Harry Potter e a Neta de Voldemort
6 Capítulo 5 - A descoberta, um tempo de muita má sorte
Notas iniciais
Capítulo cinco — A descoberta, um tempo de muita má sorte
No dia seguinte as meninas entraram no salão para se deparar com uma agitação enorme na mesa da Sonserina. Sabrina olhava curiosa, enquanto via Morgana e Hermione se sentarem com caretas desaprovadoras paras as meninas que gritavam animadas, umas adejando em volta das outras com vozes estridentes.
— Quem são? – Perguntou a garota curiosa, ao que as amigas reviraram os olhos.
Ficou sabendo rapidamente então da ficha das garotas. Eram um grupo conciso, todas meio obcecadas consigo mesmas e em volta do que em todas as escolas era chamado de Abelha Rainha. Essa era Thaty Meyer, sexto anista, uma loira esbelta e que lançava olhares cruéis enquanto jogava pelos ombros a cascata de cabelos loiro platinados e esvoaçantes. Seguidas haviam Kate O’Connel, sua aparente melhor amiga, ruiva e tão cheia de curvas que ela deixava ver pelos botões abertos e saia muito curta que era indecente. Também haviam Samantha Diplet e Mary Anne Nouer, essa ultima mais doce e a terceira meio tapada, ambas morenas lindas e afiadas em olhares hostis, sempre que Thaty dizia algo em seus ouvidos. Duas garotas eram aparentemente calouras para entrar no grupo, Anastácia Pacey e Charlotte Berring, e estavam ali se rastejando e rindo como bobas enquanto Thaty aparentemente as fazia de...bobas por caminharem pelo salão com copos d’agua sobre suas cabeças. Thaty e Mary Anne duelavam para ver quem mantinha os copos no lugar com magia.
— Que horrível! – disse Sabrina quando Thaty deixou o copo cair e encharcar Charlotte que fez uma cara de dar pena.
— Oops, perdi. – Elas ouviram a menina dizer alto e as três amigas suas riram a valer. Depois de um tempo Anastácia riu também, sem graça, ao que Mary Anne cortou a magia e a menina levou um banho também.
— Não sei porque elas se prestam a isso. – Morgana suspirou enquanto mastigava lentamente. As duas encharcadas cobriram os seios para que os meninos da Sonserina não vissem seus sutiãs que apareciam na blusa branca molhada e correram dali as lagrimas.
— São tão esnobes! – Hermione olhou com raiva para Thaty Meyer.
— Talvez as duas queiram ser esnobes também. — Replicou Sabrina fazendo uma pose de metida. As amigas reviraram os olhos e Morgana acrescentou ácida.
— Bom, sabemos Thaty Meyer não quer concorrência no quesito rainha oxigênio da Sonserina. – Observou com sabedoria visto que as duas ‘calouras’ eram loiras como nenhuma de suas best friends forevers eram.
— Garotas sendo garotas, até você Mione! – Harry conteve o riso quando Hermione corou e pareceu miserável, mas sua voz era de sarcasmo. – Pobrezinha da Thaty Meyer, o que ela fez a vocês? – Hermione corou mais e o olhar de Harry era afiado. Sabrina começou a rir.
— Agora você está sendo cruel, Harry. – Pontuou Sabrina ao ver a cara de Hermione e o garoto riu, se desculpando animadamente.
— Harry é sempre assim quando deixa seu lado negro sair. – Fred fez uma cara de pesar, olhando o moreno com pena nos olhos.
— O chamamos de Anakin, quando está n’A Toca. – Jorge surpreendeu a todos com seu conhecimento de filmes trouxas. – Papai... – ele se desculpou enquanto Harry lhe lançava um pedaço de pão.
Então os gêmeos aguçaram o olhar observando Simas Finnigan atentamente. O menino prendeu o ar e se encolheu todo, apavorado. Cinco minutos depois ele tinha um nariz pontudo de rato e quando tentou falar, saia apenas um guincho estridente. Os gêmeos pareceram desconsolados.
— Torta de rato. Ainda estamos aprimorando. – Jorge explicou ao que Fred puxou uma pena e um rolo de pergaminhos e começou a fazer anotações furiosamente. Dado um minuto ele voltou a guardar seu material e apoiou a cabeça sobre a mão estendida, olhando Sabrina e Morgana meio de lado.
— Ficamos sabendo que vocês andam tristes meninas.
— Sim... – Jorge olhou Morgana de esguelha quando ela cerrou o maxilar e revirou os olhos para eles. Deu de ombros e fitou Fred, sentado ao lado da ruiva que deu um suspiro profundo.
— Nós temos a solução, você sabe... – Sabrina agora pareceu desconfiada e quando viu era cercada pelos gêmeos que faziam cócegas em sua barriga, braços e pescoço, a fazendo rir muito enquanto eles continuavam a tortura.
— Não sei como ela dá trela pra esses moleques. -Disse Morgana se fingindo de mal humorada enquanto disfarçava uma risadinha por trás do garfo com pudim yorkshire.
Assim que os gêmeos começaram a fazer cócegas em Sabrina o grupinho das meninas da Sonserina parou de conversar e olhou para a mesa da Grifinória. Thaty Meyer parecia que tinha engolido um verme gigante, seu rosto suave foi adquirindo uma leve cor avermelhada de raiva, e Harry tinha certeza que não era por causa do barulho, já que este era quase inexistente e não chegaria até a mesa da Sonserina, ele só não entendia exatamente o motivo.
— Parem de fazer isso, estão atrapalhando meu almoço!
— Esse é o nosso Roniquinho... — disse Fred estendendo o polegar para o irmão.
— Sempre pronto a defender os interesses do nosso pobre estômago. — Jorge se sentou ao lado de Rony e o abraçou antes de puxar uma tigela de batatas e se servir.
— Ou a usar ele no lugar do cérebro. — Fred deu de ombros ao que Rony ficou com as orelhas muito vermelhas.
Eles tinham tempo livre depois do almoço, e os meninos queriam treinar um pouco de quadribol, já que a abertura da temporada estava próxima. Harry estava pronto no campo de quadribol, carregando a chave do malão onde estavam as bolas esportivas, a Firebolt segura debaixo do braço enquanto Rony discursava algo sobre a posição no time dos Chuddley Cannons no campeonato. Sabrina também descia arrastando Morgana e Hermione, sua Nimbus 2000 bem segura debaixo do braço. Rony resmungou quando as viu.
— O que vocês estão fazendo aqui?
— Oi Rony. — disse Sabrina com um sorriso educado.
O garoto fez um gesto de impaciência e insistiu:
— Oi. O que vocês estão fazendo aqui?
— Eu vou mostrar pra Mione minhas habilidades de vôo. — Ela encolheu os ombros quando Morgana a provocou com um “metida.” Rony parecia desconfortável com a invasão do clube do bolinha.
— Ei, precisamos de reserva, porque não se inscreve pro time, Sá? – Harry cutucou um punhado de grama com os pés observando a ruiva montar na vassoura. Eles se sentaram confortavelmente na grama para assisti-la voar.
— Por que eu gosto de voar mas não de jogar! – foi a ultima coisa que disse antes de alcançar vôo.
Realmente voava muito bem. Instintivamente girando no ar em frente aos obstáculos que os gêmeos haviam conjurado para eles com magia. A ruiva parecia tão feliz que eles não disseram nada, concentrados nas manobras e ofegando quando ela descia ate quase encostar o chão e se erguia de novo no ar, rindo. Rony sorria a contra gosto.
— Ela não é tão ruim. Ei, Fred e Jorge foram escolhidos como capitães do time. – Olhou Hermione, e depois Morgana que estava distante e alheia a eles, observando a amiga com uma mão sobre os olhos, para se proteger do sol. Negou com a cabeça e acrescentou. – Eles se revesam, não é estranho?
Hermione concordou com a cabeça agarrando o braço dele com força quando Sabrina quase trombou em um obstáculo. Harry riu baixinho, confortável com os cotovelos apoiados nos joelhos. Observava Hermione corar com fúria quando notou o que fazia, e seus olhos se desviaram para Morgana a frente que observava o mesmo com o sorrisinho secreto que ele sabia que também carregava. Os dois se olharam por um instante, ela com os olhos se apertando ligeiramente enquanto ele ficava imóvel com medo de quebrar o contato. E então olharam para Sabrina quando esta se deixou cair na grama ao lado de Morgana.
— Nossa já parou, tem dias que você fica horas voando. — admirou-se Morgana.
— É hoje tô sem inspiração pra voar...o campo é todo de vocês meninos.
— Vou te mostrar como é voar de verdade. – Provocou Harry tomando impulso e disparando com a firebolt pelo ar.
Rapidamente as meninas estavam jogadas na grama, entre risos e conversas enquanto Rony, Harry e os gêmeos jogavam uma partida amistosa de quadribol. Todos muito relaxados. Pelo menos até que Draco Malfoy cortasse seu barato voando até Harry com um sorriso de escárnio.
— O que quer Malfoy? – O moreno observou o outro voar em lupin e parar a sua frente de novo.
— Voar. O campo não foi reservado. – ele moveu a mão na vassoura, deixando que todos lessem seu cabo. Firebolt Silver, dizia ele. Não que eles precisassem ser lembrados disso. O novo modelo da Firebolt era prateado e dinâmico, as cerdas reluzentes de um mogno muito escuro e sua empunhadura tão perfeita que os olhos se enchiam em vista da vassoura. Ela também tinha o dobro de velocidade da Firebolt de Harry. O moreno esperou. – O que acha de uma corrida pelo pomo, Potter?
— Precisa de uma vassoura nova e mais rápida pra criar coragem de propor isso, Malfoy?
— Podemos trocar de vassoura se acha que não consegue com o modelo ultrapassado. – Os olhos do loiro brilharam em triunfo, e Harry soube que estava mordendo a isca. – Ou tem medo de perder?
— Te humilharei na minha própria vassoura, doninha. – Fez um gesto a Rony para que soltasse o pomo que segurava nas mãos e se pôs logo em direção a ele, concentrado.
Eles começaram a procurar o pomo. Malfoy desceu um pouco para ver melhor, um balaço veio em sua direção e Jorge estava ao seu lado. Percebendo que o gêmeo não ia fazer muita coisa, Malfoy pegou da mão dele o bastão e arremessou para baixo bem na direção aonde as meninas estavam sentadas. Fred com um impulso desceu mais rápido do que o balaço. Quando Morgana, Hermione e Sabrina viram já era tarde, elas iriam ser atingidas, porém Fred chegou a tempo e arremessou o balaço para o alto, bem em direção ao caminho de Draco. Antes de tomar de novo impulso ele virou seu rosto para as meninas e disse:
— Não precisa agradecer eu sei que sou o héroi de vocês. Podem tirar fotos para por no seu quarto, huh? — E mandou um sorriso insidioso em sua direção.
— Que abusado. Se acha um héroi. – A ruiva sentiu a raiva subir rapidamente por seu rosto indignado. Até ali vira a parte boa dos gêmeos, mas naquele momento – e muito provavelmente porque ela estava irritada já com Malfoy – aquilo a deixara mortificada. E aquelas palavras calavam fundo com algumas recordações dela.
— Calma Sá os gêmeos são assim mes- — começou Hermione, mas suas palavras foram sufocadas pelos gritos de Sabrina.
— Ei, seu palhaço!
Fred, que já estava atrás de outro dos balaços, olhou pra trás, surpreso. — Isso é comigo?
— É, com você mesmo. Venha até aqui! — Ele desceu de novo da vassoura e parou na frente da Sabrina.
— Pois não?
— Quem te disse que eu precisava de héroi?
— Como? — O garoto estava pasmo. Quer dizer, ele as salvara de um balaço perdido, era meio louco ela estar tão descontrolada e berrando daquele jeito. Fez a vassoura girar para trás e frente no ar, se preparando para dizer algo engraçadinho. Mas jamais teria chance.
— É isso mesmo eu não preciso de ninguém pra me salvar. Espero que isso tenha ficado bem claro. Entendeu? – E simplesmente saiu dali, maluca e arrastando as garotas confusas atrás de si.
— Ei Sabrina. Eu adoro mulheres que não se impressionam fácil. E você ficou uma graça toda descontrolada.
Mandou um beijinho e saltou de volta ao alto, vendo Harry trazer o pomo rejubilante bem seguro na mão.
E então Sabrina soube que o ruivo ganhara a provocação.
Já era mais tarde, quando Morgana e Hermione estavam na sua aula de Runas Antigas e Sabrina tinha mais aquele tempo livre. Ela saiu por uma exploração por conta própria do castelo, talvez um pouco arrependida de seus ânimos mais cedo. Era desconcertante quando ela deixava sua parte má – aquela que era pior do que Morgana multiplicada por várias vezes – sair. Mas não podia ouvir aquela frase, não podia deixar que alguém fosse seu herói. Aquilo, era um dos segredos que ela tinha guardado, ela não tinha heróis, ela tivera apenas um na vida, e fora desastroso, aquela frase a lembrava coisas muito, muito ruins. Pobre Fred Weasley, ela ponderou com uma cara triste, como ele ia saber? Dessa forma pediria desculpas, tinha decidido.
E pensou nisso com tanta força que pareceu que seus sentimentos conjuraram o ruivo. Ficou embasbacada quando ele veio coberto de lama e grama bem pelas portas do saguão em sua direção. Ela descia pelo corredor das escadas móveis e ele era recortado pelo portal, com estudantes passando pelos seus lados, mas ela não via. Porque o sol brilhante de fim de tarde brilhava bem atrás dele, ferindo seus olhos e por um instante a fazendo achar que ele era um anjo ou algo assim. Cortou seu sorriso, com a coisa clichê e mais romântica do que ela se sentia agora, enquanto observava o halo de luz deixar os cabelos ruivos flamejantes e a pele branca dele mais destacada nas sardas enquanto Fred andava até ela. Pestanejou.
— É...oi? – E como uma idiota entrou em modo defensivo, para deixar seus pensamentos anteriores para lá. – O que você quer?
Podia ver agora que Harry, Rony e o outro gêmeo vinha atrás dele, conversando animados.
— Posso falar em particular com você?
— Pode, fazer o quê? – ela revirou os olhos para ele, observando a tapeçaria a sua frente. Fred sorria muito, nem um pouco sem graça enquanto ela sentia o coração saltar e começava a puxar fiozinhos da peça.
— Eu queria...pedir desculpa...sabe, sobre o que aconteceu no campo?! Não sei porque ficou brava, mas pareceu realmente chateada.
— Tudo bem. Deixa pra lá eu também peguei pesado. – Sabrina soltou um amplo suspiro, se desarmando e sorrindo para ele.
Fred demorou-se em olhar para sua boca alguns instantes, e ela estacou. O que estava exatamente acontecendo ali?
— Huh. – ele coçou a cabeça, desviando os olhos e ela pensou meio fora de si que queria que ele a olhasse assim de novo. Berrando por dentro. — Era só isso mesmo então.-disse por fim, correndo para junto do irmão que já começava a vender alguns logros para um grupo de crianças.
Ela prendeu o fôlego, olhando de forma nem um pouco pura para as costas e o traseiro dele e quase se bateu para parar. “Merlim!” – Ah, Fred?
— Oi?
— Obrigado por tudo viu? Tanto pelo que aconteceu no trem como pelo que aconteceu hoje, e tudo mais.
Ele corou um pouco e disse:
— De nada. Mas...não foi obrigado não foi por que eu quis mesmo.
Sabrina sorriu e se juntou a Harry e Rony, que foram até a sala comunal e ficaram jogando xadrez bruxo até Hermione e Morgana prorromperem pela sala gargalhando. Quando Morgana avistou os garotos parou de rir imediatamente, sentando-se ao lado de Sabrina, com uma cara de pesar. Ela teria mesmo que ficar do lado deles para sempre não é? Suspirou e observou o jogo, meio alheia.
Era a vez de Harry e sua língua coçava para lhe dizer que a rainha de Sabrina estava prestes a comer seu cavalo, mas ela não ia passar por cima de seu orgulho e falar com ele. Em vez disso ela se mexia impacientemente no sofá, os olhos intensos sobre o garoto que sobreviveu. A rainha de Sabrina começava a afiar a espada. Era tão óbvio, como ele não percebia? Então ele moveu um peão na horizontal e a peça de Sabrina derrubou a sua fazendo dela a vitoriosa. Morgana suspirou e murmurou bem baixinho:
— Idiota.
Harry á encarou intrigado. Vira ela se remexendo e olhando fixamente para ele, o que para ser justo era parte do motivo para que ele fizesse aquele movimento imbecil. Porquê ela fazia isso, hein? Ele tentou mas não conseguia encontrar uma explicação lógica para se tentar ser antipática, ainda mais quando se via que na verdade não era nada disso. Ou Hermione e Sabrina a odiariam. Vinha observando a garota de longe, e pulando a barreira de frieza que ela se alto impunha, seu sorriso parecia radiante e ela ficava tão melhor assim. As meninas entraram em uma conversa com Gina que vinha chegando de fininho com Neville. Rony bufou, ainda não aceitando ao todo o namoro da irmã. Mesmo quando os Gêmeos aplaudiam a idéia, frente ao fato de Neville ser agora sua cobaia principal. Ele virou para Rony captando sua atenção em sussurros:
— Por quê ela faz isso?
— Como? — perguntou Rony franzindo o cenho — É assim que se joga Harry se ela não fizer isso, ela perde o jogo, francamente eu pensei que depois de tanto jogar xadrez bruxo você-
— Cala a boca, Rony, eu não tô falando do jogo. — O moreno deixou as costas caírem contra o banco da cadeira, observando Rony ajeitar suas peças. – Eu to falando dela. – E apontou com a cabeça para Morgana que nesse instante olhava para o teto para não sucumbir a vontade de falar com os Gêmeos que se juntavam ao grupo. — Por quê ela tenta fazer de tudo para ser antipática...quer dizer...se vê que ela não é uma pessoa tão estourada e chata assim. A não ser que ela seja muito falsa com a Sá e com a Mione...
— Sei lá, talvez ela só esteja chateada com o que agente falou dela nos outros anos. Talvez ela esteja com medo de ser rejeitada...Ou ela pode ser muito falsa com a Mione e a Sá também. – disse Rony dando de ombros logo em seguida. – Pronto?
Harry voltou a encarar Morgana, automaticamente fazendo movimentos com suas peças. Rony estava concentrado como nunca, o que sempre acontecia quando jogava Xadrez bruxo, e não dava mais a mínima para o que ele conversava ou fazia agora. Inclinou a cabeça curioso, observando a garota suprimir a risada de algo que Jorge dizia, enquanto se forçava a parecer muito entretida com suas próprias mãos. Ela levantou os olhos de repente e ele não conseguiu desviar a tempo, seus olhos se encontraram e uma estranha sensação percorreu o corpo de Harry. Sua garganta fez um bolo e ele achou dificuldade para engolir, mas sustentou o olhar com a respiração presa na garganta até que Rony desse um pulo assustado a sua frente. Harry desviou os olhos com hesitação, imaginando se já perdera.
— Droga! Esqueci de fazer o dever de Poções, e amanhã tem o carrasco do Snape.
— E...eu tam...bém esqueci. — Morgana parecia confusa, como se tentasse recuperar de alguma coisa. A menina agarrou o braço de Sabrina e se levantou como se tivesse levado um choque. Harry quase sorriu para si mesmo.
— Mais alguém? — questionou Sabrina.
— Eu. — respondeu Harry culpado, desviando sua atenção para a ruiva. Quando Hermione começou o sermão, era como se nada lhe desse mais felicidade.
— Vocês deviam ter vergonha disso, esquecer de fazer o dever! Eu e a Sá fizemos ontem mesmo.
— Sim mamãe, me desculpe mamãe. Podemos copiar sua redação então, mamãe?
— De forma nenhuma, isso não ajudaria nos seus estudos e vocês precisam ter em conta que esse ano será complicado. São os NON’s, nosso futuro que-
— Harry, vamos para biblioteca, sim? – Rony parecia esgotado e sem paciência.
Hermione acabou os acompanhando, sua ronda começava daqui a alguns minutos, e Morgana também foi, afinal a obrigação era maior do que suas rixas bobas. Sabrina os acompanhou até metade do caminho, tinha se lembrado de algo muito importante que marcara durante suas voltas solitárias pelo castelo, e ficou de os achar na biblioteca quando esta fechasse as oito.
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A ruiva se encaminhou rapidamente para a sacada de inverno, onde tinha marcado e sabia que encontraria Cho. Vinha sentindo falta da garota, e dessa vez, depois de tudo, estava pronta a lhe perguntar sobre Cedrico que ela sabia era amigo dela também. Elas meio que tinham comentado sobre suas historias de amor, e Cho fora doce dizendo que podiam trocar confidencias sobre isso. Era incrível, a garota era realmente atenciosa e parecia tão ansiosa quanto ela em fazer essa amizade ser duradoura. Ela sentia que tinha Hermione e Morgana, sempre teria, mas queria que Cho entrasse também em sua vida, simplesmente gostava da oriental.
Mas era impressionante como sempre que as duas começavam a falar alguma coisa acontecia, obrigando-as a se separar. Sabrina acreditava em destino, mas daquela forma só podia ser ridículo! Quer dizer, o que Cho poderia dizer que a machucasse tanto? Riu consigo mesma e entrou no promotório, sorrindo ao ver que ela e Cho eram aparentemente as duas únicas ali.
— Ou as pessoas de repente começaram a amar os salões comunais e a biblioteca, ou você expulsou todo mundo!
— Ahh eu estava de mau humor, sabe como funciona. – Cho riu brincalhona para Sabrina. As duas sentaram em uma mesinha e falaram sobre os deveres, sobre as aulas e como era a escola de Sabrina.
— Sei de uma coisa: lá não tínhamos tantas aulas, e com certeza nada como Sonserina. Temos três matérias com as cobrinhas, vou te dizer não gosto deles.
Cho riu e encolheu os ombros.
— Acho alguns sonserinos okay, quando você vê por baixo do verniz que eles tentam pintar de malvados e tudo mais.
— Você é a única no castelo a achar que Draco Malfoy pode ser okay! Você tem um coração grande demais, Chang.
Cho riu, parecendo envergonhada e mudou rápido de assunto, o que fez Sabrina franzir o cenho.
— Então...você não vai terminar de contar como conheceu o Cedrico? — disse a oriental se referindo a um encontro delas anterior em que a ruiva deixara o nome do ex-namorado escapar antes que ela pudesse dizer muito.
— Claro, aonde eu parei? Ah, sim: um dia nas férias, a Morgana foi para a Espanha e o Cedrico foi junto, você sabe como conheci os Summers, não é? Então, eles foram e ele a tira colo. Nós marcamos de nos encontrar em uma praça, e ela disse que iria me levar uma surpresa, e realmente foi, quando eu vi a Morg e o Ced pensei que era um namorado dela, mas depois ela me contou que ele era só primo dela. As férias todas eu fique mostrando alguns pontos históricos para eles. Foi assim que agente se conheceu, eu tinha uns 12 anos. E você era muito amiga dele? Morgana comentou que vocês viviam juntos antes de... bom!
Cho sorriu pesarosa, agarrando sua mão e apertando, Sabrina sorriu. — Sim, ele me levou uma vez ao baile da escola, e tenho certeza que se ele não tivesse, bem, você sabe, ele teria me pedido em namoro. Na verdade nós já eramos quase namorados. Quando ele participou do triburxo, eu fui a pessoa presa no fundo do lago. A pessoa que ele mais sentiria falta em toda a Hogwarts. Aquilo me fez tão feliz! Claro que Harry acabou me salvando, não ele, mas ainda assim era como ser resgatada por um príncipe encantado, entende? – Cho estava alheia, com um sorriso bobo, fitando a lua. — O Ced era muito legal mesmo, divertido, animado, tinha um grande coração sabe? Eu sinto tanto a falta dele, é por isso que as vezes estou tão triste, é por isso que queria ficar sozinha no trem. Tinha esperanças tão grandes, ele ia me namorar, nós íamos nos amar tanto.
Tão alheia estava a oriental que não percebia o que acontecia na cadeira exatamente ao seu lado. Elas tinha se espalhado numa cadeira estofada, os pés apoiados no batente de uma janela, confortavelmente. Sabrina foi ouvindo, e ouvindo o que dizia Cho, primeiro achando que era uma brincadeira, depois vendo o rosto que se tornava mais apaixonado. A ruiva deixou os pés caírem, automaticamente com suas mãos sobre o colo. Até aquele momento estivera brincando com seu colar, enquanto falava sobre Cedrico, mas agora era como se a peça queimasse. Cho se virou emocionada por lembrar das coisas fantásticas que vivera com Cedrico, e tocou seu colar.
— Assim como quem te deu esse colar lindo. Sei que disse que ele já era meu namorado mas...Sabrina? — Ela tirou os dedos do colar, notando agora a face da outra. Sabrina estava petrificada com os olhos fixos na janela a frente delas, pálida como um fantasma. — Você tá bem? Eu disse alguma coisa errada?
— Você...tá...brincando que o Cedrico era quase seu namorado? – Ela puxou as palavras do fundo da sua mente e elas pareceram cavar um buraco de túnel ao sair. Seu fôlego se foi, enquanto ela se virava muito reta ainda para Cho.
— O que há de errado? Sim, como eu disse teve a coisa do torneio, e depois nós...você gostava dele? – Cho se retraiu, parecendo confusa, mas o entendimento se formando nos seus olhos aos poucos. – Um amor platônico ou algo assim? Porque você tinha seu namorado...o que há de errado?
O ciúmes aparentemente deixava a oriental meio esganiçada. Sabrina não tinha mais ar para respirar, ela precisava, sabia que precisava.
Ouviu vozes se aproximando pela sacada, e Morgana surgiu pelo batente carregando um livro pesado com uma cara de poucos amigos. Chegou no momento que Cho dizia suas ultimas frases, seu rosto ficando mais branco ainda do que o de Sabrina.
“Rota de fuga, rota de fuga.”, pensou a morena entendendo tudo num segundo. Deu passos atrás tentando não fazer muito ruído e topou com Rony bem atrás do seu corpo, criando um distúrbio quando este bateu em Harry que tropeçou em Hermione. Não tinha como Sabrina não ouvir aquilo, e ela se desesperou.
— Morgana, não fuja. Que história essa?
Sabrina estava travada, observando Cho que agora parara de se mover também. Se tivesse olhado para ela, a ruiva saberia a verdade apenas na cara de culpa da amiga. Morgana nunca tinha sentido tanto pânico na vida.
— Huh, sabe...é...bem...é...
— Não enrola Morgana, fala logo, o Cedrico estava namorando com nós duas? – a ruiva chicoteou a cabeça para ela, e Morgana viu a dor nos olhos verdes. Porque Sabrina se sentia meio dolorida e morta por dentro.
— Não, namorando não, ele...sabe...é...
— Morgana Kerridwen LakeLady Summers, fala logo!
Morgana sabia que quando Sabrina a chamava pelo nome completo, não adiantava ela tentar enrolar, de um jeito ou de outro seria forçada a falar. Puxou o fôlego para dentro dos pulmões lentamente, tentando pensar no que dizer. Se sentia como se ela própria tivesse feito a coisa toda, e no momento, diante daquele olhar, ela queria seus irmãos também. Ou Cedrico. Cedrico deveria ter dito, não ela. As suas costas os trio de amigos observava entre assustados e confusos. Eles também não sabiam de nada, nem mesmo Hermione. E porque ela sentia tanta, tanta culpa?
— É! Ele tinha algo com as duas sim. Seu namorado, seu ficante, um triangulo, ele enganou as duas. – apontou para elas, falando rápido e concisa e de forma proposital tenebrosamente com raiva. Raiva do primo. E culpa por Sabrina que tinha os olhos agora nublados por lagrimas que começavam a descer.
— Porque você não me contou? Você me deixou no escuro, agarrando esse coração o tempo- – A ruiva soluçou, se sentindo soluçar e levou a mão a garganta, querendo arranhar ela e tirar o nó que estava preso ali. Afastou as mãos quando tocou a prata.
— Sabrina, eu queria dizer, só que o Cedrico disse que a Cho- desculpa Cho. Você é muito legal, muito mesmo, mas o Cedrico falou que só queria passar o tempo com você, falou que não era nada sério. Que terminaria e contaria para você nessas...férias. – Morgana deixou a cabeça cair, sem suportar mais o olhar triste de Sabrina e sabendo que os olhos de Cho agora também estavam empapados.
Morgana sentiu as vestes da oriental quando ela passou voando por ela, esbarrando em Harry e soluçando uma negação de que era tudo mentira. Nenhuma novidade, ela só ia chorar por motivos diferentes agora. Sabrina continuava a encarar a amiga.
— Termina. — falou ríspida como um chicote, as palavras menos tremulas e mais raivosas agora.
— O que mais tem a dizer? Ele disse que não era nada sério e que iria terminar se eu – se nós — não contássemos nada pra você que ele amava mais que tudo. Ele disse isso, Sabrina. Que te amava mais que tudo. Ele disse que ia te dizer e eu podia fazer o que? Era meu primo, eu o amava, eu não queria trair ele, mas não queria trair você. Não perder a amizade de nenhum dos dois.
— Que pena você não querer perder a minha amizade, pois já perdeu. Eu não posso confiar em você! — Sabrina correu pelas passagens em direção ao salão comunal muito brava e angustiada ao mesmo tempo. Morgana gemeu e girou nos calcanhares, vendo o trio ali atrás e fechou a cara com raiva, indo atrás da amiga pelos corredores.
Estavam no retrato da mulher gorda quando a alcançou.
— O quê você queria que eu fizesse? – estendeu as duas mãos na frente dela, tentando uma oferta de paz. Sabrina ponderou se deveria azará-la.
— VOCÊ PODERIA COMEÇAR ME CONTANDO! — Sabrina perdera toda a compostura, berrando as palavras que diferente das anteriores saiam fácil pelos seus lábios. Ela odiava Morgana com tanta força quanto se sentia despedaçada por dentro. — É ISSO QUE UMA AMIGA DE VERDADE FAZ, MORGANA.
— Sabrina você está sendo injusta e você sabe disso. O Cedrico era meu primo e eu adorava ele. Eu só me manti neutra, só isso, esperei até ele te contar, não me meti na coisa de vocês. Ou eu contaria quando pudesse ver você!
— PRO INFERNO COM A JUSTIÇA. VOCÊ MELHOROU AS COISAS PARA ELE NÃO FOI, MORGANA? SE MANTEVE NEUTRA ENQUANTO VIA ELE FAZER O QUE QUERIA E SAIR IMPUNE, NEM SEQUER TENTOU IMPEDIR, NÃO FOI? PREFERIU NÃO SE METER PORQUE TE CONVEIO!
— Qual a senha? — A mulher gorda tinha acordado com a gritaria e não estava com a cara muito feliz, na verdade nenhum dos quadros a sua volta parecia.
Por um momento de fúria ela não conseguiu lembrar a senha. — Salamandra Rastejante!
— Não é assim! Eu não poderia fazer mais do que esperar que ele fizesse algo, e por cartas, você queria que eu lhe contasse por cartas? Eu não...
— Porque não me contou então depois da morte dele? Você me deixou, pela Deusa, você me deixou chorar a morte dele, dizer para todas as pessoas nesse castelo – incluindo a Cho – o quanto eu o amava, você fez uma cena e..Ah o dia do Harry! Eu achei que você tinha tido uma vontade insana de beija-lo! Como eu posso ser tão idiota, tão, tão... – Ela se travou mordendo a boca com força para controlar os soluços. Levou as mãos aos cabelos e berrou abafado, subindo as escadas furiosa para que os alunos a sua volta parassem de olha-la daquele jeito. Maldita Hogwarts, Maldita Grifinória, Maldito Cedrico e Maldita Morgana. — Eu não quero mais falar com você, Morgana Kerridwen LakeLady Summers. A partir de hoje eu esqueço que um dia eu conheci você e seu primo cafajeste. Você não é, e nunca foi minha amiga! – Ela girou nos calcanhares para encarar a outra, apreciando a forma como os olhos dela se arregalavam de choque e também tristeza. Ela notou e adorou a tristeza, pelos cinco segundos antes dela ser substituída pela raiva e obstinação.
— Certo, é assim que vai ser? Então tá, pra mim está ótimo, Sabrina Penélope Vandon Lair. A partir de hoje eu também esqueço que conheci você. Adeus. – ela simplesmente se foi.
A desgraçada estava errada, e tentou fazer com que ela parecesse mau. Morgana era orgulhosa, estando ou não errada, Sabrina sabia disso, sabia que se virassem a cara para ela era um caso perdido, ela não voltava atrás, nunca. A ruiva não se importava! Nem um mínimo! Por segundos essa foi sua felicidade pessoal, porque para ela a amizade de Morgana passara a ser uma bola vermelha e pulsante em que se misturavam a traição, falta de consideração e falsidade. Ela passaria melhor sem isso.
— Morg, você tá bem? – A morena trombou contra o peito de Harry quando este passava pelo buraco do retrato. O garoto segurou os cotovelos dela e sustentou seu peso, para que não se estabanasse no chão, só para sentir a fúria quando ela retirou as mãos dele com força.
— Quem te deu o direito de me chamar de Morg? Eu não sou sua amiga, Potter! De ninguém nessa merda de escola estúpida!
— Eu apenas perguntei. De nada por você não cair de dentes no chão! – O garoto abanou a cabeça descrente.
— Sai do meu caminho. — Ela se foi passando por Rony e Hermione sem olhar para o lado.
— Certo...vocês acham que devemos...tentar conversar com Sabrina? Oferecer apoio? – Rony estava meio aturdido e fechou a cara á Romilda Vance que chegava a se esticar para tentar ouvir o que eles diziam.
Hermione sacudiu a cabeça. – Agora não, acho.
Os três suspiraram, desanimados e sem saber o que fazer se afundaram num sofá.
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