Notas iniciais
Enfim, a final da Copa Mundial de Quadribol, com uma escala na Toca. Teremos somente uma partida ou será que pode acontecer algo mais?

CAPÍTULO 2

EM ALERTA

A dor na cicatriz já havia aliviado e Harry tratou de enxugar o suor do rosto em uma toalha, enquanto a respiração voltava ao normal. Antes de retornar à sala, pegou seu telefone e digitou um SMS para Janine. O texto dizia: “Reunião no meu quarto, logo que os adultos forem dormir”. Ele havia preferido mandar a mensagem para ela, pois sabia que a amiga sempre mantinha o telefone em vibracall para mensagens, portanto não havia o risco de seus pais ou Sirius e Ayesha ouvirem o toque e suspeitarem de algo. Em seguida, retornou para a sala de jantar.

—Tudo bem, filho? _ perguntou Lílian _ Você demorou um pouco.

—Está tudo bem, mãe. _ respondeu Harry _ A carrapeta da torneira estava meio gasta e ela começou a pingar. Usei um pequeno feitiço para deter o vazamento e depois troquei a peça.

—É, fica bem melhor substituir do que consertar tudo com feitiços. Sem contar que assim a gente não fica mal acostumado. _ disse Sirius.

O pudim de leite condensado de Lílian e Ayesha estava divino e um espresso completou a noite. Todos foram se recolher, pois no dia seguinte iriam todos para Ottery-St. Catchpole, onde encontrariam os Weasley e Hermione, que já havia ido para a Toca. De lá, iriam para o local de realização da final da Copa Mundial de Quadribol.

Depois de escovar os dentes, Harry Potter sentou-se na cadeira da escrivaninha do seu quarto, esperando pelos outros. Algie estava no seu quarto, enquanto que Soraya e Janine dividiam um dos quartos de hóspedes da Potter Manor, a residência da família Potter em Godric’s Hollow, que fora reconstruída treze anos antes, após ter sofrido uma explosão de gás, na verdade um atentado por parte do inimigo jurado dos Potter, o bruxo líder da Ordem das Trevas, Lord Voldemort.

A família havia sido atacada porque Voldemort queria, por razões ainda desconhecidas matar Harry, este ainda com cerca de um ano de idade. Depois de ter lutado e estuporado Tiago, o Mestre das Serpentes subiu ao quarto e tentou lançar uma “Avada Kedavra” em Harry e Lílian, esta grávida de Algie. Inexplicavelmente, a Maldição da Morte foi defletida e retornou para o Lorde das Trevas, causando seu desaparecimento pelos últimos treze anos, forçando o nascimento prematuro de Algie e deixando Harry com um ferimento na testa, do qual restou uma cicatriz. Uma cicatriz em forma de raio. Ela sinalizava quando havia algum perigo por parte de Lord Voldemort, com várias intensidades, desde uma leve ardência até uma dor quase insuportável.

De acordo com Dumbledore, a tentativa frustrada de Voldemort acabara tendo um resultado inesperado. Um elo mental foi formado entre os dois e somente graças às habilidades de Oclumência, a arte de proteger a mente de influências externas utilizada por Harry, Voldemort não chegou a tomar conhecimento desse elo. Suspeitando da possibilidade de que algo assim viesse a ocorrer, Dumbledore pediu a Tiago que ensinasse e desenvolvesse essa habilidade em seus dois filhos. Aquilo se mostrou bastante útil depois que Harry foi para Hogwarts, onde as habilidades já existentes foram aprimoradas parte pelo próprio Alvo Dumbledore e, principalmente, por Severo Snape. Graças às lições ministradas pelos experientes bruxos, Harry sempre conseguiu blindar a mente e evitar que Voldemort pudesse utilizar aquilo contra ele, já que o elo poderia vir a ser uma via de mão dupla.

E o desconhecimento daquilo por parte de Lord Voldemort havia sido importantíssimo durante todo o tempo de estudante de Harry até o momento, pelo que o bruxinho se lembrava. No primeiro ano Harry Potter e seus amigos, os “Inseparáveis”, impediram que Voldemort pusesse as mãos na lendária Pedra Filosofal que estava escondida em Hogwarts. Naquela ocasião Harry Potter e Nereida Snape confrontaram Lord Voldemort, que estava possuindo o corpo de um ex-aluno de Hogwarts que aderira às Trevas, Quirinus Quirrell.

No segundo ano, Voldemort havia penetrado a mente de Gina Weasley e estava absorvendo sua energia vital, seu Ki, para retornar fisicamente com seus poderes atuais e o vigor de seus dezessete anos. Harry Potter uma vez mais frustrou o intento do Lorde das Trevas, destruindo sua conexão com o mundo real, seu diário dos tempos de estudante. E ainda liquidou a criatura de Salazar Slytherin, uma feroz guerreira híbrida, um cruzamento de Basilisco com Górgona, à qual ele havia dado o nome de “Aglae”.

No terceiro ano não houve um confronto direto com Voldemort, o que não significava que tivesse sido um ano tranquilo. A antiga turma de bagunceiros do pai de Harry, “Os Marotos”, havia colocado em prática um arriscadíssimo plano para provar que o traidor dos Potter, Peter Pettigrew, ainda estava vivo. Para isso, divulgaram como verdadeiro um dossiê forjado pelo próprio Pettigrew, no qual Sirius Black e não ele, é que havia quebrado o Feitiço Fidelius. Com aquilo, Sirius havia sido encarcerado em Azkaban e era o que ele queria, pois reunira provas da localização de Pettigrew e mais ainda, provas de uma rede de corrupção no Ministério da Magia, em diversos escalões, embora tivessem mudado logo de assunto e nada mais tivessem dito sobre aquilo, o que Harry estranhou. Bem, quando fosse o momento, eles diriam.

Mas o plano quase foi por água abaixo, já que a inesperada transformação de Lupin distraiu a todos, possibilitando que Wormtail atacasse os jovens e tomasse uma varinha, estuporando Rony e fugindo, além de Harry e Sirius terem precisado enfrentar quase uma centena de Dementadores. A poção só não desandou graças a Hermione e Janine, com seus dois aparelhos Vira-Tempo e os equipamentos de filmagem tecnomagizados de Janine. Com aquilo, um registro em vídeo e fotografias do ocorrido na Casa dos Gritos foi obtido e uma cópia enviada para o Wizengamot, a Suprema Corte dos Bruxos, servindo como prova cabal da vida e culpa de Wormtail.

Janine Vargas Sandoval era a nova amiga da turma, novo membro dos “Inseparáveis”. Jovem de origem trouxa, fora o primeiro caso conhecido de manifestação de dons de magia após a puberdade. Aluna do Colégio Militar do Rio de Janeiro, tivera seus dons despertados com o choque de ver seu pai, o Coronel de Cavalaria Adriano Sandoval, sofrer um acidente fatal de paraquedismo durante as comemorações do Dia da Independência do Brasil no ano anterior. Com aquilo, foi necessário providenciar sua transferência para Hogwarts, como se a jovem tivesse sido aluna de uma das escolas de magia do Brasil, a “Sepé Tiaraju”, que ficava na região das Missões, no Rio Grande do Sul (as outras eram a “Mãe D’Água”, no Planalto Central, a “Bênção de Oxalá”, na Bahia e a “Castelobruxo”, na Floresta Amazônica).

A nova amiga revelou-se uma pessoa especial, leal e honesta, pautando seu comportamento pelas coisas certas, princípios herdados de seus pais. Caso contrário, não teria sido escolhida por uma varinha experimental, destinada para ser usada por Aurores, cuja madeira era revestida por uma liga de aço, ouro e Mirtheil, o místico metal inteligente, um dos melhores juízes de meritocracia. Além disso, outro fato deixou todos pasmos. Draco Malfoy, filho de Lucius Malfoy, outrora considerado o segundo em comando de Voldemort, havia se declarado para ela e os dois estavam namorando, embora escondidos da família dele, toda ela de bruxos puro-sangue, intolerantes e preconceituosos. Bem, os amigos estavam chegando e todos teriam muito que conversar.

—Oi, mano. _ disse Algie _ Jan disse que você mandou um SMS para ela, pedindo para nos reunirmos aqui. O que houve?

—Voldemort, como sempre. _ disse Harry, enquanto os outros iam chegando. Soraya e Janine entraram e sentaram-se _ Acredito que ele esteja de volta à Inglaterra e tenha um novo plano para conseguir poder.

—E o problema é que todos os planos de Lord Voldemort incluem a cabeça de Harry Potter em uma bandeja de prata ou na ponta de uma lança e isso não é de hoje, já vem se repetindo. _ disse Soraya, lembrando-se dos anos anteriores.

—E o que é desta vez, Harry? _ perguntou Algie _ Se há a possibilidade dele estar na Inglaterra, isso não quer dizer que ele escapou da “Maldição da Semivida”?

—Como assim? _ perguntou Janine _ Eu soube da “Maldição da Semivida”, que Voldemort tornou-se dependente de sangue de unicórnio, mas ele não poderia sair de onde está escondido.

—Bem, você ainda não sabe de todos os detalhes dessa arrepiante história, Jan. _ disse Harry _ Nos dois anos anteriores à sua chegada, Voldemort já havia meio que driblado a maldição.

—Sim, eu soube por alto, mas não com detalhes. Como foi que ele conseguiu sair de seu esconderijo, agora? _ perguntou Janine.

—Olha, Jan, desta vez eu não faço a menor ideia de como foi que ele fez isso. _ disse Harry _ No primeiro ano, ele conseguiu um lenço, contendo um pouco do meu sangue.

—Hein?

—Eu estava treinando com o Prof. Mason e ele aumentou a intensidade, tentando despertar o meu Ki. Acabou me atingindo e cortou meu rosto. Aquilo despertou o Ki e eu o atingi forte. Depois do treino, ele limpou meu rosto com um lenço e o jogou em um cesto de roupas que iriam para a lavanderia, no dia seguinte. Naquela noite, Wormtail roubou o lenço, com a mancha de sangue seco, entregando-o a Quirinus Quirrell, que o levou para Voldemort.

—Merlin! E foi com aquilo que ele possuiu Quirrell e quase conseguiu a Pedra Filosofal! _ exclamou Algie.

—E se não fosse por você e Nereida, que o confrontaram pessoalmente e destruíram a pedra, ele teria saído vitorioso. _ disse Soraya _ Eu retornei com Neville, que havia luxado o tornozelo após deslizar pelas raízes do Visgo do Diabo (*Ler a Fic “Harry Potter e a Aurora dos Inseparáveis”*). E depois, parece que o corpo de Quirrell se incinerou ao tocar em você, não foi?

—Exatamente, Soraya. _ disse Harry, continuando a esclarecer Janine sobre os fatos _ E sem o suporte físico, Voldemort foi expulso dos limites de Hogwarts. No ano seguinte, foi com uma memória do seu diário de estudante, que ganhava vitalidade enquanto consumia o Ki de Gina. Eu a destruí com as presas da criatura de Slytherin.

—Mas e agora?_ perguntou Janine _ O que foi que aconteceu para te dar tanta certeza de que ele está aqui?

—A cicatriz me alertou. E aquela ligação me fez ver algumas cenas pelos olhos dele. Cenas de Voldemort matando alguém, um senhor idoso.

—Ligação? Ah, sim. Um elo mental. E ele não sabe disso, Harry?

—Não, Jan. Por sorte, fui bem treinado em Oclumência, a arte de proteger a mente. E espero que continue assim.

—Acha que ele poderá tentar algo na final do Mundial de Quadribol?

—Quem sabe, Algie? _ Harry levantou-se e foi até a janela, pensativo, olhando para os terrenos da propriedade Potter _ Aquele monstro sempre tem um plano em mente. Mas, sabendo que ele vai armar alguma coisa, já nos colocaremos em alerta e isso fará com que não fiquemos tão em desvantagem.

—Por que não dizer isso aos seus pais, Soraya? Ou aos seus, Harry? Ou então talvez ao Prof. Mason? _ perguntou Janine.

—Acho que eu posso responder essa, Jan. _ disse Algie _ Qualquer mobilização dos Aurores poderia chamar a atenção de Death Eaters.

—E ainda há muitos deles por aí. _ disse Soraya _ Isso poderia fazer com que eles mudassem seus planos...

—... De alguma forma que talvez eu não pudesse descobrir através desse elo mental, Jan. _ disse Harry _ Tipo como quando eu estava no segundo ano e Dobby veio nos avisar dos planos das Trevas, lembra-se, Algie?

—Lembro, mano. E ficou acertado com Rony e Mione que iríamos manejar até onde pudéssemos e, caso não desse mais para segurar, contaríamos ao papai. Confesso que fiquei arrepiado com aquele incidente com as aranhas e aposto que Rony sentiu o mesmo.

—Bem, vamos agir assim, então. _ disse Janine _ Mas Algie tem razão, talvez seja preciso nos preparar para alguma surpresa desagradável durante a final do Mundial de Quadribol.

—Bem, amanhã iremos para a Toca e falaremos com Rony e Mione, embora eu ache que concordarão conosco. _ disse Soraya, bocejando _ Lord Morpheus está chamando e acho que vou atendê-lo. Boa noite.

—Tem razão, Soraya. _ disse Janine _ Quando eu era criança, papai dizia “Hora de se preparar para a inspeção do General Soninho”. Vamos nessa, então.

Rindo baixo, para não acordar os adultos, todos foram se recolher.

A Toca, em Ottery-St. Catchpole, na manhã seguinte.

—Estávamos ansiosos à espera de vocês. _ disse Molly Weasley, cumprimentando e abraçando a todos _ E já está tudo pronto no acampamento.

—Partiremos amanhã, pela manhã, de Chave de Portal. _ disse Arthur, ajudando com as bagagens _ Teremos algumas Chaves de Portal à nossa espera no alto do Monte Stoatshead, pois o grupo será grande. Olá, Janine. Não te vejo desde o ano passado, quando tecnomagizamos seu celular. Adaptando-se bem à Grã-Bretanha?

—Bom dia, Sr. Weasley. _ disse Janine _ Sim, gostando bastante. O ano passado foi bem movimentado e solidificou nossa amizade.

—Oi, Harry. Eu estava morrendo de saudades. _ disse Gina, abraçando o namorado e trocando com ele um suave beijo. Rony e Hermione aproximaram-se, de mãos dadas, também abraçando o amigo.

Depois dos convidados estarem devidamente instalados, Lílian e Ayesha foram ajudar Molly com o almoço. Os Inseparáveis estavam reunidos no seu canto preferido do jardim e o assunto era, obviamente, a visão que Harry tivera, através da ligação com Voldemort.

—Harry, eu ainda acho que você deveria contar para o seu pai sobre essa visão e o fato de Voldemort estar tramando algo. _ disse Hermione.

—Eu pensei nisso, Hermione. _ disse Harry _ Mas a situação está meio parecida com aquela, há dois anos, lembra-se?

—E tem como esquecer? Foram os piores dias da minha vida, até onde posso me recordar. E estou certa de que Nereida e Penélope vão concordar comigo.

—Você me contou ontem, meio que por alto, Harry. Mas o que foi que aconteceu, mais especificamente? _ perguntou Janine.

—Quando estávamos no segundo ano a Câmara Secreta de Salazar Slytherin, nos subterrâneos da escola, foi aberta. _ disse Gina _ Houve uma onda de petrificações na escola, pela qual suspeitaram de Harry durante boa parte do ano, eu e ele quase morremos e descobrimos a identidade de Lord Voldemort.

—Era Tom Marvolo Riddle, ex-aluno de Hogwarts. _ disse Hermione com um arrepio, ao se lembrar daqueles acontecimentos _ E eu fui uma das vítimas da criatura de Slytherin, um híbrido de basilisco e górgona. Só não morremos porque nenhuma das vítimas olhou direto nos olhos dele. Foi através de reflexos em poças de água, lentes de câmeras, o “corpo” ectoplásmico de um fantasma, espelhos, etc. E a sensação é horrível, semelhante a um coma vigil, onde você está consciente de tudo, mas totalmente paralisado, uma estátua de pedra viva.

—Lutei com a criatura de Slytherin na Câmara Secreta. Ela era uma exímia espadachim e arqueira, meio mulher meio serpente, à qual aquele louco deu o nome de “Aglae” e me deu muito trabalho. _ disse Harry _ Foi preciso a ajuda de Fawkes, que a cegou e do Chapéu Seletor, que foi trazido por ela e liberou a espada de Godric Gryffindor. Com ela eu a decapitei, mas sua cabeça teve um espasmo post-mortem e mordeu minha perna. Eu teria morrido, se não fosse pelas lágrimas de Fawkes. Mas antes eu interrompi os planos dele, fazendo com que a cabeça mordesse o seu diário.

—Aquilo fez com que ele desaparecesse e o meu Ki retornasse para mim, antes que eu morresse. _ disse Gina _ Para não dizer que não resultou nada de bom naquele ano, os exames foram cancelados.

Todos riram, lembrando-se da ocasião.

—Mas estamos caminhando em uma linha bastante fina, gente. Está bem, concordo com Harry em manter segredo mas, se a situação começar a sair do controle, avisaremos Tiago, Sirius e o Prof. Mason, OK? _ questionou Hermione.

—Feito. _ disse Harry _ Mesmo porque acredito que será difícil ele tentar algo contra nós em Hogwarts.

—Tem razão, Harry. _ disse Janine _ Só estou aqui desde o ano passado, mas já deu para perceber que o lugar mais seguro certamente é onde estiverem o Prof. Dumbledore e o Prof. Mason.

—Mudando de assunto, eu soube que tentaram pegar “Olho-Tonto” Moody, ontem à noite. _ disse Rony.

—Eu o conheci no Ministério da Magia, no ano passado. Foi quando seu pai tecnomagizou meu telefone. _ disse Janine _ Conversamos rapidamente e ele percebeu que a minha situação não era comum.

—Conhecendo “Olho-Tonto” Moody, imagino que deve ter sobrado pouca coisa de quem quer que tenha tentado. _ disse Soraya.

—Mas já está tudo bem agora. _ disse Rony _ E aí, algum palpite para a final?

—Difícil, ambas as seleções são fortíssimas e contam com os melhores Apanhadores profissionais da atualidade, Aidan Lynch pela Irlanda e Viktor Krum pela Bulgária. Mas estou torcendo pela Irlanda. _ disse Harry.

O interior da Toca ficou iluminado de verde e dali a pouco Gui e Carlinhos saíam para a varanda, após terem chegado via pó de Flu, Carlinhos de Brasov, na Romênia e Gui de Alexandria, no Egito, de onde havia conseguido uma pequena folga do Gringotes.

—Gui! Carlinhos! Já estava na hora. _ disse o Sr. Weasley _ Por que demoraram tanto?

—Demoraram para me liberar no banco, papai. _ disse Gui _ O senhor sabe que eu jamais sairia sem deixar meu trabalho em dia e a documentação em ordem.

—Quanto a mim, tivemos a chegada de quatro dragões particularmente difíceis. Mas conseguimos alojá-los a tempo de eu vir. Não perderia o duelo entre Lynch e Krum por nada.

—Qual o seu palpite, Carlinhos? _ perguntou Janine _ Soube que você foi um dos melhores Apanhadores que Hogwarts já teve.

—Ah, nem tanto, Srta. Sandoval. O pai de Harry era de um nível bem superior e, pelo que eu soube da Copa das Casas do ano passado, a genética não mente e Harry está seguindo admiravelmente os passos de Tiago. Creio que a Irlanda vence, mas não será Lynch a capturar o pomo, essa honra caberá a Krum. Ei, Percy! Até que enfim saiu do quarto, mano. Está escrevendo suas memórias?

—Não, nada tão pretensioso, Carlinhos. _ disse Percy Weasley, abraçando o irmão _ Propus ao Sr. Crouch uma revisão na lei que especifica a porcentagem da liga e a espessura mínima das paredes dos caldeirões e ele me mandou elaborar o texto. Terminei ainda há pouco.

—Por que, Percy? _ perguntou Hermione.

—Grande parte dos fabricantes acaba por fraudar as especificações e coloca no mercado produtos com uma liga menos resistente ou com paredes mais finas do que o mínimo aceitável. _ disse Percy, com o seu característico ar professoral, até mesmo um tanto pedante, mas sabendo do que falava.

—Faço uma ideia. _ disse Soraya _ Acidentes graves.

—Creio que alguns até mesmo fatais. _ disse Janine _ Caldeirões derretendo, explodindo na cara do bruxo, entre outras coisas. E depois que derrete ou explode, fica quase impossível provar a fraude.

—Exatamente, garotas. _ confirmou Percy _ Com a implantação de normas técnicas mais precisas, as coisas logo poderão entrar nos eixos. Bem, agora vamos lá, senão mamãe vai começar a reclamar.

O talento culinário de Molly, com a assistência de Lílian e Ayesha, foi mais do que apreciado. O almoço foi saboreado e bastante elogiado por todos e a deliciosa sobremesa estava digna de entrar para a história.

—Fantástico, Sra. Weasley. _ disse Janine _ Preciso colocar a senhora em contato com minha mãe, para trocarem receitas.

—Vou apreciar bastante, Janine _ disse Molly _ Já ouvi falar de uma sobremesa muito tradicional da sua terra, chamada “sagu”. Mas eu não sei bem o que é.

—É uma fécula, à base de amido em forma de esferas, que é extraída principalmente de um tipo de palmeira. Lá no Brasil, mais especificamente no Rio Grande do Sul, é tradicional o sagu de vinho, com creme de baunilha.

—Deve ser uma delícia. _ disse Molly _ Qualquer dia vamos tentar .prepará-la.

O restante do dia foi tranquilo e a noite foi preenchida por alguns filmes, em um aparelho de DVD tecnomagizado. Sabendo que teriam que levantar cedo na manhã seguinte, ninguém foi se recolher muito tarde. Os últimos a irem dormir foram Carlinhos e Arthur, que ainda ficaram um pouco mais na sala, discutindo alguns assuntos importantes.

Antes de clarear o dia, todos os que iriam já estavam em pé e com suas mochilas nas costas. Apenas Molly, Ayesha e Lílian não se interessaram em ir. Os primeiros raios do sol já os encontraram quase saindo do bosque que terminava próximo ao sopé do Monte Stoatshead, onde encontraram outras pessoas que também iriam ao jogo. A tenda já estava no local da área de acampamento a eles destinada. Entre os conhecidos que encontraram...

—Olá, Amos. _ disse Arthur _ Também vai à final, então?

—Não perderia por nada, Arthur. _ respondeu Amos _ Olá, Harry. já não o vejo há algum tempo.

—Olá, Sr, Diggory. Olá, Cedric. _ Harry cumprimentou o Chefe do Departamento de Regulação e Controle de Criaturas Mágicas e o filho dele, Apanhador da Lufa-Lufa e que iria se formar em Hogwarts, naquele ano.

—Harry! Que bom te ver. _ disse Cedric cumprimentando o colega, enquanto Fred e Jorge olhavam meio contrariados. Mesmo que a derrota da Grifinória para a Lufa-Lufa no ano anterior se devesse a fatores alheios à vontade de todos, eles ainda não haviam digerido bem a história.

—Será bom assistir em vez de competir, não é, Cedric? _ perguntou Harry.

—Pois é. _ respondeu Cedric _ Mas a emoção também será grande, com esse duelo de ases.

—Sem dúvida. _ disse Jorge _ Cá entre nós, também vamos aproveitar para ver o mercado dos nossos logros experimentais.

—Então era isso que vocês faziam em segredo? _ perguntou Rony.

—Sim, mano. Principalmente escondidos da mamãe. Ela jamais quis que trabalhássemos com isso.

—Pela capacidade que eu sei que vocês têm, a Zonko’s que trate de se cuidar, para não abrirem falência. _ disse Algie.

Todos concordaram com Algie Potter e continuaram a subir. No topo do Monte Stoatshead, vários objetos estavam espalhados, todos eles com aparência inocente. Ferramentas, botas e pneus velhos, calotas e outras coisas mais. Dividiram-se em pequenos grupos, cada um segurando uma parte de uma das Chaves e aguardando. Dali a pouco...

AGORA!!!— No horário marcado, cada uma das Chaves de Portal começou a brilhar com uma luminosidade verde-azulada e em seguida já não havia mais nenhum deles no alto do monte.

Reapareceram rodopiando no local de chegada e do acampamento, uma fazenda que pertencia a uma família de trouxas, cujo pai tinha um Cartão de Acesso Nível 3. Assim que a leve tontura passou, reagruparam-se e colocaram as Chaves de Portal em caixas, pois elas serviriam para o retorno ao ponto de origem.

—Olá, Fitzpatrick. _ cumprimentou Arthur _ Então você foi escalado para fazer parte do Staff do evento?

—Oh, sim. É trabalhoso, mas eu estou certo de que será muito mais para o pessoal que está escalado para o próximo evento, que você sabe... _ Fitzpatrick logo foi interrompido por Arthur.

—Lembre-se de que ainda não é para ninguém falar nada, Fitzpatrick. O Ministro Fudge disse para mantermos em segredo até a hora certa. _ disse Arthur.

—Está bem. _ disse Fitzpatrick _ Mas logo será público, mesmo.

—Certo, certo. Mas até lá, não podemos abrir a boca.

Arthur Weasley e os outros saíram da recepção e seguiram as indicações para encontrar sua área do acampamento. Ficariam na área A-15 e os Diggory na B-5.

—Papai, do que é que o senhor estava falando com Alan Fitzpatrick? Que evento será esse? _ perguntou Jorge.

—Lamento, filho, mas não posso dizer a ninguém, antes da hora.

—Mas não se preocupem. _ disse Percy _ Logo chegará a hora de todos saberem.

—Você também, Percy? _ perguntou Rony _ Então certamente deve ser alguma coisa do Departamento de Cooperação Internacional em Magia e o seu chefe, o Sr. Crouch, certamente sabe o que é.

—Eu já disse, mano. Só na hora certa. _ disse Percy.

E como nada mais conseguissem arrancar de Arthur ou de Percy, continuaram seguindo até chegarem à tenda. No caminho, encontraram-se com a família de Seamus Finnigan.

—E aí, Seamus, como está o espírito para torcer pela Irlanda? Acha que terão chance de vencer? _ perguntou Harry, depois de cumprimentar o amigo e sua mãe, uma loira de aparência bastante alegre.

—Confio em Aidan Lynch como Apanhador, Harry. Além disso, ainda há o excelente trio de Artilheiros, Troy, Mullet e Moran. Mas a parada vai ser dura, a Seleção da Bulgária não vai dar mole.

—Faço ideia. _ disse Janine _ Procurei pesquisar sobre o Quadribol, depois que descobri que o Inter tem um time e não houve como não ver as referências a Krum e aos outros. Zograf é uma muralha, Volkov e Vulchanov devem receber alguma alimentação secreta para terem tanta força nos braços. Dimitrov, Ivanova e Levski são três Artilheiros que qualquer seleção gostaria de ter. Fora que a festa dos búlgaros pode ser ouvida daqui.

—Realmente. _ disse a Sra. Finnigan _ Mas você entende o idioma?

Фактът, че майка ми е учител по езици, помага много, o fato de minha mãe ser professora de idiomas ajuda bastante. _ respondeu Janine em Búlgaro e, logo em seguida, em Irlandês _ Mar sin, is féidir leat labhairt le daoine i do theanga féin, assim dá para conversar com as pessoas em seu próprio idioma.

Admirada e contente por ouvir e voltar a falar o Irlandês, a Sra. Finnigan e Janine conversaram rapidamente, Seamus espantado com a fluência da colega.

Despediram-se e continuaram caminhando. Passaram pela área onde os torcedores búlgaros se concentravam, coberta de pôsteres de Viktor Krum. Outro local estava ocupado por uma comitiva do Brasil, com uma excursão das quatro escolas de magia. Logo adiante, um grupo de tendas ostentava uma faixa, onde se lia “CLUBE DAS BRUXAS DE SALEM – EUA”. Enfim, chegaram à tenda, que parecia meio pequena.

—Acho que teremos que nos acomodar como pudermos. _ disse Arthur Weasley, com ar divertido, diante do olhar de surpresa de Janine. Em seguida foram entrando, um a um.

O interior da tenda era, graças a um eficiente Feitiço de Ampliação Interna, tão espaçoso quanto uma casa de três pisos e totalmente mobiliado. Todos foram se instalar e Janine ficou no meio da sala, olhando ao redor, maravilhada.

—Eis uma das razões pelas quais eu adoro magia. _ disse Harry, de mãos dadas com Gina, tocando o ombro da amiga _ Vamos nos instalar logo, assim poderemos dar mais uma volta e ver se encontramos alguém, antes do início da partida.

—Quem sabe não encontramos o meu priminho? _ comentou Soraya olhando, divertida, o rosto de Janine ficar como uma cereja enquanto todos riam, inclusive a própria.

À noite, todos estavam seguindo em direção ao local onde o enorme estádio havia sido montado para aquela final. No caminho, encontraram com alguém que não viam há algum tempo, pois andara viajando em missões do Departamento de Esportes Mágicos, o Adjunto do chefe e ex-Batedor dos Wimbourne Wasps, Ludwig “Ludo” Bagman. Logo em seguida, o chefe do Departamento de Cooperação Internacional em Magia, Bart Crouch.

—Ei, Ludo! Você esteve sumido. _ disse Arthur _ Concluiu as missões que lhe designaram?

—Tudo certo, Arthur. Ah, aquele último detalhe também já foi resolvido, Bart. Não precisa se preocupar, pois eles chegarão na data certa para...

—Certo, Ludo. _ disse Crouch _ Não vamos dizer nada, antes da hora. Só posso garantir que será monumental. Ah, Weasley, aguardo seu relatório para a segunda-feira. Como você é talentoso e detalhista, aposto que estará perfeito ou bem perto disso.

—Obrigado, Sr. Crouch. _ disse Percy _ Não irei decepcioná-lo.

—Alguém topa uma aposta no resultado? _ perguntou Bagman.

—Acho que podemos investir esta soma. _ disseram Fred e Jorge, estendendo uma bolsa de galeões para Bagman _ A Irlanda vencerá, mas a captura do pomo será de Krum.

—Palpite bem específico e arriscado. _ disse Arthur, vendo a soma que os gêmeos apostaram _ Vocês levaram um bom tempo para juntar esse valor.

—E estamos certos de que iremos multiplicá-lo para dar início ao nosso negócio de logros, papai. _ disse Jorge.

—Algo me diz que será exatamente o resultado, papai. _disse Fred.

Uma pequena figura aproximou-se deles e chamou por Crouch.

—Mestre Crouch, está chegando a hora do senhor ir se encontrar com o Ministro Fudge. _disse ela, com uma voz fina.

—Obrigado, Winky. _ respondeu Crouch para sua elfo doméstica, que viera avisá-lo _ Pode tirar o resto da noite de folga.

—Obrigada, Mestre Crouch. _ disse Winky.

—Ela não foi libertada? _ perguntou Hermione _ Muitos donos de elfos estão libertando os seus, mesmo que não tenham cometido faltas graves e mantendo-os, assalariados.

—Oh, não, mestre Hermione Granger. Sim, conheço todos vocês. Eu pedi para o mestre Crouch não me libertar. Elfos libertos não são muito bem vistos, mesmo entre nós. Aliás, Dobby perdeu muitos amigos, depois que o Sr. Malfoy o libertou (“Com uma pequena ajuda de Harry”, sussurrou Rony, ao ouvido de Soraya) e não são muitos lugares aos quais ele pode ir sem ser hostilizado, embora haja áreas de elfos livres ao redor do mundo. Com licença, vou indo. Boa noite a todos. Me chame se precisar, mestre Crouch.

Winky desaparatou e o grupo dirigiu-se ao enorme estádio, montado para o evento.

—A energia mágica utilizada nos Feitiços de Ocultamento, Despistamento e Segurança foi tanta que dá até para sentir no ar. _ comentou Tiago, olhando a magnífica estrutura. Logo estavam adentrando os portões e conferindo o caminho para o camarote que, graças ao Feitiço de Ampliação Interna, era suficiente para acomodar a todos. Ao chegarem, viram que o camarote ao lado era ocupado por...

—Lucius Malfoy? _ perguntou Arthur _ Mas você não iria ficar no camarote do Ministro?

—Até pensamos em ficar, mas Draco viu que a visibilidade daqui era melhor e queremos ver o jogo, não ficar sujeitos a formalidades e protocolos. Então, mudamos nossa opção e adquirimos ingressos para este. Creio que será uma grande final, não acham? Mas há alguém aí que eu só conheço de nome. A senhorita deve ser Janine Sandoval, de quem Draco já me falou. Espero que esteja gostando de Hogwarts.

—Muito, Sr. Malfoy. Prazer em conhecê-lo e à Sra. Malfoy. _ disse ela, cumprimentando o casal.

Enquanto os outros conversavam, ela e Draco deram uma pequena escapada e trocaram um rápido mas apaixonado beijo. Logo voltaram, pois a partida já iria começar. Aquele ano prometia ser movimentado.

Eles só não imaginavam quanto.