Harmony

1 Capítulo I - Harmony Blanks


Notas iniciais
Olá!

É com muita ansiedade que postamos essa história, espero que gostem e não esqueçam de deixar seu feedback.

Obrigada.

Acordar feliz e disposta para fazer o café da manhã é coisa que só acontece nos filmes e comerciais de manteiga.

No mundo real eu acordava atrasada, com a casa bagunçada, minha filha rabiscando as paredes e eu sem paciência alguma para desejar bom dia e cantar no chuveiro.

Minha vida se transformou em uma rede de mentiras desde a formatura do colegial.

Nasci e cresci em Salém, uma pequena comunidade em Nova Jersey e, até então, eu era uma jovem comum com problemas familiares para enfrentar.

Meu pai Klaus e minha mãe Monroe se conheceram em uma caminhada contra o desmatamento, e sim, eles eram hippies fora de época; afinal nos anos 80 ninguém mais se importava com a natureza com a chegada dos Laquês destruidores da camada de ozônio. Juntaram suas coisas para uma casa pequena o mais rápido possível, eu fui a primeira a nascer no começo dos anos 90 e recebi esse nome bizarro: Harmony. Às vezes me questionava se alguém me levava a sério. Meu irmão foi mais sortudo e recebeu uma identidade comum: Matt. Mas, na família eu era a única com foco e disciplina, e era justamente isso que me fazia sentir uma completa estranha dentro da minha própria casa.

Passei a maior parte da minha vida com Adam Noah Denver, meu vizinho e amigo desde que eu aprendi a andar e meus pais não conseguiram mais me segurar. Quando crianças, brincávamos na frente de casa e sua mãe, Sra. Denver, o colocou na mesma escola infantil que eu. Era horário integral, o que permitia que ela conseguisse cumprir suas horas no trabalho sem que isso interferisse na sua dolorosa rotina de mãe viúva. O Sr. Denver faleceu em um acidente de trabalho — ele era eletricista e não foi uma morte agradável — deixando Adam que tinha 5 anos e Claire, sua irmã, com 11 anos. Ambos ficaram reclusos depois disso, Claire chorava toda noite e Adam atrasou um ano na escola. Ficou na mesma série que eu, que fiz de tudo que uma criança poderia fazer para que ele ficasse bem.

Desde essa história de morte do pai do Adam nossas famílias se aproximaram mais. Minha mãe praticamente adotou a família Denver, nossos almoços eram juntos e ela até ficava cuidando de Adam e Claire nos finais de semana em que a mãe deles, Joane, fazia horas extras. Matt nasceu 4 anos depois, quando Noah e eu já estávamos aprendendo biologia na escola.

Infelizmente Adam teve uma infância cheia de perdas: o pai, os animais de estimação, a mudança de cidade da irmã e a morte da Sra. Denver quando estávamos começando o colegial em uma escola mais distante do nosso bairro. Ela teve um derrame cerebral, morreu dormindo. Esse acontecimento desestruturou toda nossa família, Claire estava em New York e quando soube tomou para si a responsabilidade de cuidar do irmão. Meus pais se ofereceram a ficar com eles, mas todos sabíamos que até um coelho era mais responsável que os dois juntos.

Ela foi incrível como irmã mais velha, largou a bolsa de Medicina e com apenas 22 anos auxiliou Adam em tudo o que estava no seu alcance. Claire também foi uma amiga especial para mim, conversávamos sobre tudo e quando eu menstruei pela primeira vez, ela estava lá me ajudando com todo o procedimento que me acompanharia por longos anos. Minha mãe até tentou, mas ela tinha uma política de purificação do sangue que eu não tive interesse em saber.

Foi uma fase muito difícil, achei que não iríamos superar, mas Adam foi forte e agiu como o filho que toda mãe se orgulharia: Se empenhou na escola, entrou pro time de futebol americano e até se inscreveu no Grupo de Auxílio da escola, onde ajudava animais de uma ONG.

Diferente de mim, aquela que era conhecida como “a amiga do Adam”. Mesmo com tão pouco a oferecer, ele conquistou a popularidade facilmente. Enquanto eu me esforçava para tirar notas boas, Adam aprendia toda matéria na noite anterior. Enquanto eu me arrumava todos os dias pra escola, ele recebia convites para festas. E claro, insistia que eu deveria ir para acompanhá-lo. Mas, eu só ficava isolada em um canto, procurando um copo limpo e observando todos se divertirem.

Eu tinha dez anos e ele onze quando demos o nosso primeiro beijo e determinados a não repetir isso, já que julgávamos como nojento na época, prometemos que só iriamos namorar se com quinze anos ainda estivéssemos solteiros. Cinco anos depois cumprimos essa promessa, formando o casal mais carinhoso da escola.

Meus sentimentos por Adam eram os mais puros e verdadeiros, nossa parceria era inalcançável e naquele tempo ele parecia a pessoa ideal pra passar o resto da vida. Eu realmente gostava dele. Nós fazíamos tudo juntos, inclusive viajamos para conhecer as Universidades quando estávamos escolhendo para qual enviar a carta de ingresso. Adam sempre sonhou em ir para Califórnia, e eu estava decidida a aquela tal faculdade famosa em Massachusetts.

A carta de aprovação na Universidade chegou logo após a formatura do ensino médio. Adam havia sido aprovado em Stanford, do outro lado do país, enquanto eu tinha sido aprovada para a Columbia, em Nova York. Não era o que eu esperava, eu tinha certeza que conseguiria uma resposta de Harvard… Mas eu fiquei feliz de qualquer forma, lá tinha um das melhores tabelas para o curso de Direito.

Nós agimos como qualquer adolescente agiria: transamos e prometemos não esquecer um do outro. Ainda me lembro do último beijo quando ele me deixou em frente a Columbia e seguiu em viagem para Stanford. Mesmo sendo lados completamente opostos, ele me levou até lá.

Seria super bonitinho se eu dissesse que cumprimos essa promessa, mas a vida real não é dirigida pela Disney. Tivemos nossa primeira briga por celular, durante a primeira semana de aula e quatro dias depois eu descobri que estava grávida de três meses e o filho só poderia ser dele, já que eu não tive tempo de fazer sexo com qualquer um numa festa de recepção para calouros.

Me desesperei, não quis contar pra ele sobre a gravidez e claro: tive que trancar a faculdade de Direito só concluindo um período. Receber essa notícia que mudaria minha vida completamente não foi muito fácil. Eu chorava o tempo todo e me culpava.

Também escolhi não contar para os meus pais, porque tive medo da reação deles. Eles não eram o tipo de pais responsáveis que me exigiam atitudes maduras, eles nunca foram assim. E o meu medo maior era que eles surtassem com a feliz ideia de serem avós e sufocassem meu filho com ursinhos de pelúcia. Eu posso tentar me enganar com essas justificativas, mas no fundo eu só não queria parecer irresponsável. A vida toda eu passei uma imagem de superioridade, e meu ego não me deixou dar o braço a torcer.

Claire havia se mudado há poucos meses para o Canadá, onde ganhou outra bolsa de Medicina depois de anos de tentativa. Eu não iria estragar mais uma vez a chance dela de concluir a faculdade dos seus sonhos.

Tampouco falei com Adam, não me via no direito de acabar com a vida de alguém da noite para o dia. A vida dele tinha sido muito difícil até então na última conversa que tivemos, disse a ele que era hora de conhecermos pessoas diferentes e tentar criar um futuro longe um do outro.

Notas finais
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Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.