Harder To Breathe
36 Sudden Change.
Notas iniciais
P.O.V Daniel
No outro dia, levei Adrielle, Victoria e Nicholas até o aeroporto, nos despedimos e então fui trabalhar. Depois do expediente não tinha nada pra fazer, então peguei meu carro e fui dar uma volta, parei em uma encosta na praia e fui fazer uma caminhada, pensar um pouco na vida, estava em duvida, será que deveria mesmo ir nessa viagem? De repente meu celular tocou, era a Adrielle me ligando e dizendo que havia chegado bem, infelizmente ficamos conversando por pouco tempo, ela tinha que desligar, mas prometeu que faria o possível pra falar comigo em breve. Fiquei um pouco chateado, queria muito conversar mais com ela, saber o que ela estava achando da cidade, mas ela estava ocupada e não poderia fazer nada, e o futuro dela.
Fui embora e no outro dia acordei cedo, tinha deixado minhas coisas arrumadas antes de dormir então queria ir logo. Avisei a minha mãe e coloquei minhas coisas no carro quando de repente escutei a Lola me chamando, me virei e a observei, ela estava linda, seu cabelo estava trançado de lado, e ela usava um vestidinho de renda branco e um cintinho vermelho, tentei disfarçar minha admiração desviando o olhar, logo em seguida ela veio até mim e me perguntou:
– Posso ir com você? – Eu fiquei meio sem jeito de dizer não mais ela logo completou. – E que a Debbye vai com seus pais e o carro já está transbordado de coisas, não há espaço para mim, e eu não vim com meu carro.
Como não tinha outro jeito eu acenei positivamente com a cabeça, ela trouxe as suas malas, colocamos no porta-malas e partimos. Ela se sentou do meu lado e não disse nada durante um bom tempo, e quando eu menos esperava, ela indagou:
– Sei que você está com raiva de mim, mas se você pensa que eu estou com o intuito de separar você e a Adrielle, eu não estou, Daniel me dê a chance de te provar que eu mudei durante essa viagem. –Ao olhar para ela eu senti que deveria lhe dar uma chance.
– Lola, você tem que superar o nosso fim, o que aconteceu entra a gente, já faz tanto tempo, o que eu estou sentindo pela Adrielle e indescritível, se você realmente esta falando a verdade eu posso até pensar, mais se esta com segundas intenções pode desistir, nada vai conseguir separar nós dois.
– Eu sei Daniel, minhas intenções são sinceras, eu quero ser apenas uma amiga, amigos então?
– Amigos.
Passamos o restante da viagem silenciosos, as vezes eu puxava assunto, as vezes ela, mais nunca se tornava duradouro. Quando chegamos, tive certeza que deveria ter vindo, esse lugar me faz tão bem, estar perto da natureza, reencontrar minha avó que não vejo faz tanto tempo, eu realmente estava feliz. Descemos as malas do carro e as levamos para a varanda da casa, minha avó e Joseph nos esperavam na porta, Joseph é o zelador que cuida dessa casa desde que eu me entenda por gente. Dei longos abraços nos dois e fui arrumas as coisas no quarto, depois desci e fui para a sala de visita, minha avó estava me esperando lá e ficamos conversando durante um tempão, eu contei para ela sobre a Adrielle, e ela ficou muito feliz, disse que nunca havia gostado muito da Lola. Uma hora mais tarde meus pais e a minha irmã chegaram, eles cumprimentaram a minha avó e depois também foram arrumar suas coisas, minha avó e a minha mãe foram fazer o almoço, Debbye e Lola sumiram lá para o andar de cima e eu fiquei conversando com o meu pai. Almoçamos mais tarde, fizemos um quilinho e depois passamos a tarde toda jogando Poker, mais tarde nós jantamos e eu já fui me deitar, antes de dormir chequei meu celular, não tinha nenhuma chamada perdida da Adrielle, eu tinha medo de ligar pra ela, e ela estar ocupada então achei melhor não incomodar, apesar da vontade que eu estava de contar pra ela como e bom aqui, de como ela vai gostar quando ela chegar.
Levantei mais cedo que todo mundo, desci para o andar debaixo e sentei no alpendre e fiquei ali admirando aquele magnífico nascer do sol. Alguns minutos mais tarde Lola se sentou ao meu lado e começou a puxar assunto, ficamos conversando sobre a época do colegial, e rimos muito da aparência dos nossos antigos amigos, era bom conversar com alguém ali naquele momento, e ela estava lá.
P.O.V Adrielle
Nunca havia tido um dia tão tumultuado, desde quando chegara, quase não tinha tempo de ir ao banheiro, graças a Deus estavam aparecendo um monte de oportunidades. Ficava o dia inteiro tirando fotos, me adaptando, na verdade estava aprendendo a me soltar diante de uma câmera, mas tenho que confessar, era divertido, depois das fotos, mal chegava no hotel tinha que me arrumar correndo para ir em algum jantar com alguém importante.
Em momento nenhum do dia deixava de pensar no Daniel, no que ele deveria estar fazendo e quando eu pegava o telefone para ligar para ele era repreendida por todos, que ficavam dizendo que eu tinha que me manter focada, que mais tarde poderia ligar para as pessoas, só que eles não entendiam que a hora que eu chegava dos jantares e muito tarde para ficar ligando para as pessoas. Liguei para ele logo de manhã, ele atendeu todo animado, pedi desculpas por não ter ligado pra ele no dia anterior, e agradeci por ele ter compreendido. Perguntei como estava sendo a viagem e ele falou pouco, acho que estava um pouco chateado. Eu também perguntei como que a Lola estava o tratando, se ela já tinha tentado o agarrar, ele riu e disse que não, e eu o alertei e o lembrei do que ela fez assim que eu a conheci e o porque de eu não querer ele perto dela, e ele ainda disse que não esta tendo relação nenhuma com ela, o que me tranquilizou bastante.
No restinho de tempo que ainda tinha liguei para a minha linda amiga, também estava com saudades dela, ela estava coma voz tão tristonha, embora tentasse disfarçar, não podia fazer isso comigo. Conversamos durante mais tempo que podia, por isso atrasei para os afazeres da parte da manhã, não deu pra ligar pra mais ninguém durante o resto do dia, já estava ficando cansada daquela rotina, ainda bem que o dia seguinte seria sexta feira e eu já iria embora.
No comecinho da tarde eu tive uma folguinha e liguei para o meu amor, chamou, chamou, e quando já estava quase caindo a ligação a Debbye atendeu ao telefone:
– Alô?
– Oi, Debbye, é a Adrielle, será que posso falar com seu irmão? – Ao fundo escutei alguém chamando ela.
– Espera só um minutinho. – E então ficou um silencio total, logo depois eu escutei o barulho de água e então escutei o Daniel rindo e depois eu escutei a Lola dizendo para ele parar, e eles riram, ele pedindo pra ela voltar, pareciam estar se divertindo, escutar aquilo me deu uma raiva enorme, desliguei o telefone.
Eles estavam fazendo o quê, e por que o Daniel deixou ela se aproximar? Ela é uma vaca, só deseja me ver longe dele, não é possível que ele seja tão bobo pra cair no jogo dela. Que ódio, será que ele estava cedendo a beleza dela, ao jogo que ela estava fazendo? Seria melhor eu nem pensar nisso, eu confiava nele, mas e se eu fizer uma surpresinha e chegar mais cedo da viagem, o que ela acharia disso?
P.O.V Daniel
Foi bom falar com a Adrielle, embora ainda me sentisse um pouco chateado, é difícil explicar o porque, eu não entendia, só sabia que não queria conversar com ela, e depois ela ainda falou sobre a Lola, me senti mal por não ter dito que estávamos numa boa, mas sei que ela ia ficar chateada, e nós já estávamos nos falando tão pouco. Quando ela chegasse conversaríamos sobre isso, a Lola realmente parece ter mudado, e ela tem que entender que a Lola vai ser apenas uma amiga.
Nesse dia na parte da tarde fomos pescar, foi muito divertido, essa pesca teve um valor muito importante pra mim, porque tive a oportunidade de ter momentos de lazer com o meu pai, coisa que raramente acontece. Na sexta feira, acordei, tomei café, tomei um banho, almocei, e depois fomos todos pra piscina, no começo ficamos só eu e Lola brincando, eu jogava água nela, e como era muito fresca, fazer isso a irritava, dei altas risadas implicando ela, mais tarde um pouco todos entraram na piscina, até a minha avó e Joseph.
Na hora do jantar aconteceu uma coisa estranha, Debbye me avisou que Adrielle tinha ligado, eu perguntei quando e porque ela não tinha me falado para que eu pudesse atender. Ela me disse que ela ligou quando eu estava brincando com a Lola na piscina, ela disse que a vovó tinha chamado ela urgente, e ela deixou o celular em cima da mesa ao lado da piscina, como teve que sair correndo para ver o que era, esqueceu de me avisar. Eu fiquei abobado com a noticia, será que Adrielle havia me escutado brincando com a Lola? Eu tinha que ter contado pra ela que estava numa boa com a Lola, que raiva de mim mesmo. Descontraindo o clima tenso meu pai começou a contar umas piadinhas, zuando com a minha cara e a da Debbye, todos na mesa se divertiram com as gracinhas dele, menos a Lola, ela estava sentada na minha frente, expressão seria e olhava fixamente para baixo. Fingi que não vi e continuei brincando com meu pai, até que de repente ela saiu correndo e foi rumo ao alpendre dos fundos.
– Vai atrás dela Debbye! – Eu exclamei
– Eu não, se quiser vai você. Vou me deitar, com licença. – E então ela se levantou e foi, logo depois meu pai e a minha mãe também, como eu estava preocupado fui ver o que estava acontecendo. Minha avó disse que era melhor eu deixar ela sozinha, mas como estava preocupado fui ver mesmo assim o que era.
Me sentei ao lado dela, ela estava chorando, eu não queria ser invasivo na vida dela assim, mas queria tanto saber o que esta acontecendo. Nem precisei perguntar ela já veio dizendo:
– Eu não estou me sentindo bem Daniel, eu tenho tudo que eu quero, roupas, jóias, amigos, mais não tenho o que eu mais queria, o que tem mais valor pra mim, o afeto do meu pai. – Eu estava começando a entender o porque dela estar assim, e o engraçado e que ela nunca havia dito isso antes pra mim, não sabia que ela se sentia assim por dentro. – Eu não vejo ele há muito tempo, ele não faz conta de mim, acha que só o dinheiro dele basta, mais é o amor, é o carinho, eu não tenho uma casa pra morar, uma família pra me divertir, um pai pra poder me contar piadas como o seu, você não tem noção da falta que isso faz. – E depois de dizer isso desatou a chorar mais, foi quando a puxei para um abraço, ela envolveu seus braços ao redor da minha cintura, apoiou sua cabeça no meu ombro, e eu fiquei fazendo cafuné no seu cabelo até ela se acalmar, depois de muito tempo naquela posição estava começando a me sentir incomodado, ela já estava calma, só não sabia como sair daquele abraço, e de repente escutei alguém atrás de nós.
– Não acredito no que eu estou vendo.
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