Harry Potter e a Neta de Voldemort
19 Capítulo 18 - Encontros e Desencontros
Notas iniciais
Capítulo Dezoito – Encontros e Desencontros
— Nham, isso está delicioso, você não vai comer? – Perguntou seu namorado, enquanto dava outra garfada no bolo macio de morangos que eles haviam pedido.
Gina girou os olhos castanho claros em direção a Neville e ficou meio alarmada ao ver que ele degustava a última garfada de seu bolo, e olhava meio desejoso pra fatia intocada do que era o bolo dela. Suspirou, rosnando uma impaciência e empurrando o bolo para ele.
Neville era um amor, de verdade ele era. Fora por um impulso que ela aceitara seu convite para o baile no ano passado, mas descobrira um garoto tão legal, inseguro, engraçado de forma desajeitada, carinhoso e que respeitava sua decisão de tal forma que nenhum dos outros garotos com os quais ela ensaiara uma paquera fazia. Não que estivesse paquerando Neville no baile, antes ou depois. Fora por amizade que ela começara a andar com ele, e as coisas haviam acontecido tão naturalmente que ela de repente se vira trocando cartas com o rapaz, até que ele se declarara no verão. Ela gostava dele, de verdade gostava, e não levava em consideração as brincadeiras que faziam seus colegas de ano quando os viam juntos. Mas no fundo se preocupava com o fato de que não gostava o bastante para ser sua namorada.
O primeiro beijo dos dois fora ok, é verdade, andar de mãos dadas, abraçá-lo, tudo era ok. O problema era só que ok não era o bastante para definir um relacionamento, ela achava. Mas Neville... ele era tão sensível, parecia ter ganhado tanta confiança a mais quando eles começaram a assumir seu namoro, até mesmo uma noção de respeito estranho dos colegas de classe. Gina não era exatamente impopular entre os garotos, ela sabia. Mas eles sempre queriam pular etapas importantes, e Neville ao contrário fizera tudo certo, e nunca parecia pressioná-la.
Mas ela queria algo mais, e a verdade é que algumas coisas na atitude dele a... irritavam. Como devorar seu bolo e querer o dela, ou aceitar tudo que ela dizia, sem questionar, como quando ela o arrastara até ali, o tirando do jogo de snap explosivo com os amigos.
Mordeu os lábios e voltou a espiar os dois casais na mesinha mais afastada. Uma hora dessas ela ia ter que ter coragem de dizer claramente para ele que no fundo, no fundo, o amava apenas como o amigo querido que ele era.
— Oh. – Seus pensamentos foram quebrados quando ela observou seu irmão corar até as orelhas, enquanto Gwyneth Ortholan se inclinava e dizia alguma coisa baixinho, perto demais do rosto dele, para a ruiva ficar tranquila.
Disfarçando, ela mexeu a varinha até a beira da mesa, e lançou um feitiço que afastou os dois uns bons dois metros, antes de se esconder atrás de seu enfeite de mesa, vermelha.
— Então, foi pra isso que viemos aqui? – Disse seu namorado, fitando por sobre os ombros divertido, os quatro exclamando intrigados com a magia dela.
Gina apertou os lábios, constrangida e encolheu os ombros. O Longbottom também era muito perceptivo.
— Desculpe, Nev, eu queria ficar de olho nesses quatro.
— Tudo bem, eu imaginei que fosse isso durante os quinze minutos em que você não disse nada e só ficou olhando a mesa deles. – O garoto brincou com as migalhas de bolo em seu prato, e com uma expressão meio infeliz, captou a atenção de Gina conforme parecia hesitar entre continuar, ou não. Gina esperou, até que por fim ele suspirou cansado. – Apesar de achar uma falta de respeito que você me arraste até aqui para impedir Harry de ter um encontro com Cho.
O queixo de Gina caiu. – O que? – Ela disse um pouco alto demais, e logo voltou a se esconder quando os quatro giraram a cabeça para olhar.
— É... Eu sabia que você gostava dele, Gina, mesmo quando te pedi em namoro. E pra ser sincero, eu sei que ainda deve gostar. – Gina se apressou em negar quando ele continuou. – E na verdade... eu... me sinto um pouco aliviado.
Agora sim, ela estava surpreendida.
— Como assim aliviado?
— Eu... eu acho que confundimos as coisas. Me senti mal já faz um tempo, achando que estava te atrapalhando, sendo que no fundo sabia que nosso namoro era apenas uma confusão, de dois amigos que se amavam demais, mas não dessa forma. Sei que isso pode parecer ruim, mas confesso que eu meio que fiquei empolgado com o fato de ter uma namorada tão bonita e legal quanto você. Saber que não estraguei tudo, e você ainda gosta de Harry, e pode ser que vocês fiquem juntos, me dá um pouco de alívio. Por isso... se você quiser posso até mesmo te ajudar!
— Merlim, você está me dando um fora, é isso? – Gina arregalou os olhos, descrente daquela situação surreal toda.
— Não! Digo, sim! Eu...
— Neville! – Ela se esqueceu sequer de manter o tom baixo, a situação se invertera um pouco demais ali. Cerrando os dentes juntos, ela tentou buscar as palavras dentro de si mesma, mas no fim, seu gênio a tornou incapaz de suavizar demais. – Eu não estou aqui porque gosto de Harry, estou aqui porque alguém gosta dele, mas não eu. Mas agora que você falou, você está certo. Nosso namoro é um erro e fico feliz que acabou!
Um fora, ela estava simplesmente levando um fora! Suas bochechas estavam coradas, depois de tudo porque ele não dissera aquilo antes?
— Gina, olha...
— Agora, se você puder ficar quieto, eu ficaria feliz. Ainda preciso ficar de olho naqueles quatro ali. Aliás... – A ruiva franziu o cenho, bufando irritada. – Você paga a conta.
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— Então... – Cho torceu uma mecha dos cabelos, incomodada, e finalmente virou-se para observar Harry. – Isso foi um desastre. O que está acontecendo?
— O que? – Harry virou os olhos da janela do Três vassouras onde observava distraído alguns sonserinos brincando de um jogo de beber, aparentemente.
Os dois estavam sozinhos, já que Rony e Gwyneth tinham se afastado sem muitas explicações, para ficarem a sós e livres para beijar, aparentemente, visto que eles tinham tido toda uma conexão especial, sem tirar os olhos um dos outros durante toda a interação no Padfoot. Harry não tinha certeza se sentia confortável com a situação, principalmente porque sua mente parecia estar a milhões de anos luz de distancia dali.
— Eu não sou idiota, Harry. Você ficou ausente metade do tempo, até mesmo rindo com uma espécie de demora entre as piadas e tudo mais. Sinto muito, eu acho que não deveria ter te chamado pra sair, você claramente não queria isso.
O moreno só então entendeu o que estava acontecendo, quando Cho fez uma feição triste, que o fez sentir dor por ela. Em pânico, tanto por ela descobrir quanto por a fazer sofrer, tentou se explicar. – Não! Escuta, não é isso. Eu realmente gostei que você me chamou. Gostei do tempo que estamos passando juntos. Eu só... não é uma boa hora.
— Certo, eu entendi. Você tem muitas preocupações e eu não estou ajudando. Sofreu um ataque, ou é o que dizem, e não quer namorar. Não quer me namorar. Eu entendo, sou meio idiota por esperar demais, e não sou tão desesperada por namoro, como pode parecer por conta de tudo com o Cedrico e...
O cérebro de Harry se perdeu no instante que ela falou em namorar. De verdade ela queria namorá-lo. Não sair num encontro apenas, não passar um tempo. Wow. Ele olhou para Cho, que parecia insegura, carente, defensiva, e tão linda quanto a primeira vez que ele a viu voando num jogo contra a Corvinal, os cabelos negros e lisos espalhados nas costas, o rosto vermelho brilhante, e com um sorriso triste.Por algum motivo o fato de uma garota tão linda dizendo aquilo para ele, insegura sobre ser ela o problema, o fez querer abraçá-la e escovou os problemas para longe de sua mente.
Agarrando a mão dela, Harry trouxe a mesma para a altura do peito, tentando fazê-la parar de falar. – Não, Cho. Pare de falar um pouquinho. Não tem nada de errado com você, e você não é idiota, ou desesperada nem nada disso. É só que tem uma garota, e eu...
— Oh. Uma garota! – As lagrimas nos olhos dela quase doeram e ele prendeu a respiração, com medo de ter estragado tudo, de ter a ferido tanto quanto parecia, e querendo consertar.
Respirando fundo ele tentou se forçar a dizer que ela entendia errado, e beijá-la, abraçá-la, ou algo assim.Mas uma parte dele também dizia que seria algo extremamente injusto, visto que ele sentia essa coisa toda pela segunda vez no dia. Seu coração batia rápido, tal qual batera com Morgana, e ele queria não se sentir confuso e só terminar tudo aquilo com um sorriso e pedindo ela em namoro, mas não podia.
— Desculpe. Eu gosto de você. Eu gosto de verdade. Alguns dias atrás eu ficava corado só por olhar você. – O garoto que sobreviveu se perguntou de onde vinha aquela coragem que sentia para dizer aquilo, e para empurrar o cabelo dela para atrás das orelhas, olhando em seus olhos amendoados enquanto acariciava as bochechas da oriental. Engoliu em seco. – Mas talvez... eu realmente não esteja pronto para namorar.
— Eu entendo, Harry. – Ela deu um passo atrás, mas ele não permitiu que ela tirasse a mão que segurava com firmeza.
— Eu adorei passar esse tempo com você, no entanto. E eu queria... talvez passar mais dias assim, só para...é egoísta querer que você não ficasse muito longe? Ou te conhecer melhor?
Cho se permitiu um leve sorriso, e ele podia ver nas suas feições que lutava entre a tristeza e uma esperança. Fofa foi a palavra que lhe ocorreu.
— Não, não é. E sabe o que? – De repente ela passou a transparecer coragem. – Talvez eu seja má perdedora, ou só queira manter algo em sua mente, mas vou te dar algo para pensar, enquanto passamos um tempo juntos para nos conhecer melhor.
E de repente ela estava na ponta dos pés, fechando a distância que abrira antes, e seus lábios estavam próximos dos dele, e os olhos fechados e a mão em volta de seu pescoço, a ponto de Harry esquecer de raciocinar.
BUM.
Uma chuva de galhos e sujeira da rua enlameada os atingiu, chovendo em seus rostos e fazendo Cho se afastar com um gemido de dor enquanto sentia algo bater com força contra suas coxas, a fazendo perder o equilíbrio.
Harry arregalou os olhos, só para senti-los encher de areia e pedrinhas de geada, e lacrimejarem, conforme ele tentava enxergar a sua volta o que os estava atacando. Tentou alcançar a varinha, e se deu conta que sua mão ainda estava presa na de Cho, que o puxava ao lado contrário, ela também em pânico demais, tentando fugir do ataque, para perceber. Um galho acertou dolorosamente sua nuca e ele levou a mão ali, perdendo o equilíbrio conforme Cho dava um puxão firme tentando afastar os dois daquele lugar e escorregava, o levando junto ao chão, os dois se estatelando em uma poça de lama escura, em uma posição extremamente desconfortável.
— Aw. – O moreno gemeu, abrindo os olhos e percebendo o mundo inteiro fora de foco. Seus óculos não estavam em nenhum lugar visível, mas não pareciam fazer muita falta, já que ele via os contornos de Cho diretamente abaixo dele. – O que foi isso?
— Não sei. – Ela chorou, por sob a respiração, e Harry viu que ela tinha um profundo corte na bochecha que fez seu estomago doer. – Será que fomos atacados?
Harry não quis erguer a cabeça, mas o fez mesmo assim, e avistando o óculos a alguns metros o apanhou e ergueu o olhar, se afastando de cima de Cho a contragosto. Só então percebeu seu pulso que estava girado em um ângulo entranho, e gemeu, a dor atravessando seu braço todo.
Cho gritou. Ele prendeu a respiração. E outro grito ecoou pela rua.
— Harry! Oh Merlin, você está bem? – Gina vinha correndo até os dois, se ajoelhando muito pálida e de olhos arregalados, ao ver a situação de pulso.
Por algum motivo ela engasgou, sem ar, quando o ajudou a levantar e ele olhou para baixo, para a camiseta branca cheia de sangue, vindo de seu pescoço. Não precisou adivinhar que tinha um corte feio na nuca.
— Vocês precisam ir para a enfermaria! Agora! – Disse a ruiva, quase chorando, o que fez Cho apertar os olhos para ela, desconfiada.
— O que nos atacou? Você viu?
Gina pareceu ficar apoplética e negou lentamente com a cabeça, mas não importava muito, porque quando Harry focalizou o Três vassouras, pôde ver o sorriso divertido de Draco Malfoy enquanto observava a cena.
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Sabrina se endireitou no sofá, onde estava nos últimos minutos ouvindo a históriade Gina. Pobre menina transtornada, era a ruiva, enquanto rapidamente contava qual era seu plano, e como ela se perdera um pouco no meio do caminho, por causa da raiva que ainda estava no fundo de Neville e o fora que ele lhe dera.
Assim que elas três haviam saído da Trapos, haviam voltado ao castelo, e esperado apreensivas pela volta dos amigos, passando a tarde tentando se lembrar das coreagrafias enquanto as mentes voavam longe, até que Gina chegou completamente transtornada.
Nesse ponto elas já tinham ouvido de Dino e Simas como Harry e Cho, um casal m encontro, estavam na ala hospitalar por causa de algum acidente no povoado, e quando Gina chegou elas viram as marcas de lágrimas na amiga, antes dela desabar tudo.
Quando os quatro saíram do Padfoot, ela convencera Neville de que ele devia isso a ela, e que ele seguisse Rony e Gwyneth, impedindo o casal de ”qualquer avanço”, enquanto ela fazia o mesmo com Harry e Cho. Fora meio revoltante receber o olhar de entendimento de Neville, ao que ele achava que era o motivo dela seguir o casal em questão, e ela não podia livrar a mente disso enquanto bancava a espiã e observava o casalzinho falar e flertar o tempo todo.
Ela ia mesmo indo embora já, quando Cho se aproximara de Harry e Gina sequer pensara no que fazia enquanto lançava as maldições que acabaram por enviar os dois a ala hospitalar.
— E quando vi o pulso de Harry, e o sangue... dele e de Cho. Eu não queria, eu juro. Mas o pior foi que fiquei com medo de confessar tudo, e do que teria de explicar, ou me desculpar. – Ela finalizou mordendo os dedos nervosa.
Morgana abriu um sorriso radiante, e de forma amorosa abraçou a ruiva a consolando num abraço. Na sua opinião, desde o começo Gina fora excepcional. – Tá tudo bem, Gin. Nós sabemos que você não queria machucá-los. Ei, Cho realmente estava meio que coberta de sangue quando você acabou?
Sabrina ergueu a sobrancelha pra morbidez da amiga enquanto a ruiva dava um soluço alto.
— Morgana...
Foi interrompida enquanto Rony, que chegara naquele momento escoltado por Neville, com um tom de pele entre o branco papel e o verde vômito. Automaticamente as atenções foram pro Weasley.
— Uma vergonha... horrível... eu nunca mais... – Ele gemeu, enterrando o rosto nas mãos, mas quem parecia que ia chorar era o Longbottom.
— O que houve? – Perguntou Hermione baixinho, enquanto se mudava para o sofá ao lado dos dois e dava tapinhas confortadores nas costas de Rony.
— Ele... – Neville engoliu em seco e desviou o olhar. – Teve uma crise de gases quando se aproximava de Gwyneth.
Rony gemeu, frustrado e soltou um arroto alto, assustando as garotas. O silêncio imperou por alguns instantes antes dele choramingar. – Eu não podia nem tocar a mão dela, e quando fui beijá-la, eu... eu... preciso me matar, sério! – Rony levantou do sofá rapidamente, caminhando de forma decidida em direção a lareira, antes que Sabrina e Hermione o contivessem.
— Ele arrotou. Bem na cara de Gwyneth. Ela se afastou mais rápido do que se ele fosse a morte, quando o arroto se seguiu de um...
— Oh Merlin, o cheiro! Aquele cheiro! Esse cheiro. – As meninas prenderam o ar e se afastaram quando sentiram o cheiro inconfundível de ovo podre.
Em um segundo Rony estava ali, roxo de vergonha agora, e no outro estava no dormitório. Apesar de toda a circunstancia, as meninas não aguentaram e uma após a outra encheram o salão de gargalhadas incontroláveis.
— Grande, Neville! – Disse Morgana limpando as lágrimas de riso.
— Só não...por favor não contem a ele! Eu acho que se ele souber vai realmente me matar! – Assustado o grifinório contorceu o rosto, numa careta miserável.
Sabrina deu um tapinha em sua mão, satisfeita.
— Naa, pode deixar, nós não contamos se você não contar! Que feitiço você usou, aliás?
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— Ai meu deus será que eu vou conseguir?-disse Hermione aflita.
Elas estavam em uma grande tenda posta nas extremidades do campo de quadribol, e que fora dividida por casas por grandes cortinas dentro. Quando Hermione proferiu estas palavras, Parvati, que estava do seu lado olhou ela de cima a baixo, virou-se pro lado e deu uma risadinha desdenhosa. Sabrina, fez uma careta de nojo e como quem não quer nada, disse em voz alta o suficiente para toda a tenda ouvir:
— Sabe, Mione, estava me lembrando de uma frase que meu pai me disse um dia: "Quem desdenha quer comprar". Acho que ela se aplicaria perfeitamente a esse momento, não é Parvati?
Parvati abriu a boca para dar a resposta, mas Gina a interrompeu dizendo:
— Vocês viram os meus tênis?
— Não, Gin, eles estavam na sua mochila não estavam?- Disse Morgana, enquanto Sabrina se sentava na posição de lótus e começa a sussurrar fórmulas de meditação, para espanto de todas.
— É 'tavam mas... pela Deusa! Eu esqueci eles em cima da minha cama lá no castelo. — Gina se deixou cair num banco que estava no centro da tenda e disse num tom choroso. — E agora o que eu faço? Está tudo acabado, eu vou ter que entrar descalça! Não tenho tempo para buscá-lo e...
Como resposta Hermione puxou sua varinha e exclamou:
— Accio tênis da Gina! — E em segundos o par de tênis estava na mão de Hermione. – Aqui! Você é uma bruxa, por favor, se lembre disso. — A garota os entregou para Gina, com uma censura velada nos olhos. Mas ela não podia culpá-la. No fundo ela sabia que desde a coisa com Harry, ela se sentia triste e fora dos eixos, corroída em culpa, a cada vez que Harry dava um olá.
Quando ele chegou da enfermaria, com os cortes devidamente fechados, Hermione achava que Gina ia morrer. A ruiva a abraçou e agradeceu mais de mil vezes, sequer dando atenção a reprimenda da amiga, e por fim os calçou, passando a andar de um lado a outro, nervosa.
Não que Hermione também não estivesse passando por seus momentos tensos, mas por outros motivos. Olhando-se no espelho, ela soltou um som estrangulado do fundo da garganta e se virou para Morgana, que lutava para que seus cabelos ficassem mais cacheados do que eram.
— Meus cabelos! Eu esqueci, Morg, você prometeu fazer o feitiço em mim!
O feitiço era um feitiço de alisamento, que as garotas tinham apreendido porque era mais fácil do que fazer uma poção. Morgana iria fazer em Hermione, porquê a amiga estava muito ansiosa e tinha medo de sair errado, pois esse feitiço era um pouquinho mais complicado do que Feitiços convocatórios. Tinha que se ter uma imaginação fértil para imaginar como a pessoa ficaria depois do feitiço com todas as forças, e ninguém melhor que Morgana — que era a pessoa mais sonhadora que elas já tinham visto — para fazê-lo.
— Relaxa, Mione, temos tempo! — exclamou Morgana. — Capillus Bassos.— E se pôs a trabalhar nas formas e toques de varinha enquanto Hermione recuperava a cor das faces. Logo os cabelos castanhos de Hermione pendiam lisos e brilhantes por seus ombros e ela se apressou em fazer um rabo com ele, enquanto ia dizendo:
— Prático esse feitiço, não? Vou usa-lo mais vezes.
— É, só que o ruim é que só dura três horas. Você vai ter que fazer ele pelo menos cinco vezes ao dia Mione.
— Ah, é mesmo.- Disse a garota desapontada, observando Sabrina curiosa.
— Meditação! Ela faz a anos, deve estar no Nirvana agora, ou algum lugar assim. E então, como estou? — Perguntou Morgana, já pronta. Vestia um top curto, estilo biquíni, listrado de preto e branco, com duas tiras de tecido que se cruzavam em frente a um generoso decote, e parecendo de couro brilhante. A saia também curta e rodada ao estilo líder de torcida, era feita de uma espécie de tecido mais grosso, cargo e tinha pontas maiores que as outras levemente dando um caimento bonito ao redor da cintura onde se prendia com cordões de couro decorativos, dos dois lados dos quadris. O shorts do mesmo tecido que a saia. Os cabelos bem ondulados com cachos grandes, finalmente quietos no lugar e o rosto levemente, bem levemente, maquiado.
— Linda! — Disseram Gina e Hermione juntas, impressionadas com a aparência da amiga que mostrou a língua para elas divertida enquanto pegava um potinho de maquiagem e espalhava um pouco pela barriga, braços e coxas para dar leve impressão de graxa e sujeira. Algo bem Dirrty.
— Ei, Sá...
— Onnnn...
— Sabrina! — Gritou Morgana.
Sabrina deu um pulo e olhou para Morgana irritada.
— Se você não percebeu eu tô tentando me concentrar e meditar, Morgana.
— Sim, mas...
— E vamos começar com... Grifinória. — A voz da professora Lilandra ecoou até ela, aumentada pelo feitiço sonorus. Sabrina ficou desesperada, ela ainda não tinha terminado de se arrumar.
— Porque vocês não me chamaram antes?
— Não queríamos te incomodar... você estava meditando. — Disse Morgana com um sorriso malicioso.
— Cala a boca!- Disse Sabrina com uma cara de quem chupou limão.- Mione, me ajuda a prender o top?
Lá fora o primeiro nome da lista da Grifinória foi chamado e uma garota morena de olhos azuis e aparência irlandesa do sétimo ano, saiu pela abertura da tenda. Depois de breves aplausos, uma música de um grupo bruxo começou a tocar. Mas as garotas estavam ansiosas demais para prestar atenção em qual grupo e que música eram. Houve risadas e a garota irlandesa entrou correndo pela tenda segurando a saia e choramingando. Agora as garotas sabiam o porque das risadas. A garota tinha, não se sabe como, rasgado à saia.
Gina olhou amedrontada para as garotas. E se isso acontecesse com ela? Sabrina lhe lançou um olhar do tipo: "Relax, tudo vai dar certo". E a garota tranquilizou-se um pouco.
Agora era a vez de uma terceiranista, Harmony Songs. E pelos aplausos no final de sua apresentação ela não havia cometido nenhum erro e havia dançado inteiramente bem. Depois dela foi Lilá, e esta as garotas fizeram questão de ir olhar. Lilá dançou maravilhosamente uma música de trouxas: Hollaback Girl, Gwen Steffani, e isso as garotas tiveram que admitir. Do mesmo jeito que tiveram que admitir que Parvati também desempenhou muito bem seu papel ao som de Mickey, Lolly.
Só que quando Parvati terminou sua coreografia o nervosismo e a tensão voltou a tomar conta das quatro. Era a vez de Gina e ela — Vestida em uma saia jeans-clara bordada com contas transparentes, um short de algodão só que todo estampado imitando a saia e um top cor-de-rosa de um tecido mole e leve que dava a aparência de ter sido levemente rasgado, deixando, assim, alguns gomos do tecido caírem sobre a cintura fina da garota. — simplesmente congelou quando chamaram seu nome. Foi preciso Lilandra chamar uma terceira vez para ela vagarosamente ir se encaminhando para o campo, sem nem ao menos ouvir os aplausos fervorosos de seus amigos e de muitos garotos desconhecidos seus também. Muito pouco percebeu, também, que Rony dera um soco no olho de um sextanista da Corvinal por ele ter gritado a plenos pulmões comentários sobre os atributos físicos da Weasley, e que agora se engalfinhava com ele na platéia. E que fora preciso ele dar uns cutucões em Harry, Neville, Dino e Simas para eles pararem de babar.
Lentamente Gina foi percebendo a algazarra à sua volta e se dando conta que Lilandra a perguntava se podia colocar a música. Ela afirmou com a cabeça e começou a ouvir as primeiras notas de Overprotected, Britney Spears.
...continua...
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