uma careta. — Mas se continuarem me chamando de senhora vão virar comida de coruja.
— Vovó, não põe medo neles!
— Só tô avisando. — Penny chegou perto da janela e ficou acariciando Trude que tinha acabado de pousar com ameaça nos olhos. Todos acompanharam suas risadas futuras. Sabrina, vá mostrar a casa a seus amigos enquanto os penetras não chegam. Limonada? – Ela estendeu os copos aos garotos que aceitaram antes de começarem seu tour pela casa.
Já estavam parados novamente no saguão, conversando e experimentando o vinho de frutas quando as primeiras pessoas começaram a entrar pelas portas. Sabrina nem sequer se preocupou em recebe-los, não precisava com sua vó por ali, tentando fazer todos se sentirem bem e Cream correndo atrás dela com bandejas e lanches. No canto um DJ se posicionava com seus discos girando com meneios de varinha e uma musica suave começava a encher o saguão, ainda baixa o suficiente para que eles se escutassem. Um grupo vinha subindo a rua e Sabrina pestanejou ao ver que Morgana estava entre eles. Reconheceu Arthur e Richard a puxando do meio das garotas que os acompanhavam e virou as costas á cena. Sua vó estava parada bem atrás dela, de braços cruzados.
— Não vou entrar!
— É sua festa também, vocês tem que parar com isso, e agora!
— Eu estou dizendo que eu não vou... – A morena soltou o pulso do irmão e ergueu a varinha, em ameaça.
— Você não vai enfeitiçar seu irmão, Fofinha.
— Vovó... – Ela estacou de olhos arregalados ao ver vovó Penny vir pelo caminho do jardim, arrastando Sabrina bem presa pelo pulso. Morgana sorriu amarela para a velha senhora, retribuindo seu abraço caloroso. – Só vou buscar uma roupa melhor em Hogwarts e...
— Parada, Morgana. Eu não quis acreditar quando Richard me contou. – Morgana lançou um olhar sujo para o irmão mais novo que fingiu estar muito interessado nas peônias. Os amigos dos irmãos Summers se afastavam da agitação em silêncio respeitoso, mas outros começavam a se aproximar curiosos. – Podem me explicar o que está acontecendo?
— Nada. – As duas disseram juntas, depois viraram seus rostos ao mesmo tempo também, cruzando os braços.
— Não sejam idiotas, sou velha, não tola. Arthur? – Ele foi fuzilado pelo olhar das duas garotas, hesitando antes de abrir os lábios. E então Hermione falou por ele.
Falou, e falou, pontuando o quanto isso era ridículo e injusto, e repetiu mais do que necessário a palavra morto, até que realmente incomodasse os Summers, Sabrina, e até Penny. A senhora deu um tapinha na mão da garota, para cala-la depois dardejou entre as duas meninas, se pronunciando com um ar sério e irritado.
— Vocês não estão se falando por causa disso?
— Vó...
— Não quero saber, Sabrina. É desnecessário. Quando vocês eram mais novas eu as colocava de castigo trancadas no quarto, querem isso? Com todo mundo olhando? – Elas fizeram caras de quem realmente não se importassem. – Meus anjos, eu sei que a confiança foi quebrada, o quanto te doeu Sabrina, ou o quanto foi doloroso para você guardar o segredo, Morgana. Vocês simplesmente vão ter que trabalhar nisso com conversa. Mas nenhuma das duas se sente bem com essa situação, eu sei o quanto você se sente mal longe dela, mocinha, nem pense em abrir os lábios para negar. – Ela olhou a neta como uma harpia. – Ou traída. Mas a culpa não foi dela, e você sabe disso. Quero ver alguém pedindo desculpas, agora, tenho a tarde toda.
Morgana prendeu o fôlego, depois fechou os olhos. Quando os abriu e observou o tanto de pessoas que estava as observando agora, ela fez uma careta. Era melhor dizer algo de uma vez, só para deixar vovó satisfeita, e depois podia seguir seu caminho feliz. A avó riu com gosto, e ela não soube porque. Mas sacudiu os ombros e olhou por cima da cabeça de Sabrina para a porta.
— Me desculpe por não ter te dito tudo antes. – Para sua surpresa sentiu que fungava, vovó Penny a deu um olhar severo. – Eu entrei em pânico, não sabia o que fazer e não queria...perder sua amizade por isso. – Sussurrou a ultima frase, sabendo que era verdade. Se sentia mais emocionada do que deveria estar, por isso se vestiu de determinação virando-se para sair correndo quando sentiu Sabrina a abraçando.
A ruiva estava chorando quando ela retribuiu. – Eu sei disso, sua boba.
Hermione parecia em choque enquanto as olhava, a cabeça ligeiramente inclinada para o lado. Rony riu, enquanto vovó Penny dava tapinha nas costas das duas.
— Você tentou por dias.— ele sacudiu a cabeça descrente.
— Precisa de jeitinho e ameaça com essas duas. – Penny começou a gira-los para dentro. – Vão para festa, todos, vamos, tem vinho de frutas e o ponche está batizado com firewhisky.
— Vó! – As meninas disseram limpando as lágrimas.
— É mentira. – Ela sussurrou enquanto as punha para dentro.
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