Harry Potter e a Cruzada Alquimista.
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Prólogo
Era noite e o vento uivava fora do castelo e entrava pelas brechas nos entre os tijolos, arrastando o frio consigo. Dentro do castelo um grisalho avançava a passadas rápidas, o semblante em seu olhar era resoluto. Uma mulher seguia em seus calcanhares.
— Mas Alvo, você tem certeza disso?
— Eu estou resoluto, Minerva. Nada que disser pode mudar minha opinião quanto a isso.
— Alvo, eles são trouxas, e do pior tipo. Vão infernizar o garoto desde a infância.
—Bem, professora Mcgonagall, então eu receio que o jovem Harry terá que lidar com isso e receio também que não estou acatando opiniões alheias quanto a isso, mesmo as suas.
Disse o velho mago fazendo uma ultima curva, finalmente parando frente a uma porta. A enfermaria. Mas diferente do que ele esperava as luzes do lugar estavam acesas e Madame Pomfrey do lado de fora, gélida, tremendo como vara verde.
— Papoula, o que aconteceu?- questionou o diretor.
— E-ele..eu falei que era proibido ma-mas ele é..- Disse a enfermeira, apontado o dedo tremulo pra portar.
Os olhos de Alvo apertaram e sem um segundo pensamento ele meteu a mão por dentro da manga do robe azul anil, sacando a varinha de sabugueiro.
O grisalho avançou alerta, abrindo a porta com uma ombrada, a varinha em riste.
Na luz do comodo a figura em questão, o “Ele” da tão apavorada Madame Pomfrey, era tão nítido quanto uma vela em meio a escuridão.
A primeira vista, não tinha uma aparência muito incomum, nem características muito marcantes. Ele era razoavelmente alto, na faixa dos 1,80m, ostentando uma postura descontraída. Um meio sorriso perpétuo parecia se pendurar, torto, em seus lábios. Uma mão descansando no bolso de seu sobretudo carmesim, que envolvia os ombros e caia ate as panturrilhas. A outra mão envolvendo o corpo do bebé.
Não era alguém muito notável, tão pouco marcante. Até que você olhasse em seus olhos. Eram dourados, dourados como ouro liquido nebulosos como uma galáxia em expansão. Se você olhasse o bastante veria uma miríade de sentimentos contida ali mas, noutras vezes no entanto, não parecia haver nada se não um breu cinzento. Era caótico como uma supernova, frio como um buraco negro, mas sempre mantinha aquele calor lá dentro. A fúria de um sol. O calor de dez vezes dez mil estrelas explodindo.
Era Flamel, e o pequeno Harry ninava em seus braços.
—..Agora, Alvo, é tremendamente descortês empunhar a varinha para seu mestre, não concorda?- os olhos dourados pousaram no grisalho, e o mago sentiu como ferroadas em sua pele.
Foi irritante. Frente ao mais temido alquimista, seu próprio mestre, encarado por aqueles sois que irradiavam poder, o próprio Alvos Dumbledore, o mais ilustre mago da Grã- Bretanha, recuou um passo, institivamente, como um gato domestico frente a um leão.
— Ah..- Dumbledore pois a mão frente a boca, tossindo. A varinha já guardada- Ora, Mestre Flamel, perdão, mas isso foi uma surpresa. Então, em que posso ajuda-lo?
O loiro estava ocupado, ninado o garoto.
— Oh, nada demais, só vim levar esse pequeno.
Dumbledore consegui se manter composto. Os olhos por trás dos óculos meia lua límpidos como uma lousa.
— Perdão?
— Ora, você ouviu, velho amigo. Obrigado por ter zelado dele ate agora, Alvo.
O Semblante de Alvo se contraiu, tenso.
— Sinto muito, Mestre, mas receio que não posso permitir isso.
Mas uma vez as estrelas de Flamel se levantaram, afiadas, o perfurando como adagas. Aquelas coisas quase emitiam luz própria.
— Então me é extremamente útil que eu não realmente necessite da sua aprovação quanto a isso, não?- falou condencente- além do que, você sabe muito bem que depois daquilo sem minha supervisão o potencial desse garoto atrofiara.
— Nicolas..
— Alvo- a voz de Nicolas saiu diferente. Áspera. Se sobrepondo e entoando pelo ambiente — eu conheço James desde que ele era um moleque. Ele foi meu aluno, assim como você, e um alquimista brilhante. Acima disso, dos que ele mais confiava eu sou o único que restou. O único em condições.
— Assim você me ofende, Nicolas- a voz de Dumbledore fez ouvir, muito mais pronunciada do que em anos. Minerva estava encolhida numa canto, não arriscando nem uma palavra- eu fui o diretor dos jovens James e Lilian, além de seu amigo leal ate o fim. Você não tem o direito de tirar essa criança de mim. De Hogwarts.
—..Assim como você não tem o direito de tirar a vida desse garoto.
As sobrancelhas do mago arquearam, simulando confusão.
Nicolas o encarou com desdém.
— Não me de esse olhar, jovem mago- a voz do alquimista escapava como um rosnado, entretanto retumbava como um trovão- acha que eu não consigo sentir a alma encrustada na testa desse garoto?
Dumbledore não teve moveu um musculo, o rosto estático, mas por dentro sua mente se auto castigava, indignado consigo mesmo por não ter considerado a variável Flamel nas equações.
—...Mas a gota d’agua não foi essa. Os Durleys? –ele quase cuspiu de asco ao falar isso- não sabem um pingo sobre magia. Pior, a desprezam. O garoto não seria um filho pra eles. Seria seu escravo. Será que você não se envergonha? Não fique em silencio, Alvos Dumbledore, responda-me.
— Receio que não entendo nada que o senhor esta dizendo, meu Mestre- disse Dumbledore, um sorriso simpático no rosto- assim como nada a responder , mas eu absolutamente devo me opor ao senhor tira-lo daqui.
Alvo, nesse momento, era igualmente imponente. Espaldar como um soldado.
— Ah é? E eu absolutamente me oponho a deixa-lo aqui
...
Arredores de Paris, França.
Algumas horas já se haviam passado desde o momento que o Mago e o Alquimista haviam se encontrado, suave que nem dois meteoros colidindo. O cenário é uma clareia nevada e foi ali, que do nada o espaço se contraiu em meio ao ar, tragando a si mesmo e expandindo-se, isso no tempo de meio segundo e num ultimo rasgo um corpo em movimento foi regurgitado do buraco de minhoca.
Nicolas dobrou os joelhos pra facilitar a queda, se pondo de pé, incólume. Ele estava muito mais maltrapilho do que quando do que quando tinha partido. O casaco vermelho, outrora intacto agora desfiado, fios soltando nos ombros e mangas. Um dos sapatos com o bico estourado. O cabelo loiro emaranhado.
Mas Harry Potter estava em seus braços e esse era o mais importante.
Foi o berrar repentino do pequeno que tirou Flamel de seus devaneios.
— Ah, droga- falou o loiro descascando o seu sobretudo estraçalhado e envolvendo Harry, passando a nina-lo logo em seguido.
Ele era tão sereno. A pele era alva, num tom saudável meio rosado. Os cabelos pretos como grafite. Mas o mais marcante, constatou sem perceber que isso cabia para si mesmo, eram os olhos.
Esmeraldinas limpas. Eram os olhos de Lilian.
—Sabe, é um saco quando você fica se espreitando nas sombras- levantou a voz, falando para nenhum lugar em especifico.
—..Sinto muito, o período de lua cheia acabou ontem. Acho que anda estou receoso.
— Venha logo, garoto. Você já é gente de novo, Remo.
Uma silhueta percorreu a floresta, serpentiando pelas sombras. Frente a Flamel um jovem. Alto, magro, a tez pálida. Os olhos claros e algum cavanhaque castanho enfeitando o queixo.
Sua roupa o fazia parecer mais velho. Terno e por baixo dele camisa, colete e gravata. Tudo em malha quadriculada. Sua aura quase gritava "professor" e se isso não bastasse o giz na lapela do paletó serviria. Remo Lupin.
— Como foi?- questionou, torcendo as mãos de nervosismo.
— Aqui, pegue o garoto. Vamos, Remo, agora você não faz mal nem a uma mosca. Otimo. Eu tenho que respirar um pouco, viajar por chave de portal sempre me enjoa- disse deixando a vista do bruxo um botão destacado, o segurando pela manga da própria camisa.
Flamel parou, tragando longas golfadas de ar. Inspira, espira, inspira, espira..
— Melhor?
— Sim. Vamos caminhando pra mansão Flamel.
Os dois começaram a marchar, o objetivo sendo o casarão no topo de uma colina.
— Então, como foi?
— Precisa perguntar? Alvo não aceitou bem. Tivemos uma discussão, como você pode notar pelo meu estado.
— Nicolas, você duelou com Dumbledore?
Um olhar de desdem.
— Não faça perguntas idiotas.
Realmente, foi uma pergunta idiota. Hogwarts não estaria pedra sobre pedra se aqueles dois tivessem lutado.
— Meus perdões- ele fez uma mesura, rápida, ainda andando- Então, James lhe concedeu a guarda legal de Harry, no testamento. O que fará com ele agora?- Perguntou Lupin. Havia preocupação e ate certo ponto, ciume, em sua voz.
Foram alguns passos ate que Lupin notasse que Flamel havia parado, em seguida dando meia volta e indo ate o alquimista. Antes que o licantropo pudesse falar qualquer coisa, Nicolas respondeu.
— Sabe..eu e minha esposa...nos sempre quisemos um filho.
— Um filho?
— Sim. Ela é infertil, você sabe. Nunca tivemos a oportunidade. Mas agora..é. Já sei o que vou fazer.
O loiro levantou os olhos, obstinados.
— Eu vou cria-lo, meu caro Lupin..
Seus olhos recaíram sobre a garoto, ainda mirrado em seu sobretudo.
—..vou cria-lo do melhor jeito que eu posso- ele aproximou a mão, meio vacilante. Percorreu os dedos pelo pouco de cabelo que o garoto tinha e nessa hora seu sorriso foi tão bobão que você podia apostar que ele era a criança.
“..Bem vindo a família, pequeno Harry.”
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