Harry Potter e Percy Jackson - O Ritual do
12 Sereianos
Will
Esse pedido pode ser difícil, mas tente imaginar namorar um gótico que desde os treze anos é o seu crush (e não muito tempo depois se torna o seu namorado) e desde os dezenove não sai mais de perto de você. Conseguiu? Ótimo.
Agora imagina que depois de dois anos sem passarem um dia longe do outro, ele some da noite pro dia, sem que ninguém soubesse e, apenas após horas de desespero, ele diz que está sob custódia de um governo mágico em Londres.
Imagino que a última parte tenha sido difícil, mas é exatamente por isso que eu estou montado num dragão de ferro junto com Leo Valdez e Jason Grace. Para resgatar o meu namorado gótico. E acredite, nos meus vinte e dois anos de vida, eu nunca estive tão ansioso. Jason não conseguiu disfarçar a preocupação quando me viu, o que significa que eu devo estar péssimo de aparência também. Mas ser conselheiro-chefe e médico do acampamento não vai me fazer um Senhor Perfeição vinte e quatro horas por dia.
De volta ao dragão, Festus já havia passado pela Irlanda do Norte, mas começou a ir na direção da Escócia ao invés da Inglaterra.
— Festus! — exclamou Leo, que conduzia o dragão. — O que deu em você, rapaz?
A resposta de Festus foi um arroto de fogo roxo-rosado, como se o dragão tivesse comido o kit de maquiagem da Drew Tanaka.
— Leo, o que você tem dado pra esse dragão comer? — Jason perguntou.
Pela cara do filho de Zeus, acho que ele só não saltou do dragão e voou por conta própria para não fazer uma desfeita ao amigo.
— O de sempre, nada mudou! — Leo respondeu, já visivelmente estressado pela pergunta.
Os dois continuaram falando sobre o que podia estar acontecendo com Festus enquanto eu voltei meus pensamentos para Nico. Ele pode ser realmente sentenciado à uma prisão de bruxos por usar os poderes? O Sr. Potter vai acreditar na história dele? E será que nós vamos chegar a tempo nesse dragão maluco?!
Antes de mais nada, não me julguem por falar assim do Festus. Em sete anos eu nunca o vi cem por cento e Leo não parece se importar em fazê-lo completamente funcional.
Quando dei por mim, sobrevoávamos próximos a um grande castelo acompanhado de um lago. Alguns habitantes do castelo começaram a sair para ver o dragão de metal, que com certeza eles não deviam estar vendo como nós, semideuses vemos e SURGIU UM CARA MONTADO NUMA VASSOURA VOADORA AQUI!
— Podem fazer o favor de descer dessa máquina antes que ela dê defeito?! -o sujeito pediu, mas pelo tom, acho que foi mais uma ordem.
Mas antes mesmo que Leo tocasse em Festus, o dragão deu um giro de trezentos e sessenta graus rápido o suficiente pra derrubar nós três. Antes de despencar para o lago, pude ver Jason usando o ar para manter Leo à salvo enquanto Festus pousava naturalmente numa torre do castelo.
Eu não sei bem o que aconteceu antes de eu ser acordado pelo Jason, mas eu lembro de cair num lago, afundar bastante e avistar uma sereia. Mas não uma sereia daquelas bonitas de desenho animado. Uma sereia cinzenta com cabelo verde, dentes quebrados, olhos amarelos e roupas de seixos. Ela avançou até mim, mas alguma coisa me nocauteou e eu perdi a consciência, acordando com correntes de ar tirando a água dos meus pulmões.
Estávamos fora do castelo, mas vários estudantes rodeavam a nós e a Festus, na torre. Um cara mais velho, aparentando ter trinta anos, de cabelo loiro e estatura média-baixa, chegou perto de nós, junto à uma senhora muito idosa, de olhos azuis que utilizava chapéu de bruxa e os dois dispersaram os adolescentes, para depois se voltarem à nós.
— Quem são vocês e como conseguiram entrar no terreno de Hogwarts?! — A senhora perguntou.
— Minerva, deixe-os respirarem antes. — o homem pediu. — Os selkies têm estado tão fechados que já é milagroso que o garoto tenha sido trazido àqui por um deles.
— Podemos ao menos saber aonde viemos parar? — Jason perguntou.
— Vocês são bruxos incomuns... — a senhora constatou. — Estão na escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, na Escócia.
— Não somos bruxos, mas semideuses, senhora... — corrigi, esperando que ela se apresentasse.
— Diretora Minerva McGonagall. — ela se apressou em dizer. — E este ao meu lado é o professor de Herbologia, Neville Longbottom. — ela apontou para o professor. — Agora, o que querem dizer com semideuses?
Jason teve uma enorme conversa com a diretora, aprendendo sobre bruxos e ensinando sobre semideuses, enquanto Neville voltou a lecionar na estufa. Leo foi informado de que Festus voltaria ao normal assim que nós saíssemos de Hogwarts e eu fiquei encarando o lago.
Eu não ligo pra nada disso. Esses conflitos, esses dois mundos, nem mesmo pra qualquer coisa que eu possa aprender aqui. Nunca me importei. Com nada disso. Mesmo no Acampamento, eu sempre fui o médico. E desde que eu conheci Nico, a vida tem melhorado, mas eu ainda não faço questão de nada dessas coisas sérias e importantes. Agora que ele foi levado, eu me sinto idiota demais por ter ignorado tantas possibilidades de aprendizado. Mesmo agora, eu estou me lamentando quando podia estar aprendendo uma forma de invadir o ministério e pegar o meu Nico de volta. Mas eu não tenho conseguido fazer nada direito sem ele. Deuses, quando eu me tornei tão inútil?
Me permiti chorar mais um pouco, depois de tentar parecer melhor apenas pro Jason não me encher. As lágrimas caíram no lago e dois daqueles selkies vieram até mim, sem nenhuma expressão facial aparente. Eles cochicharam na língua deles e um deles se aproximou de mim.
Na frente dos meus olhos, eu o vi rasgar algumas escamas no abdômen, emitindo o som de um prego na lousa e vertendo um pouco de sangue verde. Ele juntou as escamas caídas e me entregou, antes de se juntar com o colega e nadar de volta pra a sua cidade.
— Um selkie cedeu os bens mais preciosos dele pra você?! — O professor Longbottom perguntou, se aproximando com os olhos arregalados. — Acho que você deixou uma ótima primeira impressão! — ele supôs, erguendo uma pequena garrafa para que nela eu guardasse as escamas.
Uma vez que eu o fiz, ele me levou ao salão comunal, para me alimentar um pouco. No caminho, Neville me explicou que selkies tem propriedades muito diferentes de outras espécies de sereianos e que no ano retrasado, sete usos para suas escamas foram descobertos.
— Ela pode ser um núcleo de varinha, um catalisador de poções marinhas, um analgésico contra mordidas de grindylow e um revelador do futuro, embora os malucos de adivinhações afirmem que pode levar à loucura. — o professor explicou, atraindo a minha atenção com a última finalidade.
— Como eu poderia ver o futuro com isso? — perguntei.
— Ferva-as em água quente e quebre um globo em cima — ele me instruiu.
— Onde eu posso achar um globo?
Eu posso ser mais médico que profeta, mas eu ainda sou um filho de Apolo. E se eu puder saber o que vai acontecer com o meu Nico, qualquer tentativa é válida.
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